terça-feira, 7 de junho de 2011

Sai Palocci - Entra Gleisi Hoffman



Do VioMundo

Antonio Palocci pede demissão. Em editorial, Carta Maior diz que a saída representa a chance de reordenação estratégica:

“Governo Dilma ganha espaço para uma reordenação política que corrija as lacunas de um ciclo inicial em ue a principal agenda era negativa: conter o crescimento para conter a inflação e a apreciação cambial . A inflação já reverteu a curva ascendente. A instabilidade cambial não cede sem baixar os juros que atraem capitais especulativos, mesmo com algum controle cambial. Um bom recomeço seria interromper a nova alta da Selic que está sendo discutida nesse momento na reunião do Banco Central iniciada nesta terça-feira”.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi escolhida como substituta de Antonio Palocci na Casa Civil. Ela é advogada, natural de Santa Catarina e ex-presidente do PT do Paraná. Na gestão de Zeca do PT no Mato Grosso do Sul, Gleisi foi secretária de estado. Também foi secretária de gestão pública de Londrina. Em 2010, foi eleita senadora pelo estado do Paraná. É casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Leia aqui a íntegra da nota de afastamento de Palocci divulgada pela Casa Civil.

Livros de Auto Ajuda Analisados

Magnifico o estudo resumido na entrevista abaixo. Fiz questão de grifar partes que considero espetaculares!!!


Livros de auto-ajuda consumidos por educadores são tema de estudo

Os livros de auto-ajuda são produtos semiculturais cujo conteúdo é invariavelmente pontuado por frases feitas e histórias sem profundidade que beiram o risível. Apesar dessas características, essas obras não apenas passeiam com frequência pelas mãos de educadores brasileiros, como orientam vários de seus pensamentos e atividades pedagógicas. A constatação, feita em tom crítico, é do filósofo e consultor em educação Arquilau Moreira Romão, que defendeu recentemente a tese de doutorado "Filosofia, educação e esclarecimento: os livros de auto-ajuda para educadores e o consumo de produtos semiculturais”. Na entrevista que segue, o autor do trabalho acadêmico, que foi orientado pelo professor Cesar Nunes, da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, fala das principais características dessas publicações, dos interesses que estão por trás delas e de como esses textos prestam o que considera um desserviço ao exercício da reflexão e ao desenvolvimento do espírito crítico.

Jornal da Unicamp - Como surgiu o interesse pelo tema?
Arquilau Moreira Romão - O interesse pelo tema deriva do nosso itinerário pessoal, marcado pelo envolvimento com adolescentes e jovens no 2º e 3º graus, ministrando aulas de Filosofia, e também em função da participação em muitos congressos e eventos educacionais no país. Em tais situações, deparamo-nos com a realidade de pessoas escolarizadas – e, não raro, bem intencionadas –, bebendo receitas de realização pessoal em livros de auto-ajuda que vão em direção diametralmente oposta ao lema filosófico do "conhece-te a ti mesmo”. Encontramos coordenadores que iniciam trabalhos de estudos citando tais autores, vemos a utilização dos textos de auto-ajuda em reuniões de estudo, observamos cópias de textos de auto-ajuda pregados em murais de salas de estudo e encontramos professores em cujas mãos estão postos livros de auto-ajuda.
Com freqüência, ouvimos perguntas, afirmações e interpretações de professores baseadas nos livros de auto-ajuda como se fossem citações de autoridade. Também notamos a massificação dessas obras com o fenômeno de um mercado editorial crescente não apenas nas livrarias deshoppings, mas, sobretudo, dentro das escolas, sendo consumidas como se tais obras garantissem algo, assegurassem um caminho menos tortuoso, emblematizassem suavidades e levezas ao professor submerso em uma realidade. A pesquisa também é fruto da nossa experiência pedagógica como professor de Filosofia e como conferencista em cursos de formação para professores.
Ao longo dos últimos vinte anos, em escolas da rede particular de ensino de Ribeirão Preto e região, firmamos a prática de fomentar, na sala de aula, um espaço de reflexão e indagação, exercícios tão caros à Filosofia. Nasceu daí nossa primeira escuta do senso comum e da consciência ingênua, pois muitos alunos repetiam quase literalmente dizeres da mídia e de instituições como a família, a Igreja e o governo.
Ainda no mestrado, esboçamos uma reflexão sobre a inclusão da prática e do exercício filosóficos na sala de aula, sobre a escuta da voz dos alunos e sobre a maneira como eles falam de si, de seu tempo, de seu país, de seu mundo, enfim. Concluímos que a falta da disciplina Filosofia vai muito além de uma carência curricular, mas representa uma maneira de silenciar a indagação, reflexão, crítica e questionamentos no chão da escola, lugar privilegiado para ser o útero de todas as dúvidas.

JU – Como a pesquisa foi desenvolvida?
Arquilau Moreira Romão - Nosso trabalho foi construído em duas etapas: reflexão teórica sobre os postulados da Escola de Frankfurt e análise dos conteúdos dos livros de auto-ajuda. Na primeira, buscamos investigar os processos pelos quais os conceitos de indústria cultural, semicultura e semiformaçãotêm relação com o universo docente da escola pública, em geral marcado pela ação de um contingente de professores de formação precária e pela execução de projetos pedagógicos inconsistentes, esvaziado pelas políticas públicas educacionais de coloração neoliberalizantes. Nesse universo, expande-se a literatura de auto-ajuda de cunho educacional. A forma como esse tipo de obra tem se dirigido a educadores e pais vende a imagem de um saber científico, sem que tenha o rigor de evidências, a acuidade crítica e a revisão de literatura característicos do fazer científico.
Esses livros nutrem-se preferencialmente de fórmulas prontas de oferta da felicidade e receituários de sucesso, que teriam apenas o "eu”, o referencial iconográfico do sujeito e a sua vontade de realização pessoal como condicionamento. Na segunda, procedemos as análises das obras de autores de auto-ajuda voltados para educação, quais sejam: Gabriel Chalita, Hamilton Werneck, Içami Tiba, Augusto Cury. Escolhemos vinte livros dos mais consumidos por professores e fizemos um levantamento dos temas que mais se repetem, dos tópicos mais recorrentes e das mensagens mais freqüentemente anotadas por estes autores.

