segunda-feira, 26 de julho de 2010

Se For Possível.

Serra afirma que salário mínimo será reajustado 'quando possível' 

São Paulo – O candidato do PSDB à presidência, José Serra, afirmou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (26), que sua política de reajuste de salário mínimo será de melhorar "quando for possível". Ele não apresentou mais detalhes de quais condições estabeleceria para considerar o aumento.

Questionado pela reportagem da Rede Brasil Atual sobre sua proposta de política de reajuste do salário mínimo, Serra evitou dar detalhes sobre o tema, após participar de uma palestra-almoço com empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.

Desde 2007, o governo federal mantém um acordo com as centrais sindicais sobre o tema. A fórmula usa a variação da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) para definir o novo piso salarial nacional do país. Na quinta-feira (22), Dilma Rousseff (PT), afirmou que assumiria o compromisso de manter o padrão de reajustes. Marina Silva (PV) ainda não se pronunciou a respeito.

Durante o almoço com empresários, Serra preferiu centrar suas críticas aos aeroportos, ao MST e à economia brasileira. O candidato voltou a citar a transferência dos aeroportos para a iniciativa privada, mas relativizou a importância da Copa do Mundo de 2014 e a sobrecarga dos aeroportos brasileiros. "A Copa não é tudo isso", disse. "O aeroporto de São Paulo já atende 100 mil na época da Fórmula 1", citou.

Convidado pelo anfitrião do evento, João Dória Junior, a fazer uma viagem em voo comum, não de jatinho, o tucano disse que é possível que aceite.

Rede Brasil Atual

domingo, 25 de julho de 2010

As Crenças de Alckmin

Acabo de ser embriagado por uma infinidade de comentários postados no Facebook de DENISE LEE SEIXAS. Ela descobriu que o atual candidato tucano ao governo do estado de São Paulo pertence a OPUS DEI - uma seita muito poderosa dentro da igreja católica.

Como militante radical, Denise abriu uma longa discussão em seu Facebook, que sugiro todos lerem. Mas o mais interessante é a "ressurreição" de três artigos de Altamiro Borges publicados em outubro de 2010. Neles o Altamiro desvenda com detalhes o que vem a ser a Opus Dei e a participação de Alckmin dentro dela. Lembra ainda, apesar de todos sabermos não ser verdade, que Alckmin à época negava a participação na referida seita.

Não vou aqui copiar todos os artigos, pois são bastante longos. Mas se você tiver curiosidade, é só clicar aqui e poderá lê-los.

O mais interessante é que um dos comentários postados no Facebook da Denise é de uma paulista (Denise não é) que diz:
"ISSO O POVO DAQUI SEMPRE SOUBE E NUNCA FOI IMPEDIMENTO DE VOTOS PRA ELE! BOBAGEM PEGAR POR AI..."

Denise retruca:
"...nem todos sabem não...pois eu to recebendo mensagens de pessoas que estão nos agradecendo por avisar !!!"

A resposta:
"Que bom. É que as pessoas as vezes não prestam muita atenção... Eu sinceramente nunca achei que isso tivesse peso p/ as pessoas, pq ele (Alckimim) sempre falou abertamente disso na midia e onde quer que fosse perguntado. O cara é opus dei T...FP pura, (terra, familia e propriedade); Parece coisa dos tempos mais obscuros desse país mas é isso mesmo amigos do face. O SENHOR GERALDO ALCKMIM É SEGUIDOR DE UMA DAS PIORES LINHAS DA IGREJA CATÓLICA - AQUELA QUE QUEIMOU TODO MUNDO....E É PELA DEFESA DA TERRA, DA FAMILIA E DA PROPRIEDADE) SE ALGUEM NÃO SABE O SIGNIFICADO DISSO É BOM BUSCAR... Vamos esclarecer então."

Pois é.....fica para reflexões.

MERCADANTE NELES!!!


