quarta-feira, 31 de março de 2010
Quarta-feira Agitada
De minha parte, acompanhei meu filho Tiago durante todo o seu último dia em terras brasileiras. Voltou para a França no final desta tarde. Durante o dia acompanhei-o para despedidas finais (das avós principalmente) e até o aeroporto, onde almoçamos um lanche caríssimo....rs... . A essas alturas ele está nas alturas (eita....). Seu voo deve chegar em Madrid no meio da madrugada. De lá novo voo até Nice e depois Antibes (cidade onde mora...acho que não errei...rs...), de trem. Muito curto o tempo que ficou por aqui. Na viagem até o aeroporto estava contando que não conseguiu ver todo mundo que esperava e estava triste por conta disso. Apesar de tudo fiquei muito feliz dele ter passado esses dias por aqui, pois deu para confirmar depois de três anos que ele está bem, feliz e buscando seus objetivos. Aliás, é muito bom ver um filho da gente correndo atrás de seus objetivos. Deixa-nos em paz com a vida, pois percebemos que eles entenderam os grandes desafios que a vida nos impõem e encara-os de frente e com muito ânimo e força. Nisso, meus dois tesouros só me dão alegria.
Em São Paulo os professores juntaram-se com outras categorias do funcionalismo estadual para o "Bota Fora Serra". Uma manifestação bastante grande exatamente no dia da saída do Serra do governo de São Paulo para a disputa presidencial. A grande "comemoração" da manifestação foi o "almoço" de $ 4,00 (valor do vale refeição dos professores) servido no vão do MASP. Veja aqui mais detalhes.
E o dia apontou para as desincompatibilizações de vários políticos em cargos executivos para disputarem as próximas eleições. Serra finalmente assumiu a candidatura à presidente. Entre o risco de perder a presidência e o risco de implodir o PSDB em São Paulo, preferiu o primeiro, deixando o caminho livre para o Alckmin disputar o governo do estado. Dilma também saiu da Casa Civil do governo federal pelo mesmo motivo. Aqui você pode ver um resumo das várias alternâncias de poder por conta das eleições e o que elas podem representar. O mais interessante são aqueles que estão na mira da justiça. Não deixe de observar.
E a globo ontem resolveu dizer a justiça que ela faz o que bem entender. Depois de ser obrigada a exibir um comunicado da justiça federal falando sobre as reais possibilidades de adquirir-se a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis (por conta das falas do dourado sobre o assunto), fez o Brasil inteiro acompanhar a "vitória" de um homofóbico. E com um discurso do bial dizendo que ele não é. Então.... Chamo isso de um tapa na cara da justiça. Como ela é cega, não verá quem a agrediu, de novo....
HOMOFOBIA - ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa contra homossexuais e, consequentemente contra a homossexualidade e que pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais. (direto da Wikipédia).
Alguma dúvida?
domingo, 28 de março de 2010
Rapidas do Domingo
Agora, enquanto aguardo o desfecho da Paixão de Cristo de hoje lá na Praça XV, levantei alguns poucos assuntos.
Primeiro, acho importante uma opinião rápida sobre a Paixão, que assisti ontem. Enquanto espetáculo parece que a Praça XV não ajuda na beleza e grandiosidade. Senti uma apresentação tímida e um tanto quanto com falta de brilho e grandeza. Talvez a única cena que lembrou isso foi a da ressurreição, com vários efeitos e muitas bailarinas ocupando os espaços. Uma outra coisa que ainda espero ver na Paixão de Cristo aqui de Salto é um Jesus menos piegas (e não se trata dos artistas, mas da forma como sua vida é encarada). Todavia, acho difícil até por uma questão de respeito à cultura popular, alguém ousar tanto e mostrar um Jesus realmente profeta e transformador, com uma Maria que revolucionou todas as formas de organização, sendo inclusive calada muitas vezes. Enfim, acho que é pedir demais...
Um outro assunto que achei agora à noite e considero importante é um demonstrativo que explica em parte a grande mudança do jornalista Gilberto Dimenstein. Há anos passados era um ícone do jornalismo questionador e opinativo. De uns tempos para cá uma mudança significativa, inclusive com artigos escritos que jamais pensaríamos em ler no passado recente. E, como sempre, na net encontram-se as respostas. O blog da NaMaria News foi fundo e traz uma possível explicação. Veja aqui.