JU – Os livros de auto-ajuda encontram grande aceitação por parte dos leitores em geral. O mesmo ocorre com os educadores em particular?
Arquilau Moreira Romão - Sim, o livro de auto-ajuda é apresentado para o professor como a chave do sucesso centrado na competência individual, deslocado de qualquer contexto sócio-histórico, pontuado por conteúdos de frases-feitas, idéias e temas do senso comum e histórias sem profundidade que beiram o risível. Os professores, como reféns desse tipo de literatura, acreditam que estão consumindo um saber de última geração, que estão tendo acesso a novas metodologias de ensino, quando, na verdade, estão sendo cooptados pelo que existe de mais sucateado pela ideologia neoliberal, ou seja, por uma ideologia que tenta apregoar a abolição das grandes narrativas, do coletivo e das categorias modernas, impondo a superficialidade, o verniz ralo do individualismo e das soluções particulares e da felicidade dos consumismos da atual indústria cultural.

JU – Que interesse especial os educadores demonstram por esse tipo de gênero?
Arquilau Moreira Romão - Não trabalhamos com entrevistas dirigidas aos professores, por isso não temos condições de especular sobre o que move os educadores a buscarem tais livros. No entanto, investigando os conteúdos dos livros de auto-ajuda, vimos que propõem receitas para atingir o sucesso na conquista da emoção de ensinar e aprender, ou seja, sinalizam fórmulas para abrir as janelas boas dos alunos, usando até mesmo música suave, tranquila, relaxante para isso. Pretendem instalar mudanças de comportamento dentro da escola, aplicando a lei do afeto e dos sentimentos.
Anotamos quão ilusória é essa solução. Ainda que consideremos que a música tenha um papel considerável na educação dos sentidos de um aluno, não achamos razoável atribuir a ela a chave de todas as conquistas dentro do espaço escolar, pois muitas questões, no chão da escola, fogem ao ato de "treinar” a emoção dos alunos (e dos professores) e têm relação com políticas educacionais, as quais o professor não tem poder de alterar.

JU – Os educadores aplicam os "ensinamentos” desses livros em suas práticas cotidianas?
Arquilau Moreira Romão - Interessa-nos investigar quem é o professor que busca ensinamentos em um livro de auto-ajuda. Esse professor, que hoje enfrenta as salas de aula cada vez mais heterogêneas, que está pressionado para demonstrar índices de produtividade e que se coloca como o domador de tecnologias high tech, é o mesmo que consome livros de auto-ajuda, que se emociona com soluções fantasiosas para os dilemas da carreira, que repete os hinos de amor e as histórias publicadas como verdadeiras pelos livros de auto-ajuda. E o faz não porque seja mal intencionado ou porque queira transitar no limite do mínimo, mas porque é resultado de políticas educacionais compensatórias que substituíram, barganharam e sabotaram o princípio primeiro da educação: esclarecer o homem para que ele transforme a natureza, a si mesmo e a sociedade em que vive. Estamos sustentando que esse professor foi gestado e modelado pela mesma escola pública que hoje ele ajuda a construir. Ao longo de anos, ele foi seu aluno fiel, permanecendo atento às campanhas de prevenção de doenças, de combate ao piolho, de doação do leite em pó, de atendimento odontológico, de campanha do meio ambiente.
Ao lado disso, marcamos que foi, no ventre da educação pública, que ele aprendeu a substituir as horas de dedicação à leitura e formação das bases da cultura clássica, pelas horas de entretenimento barato, pela informação aplicável na realidade e pela absorção de um ensino tecnificado e instrumentalizado. O aluno de antigamente, que aprendeu em Organização Social e Política Brasileira (OSPB) quão necessário era não discutir política, ainda que sob a enganação de que o fazia em aulas de moral e cívica, é o mesmo que hoje, na sua sala de aula, apela para explicações moralizantes, emocionais e religiosas para explicar o seu "karma” de professor. É ele que, não apenas conta os meses para se aposentar, mas, pior, fala isso publicamente; é ele que enuncia sobre os bons tempos de outrora em que os alunos obedeciam e "a gente ensinava de verdade”; é ele que saboreia o travo amargo da auto-estima baixa de sentir-se menos diante dos alunos e não saber explicar os porquês a partir de uma perspectiva histórica.

JU – A seu juízo, essas obras podem eventualmente trazer contribuições à educação formal?
Arquilau Moreira Romão - Não vemos contribuição destas obras ao processo de formação do professor. Pelo contrário, a explosão dos livros de auto-ajuda justifica-se como sendo um dos pilares sustentadores da ideologia neoliberal, que apregoa as saídas individuais para problemas estruturais da sociedade e que cria, para o sujeito, a falsa imagem de possuir todas as soluções em seu interior, em sua mente, em seus afetos, escamoteando a conjuntura sócio-histórica em que o professor vive.