Datafolha em Xeque

Além do que já publiquei hoje sobre as discrepâncias nas últimas pesquisas eleitorais de dois institutos - Vox Populi e Datafolha - agora, no início da noite, Luis Nassif traz mais uma contribuição para o debate, que é no mínimo curiosa: aparentemente o datafalha não considera na pesquisa quem não tem telefone. Vamos ao debate. Primeiro a constatação:

DECIFRANDO O DATAFOLHA


Conversei agora há pouco com Marcos Coimbra, do Vox Populi, para entender as discrepâncias entre os dados do Vox e do Datafolha e tirar as dúvidas finais sobre o tema.

A explicação é claríssima.

Dentre os diversos cortes a serem feitos no universo dos entrevistados, um deles é entre os com telefone e os sem telefone.

No caso do Vox Populi, as pesquisas pegam todo o universo de eleitores. No caso do Datafolha, há um filtro: só se aceitam entrevistados que tenham ou telefone fixo ou celular.

Há algumas razões de ordem metodológica por trás dessa diferença.

A pesquisa consiste de duas etapas. Na primeira, os entrevistadores preenchem os questionários com os entrevistados. Na segunda, há um trabalho de checagem em campo, para conferir se o pesquisador trabalhou direito.

No caso Vox Populi, o entrevistador vai até à casa do entrevistado. A checagem é simples. Sorteia-se uma quantidade xis de casas pesquisadas e o fiscal vai até lá, conferir se o entrevistado existe, se as respostas são corretas.

No caso Datafolha, é impossível. Por questão de economia, o Datafolha optou por entrevistar pessoas em pontos de afluxo. Como conferir, então, se o pesquisador entrevistou corretamente, se não inventou entrevistados?

Em geral, um pesquisador consegue fazer bem 20 entrevistas por dia. O Datafolha anunciou ter realizado 10.000 pesquisas em dois dias, 5.000 por dia. Dividido por 20, são 250 entrevistadores. Como conferir a consistência dos questionários? Só se tiver o telefone no questionário.

É por aí que o Datafolha escorrega. O campo telefone é de preenchimento obrigatório. Com isso, fica de fora uma amostragem equivalente a todos os sem-telefone.

Segundo Marcos Coimbra, do universo pesquisado pelo Vox Populi, 30% não têm telefone nem fixo nem celular. Se se fizer um corte dos entrevistados, para o universo dos que têm telefone, os resultados do Datafolha batem com os do Vox Populi – diferença de 1 ponto apenas.

Quando entram os sem-telefone, Dilma dispara e aí aparece a diferença.

É possível que, mesmo telefone sendo de preenchimento obrigatório, o Datafolha inclua os sem-telefones? A resposta tem que vir do Datafolha.

Se não incluir, está explicada a difença, o que compromete mais uma vez a reputação técnica do Instituto. Se diz que inclui, o caso pode ser mais grave e escapar das diferenças metodológicas.

Também uma constatação de 2006:

DESDE 2006 DATAFOLHA SABIA DIFERENÇA ENTRE COM E SEM TELEFONE.

Por Lauro Melo
15/09/2006 - 09h56

Liderança de petista é menor entre quem tem telefone, diz Datafolha
da Folha de S.Paulo

Cruzamento de dados feito pelo Datafolha mostra que é bem menor a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Geraldo Alckmin (PSDB) entre eleitores que têm telefone fixo.

Enquanto no geral Lula lidera por 50% a 28% e venceria no primeiro turno, entre os que têm telefone, a diferença cai de 22 pontos para apenas cinco: Lula tem 41%, e Alckmin, 36%.

Dos entrevistados pelo Datafolha nos dias 11 e 12 de setembro, 45% declararam ter telefone fixo, e 55%, que não têm.

A maioria do eleitorado de Alckmin tem telefone: 58%. Já entre os eleitores de Lula, apenas 37% possuem o aparelho.

O cruzamento ajuda a explicar o fato de os levantamentos internos feitos diariamente pela campanha de Alckmin, por telefone, produzirem sempre resultados mais favoráveis ao tucano do que os apontados pelas pesquisas em campo.

A discrepância entre os números no eleitorado geral e nos possuidores de telefone se explica pela distribuição dos votos entre os candidatos: enquanto Lula lidera com ampla vantagem entre os eleitores com menor renda, instrução e do Nordeste --justamente os que têm menor acesso à telefonia fixa--, Alckmin está na frente entre os eleitores com ensino superior e os de maior renda.