O outro assunto é a pesquisa DataFolha divulgada ontem. Um resultado inesperado até para seus próprios jornalistas, como alguns manifestaram na edição de hoje. Dilma caindo, quando todos os outros institutos, inclusive o IBOPE, indicam uma subida constante de Dilma. Algumas questões surgem como estas feitas pela netinha de um engenheiro:
O inexplicável aumento de vantagem do Serra sobre a Dilma (Datafolha)
Minha cabeça de engenheiro sempre exige explicações racionais para explicar números de pesquisas de opinião. Minha neta de três anos não é engenheira (ainda), mas gosta que eu explique tudo com lógica.
Diante dos últimos resultados do Datafolha, que mostram um aumento na vantagem do Serra sobre a Dilma, de cinco para nove pontos percentuais, ela me fez as seguintes perguntas:
1. A Dilma não cresceu 20% na pesquisa espontânea, passando de 10% em fevereiro para 12% agora em março?
2. O Serra não ficou estagnado em 8%, na espontânea, nesse mesmo período?
3. A rejeição ao Serra não se manteve no mesmo patamar de 25%, entre a pesquisa anterior e esta?
4. A rejeição à Dilma não se manteve no mesmo patamar de 23%, no mesmo período?
5. Houve algum fato novo relevante para o crescimento do Serra?
6. Será que inauguração de maquete de ponte e demolição de prédio foram suficientes para aumentar a indicação de voto no Serra?
7. Houve algum fato relevante para a estagnação com ligeiro decréscimo da Dilma?
8. A Dilma não continuou inaugurando obras importantes todos os dias?
9. Se a porradaria (desbocada essa menina) das Organizações Serra em cima do Zé Dirceu e do Vaccari tivesse interferido na avaliação dos eleitores pesquisados não seria natural o aumento da rejeição à Dilma?
10. Finalmente, o aumento da avaliação do governo Lula, que atingiu o recorde nas pesquisas do Datafolha com 76%, não taria vantagem para a Dilma em vez de trazer vantagem para o Serra, como tenta demonstrar a Folha de São Paulo?
Pois é....
Vejamos, então, algumas opiniões. Primeiro, de onde tirei o texto acima: do blog do Miro, uma primeira análise de quem acredita (como eu) na vitória de Dilma.
A segunda, dúvidas lançadas inclusive pelos próprios jornalistas da folhona.
E a terceira, uma análise mais técnica das pesquisas, fazendo o que experienciei na primeira campanha do Geraldo e Juvenil: as pesquisas, na sua somatória, mostram tendências. Quando se consegue ler as tendências é possível vislumbrar um resultado futuro.
É isso. Espero que gostem.
sexta-feira, 26 de março de 2010
As Torturas à Mostra e Escondidas
As torturas que a Folha mostra e a que esconde
Hoje, na Folha, Eliane Cantanhêde escreve:
Sem adjetivos
BRASÍLIA – “Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele [delegado Fleury] ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com olhar de louco.” De Rose Nogueira, jornalista em São Paulo. Da ALN, foi presa em 1969, semanas depois de dar à luz.
“No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar.”
De Izabel Fávero, professora de administração em Recife. Da VAR-Palmares, foi presa em 1970.
“Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. O torturador perguntou: “Como está?”. E o médico: “Tá mais ou menos, mas aguenta”. E eles desceram comigo de novo.”
De Dulce Chaves Pandolfi, professora da FGV-Rio. Da ALN, foi presa em 1970 e serviu de “cobaia” para aulas de tortura.
“Eu não conseguia ficar em pé nem sentada. As baratas começaram a me roer. Só pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos.”
De Hecilda Fontelles Veiga, professora da Universidade Federal do Pará. Da AP, foi presa em 1971, no quinto mês de gravidez.
“Eu era jogada, nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas as minhas obturações.”
De Marise Egger-Moellwald, socióloga, mora em São Paulo. Do então PCB, foi presa em 1975. Ainda amamentava seu filho. “Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada.”
