sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mestrado em matemática

Da UNDIME

Professores de matemática que lecionam em escolas públicas poderão se inscrever em maio deste ano no único mestrado profissional semipresencial recomendado pelo Ministério da Educação, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O edital do exame de ingresso para a turma de 2013 tem previsão de 1.575 vagas.

Os professores precisarão fazer uma prova e os selecionados receberão uma bolsa da Capes no valor de R$ 1.200. Atualmente 2.500 professores da rede pública estão no Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), que é coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Participam do programa 59 instituições de ensino superior nas cinco regiões, num total de 74 polos presenciais.

O mestrado tem duração de dois anos e a tese final obrigatória é uma monografia sobre experiência de matemática do ensino básico que tenha impacto na prática didática em sala de aula. “É um mestrado para fortalecer o ensino da matemática na educação básica. Não dá para termos no Brasil alunos analfabetos em números”, diz Hilário Alencar, presidente da SBM. Em fevereiro de 2013, concluirão o mestrado cerca de mil professores inscritos em 2011, na primeira chamada do programa.

Murilo Sérgio Roballo, 43 anos, inscreveu-se em 2012 e foi o único dos candidatos a gabaritar a prova. “Sou professor há 25 anos, dou aula em dois colégios de ensino médio em Brasília, e foi uma prova tranquila”, afirma o professor, que faz as aulas presenciais na Universidade de Brasília (UnB).  “Esse mestrado é importante. Além de aperfeiçoar conhecimento vai repercutir em melhoria salarial”, comenta.
Antonio Cardoso do Amaral, 32 anos, é professor há uma década na rede pública em Cocal dos Alves (PI), cidade a 300 km de Teresina que ganhou destaque pela conquista de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). “Pelas condições de vida e geográficas, estava difícil cursar um mestrado. Mas era um sonho meu e essa oportunidade surgiu como uma luva”, conta o professor.

As aulas presenciais são na sexta-feira e o professor vai de ônibus ou de carona até a Universidade Federal do Piauí. Segundo ele, o conteúdo caiu bem para as necessidades em sala de aula. “Com a conclusão desse curso, eu já vejo que é possível ir mais longe com meu trabalho de matemática na olimpíada. Vou me sentir bem mais embasado para uma melhor orientação aos meus alunos”, acrescentou.  “Quando o aluno tem talento, o professor tem de estar preparado, porque senão ele ultrapassa quem ensina.”

Em contrapartida ao investimento do governo federal, os professores bolsistas devem atuar na escola pública nos cinco anos seguintes após a conclusão do mestrado. A prioridade do Profmat é para professores de escolas públicas, mas 20% das vagas poderão ser preenchidas por docentes da rede privada.

Hoje a Capes tem 380 mestrados profissionais no país, com 13 mil alunos matriculados. No entanto, na modalidade semipresencial, o Profmat é o único. O diretor de educação a distância da Capes, João Carlos Teatini, acredita que a expansão dessa modalidade será acelerada no país. Programas de mestrado profissional semipresencial, em outras áreas de ensino, como letras e química, estão em estudo na Capes.

Professores interessados em participar da chamada de propostas de material didático para o Profmat podem se informar na página do programa na internet.

Autor: MEC

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17632

Deputados querem saber

Da UNDIME

A comissão especial que analisa o Projeto de Lei (PL 8035/10) sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) se reuniu na tarde desta terça-feira (3) na Câmara dos Deputados, em Brasília, para votar a convocação do Ministro da Fazenda, Guido Mantega à Comissão. Os deputados querem saber porque o governo não aceita que o montante do financiamento da educação pública brasiileira seja o equivalente a 10% do PIB, como querem  diversas entidades da sociedade civil. Entre elas, a Undime. Mas logo no início da sessão, o presidente da comissão, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), anunciou que a convocação não deveria ser votada. É que a Comissão recebeu um telefonema do Ministério da Fazenda pedindo para que a conversa entre os parlamentares e o ministro seja  transferida da Câmara para o Ministério. Os deputados presentes concordaram com a proposta e a reunião ficou confirmada para a próxima terça-feira, às 16 horas, no Ministério da Fazenda. Antes disso, pela manhã, os deputados deverão reunir-se entre si, para traçar os detalhes da conversa com o ministro.

O texto do Projeto de Lei original, que chegou à Câmara em dezembro de 2010, previa um investimento de 7% do PIB na educação. O relator, deputado Angelo Vanhoni (PT/ PR), defende um patamar equivalente a 7,5% do PIB em investimento público direto (dinheiro público na Educação Pública) e o equivalente a 8% do PIB em investimento público total, incluindo gastos previdenciários e parcerias com a iniciativa privada. As instituições educacionais não concordam com nenhum desses valores.