O Datafolha mostra, por exemplo, que os eleitores que só estudaram até o ensino fundamental são 51% no geral do eleitorado, mas apenas 39% entre os que têm telefone fixo. Já os que ganham mais de cinco salários mínimos são 26% entre os que têm telefone, 11 pontos a mais que no geral.

O Nordeste, onde Lula vence Alckmin por 70% a 15%, responde por 15% do eleitorado com telefone fixo, mas por 27% do eleitorado geral. Já o Sudeste, onde o petista tem 42% contra 33% do tucano, tem 44% do eleitorado geral e 56% dos que têm telefone.


E por fim, mas o que começou o debate, o pedido de esclarecimentos:


PARA DIRIMIR AS DÚVIDAS SOBRE O DATAFOLHA

Para dirimir de vez as dúvidas sobre as diferenças entre o Datafolha e o Vox Populi, enviei agora o seguinte email para Mauro Paulino, diretor do Datafolha.

Prezado Mauro Paulino,
Hoje abri uma discussão no meu Blog sobre as discrepâncias entre o Datafolha e o Vox Populi.

Com a ajuda dos leitores, resolvemos entender melhor o fator telefone. Depois, completei a análise com dados relevantes de Marcos Coimbira.

Em síntese, chegou-se à seguinte conclusão:
  1. A amostragem do Vox Populi abrangeria o perfil definido pelo PNAD, através do sorteio de regiões e de casas. A entrevista é feita na residência do entrevistado. Já o Datafolha se basearia em questionários colhidos na rua.
  2. Como toda pesquisa exige uma auditoria posterior, da próxima empresa, visando auferir a consistência dos questionários, no caso do Datafolha só entrariam pesquisados que tivessem telefone – fixo em casa, no trabalho ou celular.
  3. Segundo o Marcos Coimbra, nas pesquisas do Vox Populi esse contingente representa 30% do universo pesquisado. E, aí, há uma votação maciça pró-Dilma. Segundo Coimbra, um corte nas pesquisas do Vox Populi, considerando apenas a população com telefone, o resultado seria semelhante ao da Datafolha. Confirmado esse dado, estaria aí a explicação para a discrepância nos resultados dos dois institutos.
Para tentar esclarecer os fatos, indago então:

Qual o tratamento dado pelo Datafolha aos pesquisados que não têm telefone?

As pesquisas são descartadas ou não?Poderia fazer um corte nas pesquisas e apresentar os resultados para presidente em dois cenários: apenas com os entrevistados com telefone; e os entrevistados sem telefone.

No caso dos entrevistados sem telefone, caso suas entrevistas sejam utilizadas, como é feito para avaliar a consistência das respostas e se o trabalho do pesquisador foi de fato realizado?Qual o número de pesquisadores utilizados na última pesquisa Datafolha?


A internet é maravilhosa, não é mesmo???

Para Não Esquecermos....

Este quadro já rodou a internet algumas vezes. Importante sempre lembarmos para que não sejamos conduzidos aos erros de origem que o candidato tucano tenta fazer com várias coisas. Derrepente ele vai querer também ser pai de algum dos avanços abaixo publicados.


THE ECONOMIST
Nos tempos de FHC
Nos tempos de LULA
Risco Brasil
2.700 pontos
200 pontos
Salário Mínimo
78 dólares
210 dólares
Dólar
Rs$ 3,00
Rs$ 1,78
Dívida FMI
Não mexeu
Pagou
Indústria naval
Não mexeu
Reconstruiu
Universidades Federais Novas
Nenhuma
10
Extensões Universitárias
Nenhuma
45
Escolas Técnicas
Nenhuma
214
Valores e Reservas do Tesouro Nacional
185 Bilhões de Dólares Negativos
160 Bilhões de Dólares Positivos
Créditos para o povo/PIB
14%
34%
Estradas de Ferro
Nenhuma
3 em andamento
Estradas Rodoviárias
90% danificadas
70% recuperadas
Industria Automobilística
Em baixa, 20%
Em alta, 30%
Crises internacionais
4, arrasando o país
Nenhuma, pelas reservas acumuladas
Cambio
Fixo, estourando o Tesouro Nacional
Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central
Taxas de Juros SELIC
27%
11%
Mobilidade Social
2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
Empregos
780 mil
11 milhões
Investimentos em infraestrutura
Nenhum
504 Bilhões de reais previstos até 2010
Mercado internacional
Brasil sem crédito
Brasil reconhecido como Investment grade
 e

Descrição da Mudança

Do blog do Nassif.