De Gilze Cosenza, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Da AP, foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.
Trechos de 27 depoimentos de sobreviventes, intercalados às histórias de 45 mortas e desaparecidas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, da série “Direito à Verdade e à Memória”. Será lançado na PUC-SP hoje, a seis dias do 31 de março.
Dona Cantanhêde só esquece de dizer que Rose Nogueira, a jornalista citada logo no início, trabalhava na Folha na época em que foi presa e torturada. Sabe o que aconteceu a ela? Foi demitida por abandono de emprego. Ela conta:
Vinte e sete anos depois, descubro que fui punida não apenas pela polícia toda-poderosa daqueles tempos, pela “justiça” militar que me absolveu depois de me deixar por nove meses na prisão, pela luta entre vida e antivida nesse período.
(…) Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no DEOPS, incomunicável, “abandonei” meu emprego de repórter do jornal. Escrito à mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT – abandono de emprego”. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me “esqueceram” por um mês na cela.
Como é que eu poderia abandonar o emprego, mesmo que quisesse? Todos sabiam que eu estava lá, a alguns quarteirões, no prédio vermelho da praça General Osório. Isso era e continua sendo ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, caso estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade.
Direto do O Globo
O jornal O Globo está demais hoje, duas notícias seguidas com manchetes que parecem denúncia mas que são desmentidas pela própria matéria e “quase sem querer”. Veja só:
1. Na primeira a manchete critica Lula porque num projeto de urbanização de uma favela entregou os apartamentos sem acabamento. Ironiza que Lula cita no discurso isso como que para disfarçar o problema. Só na última linha coloca que o contrato com os moradores sempre previu isso, pois são eles que vão escolher o acabamento de seus apartamentos.
2. Na segunda manchete critica a ideia do MEC de distribuir bicicletas para alunos de escolas rurais com “dinheiro dos outros” (prefeituras e governos estaduais). Ignora a boa ideia e se atém somente a fonte de recursos que foi apenas sugerida pelo ministro da educação. Raciocinando um pouco, o custo das bicicletas é tão baixo que o melhor talvez seja mesmo apenas incentivar a ação local ao invés de bancar licitações complexas e demoradas.
Escrito por Jaime Balbino
Se quiser ler as duas notícias, entre aqui.
Manchetes que Ainda Podem Surgir
- Lula é sócio de Bin Laden;
- O PT derrubou o avião da Air France;
- FHC é um petista infiltrado no PSDB, para levar os tucanos ao fracasso;
- O PT quer estatizar a Coca-Cola;
- Foi Dilma quem matou Kennedy;
- O PT recebeu dinheiro sujo do Vaticano, de Israel, dos Palestinos, do Fidel, do Chaves, do Bill Gates, do Romário e do Tio Patinhas.
Outras:
“ADRIANO IMPEADOR COMPROU OUTRAS DUAS MOTOS. UMA PRO LUL.A, OUTRA PRA DILMA”.
“WAGNER LOVE DANÇOU REBOLATION COM DILMA NO BAILE FUNK DO MORRO”.
“QUEM MATOU ABEL NÃO FOI CAIM. FOI A DILMA, A TERRORISTA”.
“LULINHA COMPROUO SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO
EM NEGÓCIO NEBULOSO. ÁLVARO DIAS JÁ DEU ENTREVISTA NA CBN, AFIRMANDO QUE VAI COLHER ASSINATURAS PARA UMA CPI”.
“MICHAEL JACKSON FOI ENVENENADO POR…DILMA, A TERRORISTA INTERNACIONAL”.
LULA VAI A UM ENCONTRO DE MULHERES. DILMA VAI COM ELE”.
Epa! Essa última manchete já foi veiculada hoje de manhã, por uma “repórter visionária” da CBN.
Colaboração de vários internautas....rs...
TV Cultura e as Opções
Até pouco tempo atrás, a TV Cultura de São Paulo era cabeça da enorme rede de TVs educativas estaduais. O Jornal da Cultura capitaneava o horário nobre, acompanhado pelos demais programas.
Foram vinte anos de esforços para conseguir esse feito.