A reunião de hoje previa também a definição do cronograma e os procedimentos referentes à votação do parecer do relator do PNE, deputado Ângelo Vanhoni. Depois do anúncio referente à reunião com o ministro, os deputados nem chegaram a tocar em outros assuntos. Em menos de vinte  minutos a sessão já havia terminado.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Condomínio goiano em ruínas

Da Carta Maior

O condomínio goiano: a causa e o bolso


Eliane Gonçalves Pinheiro acaba de se demitir do cargo de chefe de gabinete do governador tucano Marconi Perillo (GO), premida por revelações da Polícia Federal. Entre um despacho e outro com o governador do PSDB, Eliane emitia gorjeios telefônicos para alertar parceiros e aliados do contraventor Carlinhos Cachoeira, alvos potenciais de operações vazadas por informantes do bicheiro dentro da própria PF. Eliane não era uma patativa solitária no Palácio das Esmeraldas.

O secretário de Infraestrutura do governador tucano Marconi Perillo, Wilder Pedro de Morais, é o suplente de Demóstenes Torres (que acaba de se desfiliar do partido).

Dizem as más línguas que a pasta da Infraestrutura do governo Perillo seria um anexo de negócios de Carlinhos Cachoeira. A fronteira embaralhada entre Wilder e Cachoeira tem precedentes. A ex-esposa de Wilder, Andressa Alves Mendonça, é a atual companheira de Carlinhos Cachoeira. Mas não só. Andressa tem uma loja de lingerie em um shopping de Goiânia: Demóstenes é um dos proprietários do centro de consumo.

A triangulação se repete em espirais. A esposa original de Cachoeira, Andréa Aprigi, é dona do laboratório Vitapan, fabricante de genéricos, apontado como a mais importante fachada legal de negócios do bicheiro.

Andréa também é sócia do ICF – Instituto de Controle de Fármacos, que certifica a qualidade dos medicamentos da Vitapan. O outro proprietário do IFC é Marcelo Limírio, sócio de Demóstenes num negócio educacional, a Nova Faculdade, em Contagem (MG).

Demóstenes foi atuante lobista de Andrea e Limírio junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, em favor dos genéricos da Vitapan. Fez o mesmo junto à área da Justiça para 'ajudar' o amigo Cachoeira, interessado em intermediar a venda de duas mil tornozeleiras eletrônicas ao governo. O negócio foi bem sucedido. Por uma dessas ironias da história poderá servir diretamente a Cachoeira e Demóstenes.

A intimidade de Demóstenes com a área de segurança vem de longe. Entre 1999 e 2002, o senador foi secretário de Segurança Pública de Marconi Perillo, ambos já unidos então por laços de amizade com o contraventor Cachoeira.

Demóstenes foi companheiro de governo da deputada tucana Raquel Teixeira, secretária de Educação de Perillo naquele período.

Em 2005, em depoimento na Comissão de ética da Câmara, Raquel acusou seu potencial adversário nas eleições municipais de Goiânia , Sandro Mabel (PMDB-GO) de oferecer-lhe propina para trocar de partido e integrar a base do governo. A oferta, assegurou a tucana, incluiria um fixo mensal.

No mesmo depoimento, a ex-secretária de Perillo afirmaria que o Presidente Lula fora avisado pelo governador goiano sobre o comércio político na base do governo.

Convocado pelos seus pares, o tucano Marconi Perillo enviaria então uma famosa carta à Comissão de Ética, jogando gasolina na campanha pelo impeachment de Lula. Na missiva, Perillo afirmava que avisara o Presidente, em março de 2004, sobre o que passou a ser conhecido como o 'esquema do mensalão'.

Coincidentemente, em meados de 2002, ainda n governo FHC, o amigo de longa data de Perillo e Demóstenes, Carlinhos Cachoeira havia atraído Waldomiro Diniz, então dirigente da Loteria do Rio de Janeiro, e só posteriormente, em 2003, nomeado assessor do ministro José Dirceu, na Casa Civil, para um encontro filmado, em que negociava propina com o bicheiro.

O vídeo divulgado dois anos depois da gravação resultaria na demissão de Waldomiro do governo e na espiral de ataques contra o governo do PT. A depender de demos, como Demóstenes, e de tucanos, como Perillo, teria culminado no impeachment de Lula,em 2005/2006. O intento, como se sabe, foi frustrado. Reeleito em 2006, Lula deixaria o governo com 80% de aprovação. Oito anos depois, o condomínio goiano começa a ser desmantelado. Se as investigações forem a fundo, talvez ajudem a decifrar o que há de verdade e de manipulação política e midiática nesse que foi um episódios mais controvertidos da história recente do país e que ainda aguarda julgamento. 

Postado por Saul Leblon

Mundo real e fantasias

Do Conversa Afiada


Será o jn no ar ?


Saiu no Estadão:

Pessoas contrárias a hidrelétricas na Amazônia vivem ‘fantasia’, diz Dilma


Presidente adverte que não mudará os planos de desenvolvimento para a região


BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitou uma reunião com os integrantes do Fórum do Clima, no Palácio do Planalto, para avisar de vez aos grupos ambientalistas que lutam contra a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia que o governo não mudará seu projeto de aumento da oferta de energia e de desenvolvimento da região. Ela chegou a dizer que essas pessoas contrárias à construção das hidrelétricas vivem num estado de “fantasia.”