Carta Capital n˚ 606 – Coluna Rosa dos Ventos – por Maurício Dias

A Conversão de Serra – o uso da retórica golpista completa o percurso de quem saiu da esquerda para cair no colo da direita.

A campanha eleitoral desliza velozmente para um conflito, de dimensão e profundidade indefinidas, estimulado por uma legislação confusa que favorece a intromissão política e partidária de autoridades eleitorais na disputa presidencial.

O problema se aprofunda constantemente. Inicialmente foram insinuações veladas e, agora, surgiram claras intervenções públicas com clara conotação político-partidária que, frequentemente, beneficiam a oposição.

Desses maus exemplos, o mais recente foi dado pelo advogado Fernando Neves, ex-ministro do TSE e prontamente utilizado pelo candidato à Presidência, o tucano José Serra, conforme publicado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim no atento e corajoso site Conversa Afiada.

Depois de infringir o mais elementar comportamento democrático do debate político – ele "todo o MST deve apoiar Dilma" porque no governo dela "vai poder agitar mais e invadir mais"-, Serra botou Lula no alvo: "o advogado Fernando Neves (ex-ministro do TSE) disse uma coisa reproduzindo, talvez, Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena se a multa é pequena".

Corrija-se. Não é reprodução. É paródia do poeta português.

Ophir Cavalcante, presidente da OAB, surfou nessa onda que pretendem transformar em tsunami. Segundo ele, a Justiça Eleitoral deve começar "a dar o cartão vermelho e pautar as condutas".

A metáfora foi buscada nas regras do jogo de futebol. Com esse cartão, o árbitro expulsa o jogador de campo. Somadas as observações é fácil deduzir que querem introduzir a "pena de morte"na legislação eleitoral.

Como se fosse uma jogada treinada, Serra voltou ao tema. Ao falar do vazamento de informações da Receita Federal, em apuração no órgão, ele prejulgou e insinuou, sem qualquer prova, que a responsabilidade era do PT: "É um crime contra a Constituição". É a retórica golpista em razão da ausência de um programa estratégico nascido da incompetência para construir um discurso consistente diante dos índices de aprovação do governo e da popularidade de Lula.

Um presidente e um governo, mal avaliados, provocariam tais desatinos como provocou, por exemplo, no candidato a presidente José Serra?

Esse desatino de Serra foi traçado em decálogo esboçado, rápida e informalmente, pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. É assim:
1- Quebra de contrato: protocolou documento em cartório firmando que não deixaria a Prefeitura de São Paulo para disputar a eleição de governador. E deixou.
2- Truculência: anunciou que, se eleito, "peitará" o Congresso pela reforma política.
3- Inconfiável: ao contrário do que dizia, bloqueou as prévias no PSDB e, sem consulta ao DEM, anunciou que o vice dele seria o senador tucano Álvaro Dias.
4- Deslealdade: comparou que seu aliado FHC é psicologicamente igual a Lula.
5- Machista retrógrado: conselho dado ao vice, Índio da Costa, sobre ter amantes: "tem de ser uma coisa discreta".
6- Paranoico: diz-se perseguido pela imprensa.
7- Subserviência: agrediu verbalmente um entrevistador e, depois, desculpou-se ao saber que se tratava de um repórter da TV Globo.
8- Antissindicalista: considera "pelegos"os sindicatos e as centrais sindicais.
9- Obsessão ao poder: diz que se preparou a vida toda para isso.
10- Presunção autocrática: assegura que é o candidato mais preparado e se apresenta como sendo, ele próprio, o programa de governo.

Em poucos dias de campanha, o tucano parece ter completado o ritual de conversão política. Da esquerda estudantil à vanguarda eleitoral da direita.

Diogo Mainardi Fugindo.