Fora de São Paulo, o alcance da TV Cultura era tal que, em um carnaval no Recife, anos atrás, surpreendi-me por ser tão reconhecido pelo público quanto o governador Mendonça Neto, que me acompanhava.
Paulo Markun conseguiu jogar fora o último ativo valioso da empresa.
Primeiro, pela incapacidade de fixar uma grade de programação – tarefa que caberia ao Gabriel Priolli. Depois, por ter permitido interferência total do governo do Estado, tirando o caráter nacional da cobertura do jornal, transformando-o numa sucursal do Palácio Bandeirantes, culminando com o afastamento do jornal do âncora Heródoto Barbero, um dos mais premiados do país. Seguiu-se o desmonte do jornalismo da Cultura com a descontinuidade de diversos programas. Finalmente, a pá de cal, ao decidir cobrar pela retransmissão dos seus programas.
Consequência: a programação da TV Cultura deixou de ser retransmitida por todas as emissoras estaduais. É possível que o Roda Viva e um ou outro programa consigam espaço. Mas, a voz de São Paulo no Brasil calou-se. Sobraram as propagandas da Sabesp.
Luiz Nassif
Pedofilia e o Papa
Do Uol
26/03/2010
Novos fatos contra o Vaticano elevam a pressão sobre o Papa Bento 16; uma renúncia é possível?
Der Spiegel
Peter Wensierski
Continuam a surgir alegações de que o papa Bento 16 pode ter tido conhecimento detalhado de episódios de abuso sexual na Igreja Católica. Em 1996, a Congregação para a Doutrina da Fé, que ele liderava na época, decidiu não punir o padre pedófilo Lawrence Murphy. Com sua autoridade desgastada, por que ele permanece no cargo?
Quando é hora de um papa renunciar? Margaret Kässmann, ex-líder da Igreja Protestante na Alemanha, renunciou em fevereiro, depois de decidir que não possuía mais a autoridade moral necessária para seu cargo depois de ter sido pega dirigindo embriagada. Mas quanta autoridade o papa Bento 16 ainda tem?
Ultimamente, o que restou dela tem desaparecido quase que diariamente. Cada novo detalhe sobre o papel que ele teve na forma como sua igreja lidou com os episódios de abuso sexual a desgasta ainda mais. Mas um papa não renuncia, simplesmente. Ele não é presidente de uma empresa, ou o líder de um partido político – ele é o descendente espiritual direto do apóstolo Pedro.
Teoricamente é possível, segundo a lei canônica. O Cânone 332, parágrafo 2, prevê uma renúncia papal, permitindo ao papa que renuncie quando desejar, sem pedir permissão de ninguém. Mas na longa história da Igreja Católica, é extremamente raro. O papa Celestino 5º foi o último líder da igreja a renunciar – 700 anos atrás.
E ainda que várias vítimas de abuso venham pedindo há tempos pela renúncia de Bento, simplesmente não é papal abrir mão do papado. Em vez disso, o Vaticano prefere rejeitar qualquer acusação que tenha sido feita, determinando-as como infundadas.
Na quinta-feira, era possível observar o reflexo novamente. No caso do padre pedófilo dos Estados Unidos, Lawrence Murphy, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi insistiu que, antes de se tornar papa, Bento, na época conhecido como Joseph Ratzinger, de forma alguma esteve envolvido em um acobertamento. Considerando que o “Padre Murphy era idoso e tinha saúde debilitada”, a Congregação para a Doutrina da Fé, então liderada por Ratzinger, decidiu em 1996 não puni-lo. Murphy, que abusou de cerca de 100 crianças, pôde continuar como padre até sua morte.
“Os culpados em primeiro lugar”
Parece improvável que essa explicação vá reduzir a pressão sobre o papa. O lema da Igreja sempre pareceu ser “os culpados em primeiro lugar”. Eles foram bem cuidados – as vítimas, entretanto, foram deixadas à própria sorte.
Desde 1982 Ratzinger foi responsável por aquela parte do Vaticano que lida com casos de abuso sexual. Quem, se não ele, foi responsável pelo caminho da Igreja?