Ao se referir à participação do Brasil na Rio+20, a conferência das Nações Unidas que será realizada em junho, na capital do Rio de Janeiro, a presidente lembrou aos que estavam na reunião que o mundo real não trata de tema “absurdamente etéreo ou fantasioso”. “Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço para a fantasia. Não estou falando da utopia, essa pode ter, estou falando da fantasia”, afirmou Dilma.


Dilma disse que o Brasil vai trabalhar pelo desenvolvimento sustentável, para tirar as pessoas da pobreza e para encontrar formas de conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente.


Pouco antes, ao se pronunciar no Fórum do Clima, a representante das ONGs, Sílvia Alcântara, acusara o governo de promover um retrocesso na questão ambiental e de, com o pré-sal, levar o Brasil a ocupar o terceiro lugar entre os países que mais emitem gases de efeito estufa já em 2020. Num pequeno pedaço de papel, Dilma anotou tudo o que a ambientalista falou.


Sem se referir diretamente ao que Sílvia havia dito, Dilma defendeu a energia de fontes hidráulicas e desdenhou da energia eólica e solar, ambas defendidas pelos grupos mais radicais como alternativa às hidrelétricas. Disse que, como presidente, tem de explicar como as pessoas vão comer, ter acesso à água e energia. “Eu não posso falar: ‘Olha, é possível só com eólica iluminar o planeta.’ Não é. Só com solar? De maneira nenhuma.”

 

NAVALHA

O jn no ar desta quarta-feira fez uma contundente reportagem sobre as hidrelétricas na Amazônia – contra !, evidentemente.

Tentou associar patrões de inclinação escravista à impropriedade de se 
construir hidrelétricas na Amazônia, especialmente as que fazem parte 
 daquilo que o PiG (*) chama de “o PAC emPACou”.

Como se sabe, o jn no ar não pousa onde as coisas dão certo.

O GPS do Ali Kamel é atraído pelo imã da desgraça.

Uma questão de estilo.

O jn já teve a sua fase Verdista, assim como todos os colonistas (**) 
do Globo, a comecar pala Urubóloga, que exibe uma inclinação 
verdista muito acentuada.

Todos se apaixonaram pela Blá-blá-rina e sua capacidade de tirar voto 
da Dilma e eleger o campeão de camisa verde, o Padim Pade Cerra.

A Blá-blá-rina é aquela que queria impedir a construção de hidrelétricas na
Amazônia, porque os bagres não podiam copular.

Depois se provou cientificamente que o desejo de copular dos bagres 
vence qualquer barragem.

Essa sugestão da Presidenta deveria ser levada em consideração: 
mandar os Verdes lamber sabão com sabão da Natura.

É uma forma de manter o equilíbrio ambiental.



 
Em tempo: quem pagou o jatinho da Blá-blá-rina na campanha ?

Em tempo2: leia aqui a versão bem comportada do “mandar lamber sabão”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Outras greves

Da Rede Brasil Atual, aqui e aqui.

SP: professores do Sesi/Senai aceitam reajuste de 8%, mas mantêm mobilização

Publicado em 03/04/2012
 
São Paulo – Docentes do sistema de ensino Sesi/Senai, ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), aprovaram hoje (3) a proposta da direção da entidade de reajuste salarial de 8% e compromisso de negociação para recompor os salários de docentes do ensino fundamental, menores do que os pagos no ensino médio da mesma rede. A decisão foi homologada em assembleia realizada pela Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), na capital paulista, no final da manhã de hoje.

De acordo com nota da federação, o índice aceito pelos trabalhadores assegura 2,53% de aumento real e reposição da inflação de 5,47%. Também haverá reajuste no vale-refeição de R$ 18 para R$ 20.
Escolas da capital paulista e de cidades como Campinas e Valinhos chegaram a paralisar as atividades em 22 de março, após rodada de negociações em que a Fiesp ofereceu 7% de reajuste.  

Uma nova rodada de negociações está agendada para a próxima segunda-feira (9) com o objetivo de discutir a recomposição dos salários do nível fundamental e valorização do vale-alimentação. A assinatura de um aditivo de acordo coletivo, chamado de "comunicado conjunto", ainda não está definido e depende da próxima etapa de negociações, explicou a assessoria de imprensa da Fepesp.

Em 2012, a luta dos professores está restrita a reivindicações de natureza econômica, porque as cláusulas sociais do acordo coletivo assinado em 2011 continuam a vigorar até fevereiro de 2013, apontou a federação em nota.

Com data-base em 1º de março, além do reajuste, os professores reivindicam e equiparação salarial entre o ensino fundamental, educação de jovens e adultos e ensino médio, reajuste de 10% no vale-refeição e no vale-alimentação e a acumulação dos dois benefícios, inclusive nas férias, para quem leciona em mais de um período, independentemente do número de aulas. Segundo o presidente da Fepesp, Celso Napolitano, os professores têm de lidar com classes lotadas, pressão, sobrecarga de trabalho e baixos salários.


