quinta-feira, 24 de maio de 2012

Educação privada: mito quebrado pelos números

De Campos & Bravo

Escolas privadas são menos equipadas que públicas

As informações recolhidas pelo Ministério da Educação junto às 153 mil escolas de educação básica do País quebram um mito: o de que pagar uma mensalidade é garantia de acesso à melhor infraestrutura escolar.

Os dados do Censo Escolar 2011 mostram que a rede privada, proporcionalmente, está menos equipada com laboratórios de informática e internet, possui tão poucas quadras de esporte quanto a rede municipal e oferece o mesmo tanto de bibliotecas e laboratórios de ciências que a rede estadual.

De cada 10 colégios particulares, seis possuem laboratório de informática. Comparando com as escolas municipais urbanas, o número sobre para sete. Na rede estadual, 89% dos colégios oferecem acesso a computadores e, na federal, 95% deles.

No quesito internet, apesar dos números próximos, há menos colégios privados (84,5%) com acesso à banda larga do que públicos. Na rede federal, o acesso chega a 90,6% das escolas. Entre os colégios estaduais, 89,7% das escolas têm banda larga, e, na rede municipal, 86,1%.

A análise foi feita pelo pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Thiago Alves a partir dos microdados do Censo Escolar 2011, liberados há pouco mais de um mês pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

"Os números dos itens de infraestrutura desmentem o mito de que a escola privada tem sempre melhor infraestrutura que as públicas. É preciso considerar que as escolas privadas com infraestrutura de primeira são exceção e destinadas a uma minoria que pode arcar com mensalidades altas”, pondera.
 
Alves comenta que o item mais ausente na infraestrutura das escolas é laboratório de ciências. De cada cinco escolas urbanas, apenas uma oferece esse ambiente (22%). Nos colégios urbanos, a presença de laboratórios é comum a 67,7% da rede federal, a 34,7% da rede estadual, a 32,1% das escolas privadas e a apenas 6,9% das municipais.

DIFERENÇAS REGIONAIS

A falta de infraestrutura adequada nas escolas privadas ocorre, principalmente, nos Estados do Norte e Nordeste. Nas duas regiões, cerca de 69% dos estabelecimentos de ensino oferecem acesso à internet de banda larga, enquanto nas públicas a oferta supera os 73% em todas as redes.

Menos da metade das escolas privadas (43%) possui laboratórios de informática no Nordeste e, no Norte, está em 52%. Entre as públicas, a rede urbana municipal nordestina é que oferece a menor quantidade de computadores (56,6%). Laboratórios de ciências também estão em poucas escolas. Só existem em 17,9% das privadas nessas regiões e em menos de 4% das municipais.

CIDADE X CAMPO

Nas comparações dos números, Alves descarta as escolas rurais. Apesar de serem numerosas – 71,5 mil do total de 153 mil – poucas são privadas (354). Além disso, elas atendem menos estudantes e têm uma realidade muito específica para serem agrupadas nas análises gerais, segundo o pesquisador.

"É preciso separar a análise da área rural da urbana. Essas escolas são pequenas, têm poucas salas de aula e, claro, sofrem com a falta de muitos equipamentos disponíveis nas estruturas urbanas. Por isso, é danoso incluí-las nas comparações”, afirma.

Na opinião do coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a preocupação com a infraestrutura das escolas não pode se esgotar apenas com a oferta dos insumos. "Não adianta apenas ter o insumo, é preciso usá-lo. O importante é discutir o projeto pedagógico da escola”, diz.
Fonte: Portal iG - Priscilla Borges

 

Parque Tecnológico de Sorocaba em debate

Parque Tecnológico de Sorocaba será discutido
em audiência pública

  O modelo de gestão do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) será tema de uma audiência pública na Câmara Municipal nesta sexta-feira, dia 25, a partir das 9h. A proposta partiu do vereador Izídio de Brito (PT), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia do legislativo sorocabano.

  Devem participar da audiência representantes de secretarias municipais, do Conselho de Desenvolvimento, sindicatos de trabalhadores e patronais, centrais sindicais, fábricas, universidades e escolas técnicas.