Do blog do Nassif

Diogo Mainardi está saindo do país. Na sua crônica, brinca com o medo de ser preso. É medo real.

Condenado a três meses de prisão, pelas calúnias contra Paulo Henrique Amorim, perdeu a condição de réu primário. Há uma lista de ações contra ele. As cíveis, a Abril paga - como parte do trato. As criminais são intransferíveis. E há muitas pelo caminho.

Há meses e meses meus advogados tentam citá-lo, em vão. Foge para todo lado. A intimação foi entregue na portaria do seu prédio, mas os advogados da Abril querem impugnar, alegando que não foi entregue em mãos. Tudo isso na era da Internet, quando todo mundo sabe que ele está sendo procurado para ser intimado.

A outra ação, contra Reinaldo Azevedo, esbarra em manobras protelatórias dos advogados da Abril. A ação prosperou, porque colocada no Fórum da Freguesia do Ó - região da sede da Abril. Os advogados insistem em transferi-lo para a Vara de Pinheiros.

Minha ação de Direito de Resposta contra a Veja vaga há quase dois anos, devido à ação da juíza de Pinheiros. Primeiro, considerou a inicial inepta. Atrasou por mais de ano a ação. Em Segunda Instância, por unanimidade o Tribunal considerou a ação válida e devolveu para a juíza julgar. Ela se recusou, alegando que a revogação da Lei de Imprensa a impedia - o direito de resposta está inscrito na Constituição Federal.

No caso da ação Mainardi-Paulo Henrique Amorim, ela absolveu Mainardi, alegando que as ofensas não passavam de mero estilo de linguagem que não deveria ser levado a sério. O disparate da sentença foi revelado pelo próprio TJ-SP ao considerar que o autor merecia uma condenação de três meses de prisão.

O problema não é Mainardi. É apenas uma figura menor que, em uma ação orquestrada, ganhou visibilidade nacional para poder efetuar os ataques encomendados por Roberto Civita e José Serra.

Quando passar o fragor da batalha, ainda será contado o que foram esses anos de infâmia no jornalismo brasileiro.

Será Que Vale a Pena?

Propostas para novo marco civil na Internet incluem armazenamento de dados para identificar infratores com rapidez


POR FRANCISCO EDSON ALVES
Rio - A concepção de que a Internet é território sem lei será deletada no Brasil. A Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, finaliza a redação do anteprojeto do Marco Civil da Internet. A retirada de conteúdos do ar e o armazenamento de dados são dois dos temas mais polêmicos. Um dos objetivos é rapidamente identificar e prender cibercriminosos.

Silvanna só navega com a supervisão da mãe, Aparecida, que criou regras depois que a filha recebeu fotos pornográficas de desconhecido | André Mourão / Agência O Dia

A expectativa é que até o fim do ano o Congresso Nacional transforme em lei um conjunto de pouco mais de 30 artigos (a minuta está na página culturadigital.br/marcocivil), criados com a participação da sociedade civil, que definirão regras mínimas de direitos e responsabilidades de 70 milhões de internautas, provedores e governo na web.

Privacidade Intocada
A inédita ordem regulatória para a Internet no País poderá influenciar na vida de quem usa a rede diariamente, com desdobramentos na esfera criminal, no sistema bancário, no comércio e no serviço público, entre outras áreas. “Sempre visando ao anonimato e à privacidade, estamos tentando chegar a um certo consenso, compilando as quase 63 mil propostas, ponderações e críticas”, afirma o chefe de gabinete da secretaria, Guilherme Almeida. A redação final deverá ser enviada ao Congresso antes das eleições de outubro.

A técnica em enfermagem Aparecida Rejane de Souza, 37, espera que a nova lei a ajude a ter menos preocupação com a filha, Silvanna, 12, que usa a Internet todos os dias. “É preciso mesmo uma legislação específica. Minha filha já recebeu fotos pornográficas de um desconhecido. Se houvesse uma lei, com certeza o criminoso seria identificado pela polícia”, acredita Aparecida.