Greve nas escolas municipais de SP tem adesão de 60%, segundo sindicato

Sinpeem avalia como "positivo" o primeiro dia do movimento. A previsão é que a prefeitura se reúna com a categoria para negociação da pauta até quinta-feira
 
Publicado em 02/04/2012
 
São Paulo – O primeiro dia de greve dos professores municipais de São Paulo teve adesão de 60% das 1.434 unidades educacionais da rede, de acordo com balanço do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem). A paralisação, que vai até a quarta-feira (4), tem objetivo de cobrar o atendimento imediato da prefeitura à pauta de reivindicações, entregue em fevereiro pelo sindicato. Os dirigentes se reuniram com a Secretaria Municipal de Educação e Gestão na semana passada, nenhuma contraproposta foi dada. A data-base é 1º de maio.

A expectativa é que o movimento atinja 70% de adesão amanhã (3), segundo o presidente do Sinpeem, Claudio Fonseca. "A mobilização de hoje está sendo positiva, e estamos em processo de convencimento nas escolas que ainda não aderiram", disse. A previsão é que haja uma nova reunião com a prefeitura até quinta (5).

Os professores querem piso salarial de R$ 2,6 mil no próximo ano com base na antecipação dos índices de reajuste garantidos para os próximos dois anos – 10,19% correspondente a 2013 e 13,43% a 2014. A categoria pede também o fim da terceirização dos serviços públicos, valorização profissional, manutenção das férias coletivas em janeiro para os Centros de Educação Infantil (CEIs), redução do número de alunos por sala e realização de concursos, entre outros itens.

Na terça-feira passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o funcionamento das creches e pré-escolas durante as férias a partir de julho deste ano. Segundo o Sinpeem, esta decisão do TJ "pesou" na decisão da categoria em deflagrar a paralisação. Como resposta imediata, a Secretaria Municipal de Educação encaminhou na última sexta-feira (30) à Câmara Municipal o Projeto de Lei 145/12, que prevê os 30 dias de férias escolares em janeiro em todas as unidades educacionais do município.

Com a aproximação das eleições municipais, a administração tem até o dia 10 para o encaminhamento de propostas à Câmara, de acordo com lei eleitoral. Uma assembleia será realizada na quarta-feira, na praça do Patriarca, centro da cidade.
 

Mais dinheiro para a economia

Da Carta Maior


Governo anuncia medidas para injetar R$ 57,8 bi na economia

O governo anunciou, nesta terça (3), um conjunto de medidas que irá injetar R$ 57,8 bilhões na economia, ainda neste ano, para aumentar a competitividade da indústria, em retração acelerada desde o início da crise internacional. O pacote prevê desoneração da folha de pagamento, redução de impostos e crédito mais barato, dentre outras medidas. “O governo não vai abandonar a indústria brasileira”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff.


Brasília - O governo anunciou nesta terça (3) um pacote de medidas que irá injetar R$ 57,8 bilhões na economia, ainda neste ano. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria, em retração acelerada desde o início da crise internacional. “O governo não vai abandonar a indústria brasileira”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia no Palácio do Planalto.

A maior parte dos recursos virá do aporte de R$ 45 bilhões que o Tesouro destinará ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). E o restante, de uma série de desonerações anunciadas. O pacote reforça o Programa Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado, com o objetivo de aumentar a competitividade da indústria nacional.

A medida mais comemorada foi a desoneração da folha de pagamento para 15 setores, a partir da eliminação da contribuição previdenciária de 20%. A perda será compensada, em parte, pela cobrança de uma nova alíquota sobre o faturamento das empresas. Para os exportadores, a desoneração é total. Já para 11 setores da indústria destinada ao mercado interno, a nova alíquota sobre o faturamento será de 1% e, para quatro setores de serviços, de 2%.

“O ônus dos ajustes não recai sobre os trabalhadores. Não retira direitos ou reduz salários. Nós definimos uma forma de tributação mais adequada ao fluxo de receita das empresas. E o Tesouro vai compensar sempre eventuais perdas de arrecadação decorrentes das contribuições previdenciárias e ao mesmo tempo tomará todas as medidas para que não se crie a distorção de transformar em déficit uma política de governo de desoneração da folha de pagamento”, explicou a presidenta.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acrescentou que a medida beneficiará também os trabalhadores. Segundo ele, com a redução do custo da mão de obra, novos empregos serão gerados. O ministro reforçou, ainda, que a desoneração não acarretará prejuízos à Previdência. “O Tesouro Nacional compensará as perdas, estimada em R$ 7,2 bilhões por ano”. Como as medidas passarão a valer em junho, as perdas estimadas para este ano são de R$ 4,9 bilhões.

Dentre as medidas tributárias previstas no pacote, o ministro destacou a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para vários setores, já anunciada anteriormente. E acrescentou a postergação do pagamento do PIS/Confins, de março para novembro, para os setores mais atingidos pela crise. “Este recurso poderá ser usado como um capital de giro barato”, esclareceu.