  A discussão tende a debater e apresentar propostas de funcionamento para a nova e antiga zona industrial da cidade e modelos de gestão utilizados em outros Parques Tecnológicos do país, a fim de democratizar a participação de todas as empresas e universidades interessadas no PTS.

  Todas as propostas a serem discutidas serão levadas à Conferência Internacional de Parques Tecnológicos (Conintec), que acontecerá na cidade entre os dias 4 e 6 de junho, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, que além de Izídio, também é composta pelos vereadores João Donizeti (PSDB) e Hélio Godoy (PSD).

  A audiência pública será aberta ao público e acontecerá no plenário da Câmara Municipal, que fica na avenida Engº Carlos Reinaldo Mendes, 2.945, no Alto da Boa Vista, ao lado da prefeitura.
  
Os Parques Tecnológicos

  Foi a Lei 10.973, de 2004, chamada de Lei da Inovação, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que abriu caminho para as criação e aprovação de leis estaduais e municipais sobre o assunto que surgiram depois, inclusive a lei de inovação de Sorocaba, que estabelece normas sobre como tratar as tecnologias que vierem a ser desenvolvidas no PTS.

  Atualmente, segundo a Agência Brasileira de Comunicação de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), existem 31 parques tecnológicos no Brasil, que focam seus trabalhos em diferentes setores da economia, como metalurgia, agronegócio, aeroespacial, entre outros. Outros 17 estão em fase de implantação e 32 estão sendo projetados.
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Caroline Paineli de Gáspari
Assessoria de Imprensa
Vereador Izídio de Brito Correia (PT)
Site: http://www.izidiopt.com.br/
Email: izidiopt@camarasorocaba.sp.gov.br
Twitter: http://twitter.com/izidiopt

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mercadante "cutuca" o senado

Da UNDIME

Senado não consegue fazer prova para 10 mil e tem senador que fala do Enem, diz Mercadante

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comparou nesta terça-feira (15) os problemas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2011 com o concurso para o Senado, que teve provas para três cargos anuladas.

“O Senado não conseguiu fazer uma prova para 10 mil candidatos e depois tem senador que vem falar do Enem, que é aplicado para mais de 5 milhões de estudantes”, afirmou, durante o evento, realizado em São Bernardo do Campo (SP). O petista foi senador por São Paulo entre 2003 e 2011.

Em março, a FGV (Fundação Getúlio Vargas), anulou exames para três cargos por conta de falhas na distribuição das provas. Na época, o Senado, em nota, disse tomou “todas as providências” para solucionar o problema. A fundação, por sua vez, alegou que o erro ocorreu por “por insuficiências técnicas (insuficiência de cadernos de provas em algumas salas)” e remarcou a prova.

Mercadante enfatizou que o último Enem teve problemas somente na aplicação do pré-teste, não apresentando nenhum problema de logística. Ele participou nesta terça do 5º Fórum da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), que contou com a presença do ex-ministro da pasta, Fernando Haddad.

O ministro afirmou que o exame está sendo aperfeiçoado com o aumento do banco de itens da prova e o estabelecimento de melhores critérios para a correção da redação. “O dia que nos tivermos 50 mil itens no banco de questões poderemos disponibilizar todos na internet. Se o cara decorar tudo, ótimo, ele merece entrar na universidade”, afirmou. Segundo o ministro, com o aumento do banco de itens será possível realizar duas provas por ano e diminuir a expectativa gerada em torno de uma única edição.

Alfabetização

O ministro disse também que a prioridade da pasta no momento é o programa de alfabetização até oito anos de idade. “Esperamos lançar já em junho o programa de alfabetização na idade certa. Essa tarefa tem absoluta prioridade e não faltará recursos para isso”, disse Mercadante.

Para que o programa dê certo, disse, é preciso fazer “um grande pacto com todas as prefeituras, principalmente com os professores alfabetizadores”.

Mercadante voltou a falar na realização de uma prova para crianças de sete anos com o intuito de saber o que ainda falta para elas completarem oito anos alfabetizadas. Ele também afirmou que será dada uma atenção especial aos professores alfabetizadores, que, inclusive, devem receber tablets para auxiliar nas aulas, como prometido para os docentes do ensino médio.

