sábado, 13 de março de 2010

Pergunta Que Não Quer Calar.

Na edição da CARTA CAPITAL desta semana, na seção "CARTAS DO LEITOR" (todas devidamente assinadas), chamou-me a atenção a carta de um leitor de Porto Alegre, chamado Mário Lobo Cunha e que gostaria de transcrever, até porque a pergunta dele é a minha também.

"Nos últimos 20 anos Israel (potência nuclear), violando todas as leis internacionais, já atacou/invadiu Líbano, Iraque e Síria, todos países vizinhos ou próximos à fronteira iraniana. Os EUA (outra potência nuclear), por sua vez, violando também todas as leis internacionais e até disposições do Conselho de Segurança da ONU, atacaram/invadiram o Iraque e o Afeganistão, países limítrofes com o Irã."

"A pergunta que não quer calar... Por que o Irã, localizado em uma região do globo em que ninguém respeita as leis internacionais, deve ficar inerme aguardando a sua vez de ser atacado/invadido e não pode se armar 'até os dentes' para revidar, se for o caso?"

Boa pergunta, não é mesmo?


E agora???

Lendo o Taperá agora cedo deparo-me com a descoberta da empresa que andou jogando alimentos vencidos em beira de rodovias vicinais da cidade e que o Taperá flagrou com fotos do ocorrido. E a empresa (Supermercados Bom Bom) é do nobre vereador que agora se diz de oposição e que tem assumido uma postura bastante diferente dos demais ao criticar e denunciar possíveis erros da administração.

Pois é!!! E agora???

Chegou....

Ontem, dia 12, Tiago - meu filho - chegou da França para passar alguns dias aqui com a gente.

Quase três anos sem vê-lo, creio que não é preciso detalhar muito como foi o momento em que ele apareceu na porta de desembarque do aeroporto. Indescritível!!!

Ele está muito bonito. Mais "gordinho", branco - como os que veem pouco sol - e bastante alegre.

Falou muito de lá, das coisas boas e ruins, das expectativas e frustrações.... enfim, o Tiago que conheço, bastante ponderado e com um grau de ceticismo que lhe faz bem.

Amanhã é o aniversário dele - 26 anos - e preparamos uma grande festa para ele se encontrar com todos da família e amigos daqui. Vai ser muito bom, com certeza.

Ontem, quando chegamos, como voltei pela rodovia dos bandeirantes, parei primeiro em minha mãe, já que íamos todos almoçar juntos. Duas coisas interessantes: a emoção de minha mãe e dele ao se reencontrarem e uma frase que Tiago expressou várias vezes: "aqui tem cheiro, né!" (ao percorrer o quintal da vó) destacando uma diferença bastante grande entre os países frios e tropicais como o nosso. Interessante observar essas descobertas e novidades.

Agora, temos até o dia 31 para matar as saudades.

Amo você, meu filho!!! Ah...minha filha também....rs....

terça-feira, 9 de março de 2010

Tiago Chegando

Sexta-feira, dia 12, vem para o Brasil meu filho, Tiago, que está há três anos na França, primeiro para fazer seu mestrado e depois para trabalhar na área que escolheu - ciência da computação.

Imaginem vocês como está a ansiedade para que chegue logo a sexta-feira. Estarei no aeroporto esperando ele desembarcar para poder rapidamente matar as saudades que são imensas.

Mas o menino é chique...rs. Vem passar as férias aqui.... É mole!!! Volta para a França no dia 31 de março. Esses quase vinte dias que ficará por aqui terão que matar as saudades e acumular um montão de reservas para suportar até não sei quando um novo reencontro.

Chegue logo, filhão!!!

Dia Internacional da Mulher

Acabo de ser cobrado por não ter saudado as mulheres ontem em seu Dia Internacional.

Pois é. Na verdade não acho o dia um dia festivo. Sua origem e fundamento é de recordação de um momento histórico bastante forte. A morte das mulheres na fábrica de tecidos em Nova York é por demais forte e precisa de muita reflexão e novas lutas. Fiquei feliz ontem à noite com a comemoração da prefeitura na sala Palma de Ouro. Apesar de todo o oba-oba com sorteios de brindes (100 brindes) a recuperação histórica foi bastante interessante, além do belo vídeo apresentado.