Hoje, ela só deixa a filha navegar em sua companhia e tem todas as senhas dela: “Às vezes me passo por ela para saber quem são seus amigos virtuais”. Pesquisa da empresa Norton Online mostra as crianças brasileiras são as que passam mais tempo na Internet — 18,3 horas por semana. Mas apenas 34% do pais conferem os sites.

Ajustes afastam violação de direitos básicos
A responsabilidade dos provedores de acesso sobre conteúdos de terceiros e a retirada do ar dos mesmos, temas espinhosos, serão redefinidas. O texto, em seu Artigo 20, determinava que quaisquer prejudicados poderiam notificar o provedor, que mandaria retirar o conteúdo imediatamente. De acordo com o vice-coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade, Carlos Affonso de Souza, isso constituía censura.
“Agora consta que a Justiça ficará encarregada de avaliar a questão e retirar o conteúdo. Antes, o Judiciário ficaria de lado”, ressalta.

A guarda de logs (registros de acesso e navegação), sugerida por até 6 meses, é outro ponto controverso, pois resvala na “invasão de privacidade”. Advogados e policiais defendem guarda de conteúdos por até 5 anos. “Dados preservados possibilitam investigações eficazes”, frisa Helen Sardenberg, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

“O sigilo, assim como o telefônico, só deve ser quebrado, via judicial, em casos de crimes. É regra”.

Brizola Neto e o Datafolha.

Reproduzo abaixo dois posts do blog TIJOLAÇO, onde Brizola Neto faz um minucioso descritivo de como se deu a última pesquisa do datafalha....ops, DataFolha. Vale a pena ler.


O Datafolha e a necessidade de auditoria


Bem , depois de me desintoxicar um pouco deste mundo de manipulação e propaganda, acho que é possível, de maneira bem calma e racional, mostrar a vocês como o Datafolha perdeu qualquer compromisso com  a ciência estatística e passou a funcionar com uma arrogância que não se sustenta ao menor dos exames que se faça sobre os resultados que apresenta.

A primeira coisa que salta aos olhos é o problema gerado pela definição da área de abrangência e, por consequencia, da amostra. Ao contrário do que vinha fazendo nas últimas pesquisas, o Datafolha conjugou pesquisas estaduais e uma pesquisa nacional.

O resultado é um monstrengo, uma verdadeira barbaridade estatística. E as provas estão todas no site do TSE ao alcance de qualquer pessoa. E do próprio Tribunal e do Ministério Público Eleitoral.
Vejamos a mecânica do monstrengo produzido pelo Datafolha.

Dia 16 de julho, o Datafolha (já usando esta razão social e não  mais Banco de Dados São Paulo, como usava antes) registrou, sob o número 19.890/ 2010, uma pesquisa nacional de intenção para presidente. Nela, ao relatar a metodologia, o instituto abandonou os critérios tradicionais de distribuição da pouplação brasileira e “expandiu” as amostras dos oito estados.

No próprio registro há a explicação: “Nessa amostra, os tamanhos dos estratos foram desproporcionalizados para permitir detalhamento de algumas unidades da federação (UF´s) e suas capitais.

Nos resultados finais, as corretas proporções serão restabelecidas através de ponderação. A amostra nos estados em que não houve expansão foi desenhada para um total de 2500 questionários.

E quantos somavam os “estratos desproporcionalizados”?  Está lá: As UF´s onde houve expansão da amostra foram: SP-2040 entrevistas (1080 na capital), RJ-1240 entrevistas (650 na capital), MG-1250 entrevistas (400 na capital) , RS-1190 entrevistas (400 na capital), PR-1200 entrevistas (400 na capital), DF-690 entrevistas, BA-1060 entrevistas (400 na capital), PE-1080 entrevistas(400 na capital). A soma, portanto dá 9750 entrevistas, de um total de 10.730.

Logo, sobraram para todos os 19 demais estados brasileiros 980 entrevistas.

Qualquer estudante de estatística sabe que você não pode misturar critérios de amostragem para partes do mesmo universo e, no final, “ponderar” pelo peso de cada uma destes segmentos no total. Da mesma forma que não se pode pegar uma parte de uma amostra nacional e dizer que, no Estado X, o resultado é Y.

O resultado será viciado pela base amostral distorcida.