Autor: UOL

Verbas do petróleo para a educação

De Campos & Bravo

RELATOR DEFENDE DISTRIBUIÇÃO DE VERBAS DO PETRÓLEO PARA A EDUCAÇÃO

O relator do projeto sobre a partilha dos royalties do petróleo (PL 2565/11), deputado Carlos Zarattini (PT-SP), defendeu nesta quarta-feira (16) a destinação de parte do valor arrecadado com os royalties para os setores de educação, infraestrutura e tecnologia.

A declaração foi dada em ato público promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que reivindicou a destinação de recursos dos royalties para essas áreas. A entidade representa 104 instituições de pesquisa e educação de todo o País. O ato também foi organizado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

Zarattini lembrou que, segundo o substitutivo que apresentou ao projeto, os fundos especiais de estados e municípios deverão aplicar 50% dos recursos em educação, e os outros 50% em infraestrutura e tecnologia. Esses fundos receberão 27,5% do valor arrecadado com os royalties do petróleo (na versão anterior do texto, aprovada pelo Senado, esse percentual seria de 24,5%). O texto do Senado, no entanto, não estabelece a vinculação dos recursos para as áreas de educação e tecnologia.

PARCELA DA UNIÃO


Zarattini afirmou que o seu texto também determina que os recursos dos royalties que ficarão com a União sejam aplicados em ciência, tecnologia e defesa nacional. "Temos condições de dar mais passos à frente para vincular esses recursos para ciência e tecnologia. Estamos debatendo com setores do governo, e há divergências”, disse.

Segundo o texto do relator, a União receberá 20% do valor arrecadado com royalties, enquanto o texto do Senado previa um percentual de 22%, a ser destinado para um fundo social.

O relator disse que vai discutir com o presidente da Câmara, Marco Maia, a votação do projeto em Plenário. "Estou confiante na aprovação. É possível que o texto seja votado em junho”, afirmou.

PESQUISAS


O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, ressaltou que os países que enfrentam crise econômica estão aumentando os recursos destinados à ciência e tecnologia. "Isso está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos. É fundamental destinar parte dos recursos do petróleo para alavancar o desenvolvimento do País. Não podemos condenar as futuras gerações ao subdesenvolvimento”, declarou.

A presidente da SBPC, Helena Nader, disse que o povo clama por educação e pesquisa para que o Brasil se torne, de fato, um país competitivo. Ao falar sobre o projeto da divisão dos royalties do petróleo, Nader criticou o fato de o texto não prever recursos para o Fundo Setorial do Petróleo e Gás Natural (CT-Petro). "Sem recursos para esse fundo, não teremos garantia de dinheiro para a ciência, a tecnologia e a inovação. As pesquisas na área do petróleo ficariam prejudicadas. Queremos que o Brasil aposte no futuro.”

O representante da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) e professor da Universidade de Brasília (UnB), Sadek Absi Alfaro, afirmou que o Brasil investe pouco em ciência e tecnologia, se comparado com países desenvolvidos e até com os que estão em desenvolvimento, como China e Índia.

Alfaro disse que, só em pesquisa aeroespacial, os países mais ricos investem cerca de 80 bilhões de dólares por ano (cerca de R$ 160 bilhões). A Índia, por exemplo, destina anualmente cerca de 15 bilhões de dólares para o setor. "O Brasil investe cerca de 600 milhões de dólares por ano. Se não houver um maior reforço financeiro nessa área, o País vai ficar para trás”, declarou.


Fonte: Agência Câmara

Libras em todas as escolas

De Campos & Bravo

COMISSÃO APROVA PROJETO QUE INCLUI LÍNGUA DE SINAIS EM ESCOLAS

Após ser modificado na Câmara, o projeto que exige o Ensino da língua brasileira de sinais (Libras, usada por pessoas surdas) na Educação básica avança no Senado.

A proposta foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos ontem e agora será enviada à Comissão de Educação.