JU – Em sentido contrário, que prejuízos esses livros podem eventualmente trazer à educação formal?
Arquilau Moreira Romão - Os livros de auto-ajuda para educação cumprem apenas a função anestésica de inebriar os indivíduos, tirando-lhes a capacidade crítica. Sabemos também que estas obras têm sido consumidas em reuniões pedagógicas, de planejamento e de estudo dos docentes como traço supostamente motivacional; sabemos ainda que a educação apoiada no viés ideológico neoliberal não se preocupa com as radicais reflexões sobre os processos, mas consolida-se apoiada nos produtos avaliatórios e estatísticos.

JU – Quais as principais características desses livros de auto-ajuda? O conteúdo e a linguagem, por exemplo, são semelhantes?
Arquilau Moreira Romão - Os livros de auto-ajuda promovem um desligamento da realidade concreta, aventando a emergência de uma instância iluminada pelo pensamento positivo, místico, sagrado, pelo afeto, sucesso e felicidade e nutrindo seus leitores de uma espécie de selo de certificação de que as pasárgadas são possíveis no aqui e agora dos sujeitos. Um primeiro modo de apresentar os títulos de auto-ajuda vende o "como” ao modo de uma receita com passos a serem seguidos e com o resultado esperado cheio de confirmação. Nesse bloco está posta a forma como o autor vê o seu consumidor: alguém a receber um receituário cujas prescrições estabelecem modos de comportamento e de ação.
O indivíduo é apenas um consumidor que deve seguir a receita sem questionamento e sem reflexão. Sobre isso nos lembramos do conceito de razão instrumental, aqui retomado para esclarecer como tais receitas de sucesso, felicidade, plenitude, equilíbrio, saúde e, no nosso caso, realização do processo educacional, sabotam a crítica emancipadora e a possibilidade de entendimento da vida social. Exemplos disso são os títulos: Como fazer amigos e influenciar pessoas; Como conseguir tudo o que você quer da vida; Como fazer as pessoas gostarem de você à primeira vista; Como obter o máximo de si mesmo; Como enfrentar situações de perda; Como desfrutar sua vida e seu trabalho; Como alcançar a realização plena; Como desenvolver o poder de sua mente; Como criar uma vida encantada; Como atrair dinheiro etc.

JU – O senhor diria que são produtos que vendem ilusões?
Arquilau Moreira Romão - Ao oferecer receitas prontas e apagar a dúvida e a crítica em torno delas, os livros de auto-ajuda vendem ilusões e fantasias. A mais gritante delas está no fato de propor que todos igualmente têm o mesmo poder na nossa sociedade, sociedade esta crivada de injustiças, assimetrias de poder, diferenças entre classes sociais. Também se promove a inversão de atribuir à pessoa a culpa pelo seu não-poder de realização em todos os sentidos. Enfim, se alguém não alcançar o sucesso, é porque não quer ou porque é incompetente para tal. Outros exemplos em destaque são: O poder infinito de sua mente; O poder do pensamento positivo; O poder do subconsciente; O poder dos anjos; Você pode ser criança.
O poder evocado nos títulos constrói uma imagem de realização fantástica e mágica, que reclama pouco investimento a não ser a leitura do livro. Isto quer dizer que apenas lendo o livro é possível tornar-se brilhante, rico, saudável, feliz, iluminado e sonhador. Como um maná a cair do céu do mercado editorial, esses títulos promovem a emergência de provérbios ou verdades universais acima que de qualquer suspeita ou dúvida. Exemplo do que estamos falando são os títulos: O sucesso não ocorre por acaso; A arte do perdão; O sucesso está no equilíbrio; O homem é aquilo que ele pensa; Terapia do coração aberto; Só o amor pode avançar; A luz que vem do céu…

JU – Que livros o senhor analisou ao longo da pesquisa?
Arquilau Moreira Romão - Estudamos vinte obras de auto-ajuda para educadores, o primeiro grupo de Gabriel Chalita, ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo, cujas obras escolhidas são Educação – a solução está no afeto; Histórias de professores que ninguém contou (mas que todo mundo conhece); Pedagogia do amor - a contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações; Educar em oração; e Os dez mandamentos da ética.Do doutor Augusto Cury, médico com livros de muitas edições, escolhemos duas obras, visto que várias outras diziam respeito a temas distantes do universo escolar: Filhos brilhantes, alunos fascinantes e Pais brilhantes, professores fascinantes. Do também médico Içami Tiba, escolhemos os livros que dialogam com professores, mas trazem receitas que também podem servir aos pais:Adolescentes: quem ama, educa!; Disciplina limite na medida certa - novos paradigmas; Educação e amor; Ensinar aprendendo - novos paradigmas; e Quem ama, educa! Por fim, de Hamilton Werneck, encontramos o maior volume de livros, editados por empresas reconhecidas e de circulação nacional: Assinei o diploma com o polegar - A construção da cidadania na escola; Como vencer na vida sendo professor, depende de você; Ensinamos demais, aprendemos de menos; O profissional do século XXI; Ousadia de pensar; Prova, provão, camisa de força da educação; Se você finge que ensina, eu finjo que aprendo; e Vestibular: eu quero, eu posso, eu vou passar.Após a leitura dessas obras, escolhemos quatro feixes temáticos que foram os mais repetidos, reincidentes e constantes no conjunto estudado. Selecionamos os conteúdos e os fragmentos e partimos para análise dos mesmos, ligando-os com os postulados da teoria crítica, dos estudos sobre sociedade de massa e sobre a auto-ajuda em geral, buscando afunilar nossas análises em torno das obras destinadas a educadores.