É evidente observarmos, quando olhamos para trás, os grandes avanços que as mulheres conquistaram em tão pouco tempo, como lembrava Iara Bernardi ontem. Imaginar que quando era eu menino, mulheres de calças compridas eram um escândalo e que biquínis eram uma raridade nas praias. Imaginar que nos anos trinta do século passado a mulher brasileira não votava e que o controle da natalidade a partir da vontade da mulher não tem trinta anos é perceber o quanto elas avançaram em suas conquistas em pouco tempo. Lembrar que na época de minha mãe as profissões reservadas para as mulheres (quando insistiam em trabalhar) eram as piores na divisão capitalista do trabalho. Imaginar que na época de minha mãe raras eram as mulheres que se aventuravam a fazer uma faculdade.

Nesse aspecto - das conquistas - elas devem ser saudadas todos os dias, sempre.

Portanto, mulheres, não fiquem bravas por eu não desejar um feliz dia das mulheres. Até porque respeito muito a história de lutas e conquistas de vocês e tento valorizá-las todos os dias.

Discussão das Cotas

Temos que dar a mão à palmatória: o DEM (antigo PFL) conseguiu provocar um debate nacional. Ao entrar com uma ação de inconstitucionalidade diante da política de cotas raciais usadas por universidades públicas, não só confirmou sua marca de elite preconceituosa como também provocou uma bela produção no debate do assunto.

O STF - Supremo Tribunal Federal - deverá julgar a ação brevemente. E para procurar elementos para sua decisão, provocou audiências públicas nos dias 03 a 05 de março deste ano. E os debates estão interessantes. Se você quiser acompanhar com detalhes o que foi discutido no STF, entre aqui para ler.

Um artigo que expressa muito o que penso foi publicado no portal da CARTA CAPITAL. Peço licença para reproduzí-lo abaixo.

Uma verdade irrelevante.

Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

Sim, as diferenças genéticas entre as chamadas “raças humanas” são insignificantes e a cor da pele é determinada por apenas algumas dezenas de genes entre os trinta mil que formam o genoma humano. Mas e daí?

O argumento "biologicamente não há raças, então não pode haver cotas raciais", mais que falho, é desonesto. Foi o mesmo usado por S. E. Castan, editor de livros antissemitas e neonazistas ao ser condenado em 1998 com base nas leis que punem manifestações de preconceito racial: “os judeus são uma etnia, e não uma raça, portanto, antissemitismo não é racismo”. O STF não aceitou o argumento e confirmou a condenação a dois anos de prisão.

Não há porque levar mais a sério um Ali Kamel. Que as diferenças étnicas sejam geneticamente irrelevantes não impediu que milhões morressem em genocídios nos campos de extermínio alemães, na Bósnia ou em Ruanda e que um número muito maior de pessoas tenha sofrido ou ainda sofra humilhações e discriminações por serem negros nos EUA ou no Brasil.

Uma verdade irrelevante, uma desconversa. É o que se pode dizer das lições de genética com as quais se quer desmerecer a discussão sobre políticas de ação afirmativa. O racismo brasileiro é um fato social e histórico que não há como negar de boa fé. Ignorar isso e falar de genética é apenas uma tentativa de mudar de assunto, tanto quanto seria recorrer à química para afirmar que negros e brancos são feitos das mesmas moléculas. Ou quanto filosofar sobre a irrelevância ética dos valores monetários e o caráter ilusório da felicidade para negar que há diferenças entre ricos e pobres.

A diferença de renda entre brancos e negros é grande e está aumentando: de 2004 a 2008, segundo a PNAD, a diferença entre as rendas médias dos negros (incluindo “pardos”) e dos brancos no Brasil se ampliou. A renda média dos brancos aumentou 115% em termos nominais, chegando a renda média familiar per capita de R$ 791 e a dos negros apenas 99%, ficando em R$ 398.

Isso embora a diferença de escolaridade entre as duas populações tenha diminuído: na verdade, os efeitos da discriminação mostram-se mais importantes quando se considera negros e brancos mais escolarizados. Em São Paulo, um branco com fundamental incompleto ganha 19% mais que um negro com igual instrução, enquanto um branco com curso superior completo ganha 41% mais que um (raro) negro nas mesmas condições.