O texto teve origem no PLS 180/04, da então senadora Ideli Salvatti. Com as alterações feitas na Câmara, foi transformado em substitutivo.

As mudanças ampliaram o foco da proposta, exigindo também o Ensino do sistema braile (para cegos) e do tadoma (para pessoas que são simultaneamente surdas e cegas).

O substitutivo também acaba com a possibilidade de segregação dos Alunos com deficiência em classes ou Escolas especiais.

A medida teve o apoio de Cristovam Buarque (PDT-DF), relator da matéria na CDH.

Ele argumenta que esse tipo de segregação é "contraditório com a ideia de inclusão ampla”. 

Wellington Dias (PT-PI) também apoiou. Ele, que atuou ontem como relator ad hoc, disse que a iniciativa é "revolucionária, pois exige que o Ensino das línguas se estenda às pessoas que estão no entorno dos Alunos com necessidades especiais”.


Fonte: Jornal do Senado

O Brasil e o amianto

Do Correio do Brasil

Brasil continua sendo um dos maiores produtores de amianto do mundo

amianto
Brasil é um dos maiores produtores de amianto, produto é cancerígeno

A auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Fernanda Giannasi, afirma que o amianto continua sendo fabricado e comercializado “criminosamente” no Brasil. E que, o lobby pela produção do produto é tão forte que tem até Ações Diretas de Inconstitucionalidades (Adins) contra o veto pela comercialização do produto.

Procuradores e magistrados do trabalho – a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as demais centrais sindicais inclusive – estão pressionando para que a ação de inconstitucionalidade movida contra a lei federal que trata do uso controlado do amianto seja julgado pelo STF até novembro deste ano.

A auditora disse, em entrevista à Rádio Brasil Atual, que ao contrário do que os representantes da indústria têm repetido, o efeito cancerígeno do amianto é conhecido desde o início do século passado. O contato com o material pode causar asbestose e câncer de pleura. “O Ministério da Saúde tem um número de mortalidade de 3 mil casos de mesotelioma. O número já começa a preocupar as autoridades de saúde e os que de alguma forma se envolvem nessas discussões”, afirmou.

Segundo Fernanda, os projetos para acabar com o uso deste grande mal no Brasil nunca entram em votação. “Nós estamos lutando com um lobby que tem muito dinheiro, que contrata ex-ministros do STF, do STJ, e que usam da sua expertise e do seu poder de influência para que não haja no Brasil uma lei que elimine de vez o uso do amianto na nossa sociedade”, disse a auditora.

Erro estratégico

O médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, Hermano Castro, disse que debater os riscos do amianto em âmbito judicial é um retrocesso. “Um debate desse nível é científico e deve ser travado nos fóruns acadêmicos e não no fórum penal, civil. Não dá para deixar na mão do juiz julgar questões como essa”, afirmou, também à Rádio Brasil Atual.

A utilização de tecnologias menos nocivas foi recomendada na convenção 162 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 1991, e no critério de saúde ocupacional e ambiental de 1998 da OMS. Apesar de várias constatações dos riscos à saúde, apenas cinco estados brasileiros (Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Mato Grosso) proíbem a comercialização do amianto. Sessenta e seis países já baniram o uso da fibra, no entanto o Brasil não avançou no banimento total do amianto.


"Memórias de uma guerra suja"

Do Correio do Brasil

Memórias de uma guerra suja e a participação da mídia no apoio à ditadura

ditadura
A Folha da Manhã, do Grupo Folha, apoiou a ditadura

O livro Memórias de uma guerra suja, depoimento do ex-delegado do DOPS, Claudio Guerra, a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, foi recebido inicialmente com certa incredulidade até por setores progressistas. Há revelações ali que causam uma rejeição visceral de auto-defesa. Repugna imaginar que em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro tenha cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo.

O acordo que teria sido feito no final de 1973, se comprovado, pode se tornar o símbolo mais abjeto de uma faceta sempre omitida nas investigações sobre a ditadura: a colaboração funcional, direta, não apenas cumplicidade ideológica e política, mas operacional, entre corporações privadas, empresários e a repressão política. Um caso conhecido é o da Folha da Tarde, jornal da família Frias, que cedeu viaturas ao aparato repressivo para camuflar operações policiais.