Você pode trocar o nome de Ratzinger por “Bento”, escreveu o “Der Spiegel” diante da euforia que houve aqui pela eleição de um papa alemão em 2004, mas você não pode tirar o Ratzinger do papa. Desde então, como um papa, ele causou mais danos do que benefícios à sua igreja. Ele tensionou as relações com os judeus diversas vezes, brincou com fogo nas relações entre cristãos e muçulmanos com seu discurso de Ratisbona, enfureceu o povo indígena durante sua viagem à América Latina, irritou os protestantes e se mostrou conciliatório com os negacionistas do Holocausto.
Até católicos fiéis se surpreenderam com as atitudes que ele tem tomado. E agora, alem disso tudo, descobre-se que a área onde ele tem sido consistente nas últimas décadas é na sua negligência em lidar com pedófilos dentro de sua própria instituição.
Na Irlanda ou nos Estados Unidos, os bispos têm encontrado dificuldades para renunciar, mesmo em casos em que seu acobertamento tenha sido desmascarado. E na Alemanha, nenhum bispo caiu pelos graves erros cometidos pela Igreja Católica ali.
Gestão de crises de pequena empresa
A reação até o momento não foi maior do que uma gestão de crises que poderia se ver em uma empresa de médio porte: emitir um pedido de desculpas, criação de uma mesa-redonda para lidar com o problema, estabelecer uma linha direta… não muito mais do que isso. Então como os culpados por trás dos culpados devem ser encontrados? Como devemos erradicar o sistema de encobrimento, silêncio e transferência de pedófilos para outra diocese na Igreja? E quem obrigará a Igreja a abrir seus arquivos para o público?
A experiência das vítimas nos Estados Unidos e na Irlanda nos últimos anos foi ruim. Será que essa experiência se repetirá na Alemanha? O que aconteceu por trás da fachada da Igreja ainda está longe de ser um livro aberto. Só o fato de que vários bispos aqui na Alemanha ajudaram a garantir a continuidade do cartel do silêncio já é razão suficiente para que eles renunciem. A alternativa seria eles virem a público sobre o que sabem e o que fizeram, por mais doloroso e difícil que isso possa ser.
O mal foi perpetrado dentro de uma das mais altas autoridades morais, cujos homens pregaram a partir de seus púlpitos, nos mínimos detalhes, sobre o que é certo e o que é errado.
Mas fica a questão: para que autoridade moral padres e bispos na Alemanha podem se voltar, para continuar a executar suas funções e fornecer às pessoas respostas para as difíceis questões da vida?
Tradução: Lana Lim
quarta-feira, 24 de março de 2010
BBB na Justiça
Procurador pede ação da Globo sobre AIDS por fala de Dourado no "Big Brother"
Declarações sobre transmissão do vírus feita por participante do reality show da emissora foram ao ar. Para procurador, Globo deve falar sobre prevenção até o fim da atual edição do programa
Publicado em 24/03/2010, 18:06
São Paulo - O Ministério Público Federal em São Paulo espera uma decisão rápida da Justiça Federal para que a Rede Globo seja obrigada a veicular esclarecimento sobre as formas de contágio do vírus HIV. Uma medida cautelar foi movida porque um dos participantes do Big Brother Brasil (BBB) 2010 afirmou que homens se contaminam com o vírus apenas em relações homossexuais.
Marcelo Dourado, integrante do reality show televisivo, declarou que “hétero não pega aids” e que um homem portador do vírus “em algum momento teve relação com outro homem”. Lutador de artes marciais, ele se envolveu em uma discussão com outros participantes. Disse ainda que “um homem transmite para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem”.
Depois de apresentar as imagens, no dia 9 de fevereiro, o apresentador Pedro Bial avisou que as afirmações dos participantes do programa não eram responsabilidade da emissora e que mais informações sobre HIV e aids poderiam ser encontradas no site do Ministério da Saúde.
Para o procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, o alerta não é suficiente. “Como se tratava de um programa gravado, a Globo tinha a opção de ter editado e não colocado no ar. Ela optou por fazer a exposição da informação equivocada e depois falou para pesquisar na internet. A emissora precisa fazer uma contrapropaganda e deixar claro como se faz a transmissão”, explica.