Para os racistas, tanto os poucos que recorrem a teses biológicas para justificar seus preconceitos quanto para a maioria que discrimina sem pensar, não importa o fato biológico de que há mais genes envolvidos em variações genéticas individuais do que na diferença entre etnias. Nem a consequência óbvia de que, caso precisem de uma transfusão ou transplante, é perfeitamente possível que o sangue ou órgão de uma pessoa de outra raça se mostre mais compatível com o seu do que o de um parente.

A maioria deles simplesmente não se sente confortável em compartilhar os mesmos espaços e ter de tratar de igual para igual alguém de diferente cor de pele, que “não deveria estar ali”, concorrendo com seus filhos ou com sua própria carreira. Não é preciso que se ponham cartazes para dizer explicitamente “white only”, não é preciso que se organize uma Ku-Klux-Klan: basta o consenso silencioso de que o negro deve ficar “em seu lugar”.

Dito isso, é cabível discutir se favorecer negros e indígenas na seleção dos candidatos ao ensino superior é a melhor forma, de combater o preconceito racial a curto prazo, ou a que deveria receber maior prioridade aqui e agora. As estatísticas mostram que a discriminação continua a existir entre negros e brancos portadores de iguais diplomas: talvez seja mais importante combater o preconceito na seleção profissional, na disputa de vagas no mercado de trabalho e na pós-graduação. Também é perfeitamente razoável discutir se é preferível que o preconceito racial seja compensado por meio de cotas ou de diferenças de pontuação e como isso deve ser combinado com a consideração de outros fatores, como a renda. Mas falar de genética para fingir que o problema não existe é desconversar para desinformar.

Para o jurista Fábio Konder Comparato, a adoção de cotas raciais nas universidades públicas “não apenas é constitucional, como a ausência desse tipo de política representa uma inconstitucionalidade por omissão”. Confira a íntegra da entrevista concedida à CartaCapital.

Na própria página do artigo de Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa, outras reportagens a respeito são indicadas. Vale a pena conferir.

E o debate está aberto!!!


Extrapolou.... Responde.

O PT Nacional divulgou nota nesta terça-feira em resposta a reportagem da veja desta semana e editorial do estadão de hoje, onde os ilustres meios de comunicação perdem a classe e chamam os petistas de "quadrilha", "bandidagem" e outros adjetivos de quem, sem ter o que defender, busca atirar pedras em quem eles querem mortos. Leia abaixo a nota:

Nota do Partido dos Trabalhadores

É com perplexidade e absoluta indignação que o Partido dos Trabalhadores vem acompanhando a escalada de ataques mentirosos, infundados e caluniosos por parte de alguns órgãos da imprensa a partir de matéria sensacionalista publicada na última edição da revista Veja.

O mais absurdo desses ataques se deu hoje, terça-feira (9), quando o jornal O Estado de S.Paulo usou seu principal editorial para acusar o PT de ser “o partido da bandidagem” – extrapolando todos os limites da luta política e da civilidade sem qualquer elemento que sustente sua tese.

O PT tem uma incontestável história de lutas em defesa da democracia, da cidadania, da justiça e das liberdades civis. Nasceu dessas lutas, se consolidou a partir delas e, nos governos que conquistou, tem sido o principal promotor da idéia de um Brasil efetivamente para todos, com absoluto respeito às instituições democráticas, às regras do jogo político e ao direito fundamental à liberdade de opinião e expressão.

Para nós, a diversidade de opiniões é a essência não só da democracia, mas também do próprio PT. Devemos a essa característica, em grande parte, o sucesso de nosso projeto de país, cujo apoio majoritário da população se dá em oposição aos interesses da minoria que nos ataca.

Nem o PT nem a sociedade brasileira podem aceitar o baixo nível para o qual parte da mídia ameaça levar o embate político às vésperas de mais uma eleição presidencial. O Brasil não merece isso. A democracia não merece isso. A liberdade de imprensa, defendida pelo PT mais do que por qualquer outro partido, não merece que façam isso em nome dela.