Todavia, o depoimento de Guerra mostra que nem o caso da usina dantesca, nem o repasse de viaturas da Folha foram exceção. Esse é o aspecto do relato que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski, que acaba de ler o livro. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e desde então integram a lista dos desaparecidos políticos brasileiros.

Bernardo atesta:’ Esta tudo lá: empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas’.

No livro, Claudio Guerra afirma que Ana Rosa e Wilson Campos — a exemplo do que teria ocorrido com mais outros oito ou nove presos políticos — tiveram seus corpos incinerados no imenso forno da Usina Cambahyba, localizada no município fluminense de Campos.

A incredulidade inicial começa a cair por terra. Familiares de desaparecidos políticos tem feito algumas checagens de dados e descrições contidas no livro. Batem com informações e pistas anteriores. Consta ainda que o próprio governo teve acesso antecipado aos relatos e teria conferido algumas versões, confirmando-as. Tampouco o livro seria propriamente uma novidade para militantes dos direitos humanos que trabalham junto ao governo. O depoimento de Guerra, de acordo com alguns desses militantes, teria sido negociado há mais de dois anos, com a participação direta de ativistas no Espírito Santo.

A escolha dos jornalistas que assinam o trabalho – um progressista e Marcelo Netto, ex-Globo simpático ao golpe de 64 – teria sido deliberada para afastar suspeitas de manipulação. Um pedido de proteção para Claudio Guerra já teria sido encaminhado ao governo. Sem dúvida, o teor de suas revelações, e a lista de envolvimentos importantes, recomenda que o ex-delegado seja ouvido o mais rapidamente possível pela Comissão da Verdade.

Bernardo Kucinski, autor de um romance, ‘K’, – na segunda edição – que narra a angustiante procura de um pai pela filha engolida no sumidouro do aparato de repressão, respondeu a quatro perguntas de Carta Maior sobre as “Memórias de uma Guerra Suja”:

– Depois de ler a obra na íntegra, qual é a sua avaliação sobre a veracidade dos relatos?
– As confissões são congruentes e não contradizem informações isoladas que já possuíamos. Considero o relato basicamente veraz, embora claramente incompleto e talvez prejudicado pelos mecanismos da rememoração, já que se trata da confissão de uma pessoa diretamente envolvida nas atrocidades que relata.

– Por que um depoimento com tal gravidade continua a receber uma cobertura tão rala da mídia? Por exemplo, não mereceu capa em nenhuma revista semanal ‘investigativa’.
– Pelo mesmo motivo de não termos até hoje um Museu da Escravatura , não termos um memorial nacional aos mortos e desaparecidos da ditadura militar, e ainda ensinarmos nas escolas que os bandeirantes foram heróis; uma questão de hegemonia de uma elite de formação escravocrata.

– Do conjunto dos relatos contidos no livro, quais lhe chamaram mais a atenção?
– O episódio específico que mais me chamou a atenção foi a participação direta do mesmo grupo de extermínio no golpe organizado pela CIA para derrubar o governo do MPLA em Angola, com viagem secreta em avião da FAB.

– O que mais ele revela de novo sobre a natureza da estrutura repressiva montada no país, depois de 64?
– Fica claro que as Forças Armadas montaram grupos de captura e extermínio reunindo matadores de aluguel, chefes de esquadrões da morte, banqueiros do jogo do bicho, contrabandistas e narcotraficantes. Chamaram esses bandidos e seus métodos para dentro de si. Esses criminosos, muitos já condenados pela justiça, dirigidos e controlados por oficiais das Forças Armadas, a partir de uma estratégia traçada em nível de Estado Maior, executavam operações de liquidação e desaparecimento dos presos políticos, o que talvez explique o barbarismo das ações. Também me chamou a atenção a participação ampla de empresários no financiamento dessa repressão, empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha – que emprestou suas peruas de entrega para seqüestro de ativistas políticos -, e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas. Está tudo lá no livro.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Decisão e desafio


Minhas caras e meus caros:

Gostaria nesse texto de comunicar uma decisão tomada, fruto de muitas discussões e de um processo histórico rico e longo vivido por muitos de nós.