JU – No título da sua tese, o senhor se refere aos livros de auto-ajuda como "produtos semiculturais”.
Pode explicar melhor esse conceito?
Arquilau Moreira Romão - Criar a lógica da mesmice e alimentá-la a cada novo produto faz parte da engrenagem da indústria cultural. Nesse contexto, a arte serve apenas para adestrar o gosto e o consumo, reforçando o lucro dos dominadores, mantendo, no fosso da ignorância, um conjunto amorfo e indiferente de homens eufóricos por consumir e trabalhar para acumular dinheiro para, de novo, consumir, desprovidos do fomento à faculdade crítica. Inferimos que o enfraquecimento da consciência crítica e da razão emancipadora transformou o indivíduo em mero repetidor, ventríloquo da indústria que está sempre pronta a produzir novos objetos de semicultura para o consumo instantâneo.
Esse consumo de si mesmo diz respeito ao modo como as mercadorias compradas e engolidas fazem coro com o abandono do uso da razão. Acelerado o comprar e o consumir da semicultura, o indivíduo semiformado entrega à esfera da troca de mercadorias a sua capacidade de discernimento, ficando atado em uma teia sem fim, em que as leis de mercado só levam em conta o lucro e não têm a dimensão do social. Assim sendo, falar de sociedade de consumo e da massificação de objetos culturais (no nosso caso os livros de auto-ajuda para educação) não se restringe a uma mera escolha de pessoas endinheiradas ou de trabalhadores incluídos na rota do consumo, mas abrange um debate mais amplo em que pesam as relações sócio-históricas-ideológicas e em que se leve em conta a lógica do capitalismo atual.

JU – Ainda assim, esses livros vendem muito. Onde estaria o "trunfo” desse tipo de literatura?
Arquilau Moreira Romão - Em relação aos títulos dos livros de auto-ajuda, observamos outra regularidade: vários deles marcam a chegada de um tempo em que os manuais, os guias e as cartilhas estão em alta. Parece que essas obras regularizam, normatizam e padronizam comportamentos compatíveis com a felicidade, que longe de erigirem sombras de dúvidas, dissipam-nas. O alarde de soluções, para todos os tipos humanos, todos os conflitos derivados de estados civis, todos os temas, todos os problemas etc, parece-nos ser o trunfo desse tipo de literatura; trunfo este municiado pela semiformação e semicultura capazes de banalizar o mau gosto, disseminar obras rasteiras, vender e fazer consumir pílulas de alienação para que os homens continuem a reproduzir seus papéis sociais sem mudança, sem que a chama da transformação das relações seja alimentada.

http://www.unicamp.br/

Fonte: Jornal da UNICAMP – MANUEL ALVES FILHO

Mais um Remendo....

Talvez seja a hora de se pensar em uma nova LDB

De Campos e Bravo

CÂMARA APROVA AVALIAÇÃO MAIS ABRANGENTE PARA TODOS OS NÍVEIS DE ENSINO

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta quinta-feira, em caráter conclusivo, proposta que tem o objetivo de tornar mais abrangente o sistema de avaliação dos ensinos fundamental, médio e superior.

A proposta exclui a expressão "do rendimento escolar" do seguinte trecho da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei 9.394/96), para que a União avalie a educação em seus diferentes níveis e dimensões, e não com foco no desempenho do aluno:
"A União incumbir-se-á de: (...) assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino.”

O projeto seguirá para o Senado, a menos que seja apresentado recurso para sua análise pelo Plenário.
Por recomendação do relator na CCJ, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), o texto aprovado foi o substitutivo da Comissão de Educação e Cultura ao Projeto de Lei 1200/03, do deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Para o autor, o desempenho do aluno, sozinho, não expressa o resultado do processo de aprendizagem, a qualidade do ensino e as condições de funcionamento da instituição.

Íntegra da proposta:
PL-1200/2003 - http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=118566

http://www2.camara.gov.br/agencia/

Tecnologia em Sala de Aula

De Campos e Bravo

ESPECIALISTA EM NOVAS TECNOLOGIAS DEFENDE USO DE CELULARES E TABLETS EM SALA DE AULA

Enquanto muitos professores procuram manter seus alunos longe de seus smartphones, tablets e das mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, o especialista em novas tecnologias educacionais Oge Marques, professor da Universidade Atlântica da Flórida defende uso dessas novas tecnologias em sala de aula. Ele esteve no Brasil para uma palestra sobre o tema, em Curitiba (PR) no dia 27 de maio.

Para ele, com um pouco de cautela, dá para transformar essas ferramentas, tidas como inimigas dos estudos, em uma forma divertida de entender melhor os conteúdos educacionais.

- Essas tecnologias estão quebrando paradigmas, já fazem parte do dia a dia e podem, sim, ser incorporadas nas escolas. Aliar a educação a tecnologia e um atrativo que pode tornar a aula mais empolgante - afirma.

Segundo Oge Marques, por meio do twitter é possível aprofundar questões sobre temas que surgem dentro das salas de aula.

- Os sites de relacionamento podem ser usados para os estudantes trocarem conhecimentos com professores e outros colegas de classe. A melhor maneira de obter um bom desempenho dos alunos através das mídias sociais é permitir o acesso a esses sites, dentro do ambiente escolar - diz o especialista.

Marques alerta que é imprescindível que o professor faça o papel de mediador, ensinando que informações devem ou não ser aproveitadas.

- Sem a orientação adequada, os sites deixam de ser ferramentas pedagógicas - enfatiza.

Oge Marques afirma também que hoje, o Brasil, não consegue usar as redes sociais como ferramentas pedagógicas de forma sistemática por não ter professores preparados para isso.

- A ideia de que na rede um ajuda o outro, é romântica. O que acaba acontecendo é que um cego conduz outro cego. Para isso não acontecer é preciso que os educadores estejam preparados para trabalhar com as mídias sociais em aula. A falta de preparo dos professores é um dos grandes obstáculos.

http://oglobo.globo.com/

Pesquisa Sobre Educação Infantil no Brasil

Algumas situações são bastante questionáveis, a começar pelo universo pesquisado.