O PT não entrará nesse jogo, no qual só ganham aqueles que têm pouco ou nenhum compromisso com a democracia. Mas buscará, pelas vias institucionais, a devida reparação judicial pelas infâmias perpetradas contra o partido e seus milhões de militantes nos últimos dias.

Acionaremos judicialmente o jornal o Estado de S.Paulo, pelo editorial desta terça, e a revista Veja, pela matéria que começou a circular no último sábado. Também representaremos no Conselho Nacional do Ministério Público contra o promotor José Carlos Blat, fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova e o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual.

José Eduardo Dutra
Presidente Nacional do PT

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vários

Depois de alguns dias sem aparecer por aqui, vários assuntos ficaram sem posts. Vou aqui tentar resumir alguns deles a partir de outros blogs e sites.

O primeiro deles é a visita da Secretária de Estado Norte-Americano Hillari Clinton ao Brasil. Impressionante como muitos veículos de comunicação ainda são submissos. Uma frase que marcou muito dos noticiários da globo foi mais ou menos assim: "Hillari vem do Uruguai, passando pelo Chile, e do Brasil vai para a Costa Rica, em sua missão de proteger o continente sul americano." Triste, não é mesmo? Mas sobre o assunto que a trouxe até aqui, temos um artigo interessante no blog VERMELHO. Leiam aqui, vale a pena.

Um outro assunto que chama a atenção é a declaração de apoio à Dilma Roussef do empresário Abílio Diniz, do grupo Pão de Açucar. Interessante como o mundo dá voltas. Em 1989 quando Diniz foi sequestrado, perto das eleições presidenciais onde Lula disputava com Collor, a polícia e toda a imprensa tentaram ligar o sequestro aos petistas por conta de materiais da campanha do Lula "encontrados" no cativeiro. Hoje, o homem rasga elogios ao Lula e diz apoiar Dilma. Leia aqui.

E as organizações globo continuam aprontando. Noticiaram que o Lula se afastaria da presidência para a campanha da Dilma e José Sarney assumiria a presidência. O Planalto desmentiu. E o jornaleco disse que quem não aceitou foi o Sarney. Ninguém merece. Veja aqui.

E por fim, para descontrair, a globo pode tomar um processo de homofobia por conta do BBB. As declarações de um dos brothers chamaram a atenção da justiça. Veja aqui.

E amanhã tem entrega da reforma e ampliação do CEMUS I, com Banda Marcial e tudo o mais.

Fui.

Lambança do Governo Serra.

Lembram-se de que alguns dias atrás publiquei um post dizendo que o governo Serra não assumiria o pagamento das viagens dos delegados de São Paulo para a Conferência Nacional da Cultura? Pois é. Os delegados de São Paulo se mobilizaram e encaminharam a carta abaixo para o nosso governo do estado. Leiam:

São Paulo, fevereiro de 2010

Nós, delegados democraticamente eleitos como representantes legais do Estado de São Paulo para a II Conferência Nacional de Cultura, a ser realizada no período de 11 a 14 de março, em Brasília, vimos por meio desta manifestar o nosso mais veemente repúdio, que pode ser subdividido em desagravo e indignação, ao governo do estado de São Paulo, notadamente invocado nas pessoas de seu governador, sr. José Serra, e secretário estadual da Cultura, sr. João Sayad, pela atitude de boicotar a nossa participação neste importante evento que faz parte de um esforço coletivo e somatório de dotar o país de uma política pública democrática que possa fortalecer a Cultura nacional.

Ao agir assim, os srs. governador e secretário estadual da Cultura do Estado São Paulo descumprem um regulamento previamente acordado entre União e Estado, além de desprezarem o esforço de mais de 400 municípios paulistas que, acreditando na adesão estadual à II Conferência Nacional de Cultura, realizaram as suas conferências municipais e intermunicipais, dispendendo para isso recursos humanos e materiais e reunindo milhares de cidadãos, representantes da sociedade civil e de poderes públicos locais, para debaterem e formularem questões e propostas pertinentes à Cultura.