Todos sabem que milito na vida política desde 1986, quando me filiei ao Partido dos Trabalhadores e até hoje lá estou. De lá para cá, muitos foram os desafios, conquistas e derrotas vividas.

Em 1988 fui candidato do partido à Prefeitura Municipal numa clara opção de crescimento do mesmo na cidade e na região, sabendo de antemão da impossibilidade de vitória. Apesar de todo o desgaste pessoal, o partido cresceu e foi ampliando sua força e capilaridade em Salto.

Em 1990 disputamos as eleições no Sindicato dos Metalúrgicos de Salto, vencendo com ampla maioria. Tornei-me o presidente do Sindicato e por dois mandatos seguidos fiquei a frente do mesmo.

Em 1992, uma opção que dividiu o partido ao meio, colocou-me novamente a serviço do coletivo, desta vez como candidato a vice-prefeito com o Sr. Pilzio Di Lelli. Talvez a maior das derrotas de minha vida, tanto pessoal quanto coletiva.

Em 1995 o movimento sindical metalúrgico me indica para fazer parte da direção da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT, tarefa que exerci também por dois mandatos. Na sequencia, fui indicado para a chapa dos metalúrgicos que assumiu a direção nacional e ali fiquei até 2005.

Nas eleições de 1996 e 2000, estive presente enquanto militante nos passos dados pelo amigo e companheiro Juvenil no crescimento de nosso potencial eleitoral na cidade.

Em 2003 fiz parte pelo PT do grupo de negociações que culminou com a grande aliança entre os três maiores grupos políticos da cidade numa frente para elegermos Geraldo e Juvenil à prefeitura. Vitoriosos, assumi a Secretaria da Educação e por sete anos estive a frente da mesma ajudando o governo eleito e a cidade na reconquista de sua autoestima.

Graças a esse governo, hoje podemos dizer que temos uma cidade em franca ebulição e crescimento. Uma cidade que começa a se descobrir enquanto propulsora de progressos e avanços para ela e a região, em vários segmentos. Uma cidade que precisa continuar seu caminho em direção à melhor qualidade de vida de seus habitantes, meta definida no último Programa de Governo de 2008, mas ainda longe de ser alcançada.

Todos sabem também que em janeiro deste ano nosso prefeito, em uma atitude inédita e inesperada, rompeu bruscamente a aliança construída em 2003 e os compromissos ali traçados, numa clara demonstração de desprezo a todas as conquistas alcançadas coletivamente, já que o diálogo – instrumento de suma importância no mundo político – não existiu naquele momento.

Essa atitude antecipou as ações políticas e colocou na ordem do dia da cidade as discussões da sucessão. Era esperada uma transição tranquila para o próximo mandato, com nosso vice-prefeito Juvenil assumindo a tarefa da continuidade nos nossos avanços. Entretanto, a tranquilidade e as certezas foram riscadas das projeções pelo prefeito municipal.

Hoje, cada vez mais percebemos, por pesquisas e pelo sentimento das ruas, que a futura candidatura de Juvenil Cirelli é uma certeza para a sucessão. Todo seu trabalho, sua vida pública e a atitude brusca do prefeito reforçam a certeza de sua futura vitória na campanha que se avizinha. E a cada dia e todos os dias trabalhamos para isso, sem cessar e sem cansar.

A atitude tomada pelo grupo do prefeito municipal mostra também que teremos a partir de 2013 um novo cenário político na cidade, até mesmo com a vitória de Juvenil para a prefeitura. A grande base de sustentação criada em 2004 não existirá mais. Os embates legislativos e sua necessária profundidade certamente serão muito maiores do que foram nos últimos anos.