De Campos e Bravo

Creches e pré-escolas ainda são precárias

Um raio X da Educação Infantil revela como nossas creches e pré-escolas ainda são precárias. "Vimos crianças lidando com um pedaço minúsculo de massa de modelar, já desbotada de tanto uso, e esse era o único material disponível. Encontramos também escorregadores e balanços quebrados, problemas graves de adequação do espaço, de infraestrutura..." O relato da professora Maria Malta Campos é desalentador. E essas foram apenas algumas das cenas lamentáveis que ela testemunhou ao coordenar a pesquisa Educação Infantil no Brasil: Análise Qualitativa e Quantitativa.

Lançado no fim do ano passado, o estudo é fruto de uma parceira entre a Fundação Carlos Chagas (FCC), o Ministério da Educação (MEC) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Divulgados em meados de 2010, alguns dados já tinham esquentado o debate sobre a qualidade da Educação oferecida aos brasileirinhos de zero a 5 anos. Agora, com o trabalho publicado, tem-se um panorama completo. O diagnóstico: nossa Educação Infantil vem melhorando, mas ainda deixa muito a desejar.

Depois de avaliadas 147 creches e pré-escolas em seis capitais brasileiras, os pesquisadores concluíram que, numa escala de 0 a 10, a nota média dessas instituições não passa de preocupantes 3,3 e 3,4, respectivamente. Maria Malta reconhece que algumas coisas mudaram para melhor nos últimos anos. Um exemplo é a transferência da responsabilidade pela Educação Infantil das secretarias de Assistência Social para as de Educação. Mas ainda é preciso avançar bastante para chegar a um nível de qualidade minimamente aceitável.

Dos sete aspectos avaliados, o que recebeu as piores notas foi Atividades - tanto nas creches quanto nas pré-escolas. "Muitas instituições não têm livros infantis nem garantem às crianças oportunidade de participar de algo tão básico e importante quanto uma brincadeira de faz de conta", diz a pesquisadora. Segundo ela, um dos problemas é o grande número de adultos sem preparo adequado atuando nesses estabelecimentos. "A formação e a carreira dos profissionais desse setor ainda precisam, e muito, de atenção e ações efetivas por parte do poder público."

Além de radiografar a Educação Infantil, a pesquisa investigou o impacto da pré-escola no desempenho dos alunos em seus primeiros anos do Ensino Fundamental. E descobriu que as crianças que frequentaram instituições de melhor qualidade em três das seis capitais (Campo Grande, Florianópolis e Teresina) obtiveram notas médias 2,9 pontos mais altas na Provinha Brasil. "O fato de a qualidade da pré-escola influir positivamente na aprendizagem da leitura e da escrita no início do Ensino Fundamental reforça a relevância de garantir ambientes de nível adequado na Educação Infantil", sentencia o estudo.

Síntese da pesquisa sobre Educação Infantil no Brasil

Problema sério. Dos sete itens avaliados em creches e pré-escolas, apenas um recebeu nota equivalente à qualidade adequada. Veja outros resultados da pesquisa.
ITENS AVALIADOS CRECHES PRÉ-ESCOLAS
Espaço e mobiliário 3,1 3,1
Rotinas de cuidado pessoal 2,9 4,1
Falar e compreender 3,8 ---
Linguagem e raciocínio --- 3,7
Atividades 2,2 2,3
Interação 5,7 5,6
Estrutura do programa 3,2 2,5
Pais e equipe 3,6 3,6

Nível de qualidade e pontuação

INADEQUADO  BÁSICO  ADEQUADO        BOM                      EXCELENTE
de 1 a 3                de 3 a 5       de 5 a 7         de 7 a 8,5                    de 8,5 a 10

•49,4% das creches avaliadas obtiveram nota inferior a 3, correspondente ao nível de qualidade INADEQUADO.

•30,4% das pré-escolas obtiveram nota inferior a 3, correspondente ao nível de qualidade INADEQUADO.

AMOSTRA
•147 instituições pesquisadas
•6 capitais (Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina)
•229 turmas observadas

CONCLUSÕES
•Crianças que passam pela Educação Infantil têm desempenho melhor ao longo da vida escolar.
•As creches avaliadas obtiveram média 3,3, e as pré-escolas, 3,4, numa escala de 0 a 10, indicando o nível básico.
•As políticas públicas para o conjunto das instituições precisam atacar deficiências de infra-estrutura e formação.

http://revistaescola.abril.com.br/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Peru e a guinada à esquerda na AL - Artigo

Do Blog do Miro

A vitória de Ollanta Humala nas eleições deste domingo tem um significado que transcende as fronteiras do Peru. Ela confirma a guinada à esquerda da América Latina – continente que foi laboratório da devastação neoliberal nos anos 1980/1990 e que hoje é a vanguarda mundial na luta pela superação deste modelo destrutivo e regressivo. Tariq Ali, no livro “Piratas do Caribe”, e Emir Sader, na obra “A nova toupeira”, descrevem com maestria esta virada histórica.

Esta onda progressista, marcada pela centralidade da disputa eleitoral, teve início com a vitória de Hugo Chávez, um militar rebelde, em dezembro de 1998. Na sequência, ela continuou produzindo cenas inusitadas na região – como a eleição de um líder operário no Brasil (Lula), de nacionalistas na Argentina (Nestor e Cristina Kirchner), de um líder indígena e camponês na Bolívia (Morales), de representantes de organizações guerrilheiras na Nicarágua, El Salvador e Uruguai, de um teólogo da libertação no Paraguai (Lugo), de um economista de esquerda no Equador (Correa).