Uma vez vencidos estes processos, os mesmos municípios voltaram a esforçar-se para enviar seus respectivos delegados eleitos para a cidade de São Paulo, onde em 26 de novembro de 2009, no Memorial da América Latina, realizou-se a fase estadual da II Conferência Nacional de Cultura – evento que também contou com esforços pessoais, governamentais e, mais grave ainda: com uso de dinheiro público para a sua realização. Dinheiro público cujo gasto se tornou irregular, uma vez que o motivo final de sua utilização veio a se tornar desnecessário, dada a decisão do goverso do Estado em desobrigar-se de sua responsabilidade para com os delegados estaduais, ou seja, a de garantir a participação deles mediante arcar com os custos de transporte para Brasília.

Nosso repúdio não deve ser somente em nome – em nome dos delegados estaduais, mas também e, sobretudo, em nome de todos os milhares de cidadãos que participaram das fases municipais e intermunicipais, acreditando serem verdadeiras as intenções do governo do Estado para com a realização da II Conferência Nacional de Cultura.

É preciso salientar que, a partir da postura inábil e totalmente desprovida de prática em conferências do governo do Estado, demonstrada na forma caótica com que realizou a fase estadual, nossos representantes do governo do estado já sinalizavam desconforto com essa maneira de se relacionar com a sociedade civil e, em parceria desta, definir estratégias e propostas visando a implementação de políticas públicas culturais.

Mas esse desconforto pode servir para um nosso não estranhamento com o boicote político de nosso governo estadual à II Conferência Nacional de Cultura, mas não deve justificar o desrespeito dos srs. José Serra e João Sayad a todos os municípios e cidadãos paulistas que crêem em uma nova relação entre Estado e sociedade civil e, para tanto, não economizam tempo nem ações para a construção deste novo tipo de diálogo mais saudável e imprescindivelmente necessário. Este boicote não vitimiza somente a nós, delegados estaduais que subscrevemos a esta carta, mas sim a todo o povo paulista que acredita na Cultura como direito básico do cidadão.

Nós, delegados da Conferência Estadual de Cultura, primeira diga-se de passagem, subescrevemos esta carta e convidamos a todos artistas, gestores(as) públicos ou privados, produtores(as) culturais, fazedores (as) e/ou sabedores (as) culturais a endossá-la. Ela nos serve como moção de repúdio ao governo estadual paulista, pelo boicote à II Conferência Nacional de Cultura, tanto quanto como a reiteração de nossa crença inquebrantável na Cultura, na Educação e na Cidadania.

Os srs. José Serra e João Sayad nos deram um "belo" exemplo de como não sermos cultos, educados ou cidadãos.

Sem mais, subscrevemos


DELEGADOS ESTADUAIS DEMOCRATICAMENTE ELEITOS PARA A II CONFERÊNCIA NACIONAL DE CULTURA E APOIADORES DA DEMOCRACIA.

E a lambança se propagou. Depois de receber essa manifestação, a Secretaria da Cultura encaminhou o seguinte comunicado para os delegados:

Em 3 de março de 2010 16:12, <brodarte@sp.gov.br> escreveu:

Prezados,

A Secretaria de Estado da Cultura, seguindo determinação imposta pelo
Regimento da Conferência Nacional de Cultura, se responsabilizará pelo
transporte SP - BSB dos delegados eleitos na Conferência Estadual de
Cultura.

Por favor confirmem seu dados na planilha em anexo ainda hoje, 03 de março.
Qualquer alteração necessária, enviar no corpo da mensagem.
Importante termos os dados corretos de todos.

Enviaremos os e-tickets por e-mail. Em caso de desistência, favor informar
ainda hoje.
Quem já tiver respondido a este e-mail ou já tiver conversado conosco por
telefone, não precisa retornar.

Favor aguardar mais informações.

Atenciosamente,
Bárbara Rodarte
Secretaria de Estado da Cultura
(See attached file: Delegados Titulares.xls)

Perceberam o tom? "...seguindo determinação imposta....".

A verdade é que depois dessa lambança toda, vários delegados encontraram outros meios para ir até Brasília, inclusive nosso querido Marcos Pardim.

Já pensaram isso no governo federal???? Deus me livre.......


O Que Será a Campanha

Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma

Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.

Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.

Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.

“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.

O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.

“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.

Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.

Publicado em Carta Maior.