Observa-se também no cenário uma decepção muito grande com a maioria dos atuais vereadores pelas suas atitudes ou mesmo pelas suas omissões. Depois do “racha” provocado pelo prefeito municipal, vemos uma Câmara envolta em dois cenários: o do isolamento de todas as propostas dos vereadores ligados ao Juvenil e a enorme disputa entre aqueles que hoje são maioria para saber quem será reeleito e até mesmo indicado para outras funções.

Tudo isso nos leva a refletir sobre o futuro, já que ele será definido em alguns meses.

E essa reflexão, que para mim sempre é coletiva, indica a necessidade de duas “frentes de batalha” muito claras: uma vitória significativa de Juvenil Cirelli e uma maioria expressiva na Câmara Municipal que garanta os projetos de governo do grupo que apoia a futura candidatura de Juvenil.

Nesse sentido e depois de conversar e refletir bastante, estou colocando meu nome a disposição do grupo enquanto pré-candidato à uma das cadeiras da Câmara Municipal. Faço isso sabendo de meus limites tanto temporais quanto físicos (a mim não se aplica a máxima de que eleição de vereador é gastar muita sola de sapato, por motivos óbvios).

Encaro esse desafio como encarei todos aqueles que moldaram minha vida. Mais uma vez coloco enquanto meta maior a necessidade e a vontade de um grupo, o mesmo que desde 1986 tem me colocado desafios, com uma diferença: hoje muito maior.

Abraços e espero poder contar com a confirmação pelo partido nas convenções que acontecerão em junho!


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fraude no Saresp

Do Luis Nassif

Por veras
do iG

Fraude é confirmada na melhor escola estadual de São Paulo 


Denúncia do iG que mostrava interferência nas provas de escola com a maior pontuação do Estado foi comprovada por comissão
iG São Paulo

 Fachada da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado que é acusada de fraude no Saresp Foto: Marina Morena Costa
O Secretário Estadual de Educação de São Paulo Herman Voorwald assinou a abertura de processo disciplinar contra funcionários da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado, que obteve a maior nota do Estado no Saresp do ano passado. Após denúncia do iG de que os estudantes foram ajudados por professores que chegaram até mesmo a fazer as provas, uma comissão foi ao local e apurou que há indícios de autoria e materialidade para comprovar a fraude.

A documentação agora será enviada à Coordenadoria de Procedimentos Disciplinares da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Em nota, a Secretaria diz que a revisão das notas e do bônus dos funcionários da escola só ocorrerá após a conclusão do processo. “Os indiciados poderão exercer o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório”, informa.

No Saresp de 2011, todos os 27 alunos da escola tiraram 10 em matemática – fato raro e único na rede – e a média da turma em português foi 9,1. O desempenho garantiu à escola nota 9,3, a maior entre todas as unidades da rede estadual de São Paulo. A média do Estado de São Paulo para a série foi 4,24 e das escolas de Sorocaba, 4,61. O resultado também significou bônus de 2,9 salários aos profissionais da escola – o máximo possível.

Apesar dos dados fora do padrão, o caso não chamou atenção da Secretaria Estadual de Educação até que a reportagem fosse ao local. No dia 30 de março uma listagem com as notas do Saresp foi divulgada sem ressalvas. 

Em 2 de abril, o iG visitou a instituição e pais e alunos relataram que uma professora ajudou os estudantes que não sabiam responder algumas perguntas. Ainda assim, na primeira nota oficial sobre o caso, a Secretaria de Educação, informou que a denúncia não procedia, pois de acordo com seus registros, professores de outras escolas aplicaram o Saresp na Reverendo Augusto da Silva Dourado.

Após a publicação da matéria, a comissão foi instaurada no dia 4. Nova reportagem do iG em 11 de abril mostrou que professores que receberam os alunos em 2012 avaliaram seus desempenhos como incompatíveis com a nota obtida. Enquanto isso, pais comentaram que havia a ameaça de fechamento da escola se os boatos fossem confirmados. A Secretaria de Educação enviou texto em que chamou de "má fé" o veiculação destes fatos.