Mas o Datafolha não parou aí. Esta pesquisa “nacional” (protocolo 19.890/2010) foi registrada tendo como contratantes a Folha e a Globo, com o valor de R$ 194 mil. Cada uma dos  ” estratos desproporcionalizados” foi registrado, no dia 19 último, como uma pesquisa “separada”. Veja:

Protocolo 20158/2010 - Paraná, 1.200 entrevistas, contratada pela Empresa Folha da Manhã S/A. e Sociedade Rádio Emissora Paranaense S/A. por R$ 76 mil;
Protocolo 20125/2010 - Distrito Federal,  690 entrevistas, contratada pela Empresa Folha da Manhã S/A. e Globo Comunicação e Participações S/A. por R$ 70.900;
Protocolo 20141/2010 - Rio Grande do Sul , 1.190 entrevistas, contratada pela Folha da Manhã S/A. e RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A por R$ 68 mil;
Protocolo 20124/2010 - Bahia , 1.060 entrevistas, contratada pela Folha da Manhã S/A. por R$ 80.258;
Protocolo 20164/2010 - São Paulo  , 2.040 entrevistas, contratada pela Empresa Folha da Manhã S/A. e Globo Comunicação e Participações S/A. por R$ 74.100 (mais que o dobro por entrevista que na Bahia).
Protocolo 20140/2010 - Pernambuco , 1.080 entrevistas, contratada pela Folha da Manhã S/A. e Globo Comunicação e Participações S/A. por R$ 65 mil;
Protocolo 20132/2010 - Minas Gerais , 1.250 entrevistas, contratada pela Folha da Manhã S/A. e Globo Comunicação e Participações S/A. por R$ 80 mil;
Protocolo 20161/2010 - Minas Gerais , 1.240 entrevistas, contratada pela Folha da Manhã S/A. e Globo Comunicação e Participações S/A. por R$ 68 mil.

Somando todos os valores declarados de contratação chega-se à bagatela de R$ 776.258 reais. Interessante, não?

Mais interessante ainda é o fato de que, nos protocolos listados acima, que você pode consultar na página do TSE , preenchendo o número correspondente, o Datafolha nem sequer se preocupou em depositar, como manda a lei, o questionário específico. Fez como o Serra, que mandou entregar no Tribunal ,como programa, o discurso que fez na convenção. Colocou uma cópia do questionário “nacional”, onde não há perguntas sobre candidatos a governador ou senador.

O Datafolha trata as exigências legais como um “detalhezinho” sem importância, “vende” a mesma pesquisa em nove contratos diferentes – seria bom ver os recibos destes pagamentos, não? – e deposita questionários imcompletos, aos lotes.

Portanto, a análise da pesquisa Datafolha não deve ser estatística. Deve ser jurídica. O douto Ministério Público Eleitoral, que não aceita intimidações de quem quer que seja, bem que poderia abrir um procedimento para apurar todos os fatos que, com detalhes, estão narrados acima.

Pesquisas, métodos e contratos.

Em razão das discussões sobre validade das amostras da pesquisa Datafolha eu, que não sou estatístico, procurei informações com quem é. Mesmo assim,um leitor, com todo o direito de fazê-lo, sustentou  que era tecnicamente válido expandir enormemente a apuração em determinados Estados (9.750, 90% do total de entrevistas em oito estados), mantendo nos 19 restantes as pequenas cotas amostrais que lhes cabiam numa distribuição nacional ( 1 mil entrevistas, todos somados).
Se o “método” do Datafolha é correto, é algo em que não acreditam os demais institutos. O Vox Populi, na sua última pesquisa (a que deu oito pontos a mais para Dilma) realizou simultaneamente uma pesquisa nacional, protocolada sob o número 19920/2010 e oito pesquisas estaduais. Foram três mil entrevista, não a soma das oito pesquisas estaduais, Não usou este método de “juntar tudo”. Dentro das entrevistas das pesquisas estaduais retirou a “cota” amostral de acordo com o desenho da amostra nacional.

Ontem, no site do TSE,  o Ibope registrou nova pesquisa nacional, sob o número 20809/2010.  Está, ao mesmo tempo, fazendo 12 pesquisas estaduais. E, tal como o  Vox, não usou o método do “soma todo mundo e pondera por estado. A amostra nacional, de 2506 entrevistas, é a amostra nacional, e só.