Mantega incluiu no pacote, também, a desoneração do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas e jurídicas que façam doações para entidades que trabalham com pesquisa para o tratamento de câncer. O impacto fiscal da medida estimado para o próximo ano é de R$ 305,8 milhões.

O ministro reforçou a iniciativa do governo de investir na preferência de compra de produtos nacionais. “O produto importado pode custar até 25% mais barato que nós compraremos o nacional”, explicou. Anunciou, também, dentre várias outras iniciativas, o aumento dos recursos para o Programa de Financiamento à Exportação (Proex), que passarão de R$ 1,24 bilhão para R$ 3,1 bilhões.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou que o aporte de R$ 45 bilhões do Tesouro Nacional pra as operações da instituição financeira permitirão maiores investimentos em inovação, além do barateamento dos jurados praticados. “Nós queremos mais investimentos e investimentos com mais qualidade”, disse ele.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, anunciou a implementação de um novo regime automotivo, que irá vigorar de 2013 a 2017. Segundo ele, o regime estabelece metas para as montadoras que, caso sejam cumpridas à risca, podem proporcionar uma redução de até 30% do IPI. Essas metas incluem investimentos em pesquisa, inovação, conteúdo nacional e eficiência energética.

Conjuntura econômica
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o decréscimo da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) dos países é um fenômeno mundial observado desde 1991, mas que foi agravado com a crise econômica mundial. “Mesmo os países emergentes, como China e Índia, terão redução do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil é um dos poucos países que continuará crescendo, com a perspectiva de passar de 2,7% para 4,5% ”, explicou.

Segundo o ministro, o Brasil tem condições para responder à recaída da crise internacional porque possui um mercado interno dinâmico, depende menos dos mercados externos, possui grandes programas de investimento, demonstra forte solidez fiscal e acumulação de reservas, além de manter a inflação sob controle.

Mantega destacou a importância das ações de monitoramento e controle do câmbio, que já vem sendo tomadas em caráter permanente, para evitar que o chamado “tsunami monetário” atinja o país. “O câmbio se transformou em um dos principais instrumentos de competitividade entre os países. Hoje, todo mundo quer desvalorizar suas moedas para que seus produtos tenham maior competitividade”, justificou.

A presidenta Dilma Rousseff reforçou que o governo está atento à desvalorização das moedas, prática que ela classificou como “competição predatória”. “Vamos agir com firmeza nos organismos internacionais e adotar todas as salvaguardas possíveis para defender nossas empresas, nossos empregos e a renda de nossos trabalhadores. Nós sabemos que uma forma de competição predatória é a que usa medidas de desvalorização das moedas. Nós estamos atentos a essas práticas e vamos agir sempre dentro dos limites das normas internacionais”, afirmou.


Fotos: Wilson Dias/ABr

Milagres da ciência

De Campos & Bravo

Brasileiros criam aplicativo que pode revolucionar a vida de surdos

Pessoas que nunca tiveram problemas com a audição jamais poderão compreender a barreira comunicacional que divide os ouvintes dos surdos. Mesmo com uma linguagem de sinais específica e bem estabelecida, a Língua Brasileira de Sinais (Libras), as dificuldades de comunicação permanecem como obstáculo para o relacionamento entre os que vivem no silêncio e quem escuta.
E foi observando a dificuldade de um colega de classe surdo, Marcelo Amorim, que os estudantes de Ciência da Computação Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - João Paulo Oliveira, Lucas de Araújo Mello Soares, Amirton Chagas, Flavio Almeida e Daniel Ferreira - tiveram a ideia de desenvolver uma ferramenta de tecnologia que facilitasse a comunicação entre o grupo.

Nascia, em 2010, o Prodeaf, um aplicativo que assume o papel de intérprete de português e libra, através de um avatar. "A intenção é transformá-lo em uma plataforma e que possa ser usado em qualquer cenário", explica João Paulo, hoje diretor de negócios da startup Proativa, criada em sociedade com o grupo para o desenvolvimento do Prodeaf.

Ideia - O projeto partiu do pressuposto de que nem sempre um surdo tem um intérprete ao seu lado e, por isso, precisa de uma ferramenta portátil e fácil de usar e que permita que ele se comunique com ouvintes. E é assim que chegaram ao conceito de que o Prodeaf deveria ser um aplicativo para smartphone, acessível por qualquer sistema operacional.

De acordo com João e Lucas, com o app é possível que um surdo se aproxime de qualquer pessoa para pedir uma informação, por exemplo. Com a câmera do aparelho, o surdo registra os sinais em Libras e o sistema então os converte em áudio. Para responder, basta que o ouvinte fale com o app, que irá então representá-lo, via avatar no display.

Mas não é apenas na comunicação ao vivo que o aplicativo surpreende. O seu uso, explicam, pode ser estendido para ligações telefônicas. "Enquanto o surdo se comunica via gestos, o app os transformará em voz. Na outra ponta da ligação, o ouvinte terá sua resposta convertida em sinais", finaliza João.