Na nota desta quarta-feira, a secretaria diz que “O Saresp é uma avaliação externa em larga escala da Educação Básica, aplicada anualmente desde 1996 pela Secretaria da Educação. Sua finalidade é produzir diagnósticos frequentes e comparáveis da situação da escolaridade básica na rede pública de ensino paulista, visando a orientar os gestores do ensino no monitoramento das políticas voltadas para a melhoria da qualidade educacional”. A pontuação obtida pelos alunos, no entanto, passou a ser utilizada como critério para o pagamento de bônus aos funcionários da escola – que pode variar de zero a 2,9 salários em função da nota obtida em composição com índices de repetência e evasão.

A secretaria defende ainda a segurança da prova: “Todo o processo da avaliação — coleta, sistematização de dados e produção de informações — é executado a partir de procedimentos metodológicos formais e científicos internacionalmente reconhecidos. Para garantir a idoneidade do Saresp, as provas do 5º ano são aplicadas por professores de outras turmas ou escolas. O sistema é composto por 26 modelos de provas diferentes em cada disciplina. Na fiscalização, participam não somente funcionários, mas também pais voluntários, que circulam pela unidade de ensino”, diz a nota.

A fiscal da Vunesp (empresa responsável pela elaboração e aplicação do exame) contratada para esta escola, no entanto, disse ao iG que não ficou na sala durante a aplicação do teste. Segundo ela, o treinamento dos fiscais determina que eles não devem permanecer em sala de aula, e devem fazer apenas duas visitas durante a prova.


Mudanças nos valores éticos da Globo?

Da Carta Capital

Sergio Lirio

Os valores éticos da Globo mudaram?

Como se sabe, o jornal O Globo publicou um comovente editorial em defesa de Roberto Civita, dono da editora Abril. Em matéria de delírio, o diário carioca da família Marinho só foi superado pela própria Veja de Civita, que neste fim de semana conseguiu unir em um mesmo texto aranhas, robôs e comunistas. Parecia um roteiro de terror B. Já o editorial de O Globo recorria ao surrado bordão imprensa chapa-branca vs. imprensa livre (livre de quem?) e tentava ressuscitar um animal extinto, os radicais do PT.

Em resumo: O Globo não viu nada de grave nas relações de Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília de Veja, com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. E afirmou existir uma “campanha” contra a revista dos Civita.

Outros tempos. Em 2001, a família Marinho demitiu sem pestanejar o jornalista Ricardo Boechat por considerar impróprias suas relações com uma fonte.

Boechat era um profissional celebrado e em ascensão nas Organizações Globo. Editava no jornal uma coluna de notas políticas e econômicas de muito prestígio e fazia comentários na tevê do grupo. Grampos atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, que disputava o controle de duas operadoras de telefonia com os canadenses da TIW, foram publicados pela Veja (coincidência!!!). Em alguns deles, Boechat conversa com Paulo Marinho, assessor do empresário Nelson Tanure, representante dos canadenses na disputa contra Dantas e dono do Jornal do Brasil.

A reportagem de Veja à época descreve: “Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril, Boechat conta a (Paulo) Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada sobre o grau de ligação do jornalista com Nelson Tanure…” E por aí vai. Neste caso, Veja, ao acusar uma trama para favorecer um dos lados de uma disputa empresarial, agiu para favorecer o outro, o de Dantas.

Pelo que se viu até agora e pelo que se comenta a respeito do que virá, as relações de Policarpo Jr. com Cachoeira são muito mais profundas do que aquelas entre Boechat e Tanure. A começar por um fato: Tanure é um empresário controverso, geralmente odiado por seus funcionários, mas não é um contraventor como Cachoeira. Desconhece-se, por exemplo, o uso de expedientes sujos (arapongas, rede de prostituição etc.) por Tanure.

Uma década atrás, O Globo enxergou um problema ético suficientemente grave para demitir seu funcionário. Hoje, defende sem um átimo de dúvida, sem aquele saudável distanciamento de quem não estava presente no exato momento dos fatos, uma empresa na qual não figura entre os acionistas. Como a família Marinho pode ter tanta certeza a respeito da lisura do comportamento de Veja sem ter conhecimento do teor completo dos telefonemas entre Policarpo Jr. e o bicheiro? Nem sobre os métodos cotidianos da editora?