Os dados estão lá, no TSE, para quem quiser consultar. Será que ambos os institutos fazem assim porque, como eu, não são especialistas em estatística?

Aliás, consultando o site do TSE ontem e seria bom que o Grupo Folha desse os devidos esclarecimentos sobre uma  aparente confusão jurídico-contábil. Todas as pesquisas apresentadas até junho pelo jornal atribuídas ao Datafolha foram registradas na Justiça Eleitoral em nome de um “Banco de Dados São Paulo Ltda.”, CNPJ 43.911.494/0001-79. A publicada ontem foi registrada como da empresa Datafolha Instituto de Pesquisas Ltda, CNPJ 07.630.546/0001-75.  Sabem como é, por erro muito menor, e corrigido antes, o PSDB pediu e obteve auditoria na pesquisa Sensus que apontou Dilma ultrapassando Serra.

Vai que o PT queira agir com o ímpeto do PSDB e olha a confusão formada…

Capa da ISTO É Desta Semana.


Para ler a reportagem, clique aqui.

Cortar o Cafezinho.

A notícia abaixo pode ser comparada àquele administrador que para acertar o enorme rombo de sua empresa, mandou cortar o cafezinho de todo mundo. Veja só. Do G1:


Procuradoria Geral do RJ exige mudanças para não fechar Orkut

Ação civil pública exige mudanças no site dentro de 120 dias.
Empresa diz que ainda não foi notificada da existência da ação.

Do G1, em São Paulo
 
Rede social Orkut pode fechar no Brasil caso o Google não tome medidas. 

A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil pública contra o Google, citando que a rede social Orkut, a mais popular no Brasil, “teria se tornado palco de condutas ilícitas e criminosas". A ação, que afirma que dentre os delitos estão “crimes contra a honra, apologia ao crime, pedofilia, falsa identidade, dentre outros”, pode resultar, em caso extremo, no fechamento do Orkut no país.

O órgão entende que, mesmo não podendo atribuir à empresa os crimes cometidos pelos usuários, o Google é corresponsável a partir do Orkut porque os problemas acontecem “em função de falhas na gestão do sistema”. A Procuradoria afirma que a empresa não possui qualquer mecanismo eficiente de controle do conteúdo, impedindo de verificar a identidade daqueles que acessam o seu serviço.

O Google tem 120 dias para tomar providências que possam impedir os crimes cometidos no Orkut. Na lista de medidas estão manutenção de IPs e de registros de acesso de usuários em comunidades, desenvolvimento de um sistema que identifique perfis, comunidades ou páginas dedicadas à pedofilia e a crimes, inclusive de marcação de brigas entre torcidas de agremiações esportivas rivais, comunicando a existência ou suspeita de existência imediatamente ao Estado. Um sistema com palavras-chave seria criado para facilitar a busca por estes temas.

Em caso de descumprimento das medidas, a Procuradoria requer que "o serviço oferecido pelo site seja interrompido e o Google sofra multa não inferior a R$ 100 mil por dia". A ação apresentada na 10ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro ainda solicita que seja realizada uma campanha midiática, incluindo jornais, rádio e televisão em horário nobre, com o objetivo de alertar pais e responsáveis sobre os riscos de utilizar a internet e o Orkut.

O Google afirma que ainda não foi notificado da existência da ação e, por conta disso, não comenta o assunto. Procurada pelo G1, a empresa disse que “reafirma seu comprometimento com o respeito à legislação brasileira”.

A companhia também disse que "oferece plataformas tecnológicas para que milhões de pessoas possam criar e compartilhar seus próprios conteúdos e que o uso indevido da liberdade destes serviços que desrespeitem as normas de uso dos serviços que estão claramente expressas nos respectivos sites, são passíveis de denúncia pelos usuários".

“Quando o conteúdo claramente ferir uma dessas regras, ele será automaticamente removido. Nos casos em que houver dúvida, os pedidos deverão ser avaliados pelo Poder Judiciário”, diz a nota enviada pelo Google ao G1.