Outra boa notícia é que o Prodeaf está em vias de ser colocado em testes com um grupo de surdos de associações parceiras do projeto, como a Associação de Surdos de Pernambuco, por exemplo. "A intenção é disponibilizar em caráter de teste para usuários em até dois meses", afirma João Paulo.

O grupo ainda está à procura de patrocinadores para que a produção do Prodeaf possa ser feita em grande escala, mas preveem que o lançamento da ferramenta para o público geral possa acontecer já em 2013. "Estamos entusiasmados com o projeto e também com o fato de termos conseguido quebrar essa barreira que divide os surdos dos ouvintes, nos sentimos importantes", brinca Lucas.

O entusiasmo não ficou reservado apenas aos jovens e aos grupos de surdos parceiros do projeto. No ano passado, o Prodeaf recebeu reconhecimento internacional ao ficar no segundo lugar mundial da Imagine Cup 2011 da Microsoft. O desafio proposto pela edição passada era imaginar soluções tecnológicas que pudessem ajudar a resolver problemas mundiais. E, ao que parece, os meninos de Pernambuco absorveram perfeitamente a ideia da competição estudantil.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81803



Fonte: Jornal da Ciência

Onde respingará?

Do Tijolaço

Na charge de O Globo, o que a mídia pretende de Demóstenes: fazê-lo sumir rapidamente pelo esgoto, com medo do que pode respingar

Os grandes jornais pedem a renúncia do Senador Demóstenes Torres. A TV Globo fez o mesmo hoje de manhã.

Parece haver uma cruzada nacional para varrer rapidamente Demóstenes Torres das páginas dos jornais, fazendo com que entregue o mandato e não se inicie um processo de cassação, com audiências, testemunhas, versões e, sobretudo, fatos vindo à tona.

O Demóstenes grego, ao ver-se cercado pelos soldados de Antípatro, suicida-se.

O goiano, entretanto, não parece disposto a isso. Na carta de desfiliação que apresentou ao DEM, teve o cuidado de destacar que a alegação que contra ele se fazia (descumprimento reiterado do programa partidário) estaria contemplada pela  Resolução nº 22.610, de 25 de outubro de 2007 do TSE, que o protegeria de um processo de perda de mandato.

Ou seja, que vai ficar no cargo.

Ora, experiente que é, Demóstenes sabe que não há a menor perspectiva política de sobreviver no Senado. Seu esforço não visa a preservação do mandato, inexoravelmente perdido.

Está, sim, sinalizando que tem como despejar cachoeiras de lama a torto a direito. O fato de ter representado o papel de paladino da moralidade, enquanto recebia presentes e fazia favores a um bicheiro já mostra como este homem é frio e cínico.

É por isso que querem sepultá-lo rápido, tirando, pela renúncia, um mandato de senador que, pelos trâmites legais, vai permitir muitas e muitas sessões – com direito a televisão – de defesa, de testemunhos e de acusações a muitos que estão posando de vestais.

Demóstenes ameaça tornar-se um cadáver político insepulto e e seus odores ameaçam “meio submundo”  da política.


Curso para pré-candidatos

Da Fundação Perseu Abramo

Por Evelize Pacheco

O curso para pré-candidatos e pré-candidatas do PT foi preparado pela Escola Nacional de Formação (ENF) foi lançado nesta sexta-feira (30/03) publicamente, em São Paulo. Mais de 200 gestores de formação de 27 Estados, além de dirigentes do PT, da ENF e da Fundação Perseu Abramo participaram do ato. a cerimônia, conduzida pelo diretor da ENF Jorge Coelho, foi transmitida pela TVPT pela internet, nos portais do PT (www.pt.org.br) e da Escola Nacional de Formação (www.enfpt.org.br). Nos dias seguintes (31/03 e 01/04) foi aberta a etapa nacional do curso que chegará a todos os estados brasileiros.

 
Carlos Henrique Árabe secretário nacional de Formação do PT e diretor da ENF deu início ao ato, destacando a inovação deste curso de formação, que alcançará os/as mais de 40 mil pré-candidatos/as em todo o país. “A ideia é realizarmos em cada Estado uma etapa equivalente a essa e iniciar a partir daí a nossa chegada aos nossos polos regionais (cidades com mais de 150 mil eleitores) e queremos chegar a todos os municípios em que o PT tenha pelo menos um candidato” Árabe afirmou ainda que num processo eleitoral o/a candidato/a do PT representa o partido e ao mesmo tempo o partido confia a representatividade de 32 anos de construção a estes candidatos/as. “Estamos frente a um compromisso político-ideológico que a nossa executiva nacional e o Diretório Nacional colocará frente a todo/a candidato e é uma tarefa de nossas direções de acompanhar este processo.”