A derrota dos neoliberais

O Peru expressa bem esta mudança do quadro político na região. No governo de Alberto Fujimori (1990-2000), o país foi vítima de uma cruel ditadura, que implantou a força o modelo neoliberal. Diante da resistência popular, ele deu um golpe, fechou o Congresso Nacional, interveio na Justiça e ampliou seu mandato. No final, com o país devastado – via privatizações e exclusão social –, Fujimori foi acusado de corrupção e hoje cumpre pena de 23 anos de prisão.

Os seus sucessores, Alejandro Toledo (2001-2006) e Alan Garcia (2006-2011), porém, deram continuidade ao projeto neoliberal. Com base no saque das riquezas minerais, a economia até cresceu, mas não beneficiou a população mais carente. Os ricos ficaram mais ricos, e os pobres afundaram na miséria. Como afirmou Ollanta Humala, já com a vitória garantida, a sua eleição foi um recado dos peruanos que não aceitam mais as injustiças sociais.

domingo, 5 de junho de 2011

Nudez em Londres

Do Luis Nassif

Por Assis Ribeiro


Dançarinos nus chocam em Londres


Image


Publicado: 4/06/2011
Por Redacção Zwela

Foto: (EFE)

Espetáculo com dançarinos pelados causa escândalo em Londres

Londres, (EFE) - O espetáculo de uma companhia de dança canadense, cujos membros saltam totalmente pelados pelas poltronas do teatro e realizam gestos obscenos, conseguiu escandalizar a crítica e parte da plateia em Londres.

Trata-se de um espetáculo do coreógrafo franco-canadense Dave Saint-Pierre intitulado "Un peu de tendresse bordel de merde!", que se apresenta atualmente no teatro Sadler's Wells, templo da dança moderna da capital britânica.

Com perucas de longos cabelos loiros, os dançarinos saltam pelados entre os espectadores, se sentam no colo de alguns, mostram suas nádegas e simulam masturbação, o que provoca risos ou rejeição, de acordo com o bom humor da plateia, que por sua vez, decidiu abandonar a sala.

O crítico do "Daily Telegraph" qualificou o espetáculo de "repulsivo, vulgar e estúpido" enquanto o do dominical "The Observer" escreveu no Twitter na noite do estreia: "Coreografia risível, texto pretensioso, suposta tentativa de romper barreiras".

Saint-Pierre, que aposta com frequência em dançarinos pelados em suas criações, se mostrou surpreendido pelas fortes críticas porque, segundo explicou, "os coreógrafos levam mais de 40 anos fazendo estas coisas".

O diretor artístico de Sadler's Wells, Alistair Spalding, se mostrou por sua parte contente que a maioria do público sintonizasse a noite de estreia com o espírito do espetáculo e só uma pequena parte abandonasse a sala.

Fonte: EFE

Veja aqui video com parte do espetáculo

Bolsa Família para o Mundo

Do Zé Dirceu

Nada mais coerente com a projeção internacional que o Brasil adquiriu nos últimos anos e o novo papel que o país tem o direito de desempenhar no cenário externo, do que a cobrança feita pela presidenta Dilma Rousseff ao receber o presidente do Banco Mundial (BIRD), Robert Zoellick, e reivindicar maior participação dos países emergentes na instituição.


A reivindicação da presidenta insere-se, também, na defesa permanente que o Brasil faz de reformas nas instituições multilaterais, como o próprio BIRD, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização das Nações Unidas (ONU), para que o Brasil e os demais países emergentes desempenhem ali o papel que conquistaram de fato no novo cenário político e econômico mundial.

Tão importante quanto os posicionamentos externados pela chefe do Estado brasileiro foi a revelação do presidente do Banco Mundial, de que nas recentes conversações que manteve no G-8 (semana passada, em Deauville - França) com os chanceleres da Tunísia e do Egito, aconselhou que os países do Norte da África, aproveitando o processo de democratização decorrente das rebeliões populares na região, adotem o programa Bolsa Família.

Muito boa, também, a resposta da presidenta Dilma à essa questão. Ela considerou que a utilização de todo o potencial agrícola da África é uma atitude mais eficiente do que adotar políticas de controle de preços para os alimentos. Prontificou-se, ainda, a ajudar nesse esforço, lembrando que um bom caminho a ser seguido pelos países africanos pode ser o nosso modelo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF).

Realmente esta pode ser uma excelente política para a África produzir alimentos. Se implementada, e mais, se mostrar-se viável também a adoção do Bolsa Familia pelos países do Magreb (Norte da África) e árabes, temos aí uma indiscutível vitória - mais uma - do ex-presidente Lula e do PT. Mais uma que nossa grande mídia e a oposição têm que engolir.
 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lançado o BRASIL SEM MISÉRIA

 


O Plano Brasil sem Miséria, lançado nesta quinta-feira (2/6) pela presidenta Dilma Rousseff, terá investimentos federais de cerca de R$ 20 bilhões por ano até 2014, informou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, em entrevista coletiva após o lançamento do plano. Esses recursos incluem o orçamento do programa Bolsa Família. Segundo a ministra, o valor poderá variar de acordo com o desenvolvimento das ações, mas o governo acredita que esse número seja superado com a participação dos estados e da iniciativa privada.