Antes de ingressar com o pedido de liminar, o Ministério Público Federal pediu que a emissora fizesse a devida explicação sobre os fatos a seus telespectadores, mas a resposta foi de que o Big Brother Brasil não tem roteiro e, portanto, as manifestações são espontâneas e de responsabilidade dos participantes.
O procurador, por entender que a explicação não é suficiente e que a informação equivocada de Dourado gerou um desserviço à prevenção ao HIV no país, espera que a decisão judicial saia até o fim da atual edição do programa, nesta próxima terça-feira (30).
Reações
Enquanto isso, organizações que lutam pela prevenção à doença se mobilizam para pressionar a emissora a divulgar rapidamente uma explicação. “Cabe à Rede Globo manifestar responsabilidade por aquilo que foi dito dentro de seu espaço. A pressão do MPF pela retratação é correta para que se passe uma informação que diminua esse prejuízo em termos de reforço de preconceitos e estigmas”, avalia Veriano Terto, coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de aids (Abia).
A leitura é de que a afirmação de Marcelo Dourado não apenas prestou uma desinformação como reforçou a imagem de que há “grupos de risco”, um pensamento comum há vinte anos, quando o debate sobre o vírus estava apenas começando e era parte do senso comum achar que se tratava de uma doença apenas transmissível entre homossexuais.
“Essa é a representação da cultura, mas isso, do ponto de vista de prevenção, não ajuda. Só causa mais exclusão e afasta as pessoas de uma prevenção correta, clara, que deve ser responsabilidade de todos”, afirma Veriano Terto.
O procurador Jefferson Aparecido Dias entende que a afirmação do participante do Big Brother, isoladamente, não foi fruto de preconceito, mas de falta de informação. Por outro lado, ele confirma que está analisando outras denúncias que recebeu a respeito de declarações preconceituosas de vários integrantes do programa e pode mover ações após o término da atual edição.
Plebiscito 2
Taxas de juros:
1997 - 45,67%
1999 - 45,00%
2002 (quando Lula assumiu) - 18,50%
2006 - 17,25%
2009 - 8,75%
Crescimento do PIB em %
Média FHC - Brasil, 2,32% e no mundo, 3,53%
Média Lula - Brasil, 4,20% e no mundo, 4,38%
Reservas internacionais
2002 - 37,823 bilhões de dólares
2009 - 239,427 bilhões de dólares
Emprego com carteira assinada
FHC - 797 mil postos de trabalho
LULA - 9 milhões de postos de trabalho
Chega?
Tá bom. Qualquer coisa não deixe de ler a revista.
Plebiscito 1
Pois bem. Na semana de 10 de março - a que meu filho chegou da França - a revista tem uma capa muito sugestiva, cuja chamada é O PLEBISCITO EM MARCHA. Nesta edição a revista traz comparativos muito interessantes sobre os oito anos de FHC e os oito anos de LULA. Uma comparação que Serra jamais quis fazer, mas que FHC parece querer, se levarmos em conta alguns artigos por ele escritos no início deste ano.
Além das comparações, a revista traz uma pesquisa realizada pelo Instituto Mapear, na Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro. Na pesquisa, que tem todos os elementos científicos das demais, duas são as abordagens para a eleição de presidente: a primeira apresentando a candidata "Dilma" e a segunda apresentando a candidata "Dilma, candidata do Lula". Vejam só o resultado:
Primeira situação:
DILMA - 26,9%
JOSÉ SERRA - 26,3%
CIRO GOMES - 16,4%
MARINA SILVA - 8,1%
BRANCO/NULO - 10,6%
NÃO SABE - 11,6%
NÃO RESPONDE - 0,1%
Segunda Situação:
DILMA, CANDIDATA DO LULA - 42,4%
JOSÉ SERRA - 21,4%
CIRO GOMES - 13,0%
MARINA SILVA - 7,4%
BRANCO/NULO - 6,9%
NÃO SABE - 8,9%
NÃO RESPONDEU - 0,1%
A pesquisa, feita em janeiro, mostra ainda os resultados em cada cidade da Baixada. E em todas elas a proporção é mais ou menos a mesma.
Já uma pesquisa do Sensus diz que 49,3% dos eleitores não votariam em alguém indicado pelo FHC.
Quanta diferença!!!