Selma Rocha, diretora da ENF e da Fundação Perseu Abramo, afirmou categoricamente que o lançamento do curso foi “uma alegria enorme” para ela por manter a tradição muito importante do PT em construir propostas com a sociedade para que o Brasil siga avançando, dentro de uma perspectiva do socialismo democrático, que está no modo petista de governar/legislar. “Esta experiência de construção do curso também é inovadora, estamos fazendo aqui uma combinação de educação on-line e educação presencial que tem elementos diferentes dos tradicionais: estamos lidando com um partido amplo que cresceu – e continuará crescendo - e queremos chegar a todas as pessoas, tenham elas banda larga ou não, tenham internet ou não.”
 
A estrutura do curso
Selma explicou como funcionará o curso, que terá duas partes: uma com orientações gerais em todas as áreas de uma campanha eleitoral como planejamento, assistência jurídica, orientações de finanças, de mobilização, pesquisa, comunicação e organização. A segunda parte serão as diretrizes e instrumentos para elaboração de programa de governo: são informações atualizadas que estão em sites de todo o Brasil sobre os municípios e as políticas federais.

Os textos estão disponíveis no portal da ENFPT (apenas para filiados/as do PT cadastrados/as previamente) e nos DVDS que serão distribuídos entres os/as pré-candidatos/as. Além dos textos, foram produzidas aulas em vídeo sobre o conjunto de diretrizes: desenvolvimento sustentável, participação popular e cidadã, políticas sociais de direito; gestão ética, democrática e eficiente; desenvolvimento urbano e rural nos municípios; direito à cidade e também o conjunto de políticas setoriais.
 
Militância e construção do PT

Na sequencia, foi convidado a falar Olavo Noleto, que integra a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, que a participação no processo de consolidação da ENF tem sido os mais “prazerosos de toda sua a sua militância pessoal e política do PT.

Por sua vez, Elói Pietá, secretário geral do PT e vice-presidente da Fundação Perseu Abramo, por sua vez resgatou a tradição da formação na construção do Partido desde sua criação com as formações dos “que lutaram contra a ditadura, que estavam no movimento sindical, formação da igreja da teologia da libertação e também do movimento popular”. “A medida que íamos construindo nos congressos e nos encontros, era um debate intenso e era um rico processo de formação política, que criava uma alternativa para o Brasil.” Esse processo continua dentro do PT com as resoluções, os debates entre as tendências e se reflete na construção das políticas nos governos Lula e Dilma, afirmou ainda Pietá.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, foi convidado a encerrar o lançamento. Após agradecer a todo/as reafirmou que o PT é um partido de conjunto, com pluralidade de opiniões e composto por participação de mulheres e homens de todo o Brasil, contemplando a diversidade nacional.

Em seguida, Falcão leu uma mensagem do ex-presidente Lula saudando os/as pré-candidatos/as (veja abaixo a íntegra). Depois o presidente do PT relembrou o processo de construção do curso e alertou aos gestores presentes: “Vocês são peças decisivas na campanha eleitoral, para obter vitória que queremos precisamos um intenso trabalho de formação.(...)vocês são os nossos formadores, vão dar os principais argumentos e ideias para os nossos candidatos criarem, improvisarem e que seja campanha de ideias, que seja uma vitória das ideias.”

Mensagem de Lula
 
São Paulo, 30 de março de 2012

Companheiros e companheiras, meus amigos e minhas amigas

É com muita alegria que me dirijo hoje a vocês. Como puderam ver pela imprensa, os últimos exames mostraram que o tumor que eu tinha na laringe foi eliminado, este é um motivo de grande alegria.

A competência dos médicos, o carinho da Marisa e a extraordinária solidariedade do povo brasileiro me ajudaram a superar mais este desafio. Agora, quero consolidar minha recuperação e voltar a contribuir com as lutas do nosso povo.

Sei que vocês estão iniciando a etapa nacional do curso para mais de 40 mil pré-candidatas e pré-candidatos do PT. Sei também que além de orientações de campanha nas áreas de planejamento, justiça, finanças, pesquisas, mobilização e comunicação, o curso dará grande importância à discussão de propostas para o programa de governo.

De 2003 para cá o Brasil mudou muito, os municípios e a vida das pessoas também. Nosso país se tornou muito mais justo e democrático, com forte geração de empregos, distribuição de renda e inclusão social. As grandes conquistas do nosso governo estão sendo consolidadas e, em muitos casos, ampliadas pela querida presidenta Dilma Rousseff. E o PT cumpre o papel estratégico em todo esse processo junto com os partidos aliados.

As transformações realizadas no país foram feitas em diálogos com os diversos setores da sociedade e com os governos estaduais e municipais. Esta constante interlocução proporcionou mais e melhores condições de financiamento e execução das políticas públicas nos municípios.

Que nas eleições de 2012, vocês apresentem propostas capazes de articular desenvolvimento nacional e desenvolvimento local, de modo que as políticas públicas sejam cada vez mais integradas no território. Isso vale para todo os municípios, sejam pequenos, médios ou grandes. Todos são importantes para o Brasil que está nascendo...