Para dar início à primeira parte do programa, a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que prevê R$ 1,2 bilhão de crédito adicional para o Orçamento de 2011. Segundo a ministra, esse valor contempla um conjunto de ações, como a construção de cisternas, mas em especial a ampliação do Bolsa Família e a contratação de equipes de assistência técnica responsáveis por buscar a população-alvo do plano, por meio da busca ativa.
“Temos certeza que esses recursos serão ampliados. Além desses recursos do governo federal teremos recursos dos governos estaduais e da iniciativa privada.”
Outra informação apresentada pela ministra é a inclusão de 1,3 milhão de crianças e adolescentes no Bolsa Família. Medida provisória assinada hoje pela presidenta Dilma Rousseff altera de três para cinco o limite máximo de filhos (com até 15 anos) por família beneficiária. Em abril, o governo reajustou em 45% o valor do benefício pago às crianças nesta faixa etária. Além da expansão do programa federal, o governo está em negociação com os estados e municípios para a adoção de iniciativas complementares de transferência de renda.
“Isso terá grande impacto na redução da pobreza”, disse a ministra.
Discurso - Com o Brasil sem Miséria, os brasileiros que vivem abaixo da linha da extrema pobreza deixam de ser apenas estatísticas, afirmou a ministra Tereza Campello durante a cerimônia. Esses 16,2 milhões de brasileiros que vivem com menos de R$ 70 por mês serão cadastrados em um sistema nacional para serem incluídos em programas federais de transferência de renda, cidadania, acesso a infraestrutura, profissionalização e inclusão no mercado de trabalho, continuou a ministra, em discurso que detalhou as principais ações do plano.
Tereza Campello definiu o Brasil sem Miséria como um conjunto de metas ousadas e que reafirma o compromisso “ético” assumido pela presidenta Dilma em campanha. Ela lembrou, ainda, que o plano vem em continuidade ao esforço lançado no governo do ex-presidente Lula de promover o desenvolvimento com inclusão social. Para Campello, o desenvolvimento econômico é pré-condição para o sucesso das ações, mas insuficiente para promover a inclusão dessa parcela da população que vive à margem “do Brasil que cresce”.
O governo compreendeu – continuou a ministra – que o Estado tem que ir até essas pessoas que não têm condição de acessar os serviços públicos. Com esse pressuposto, o Brasil sem Miséria traz uma nova estratégia do Estado brasileiro: a busca ativa, por meio da qual as equipes de profissionais farão uma procura minuciosa na sua área de atuação para localizar, cadastrar e incluir as famílias em situação de pobreza extrema nos programas sociais. Também vão identificar os serviços existentes e a necessidade de criar novas ações para que essa população possa acessar os seus direitos.
“Construiremos uma grande força tarefa, articulando a União, estados e municípios. Promover o fim da miséria é dever do Estado, mas também tarefa de todo o Brasil”, disse.

Em Sorocaba, PT Descarta Coligação

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual Rui Falcão, afirmou que Sorocaba, que se constitui no 12.º maior colégio eleitoral do país, é uma das principais metas da sigla na luta pela conquista da prefeitura nas eleições de 2012 e descartou "definitivamente" qualquer possibilidade de aliança com o PMDB. Ao contrário, disse que o PT nacional deverá convidar o PMDB sorocabano para uma possível composição, mas para o cargo de vice-prefeito na chapa.

Falcão foi taxativo ao afirmar que essa decisão não atende a uma solicitação do diretório municipal, mas sim uma tática nacional do partido em apresentar candidatura própria em capitais e nas grandes cidades do país. Disse ainda que a executiva nacional não irá interferir na escolha do pré-candidato, mas mandou o recado às lideranças locais ao defender que não haja a realização de prévias. Destacou também que a sigla está traçando estratégias para ampliar sua participação na região de Sorocaba, que conta apenas com três prefeituras.

Além disso, Rui Falcão alfinetou a oposição ao dizer que ela está fragmentada e com falência de ideias. Minimizou a crise no governo da presidente Dilma Rousseff e saiu em defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci e das intervenções do ex-presidente Lula. 
 
Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

Cruzeiro do Sul - O PT de Sorocaba tem, tradicionalmente, lançado candidaturas próprias em eleições para prefeito. Em 2012, o diretório local defende novamente uma candidatura própria. A executiva estadual manifestou apoio ao diretório local, mas nos bastidores são fortes os comentários de que a direção nacional poderá exigir uma aliança como o PMDB, assim como acontece em várias capitais e cidades importantes do país. Em Sorocaba essa aliança poderá acontecer?
Rui Falcão - Cumprindo a orientação da tática nacional do partido, em Sorocaba o PT deve apresentar nomes pleiteando a Prefeitura. Em cidades estratégicas, onde há mais de 200 mil eleitores, nós queremos disputar essas Prefeituras. São cerca de 70. E nós queremos, com isso, também fortalecer o partido para as eleições de 2014. O PMDB tem sido um parceiro importante do PT e nós queremos manter essa parceria. É obvio que Sorocaba tem um quadro novo agora; uma mudança no PMDB local, com a possível candidatura do ex-prefeito e ex-deputado Renato Amary, mas a nossa decisão nacional é apresentar o nosso nome para uma disputa e não como vice. Eventual aliança com o PMDB para participarmos como vice na chapa está definitivamente descartada. Nunca conversamos (PT e PMDB) sobre isso, ou seja, envolvendo a cidade de Sorocaba. Nós é que pretendemos convidar o PMDB para eventual vice na chapa.

CS - O PT local possui três nomes como pré-candidatos à Prefeitura: Francisco França, Hamilton Pereira e Iara Bernardi. O senhor conhece cada um deles, principalmente Hamilton e Iara, que já disputaram eleições passadas, mas sem sucesso. França é vereador e disputou para deputado estadual, também sem conseguir se eleger. Todos estão decididos a não abrir mão da vaga. Há ainda diferentes grupos dentro do diretório, cada um com o seu preferido. Isso não prejudica a sigla, que pode entrar rachado já num período pré-eleitoral?