Boa sorte

Um grande abraço

do Lula


Para conhecer a Escola Nacional de Formação: www.enfpt.org.br

Fotos: Sylvia Masini

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Paulo Coelho nunca foi amigo de Raul Seixas

Do UOL

AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ale Manzano/Divulgação
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music

Vivi Seixas tinha oito anos quando seu pai, Raul Seixas, morreu vítima do consumo excessivo de álcool em agosto de 1989.

"Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar", conta em entrevista ao "Guia".

Sobre Paulo Coelho, a filha caçula do "maluco beleza" diz que, "diferentemente do que as pessoas pensam, ele nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical" (leia abaixo a entrevista).

Prestes a completar 31 anos, Vivi é uma das mais de 50 personagens que deram seus depoimentos para compor o documentário "Raul, O Início, O Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho.

"O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. A decadência e a morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no 'pieguismo'", diz a atual DJ, que segue os passos do pai na música, influenciada pela forma com que ele mesclava vários estilos.

"Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só. Preparei um set com algumas músicas como 'Mosca na Sopa', 'Carimbador Maluco' e 'Rock das Aranhas'. Todas com uma pegada mais moderna".

Além de Vivi e das outras duas filhas de Raul, amigos e parceiros --como Caetano Veloso, Marcelo Nova, Tom Zé e Paulo Coelho-- e quatro grandes companheiras também participam do filme, com declarações que ajudam a apresentar uma imagem da lenda do rock nacional.
 
ABAIXO, LEIA O BATE-PAPO COM VIVI SEIXAS:

Divulgação
Lenda do rock nacional Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas, que adorava a barba do pai quando criança
Lenda do rock Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas (foto), que adorava a barba do pai quando criança
 
Guia Folha - Qual sua avaliação sobre o documentário?
Vivi Seixas - O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. Com mais de duas horas de duração, o documentário ficou excessivamente longo. A decadência e morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no "pieguismo" --o diretor leva a empregada Dalva a revisitar o apartamento onde ele faleceu. Na verdade, ele priorizou diversas cenas com esse caráter mais subjetivo, como a dança de Elvis Presley feita por um amigo de infância de Raul ou quando vemos, por exemplo, o ator Daniel de Oliveira revelando que seu filho se chama Raul, ou até quando o jornalista Pedro Bial canta uma das músicas do ídolo.
 
Abordou fielmente a vida do seu pai?
A obra de Raul é maior do que caberia em apenas um filme. Há mais a ser falado, mostrado... Principalmente, em relação à criação musical.
 
Qual a parte que mais te emociona ou te marca no filme?
A parte final me fez lembrar quando eu estive em São Paulo no apartamento da rua Frei Caneca, três meses antes da morte dele. Fomos juntos a uma padaria pela manhã, juntos, e chorei quando ele pediu um chope. Mesmo sem saber exatamente da sua doença, eu pressenti que alguma coisa estava muito errada.
 
Ainda tem contato com amigos e parceiros de seu pai, como Paulo Coelho?
Paulo Coelho, diferentemente do que as pessoas pensam, nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical. Como o próprio Paulo já declarou, eram "inimigos íntimos". Mantenho contato, sim, com os amigos Rick Ferreira, Claudio Roberto, Sylvio Passos e Marcelo Nova.
 
Qual a música de seu pai que você mais gosta?
"Ângela" e "Lua Cheia": duas músicas que ele compôs pra Kika, minha mãe. Ela foi realmente a grande paixão do meu pai e a única que trabalhou sua obra durante todos esses anos. Pena que ela não suportou as crises de alcoolismo dele. Eu tinha 5 anos, e ele ficava constantemente internado.
 
O Raul tem essa fama de doido, maluco beleza. Mas como ele era em casa? Como era seu relacionamento com ele?
Diferente da fama era uma pessoa extremamente educada, caseira e amorosa. Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar.
 
Quando ele morreu você era pequena. Como foi assimilar a perda?
Como para qualquer criança, foi difícil para mim, mas o que me ajudou muito --e ajuda até hoje-- é ter a voz dele para eu escutar quando quiser. Isso ameniza muito a saudade.
 
Em relação à sua profissão: como começou? Vai tocar em alguma casa em SP? Quais os planos?
Depois de muitos anos me questionando, em 2004, resolvi assumir o meu lado musical, completamente diferente do meu pai. A house music é a minha forma de expressão. Mas nenhuma festa marcada em São Paulo. Mas adoraria tocar no D- Edge [clube da zona oeste de São Paulo].
 
A música de seu pai influencia no seu trabalho de DJ?
Como homenagem a Raul, preparei um set com algumas músicas como "Mosca na Sopa", "Carimbador Maluco" e "Rock das Aranhas". Todas com uma pegada mais moderna. O que me influencia é a forma que meu pai tinha de misturar vários estilos. Do baião ao tango, do rap ao forró. Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só.

Ouça o trabalho de Vivi Seixas e as versões "metamorfoseadas" no MySpace