RF
- Felizmente, o PT - nos grandes colégios eleitorais, incluindo Sorocaba - tem mais de uma opção. O que mostra nossa capacidade de produzir líderes; que reflete nossa inserção nos movimentos sociais. Não vejo como prejudicial. Agora, essa decisão ficará mesmo ao diretório municipal. Mas nós queremos que haja a busca de consenso. Quero acreditar que em Sorocaba o PT caminhe para o entendimento, sem a necessidade de prévias.

CS - Na região de Sorocaba o PT detém apenas três prefeituras - Porto Feliz, Piedade e Votorantim. Como o partido pretende se fortalecer, visando 2012? Qual a meta para conquistar mais espaço regional?

RF
- Nós vamos realizar uma pesquisa nacional qualitativa para sondar temas mais relevantes de opinião do eleitorado sobre nosso governo, sobre o PT. E isso vai servir de referência para várias regiões do país, inclusive Sorocaba. Em segundo lugar, nós vamos acompanhar, aqui em São Paulo em conjunto com o diretório estadual, um planejamento eleitoral das regiões e vamos traçar uma agenda da presença de lideranças, deputados federais, dirigentes partidários, que estimule não só as candidaturas locais e regionais, mas sobretudo, para que possamos conquistar o eleitorado.

CS - O senhor assumiu recentemente a presidência e disse que sua primeira missão é garantir a unidade do PT, cumprir as tarefas preparatórias para as eleições de 2012 e ainda tratar da reforma eleitoral. Garantir a unidade não tem sido uma tarefa fácil. Ao assumir a presidência o senhor já encontrou resistências de grupos de outros Estados?.

RF
- Nossa meta é até o final do ano visitar todas as capitais e simultaneamente algumas das principais cidades, como é o caso de Sorocaba. Nessas visitas, a gente debate muito com a militância; primeiro, a realidade do país, do Estado; segundo, a reforma política e tributária e, terceiro, os caminhos partidários para se buscar a unidade. E qual é o segredo disso? É mostrar os desafios que estão em jogo neste momento e como a busca do consenso ajuda nessa direção. Nós temos espaço para vereança; fazer projetos de médio e longo prazo para as próximas eleições; lideranças que não vão disputar a prefeitura, mas que podem optar pelo Legislativo. Temos que ter unidade e nunca imposições. A direção nacional tem ido aos Estados e principais cidades, mapeia os conflitos e apresenta uma resultante de entendimento.

CS - O senhor acredita mesmo que haverá um ampla reforma eleitoral no país? O próprio PT, agora à frente do governo federal, se mostra resistente em vários pontos.

RF
- Realmente acho difícil haver uma ampla reforma eleitoral. Nós temos concentrado nos seguintes pontos: financiamento público exclusivo da campanha, que é uma maneira de conter o peso do poder econômico; reduzir possibilidade de corrupção e baratear as eleições. Em segundo, a lista partidária. No nosso congresso partidário nós decidimos pela lista partidária fechada, mas elaborada democraticamente. O terceiro ponto é a fidelidade partidária e o quarto, o fim das coligações proporcionais. A gente enfatiza a necessidade de além de manter o voto proporcional obrigatório, aperfeiçoar os mecanismos que permitem a participação popular, como referendo, plebiscito e consultas, que permitem uma aproximação mais estreita entre a democracia representativa e a chamada democracia participativa direta.

CS - O fim das coligações é um tema delicado e os partidos pequenos, inclusive aliados, devem resistir. Como senhor analisa isso?

RF
- Tem aliados nossos que se opõem a isso, mas a gente acena, também, já que não somos favoráveis à cláusula de barreiras, com alternativa a criação de "federação" ou de "frente", como existe no Uruguai. Como funciona? É quando um grupo de partidos pequenos podem se constituir como federação ou frente nas eleições só que isso implica numa diferença em relação à coligação. Coligação, se desfaz no momento da apuração, na federação ela persiste ao longo do mandato.

CS - Como o senhor vê os partidos de oposição?

RF
- Existe fragmentação dos partidos de oposição. A oposição parece ter perdido a sua perspectiva de projeto, muito devido à falência de algumas ideias que defendiam e que entraram em crise no plano internacional, ideias conservadoras, neoliberais. Eu lamento isso. É vital para a democracia que haja uma oposição. A oposição não encontrou um rumo. Com a falência de ideias, ficam buscando factóides ou episódios eventuais para tentar abalar o governo.

CS - A presidente Dilma Rousseff vive sua primeira crise. Na semana passada o ex-presidente Lula foi para Brasília e, como um rolo compressor, tratou de acalmar os ânimos dos aliados e, inclusive integrantes do próprio PT. Isso não soa como uma afronta ao atual governo e expõe a falta de articulação política da presidente Dilma?

RF
- Acho que o presidente Lula, que é uma liderança que já transpôs os próprios limites do país, é sempre bem vindo nas suas aparições e intervenções, seja orientando o partido, seja aconselhando a nossa presidenta. Até porque, ela sempre afirmou que quer ter o presidente Lula como parceiro e conselheiro. Ele (Lula) também disse que quando houver uma diferença entre ele e ela, o que não houve até o momento, ela sempre terá razão. O governo segue seu rumo com normalidade e sem atravessar crise e com iteração permanente com o PT.

CS - E as denúncias que pesam sobre o ministro Antônio Palocci. O senhor acredita que ele conseguirá se manter no governo?

RF
- Ele deu as explicações necessárias desde o primeiro momento e, agora, para o procurador-geral da República. O governo em relação a ele está conduzindo corretamente a questão e várias lideranças do PT, dentro e fora do parlamento, têm manifestado solidariedade; inclusive este presidente. Não há motivo para ele deixar o cargo.
 
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul