terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Para Relativizar.

Para não dizerem que perdi a noção de equilibrio, que só defendo o governo do Lula e que não consigo enxergar mais nada a não ser o que ele faz de bom para o país, indico hoje dois artigos que criticam determinadas políticas do governo Lula.

O primeiro deles é do Altamiro Borges, comunista brasileiro histórico, que faz uma crítica bastante contundente e comprovada do não avanço da reforma agrária no governo Lula. Leia aqui.

O segundo é de um jornalista da folhona que faz uma análise do artigo do FHC na veja, onde ele aponta os erros e os escorregões do ex presidente, bem como algumas limitações do governo Lula. Confira aqui.

Mas não é para acostumar, até porque análises consistentes precisam de motivos consistentes. E na verdade o governo Lula tem dado poucos motivos para análises desse tipo. Quando aparecerem, mostro, podem ter certeza.

Sequencia Impressionante.

Reproduzo abaixo artigo publicado no blog do NASSIF sobre as "distorcidas" de nossa querida imprensa. Desta vez sobre o Bolsa Família. Leiam:

A COBERTURA (OMISSA) DAS POLÍTICAS SOCIAIS
Por Ângela Carrato e João Mendes em 9/2/2010

Os leitores de Veja, O Globo e O Estado de S.Paulo se depararam, nos últimos dias, com uma série de matérias contendo dados equivocados e juízos de valor que não se sustentam em se tratando do Programa Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em comum às três matérias, além dos equívocos, uma nítida tentativa de vincular o programa – que é referência nacional e internacional em redução de pobreza – com ações eleitoreiras e até mesmo com o que denominam de “terrorismo eleitoral”.

A primeira matéria coube à revista Veja que, na edição 2149 (de 24/1/2010), sob o título de “Bolsa-Cabresto”, publicou duas páginas onde, no lugar de informações para o leitor, lançou mão de dados equivocados, chegou a números fantasiosos e nem se deu ao trabalho de ouvir o MDS antes de publicar a sua “tese” sobre o assunto. Na segunda-feira (25/1), a Assessoria de Comunicação do MDS enviou à Veja uma nota de esclarecimento, na qual rebatia todos os pontos da matéria e solicitava que a revista a publicasse na próxima edição. Na terça-feira (26), a repórter de Veja que assina a matéria, Laura Diniz, fez contato com a Assessoria de Comunicação do MDS e solicitou mais alguns dados, no que foi prontamente atendida.
Na oportunidade, a assessora responsável direta pelo Programa Bolsa Família, jornalista Roseli Garcia, informou à repórter de Veja que o MDS havia enviado a nota de esclarecimento e que aguardava a publicação. Em resposta, ouviu que a nota estava “grande demais” e que “dificilmente seria publicada”. Na noite de quarta-feira (27), a repórter encaminhou para o MDS um texto com a proposta de retificação por parte da revista Veja. A nota, num total de quatro linhas, nem de longe contemplava as correções apontadas pelo ministério na matéria publicada por Veja.


Diante disso, a Assessoria de Comunicação encaminhou, na quinta-feira, ao diretor de redação de Veja Eurípedes Alcântara e ao redator-chefe, Mario Sabino, uma mensagem contendo todo o ocorrido e solicitando, em respeito aos leitores e à verdade, a publicação da resposta na íntegra. Não recebemos retorno por parte dos dois dirigentes da revista. Aliás, as duas mensagens foram descartadas sem terem sido lidas. Na sequência, a repórter responsável pela matéria telefonou para Ascom/MDS solicitando uma diminuição no tamanho da nota. Atendendo a esse pedido, essa redução foi feita de forma a contemplar explicações mínimas que pudessem fazer o leitor entender o equívoco cometido pela revista. Essa nova nota foi encaminhada na noite de quinta-feira (28/1).

Na sexta-feira, a repórter liga novamente para Ascom/MDS dizendo que a carta “continuava grande demais” e que tinha preparado uma correção, pois considerava “melhor para o ministério” a retificação da revista do que a publicação da carta. A ela foi respondido que preferíamos a carta, por esclarecer melhor o caso aos leitores.

Veja optou pela correção que ela própria fez, publicada em corpo minúsculo sem ter respondido aos principais equívocos apontados pela Ascom/MDS. Além disso, em destaque, publicou duas cartas de leitores que continham críticas ao Programa Bolsa Família a partir de uma matéria repleta de erros. Vale dizer: amplificou, novamente, o próprio erro, sem aceitá-lo como tal.

Campeões da democracia

Já no dia 1º de fevereiro, o MDS é novamente surpreendido. Em editorial, intitulado “Bolsa Família e eleição” o jornal O Estado de S. Paulo, utilizando os mesmos argumentos usados na matéria da revista Veja, afirma que não haveria exclusão de beneficiários do programa em 2010. O que é um equívoco, pois já em fevereiro estão sendo cancelados 710 mil benefícios por falta de atualização cadastral. A Ascom/MDS encaminhou carta ao Estado de S. Paulo explicando que o editorial fazia uma análise equivocada da instrução operacional do MDS – que apenas detalha o trabalho as ser feito pelos gestores do Programa Bolsa Família em 2010 – idêntica à cometida pela revista Veja.

No dia seguinte, o jornal publicou a íntegra da carta e questionou o seu conteúdo, afirmando que o documento “não permite conhecer a fundo os critérios estabelecidos pelo programa, o erro não é do jornal, mas do Ministério”. Como rege o bom jornalismo, se um documento não está claro, cabe ao jornalista estudar o assunto e informar de maneira clara aos seus leitores. Em outras palavras, faltou ao Estado de S.Paulo ater-se a uma regra básica no jornalismo: a apuração. Nesse ponto, aliás, O Estado de S.Paulo, O Globo e Veja se assemelham: estão deixando de apurar e publicando o que acreditam ser a verdade.

Na mesma segunda-feira (1/2), devido ao editorial de O Estado de S.Paulo, a Ascom/MDS foi procurada pela reportagem de O Globo. Todas as explicações dadas à Veja e ao Estado de S.Paulo foram repassadas a O Globo, mostrando os equívocos cometidos pelas duas outras publicações. Mas o jornal, lendo a instrução normativa – que trata apenas de procedimento em relação à atualização cadastral – encaminhada pelo MDS aos gestores, abordou outro aspecto também de forma incorreta. O Globo classificou essa norma, em manchete, como: “Governo faz ameaça eleitoral ao recadastrar Bolsa Família”.

Mais uma vez a Ascom/MDS encaminhou carta ao jornal, que foi utilizada na matéria do dia seguinte em texto intitulado “Tiroteio com o Bolsa Família”. Neste texto, o jornal utiliza as declarações de parlamentares de partidos da oposição ao governo para sustentar a polêmica criada pelo próprio veículo.

O assunto repercutiu em vários veículos nacionais e também na imprensa regional, criando uma situação no mínimo curiosa para quem é leitor atento ou para aqueles que se interessam pelo comportamento de parte da mídia brasileira. Nos dias atuais, a mídia tem deixado de lado o papel clássico de informar, interpretar e opinar (nos espaços devidos) para, ela própria, tornar-se a origem da informação e, não raro, ator no cenário político nacional.

No caso do Programa Bolsa Família, as informações e a análise apresentadas pela mídia foram equivocadas e funcionaram como retroalimentação. Num dia um veículo publica algo equivocado. Não retifica o erro. No dia seguinte, outro veículo, tomando o que foi publicado como verdade, amplifica o erro. No terceiro dia, um novo veículo entra “na roda” e assim a “polêmica” está criada. Para confirmar os pressupostos da mídia, políticos de oposição são entrevistas e ganham destaque.

Essa situação em si é extremamente preocupante para o futuro das instituições e para a própria democracia no Brasil, porque deixa a parte atingida, no caso o agente público, sem condição para restabelecer a verdade. A preocupação torna-se maior ainda quando se sabe do papel central que a mídia tem na sociedade contemporânea.

No caso brasileiro, a censura oficial à imprensa foi abolida há décadas e a liberdade de informação e expressão encontra-se consagradas na Constituição de 1988. Mas, infelizmente, o que se percebe é que o poder de censura, que nos governos autoritários estava nas mãos do Estado, migrou para as mãos de um reduzido número de empresas e de articulistas que se auto-intitulam os porta-vozes da verdade e os campeões da democracia. Essa situação torna-se ainda mais difícil quando dentro dos grandes grupos midiáticos prevalecem as velhas ideologias do liberalismo do século 18 e 19.

Escolhas próprias

Nos três casos descritos, faltou muito mais do que o necessário restabelecimento da verdade. Faltou seriedade profissional e empresarial na cobertura de um tema da maior importância para a sociedade brasileira e que mexe com a vida de milhares de pessoas. Dia a dia, o que se verifica é que a mídia brasileira não percebeu que o Brasil mudou e que as políticas sociais estão instituídas enquanto políticas públicas, que demandam conhecimento e acompanhamento permanente em relação ao seu funcionamento. As políticas públicas na área social estão sepultando a cultura política da dádiva, contribuindo para a emancipação das pessoas e para a plena cidadania.

Com exceção de uns dois ou três jornalistas que se especializaram – por conta própria – na cobertura dos chamados programas sociais, não há, na mídia brasileira, quem acompanhe, com um mínimo de regularidade, a vida desses programas e, sobretudo, os seus resultados. Apesar da importância dos programas sociais, a mídia brasileira ainda não criou, sequer, uma editoria específica para a cobertura deles. E se no passado podia-se argumentar que as classes C, D e E não tinham peso no mercado, também esse argumento não mais se sustenta. A cobertura jornalística das políticas públicas é um dos grandes desafios e uma das maiores deficiências da imprensa brasileira.

Em anos de eleição, as dificuldades se acentuam mais. A disputa política envolve grandes riscos para os jornalistas. Se muitos temem se tornar instrumento de propaganda eleitoral de governos e candidatos, ao cobrir de forma acrítica o desempenho dos programas sociais, há igualmente o risco de dar a todas as políticas públicas um caráter e uma intenção eleitorais e, com isso, deixar de levar ao cidadão beneficiado as informações essenciais. Isso, sem falar na arrogância daqueles que se arvoram em “defensores do povo” sem, ao menos, dar a palavra a quem é de direito.

Voltando ao caso da revista Veja, chama atenção na matéria citada como os grandes ausentes do texto são os beneficiários do Programa Bolsa Família. Eles aparecem na foto que ilustra a matéria, mas não são ouvidos pela repórter. Se ouvidos, esses beneficiários teriam muito a dizer sobre o que está mudando em suas vidas. Mas, ao que tudo indica, isso não é interessante para os porta-vozes do nicho mais conservador da sociedade brasileira. Motivo pelo qual se prefere dar voz aos “formadores de opinião”, sejam eles cientistas políticos ou articulistas.
A importância da mídia para a formação da opinião pública é inegável, mas a cada dia o cidadão e a cidadã se mostram mais conscientes e competentes ao fazerem as suas escolhas. Escolhas não só em termos eleitorais, mas escolhas sobre o que ler e onde buscar informações. Não é por acaso que a tiragem da mídia impressa brasileira tem apresentado acentuado declínio nos últimos anos, enquanto crescem exponencialmente os acessos aos sites e blogs.


Publicação original - Observatório da Imprensa

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dúvida

Confesso que desde ontem de manhã após ler o jornal Taperá estou tomado por uma dúvida cruel. Deixem-me explicar:

A manchete do jornal diz: "ROUBO DE CARROS AUMENTOU 85% EM SALTO E 12% EM ITU, EM 2009". E discorre sobre o assunto, chamando mais detalhes dentro do jornal.

Na sequencia, ainda na primeira página, em uma chamada um pouco menor, mas bem abaixo da manchete, salta aos olhos outra informação: "SALTO ENTRE AS 10 COM MENOR ÍNDICE DE ROUBO". E explica: "entre as 73 cidades com mais de 100 mil habitantes (...) o município está na 65a colocação. Itu é a 58a ... e Indaiatuba a 25a. São Paulo lidera o ranking".

Outros dados soltos que traz o jornal:
- O índice médio de roubos no estado é de 612 roubos para cada 100 mil habitantes.
- Salto teve um índice de 213,16. Itu, 252, 24. São Paulo, 1.122, 7.

Quais as conclusões possíveis disso? Algumas delas, arrisco:
- O número de outros tipos de roubo diminuiram muito em Salto.
- O número de roubos aumentou muito no estado.
- Outras modalidades de roubo são muito maiores que os de carro.

Talvez a última seja a mais plausível, já que tivemos 85 veículos roubados em Salto em 2009. E o índice fo de 213,16 roubos para cada 100 mil habitantes. Como Salto está muito próximo de 100 mil habitantes, podemos supor que as ocorrências giraram em torno de 215 (???). Ou seja, os roubos de veículos representam algo em torno de 40% do total.

Entretanto, os sinais mais subjetivos das leituras feitas é que esse tipo de crime tem crescido muito no estado todo.

Com a palavra os estatísticos e as autoridades responsáveis.

Campanha às Claras

Como já estamos em fevereiro e mais alguns meses a campanha eleitoral tomará conta do país, mas nos bastidores, nos jornais, nas TVs e no mundo virtual ela já está bastante quente, tomarei a liberdade aqui de avançar nesse assunto. Evidente que sempre ajudado pelos blogs que acompanho, pelas notícias que todos acompanhamos e um pouquinho de análise pessoal. Portanto, que fique claro uma coisa: sou petista e sempre defenderei a linha que o partido definir para a campanha. Dilma presidente é uma questão já definida para todos os petistas do Brasil. Em São Paulo? Ainda existe uma corrente bastante forte tentando trazer para a disputa estadual o presidenciável Ciro Gomes, já que mesmo no PSDB o nome ainda é uma incógnita. Aumenta a cada dia a probabilidade de José Serra desistir da disputa presidencial e tentar a reeleição em São Paulo, já que a candidatura de Dilma não pára de crescer, mesmo na pré-campanha.


E hoje, lendo meus blogs favoritos, encontrei no CLOACA NEWS algo bastante interessante> uma enquete do estadão perguntando se você votaria em alguém indicado pelo Lula. E a questão do blog é: por que o estadão ainda não publicou essa enquete? A resposta está no número de "sim" que a enquete já recebeu: mais de 70%. Entenderam??? Então, entre, vote e veja os resultados. Vale a pena. É só seguir por aqui.


Uma outra questão que o blog do AZENHA pede que as autoridades se manifestem é a provável ilegalidade da globo na transmissão de sinais via parabólica para o norte e nordeste brasileiros: as denúncias são de que a emissora retransmite para lá sinais de São Paulo com as propagandas que o Zé Serra faz por aqui. Leia no blog do AZENHA essa denúncia, mas não se esqueça de ler os comentários de quem mora por lá. Aqui.


E por fim, no blog do NASSIF, o nosso governador resolveu falar sobre as enchentes. E adivinhem o que ele disse? "Faltou dinheiro do governo federal para resolver os problemas das enchentes em São Paulo." Tá vendo só!!! É culpa do Lula as enchentes em São Paulo. Você já estava desconfiado, não é mesmo? Mas como bem lembrou o blog e nós aqui também mostramos, o governo federal já se colocou para financiar soluções para esse caos, no aniversário de São Paulo. Lembram-se? Veja aqui o que já falamos e aqui a nova fala do governador que quer (com muita dúvida recentemente) ser presidente do Brasil.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ponte Pênsil

No editorial de hoje do jornal Taperá um comentário sobre um grave acidente acontecido com uma criança em nossa Ponte Pênsil.

Sem entrar no mérito da opinião do editorialista, achei importante registrar um dado histórico que hoje pode não ter peso algum, mas que em minha opinião mostra um aspecto cultural saltense relevante: a ponte pênsil, que hoje é um dos nossos pontos turísticos, como o próprio editorial comenta, foi cedida pela antiga empresa Italo Americana que no início do séc. XX (1904) adquiriu as duas empresas téxteis pioneiras de Salto, pertencentes ao Dr. Barros Jr e a José Galvão (este já falecido quando da fusão). Logo em seguida a empresa recebe o nome de Brasital.

E por que a ponte foi cedida para a municipalidade?

Por conta da "posse" pela mesma empresa da chamada Rua do Porto, uma via pública que saia do então centro da cidade e terminava às margens do rio Tietê. Essa rua hoje pode ser imaginada quando olhamos para a frente do atual centro universitário lá existente e vemos um grande portão no seu lado direito que dá acesso aos carros daqueles que lá trabalham e dirigem o mesmo. Todo aquele espaço era público. Todos os saltenses podiam por lá transitar e chegar até as margens do nosso querido Rio Tietê.

Vale registrar também que a "troca" foi aprovada pelas autoridades da época que certamente devem ter inclusive elogiado muito a atitude da empresa, como algo nobre e de extremas vantagens para a cidade.

Importante também citar que José Galvão quando ainda vivo tentou fazer o mesmo movimento, mas o Dr. Barros Jr. dono da outra empresa e político influente em Salto e na região, usou de sua influência para não permitir.

E o que tem a ver o acidente da criança com tudo isso? Pode ser que tanto tempo depois nada mesmo. Mas ainda, na minha ingenuidade, as vezes fico a imaginar como seria aquele espaço se em vez da ponte pênsil ainda tivéssemos a Rua do Porto. Fico a imaginar que se as autoridades daquela época tivessem impedido a ocupação total das margens do rio Tietê pela empresa, como seria hoje aquele local?

Um acesso mais simples e belo para nossa querida cachoeira minha imaginação alcança. Até a ilusão ingênua de imaginar outros acidentes, mas não iguais ao que aconteceu com a criança recentemente.

Nossa história é repleta de fatos onde a prevalência dos interesses do capital se sobrepuseram aos interesses coletivos. Na minha parca leitura, a ponte pênsil é um desses. Recuperar isso é nossa obrigação. E a nova obra projetada para onde antes tinhamos a Concha Acústica certamente será um grande resgate.

Se você quiser ler mais sobre essa história, recomendo o livro de Anicleide Zequini - O QUINTAL DA FÁBRICA - publicado em 2004. Vale a pena.

Barbárie Colombiana

Já comentamos aqui fatos extremamente graves que ocorrem na Colômbia e que diferentemente dos demais países sul americanos, não vemos nenhuma notícia a respeito. Nenhum comentário, nenhuma posição, silêncio absoluto. Ainda bem que temos a internet para conhecer o outro lado que muitos querem esconder. Leiam o artigo abaixo:

por Mauro Santayana, no JB Online

Não é novidade: a Human Rights Watch, organização internacional que monitora a violação dos direitos humanos no mundo, denunciou, ontem, em Bogotá, os novos crimes dos grupos paramilitares na Colômbia. Além dos assassinatos seletivos, há o deslocamento forçado de populações inteiras, sob a ameaça armada dos bandos de criminosos. Tais comandos contam com a proteção de setores das Forças Armadas, da polícia, de alguns promotores e de altas personalidades do governo de Uribe.

O país tem sido dos mais atingidos pela violência na América Latina, embora seja dotado de uma intelectualidade que se destaca entre os vizinhos. Não é só a pátria do romancista Gabriel García Márquez, como de excepcionais poetas e dramaturgos. Tal como outros países mestiços da Cordilheira, a Colômbia é dominada por uma minoria de grandes empresários, quase todos brancos, muitos de sobrenomes estrangeiros, que controlam os bancos, as indústrias e os meios de comunicação – e, da mesma maneira, o narcotráfico e as instituições do Estado.

A essas elites pertence o presidente Uribe. Contra elas, surgiram, ao longo do século 20, vários movimentos armados. O Estado não foi capaz de os vencer, com suas forças clássicas de repressão. Alguns empresários decidiram então financiar os paramilitares, que, oficialmente à margem do Estado, passaram a exterminar militantes de esquerda dos meios urbanos e camponeses, sob o pretexto de cumplicidade com as Farc. Esses grupos nunca enfrentaram frontalmente os guerrilheiros. Tratou-se de sórdido terrorismo: as vítimas são, em sua maioria, jovens sequestrados da periferia das cidades e moradores no campo. Fazem apenas “número” para justificar o dinheiro recebido. Formaram-se, assim, grupos de assassinos, alguns criminosos comuns, egressos ou fugitivos das prisões, ex-militares e ex-policiais, traficantes de drogas e desempregados, todos armados, municiados e pagos, conforme o número das vítimas abatidas.

Há indícios fortes de que tais grupos receberam ajuda e treinamento da CIA, embora os norte-americanos o neguem. O que não negam é a presença de consultores e assessores que “ajudam” as forças “regulares” da Colômbia a combater os guerrilheiros, a pretexto de reprimir o tráfico de drogas.

O Estado colombiano se transformou em assustadora quimera. Membros destacados do governo Uribe são acusados de cumplicidade com os paramilitares. O próprio Uribe, quando governador do estado de Antioquia, cuja capital é Medellín, patrocinou o grupo Convivir, organização de fachada de exterminadores, financiada pela grande companhia bananeira Chiquita – conforme documentos norte-americanos. Esses mesmos documentos apontavam, no início do governo de Uribe, o então chefe do Exército, Mario Montoya, de cumplicidade com um grupo de extermínio que havia eliminado pelo menos 14 pessoas em Medellín.

Entre 2003 e 2006, o governo colombiano, sob a pressão da opinião pública mundial, “promoveu a desmobilização” de 30 mil membros das organizações paramilitares, mas há provas de que se tratou de uma farsa. “Como resultado – diz textualmente o informe do HRW – muitos grupos atuaram de forma fraudulenta e recrutaram civis para que passassem como paramilitares durante a desmobilização, e assim preservaram ativos seus quadros”. Os verdadeiros chefes e subchefes dos grupos se ocultaram, e voltaram a matar meses depois. A partir de 2007, esses grupos voltaram à luz do dia – calcula-se entre 4 mil e 10 mil o número atual de seus efetivos.

O informe refere a denúncia de que um chefe de promotores de Medellín, Guilherme Valencia Cossio – irmão do ministro do Interior e Justiça de Uribe – seria colaborador de um desses grupos de paramilitares. O fato é que há clara condescendência e envolvimento de altos funcionários do governo de Álvaro Uribe – há quase oito anos no poder, com os grupos de extermínio.

O presidente Barack Obama, quando candidato, anunciou que, eleito, cortaria a ajuda à Colômbia. Hillary Clinton, como secretária de Estado, negociou a instalação de bases norte-americanas no país, e tem garantido o apoio decisivo de Washington a Uribe e seu grupo.

Além deste artigo, você pode saber mais opiniões a respeito no BLOG DO MIRO, que faz uma análise mais ideológica da situação, mas que também trás dados importantes para sabermos o que acontece bem perto de nós. Um país vizinho que tem a imagem de forte combatente do narcotráfico. Mas por trás disso a imposição de uma elite atrasada e violenta. Leia mais aqui.

Debate Ideológico

DO BLOG "ÓLEO DO DIABO":

Tem gente que ainda acha que as ideologias acabaram. Uns o dizem com os lábios retraídos num esgar de ironia, indicando o puro oportunismo da afirmação: não crêem no que dizem, pois sabem que a ideologia ainda existe, mas interessa a eles assegurar o oposto. Outros fazem-no com inocência, acreditando piamente que o mundo não comporta mais reviravoltas doidas.

De fato, um dos erros dos idealistas dos anos 60 foi achar que a economia dos países teria a mesma flexibilidade do cinema experimental. Não é assim, mas isso também não significa que mudanças não sejam necessárias. Até porque as mudanças são inevitáveis. Dos anos 60 para cá, o mundo já passou por tantas revoluções tecnológicas que muitos dos argumentos brandidos por quem almejava revirar as coisas pelo avesso hoje esvaíram-se junto com o linotipo, a máquina de escrever, e as saudosas cartas escritas à mão.

As ideologias não acabaram, e o próprio debate sobre a existência ou não delas, ou a importância ou não delas, é um debate ideológico. Lembro-me de Nelson Motta entrevistando Arnaldo Jabor na Globo, a respeito do filme que este último está fazendo. Sem ligação nenhuma com o tema, mas coerente com a algo bizarra obsessão de Motta em criticar a esquerda e o socialismo, o jornalista trocou figurinhas com Jabor sobre a (na sua opinião) negativa influência da ideologia sobre o cinema brasileiro. Era um joguinho de cartas marcadas. Um ping pong bobinho, anticomunista, feito para agradar os filhos do Roberto Marinho. Jabor criticou os cineastas dos anos 60 por se apegarem às ideologias.

Isso é uma baita grosseria. Claro que pode haver exageros. Houve patrulhamento nos anos 60 e 70, mas a culpa não foi da esquerda, e sim o resultado da atmosfera sufocante, totalitária, desesperada, produzida pela ditadura militar. Havia aflição no ar. Segredos em toda parte. Gente desaparecida, quiçá já morta ou sendo torturada. Natural que a intelectualidade batesse cabeça. Essa releitura conservadora dos tempos ditatoriais, que visa culpabilizar a esquerda pelo clima desconfortável da época, como se vê no filme sobre Wilson Simonal, e nos comentários de Motta, é altamente ofensiva aos ideais democráticos, violados brutalmente pelo regime militar.

A história não morre. O regime militar continuará, enquanto existir historia, a violar a democracia brasileira. Não se esquece isso, ainda mais se tratando de um fato tão recente.O Estadão obteve, ontem ou anteontem, o programa preliminar do Partido dos Trabalhadores a ser usado na campanha de Dilma. A divulgação do texto precipitou um debate ideológico interessante, e a esquerda só tem a ganhar com isso, visto que o conservadorismo nacional, representado por José Serra e os partidos que o apoiam, continuam retraídos em termos de propostas políticas. Formados na escola neoliberal, os tucanos se vêem acuados diante da constatação de que os brasileiros, como qualquer povo em desenvolvimento, querem um Estado forte, querem serviços públicos eficientes (o que implica em mais funcionários), e não querem mais privatizações irresponsáveis, indiscriminadas.

Desorientados, os tucanos não se arriscam a formular plataformas políticas. Não participam de nenhum debate público. Nas dezenas de conferências realizadas no país, por iniciativa não só do governo mas de inúmeras entidades da sociedade civil, os tucanos estiveram sempre ausentes. Só mostraram o bico quando a mídia passou a criticar alguns pontos discutidos na conferência, e sempre alinhando-se caninamente, mediocremente, sem criatividade, sem culhões, às opiniões dos conglomerados midiáticos. Serra, o principal candidato da oposição, optou por um silêncio deliberado sobre qualquer questão de interesse estratégico. Em que isso contribui para a democracia? E não se trata de evitar campanha antecipada. Serra, como cidadão brasileiro, e como quadro político, tem o direito e o dever de participar dos debates públicos. Enchente em São Paulo? Tem de convocar imediatamente a sociedade para um grande esforço com vistas a minorar o sofrimento das famílias que perderam suas coisas e vivem em áreas alagadas com água fedida e contaminada. Buraco no metrô? Igualmente deveria vir à público prestar esclarecimentos. Queda de viadutos? Onde está Serra nesses momentos?

Na verdade, talvez haja um tipo de pendenga ideológica que tenha perdido a vitalidade, que são as acadêmicas, quase sempre pedantes e autoritárias, que pretendem impor teorias abstratas, artificiais, duras, a realidades complexas, instáveis, dinâmicas. A ideologia deve ser formada por dentro da ação política, para que tome a forma da realidade; para não se converter num invólucro bonito que não se encaixa, porém, em nenhum objeto.

Eu estou lendo o livro do Nassif, Cabeças de Planilha, uma obra que faz qualquer brasileiro sentir arrepios de horror perante as inacreditáveis arbitrariedades cometidas pelo conluio entre uma burocracia técnica formada no estrangeiro, sem formação política, sem nacionalismo, e determinados grupos políticos igualmente sem nacionalismo e sem compromisso com o bem estar da população. Deslumbram-se com o poder e a possibilidade de criar e afundar fortunas mediante pequenas mas determinantes pinceladas no câmbio, nos juros, nos gastos de governo.

Escrito por Miguel do Rosário # Sábado, Fevereiro 06, 2010


E as Chuvas?

Parece que as chuvas resolveram dar uma trégua. Hoje, até o nosso jornal local fala do alto volume de chuvas que aconteceram na região em janeiro, que atingiu o dobro das últimas médias históricas. Foi muita água mesmo. Aqui em Salto, alguns problemas pontuais precisam ser observados e tratados. Entretanto nada comparado com outras cidades de nosso estado, que nos últimos quarenta dias registrou mais de setenta mortes por conta dos efeitos da chuva, ou dos problemas que nós mesmos geramos e que a chuva nada tem com isso.

E para não perder o costume, imagem impressionante de uma das estações do metrô paulistano inundada. Vale a pena ver. Culpa da chuva? Confira.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Três Notas

Três notas me chamam a atenção nesta tarde/noite.

A primeira delas a entrega de mais 78 novas IFETs - Instituto Federal de Educação Tecnológica - ocorrida em Itapetininga, com a presença de Lula, Dilma e outros. É.... e imaginar que Salto é um dos primogênitos dessa "nova safra" de escolas. Veja aqui.

Mas o ex-ministro da educação acho que não gostou muito disso não. E desandou a falar um monte de impropérios sobre (na época dele) os CEFETs - ou os atuais IFETs. Veja aqui as barbaridades.

E por fim mais uma mostra de como será a campanha de 2010> o jornal o globo sai com uma manchete chinfrim a partir de uma frase de documento técnico sobre o Bolsa Família. O mais engraçado é que parece ter o jornal uma postura de defesa incondicional do Bolsa Família.... Quando é para criar polêmica, vale tudo. Confira.

E para finalisar mesmo, o registro de dois aniversários de grandes amigas> hoje, da Márcia D"Allara e amanhã da eterna amiga, apesar da distância de cinco anos, Vera Izuno. Ah...não posso me esquecer do aniversário da Taisa....domingo.....rs... Preciso lembrar de cumprimentá-la.

Fevereiro Turbinado

Primeiros dias de fevereiro bastante intensos no reinício das atividades escolares. Retomamos, desta vez no CEC, a atividade de acolhida dos professores para o novo ano letivo. Desta vez em um local especial, fizemos três grandes reuniões durante o dia 01. Nos três períodos conversamos com todos os professores sobre as diretrizes e metas para 2010. Veja aqui foto e reportagem na página da prefeitura.

Além da segunda-feira, a terça foi reservada para estruturar as turmas de professores para a nova proposta da EJA - Educação de Jovens e Adultos. À noite com todos os professores desse segmento, fizemos a distribuição dos cargos nas quatro unidades que terão a EJA para em seguida começarmos o planejamento das aulas, que durará a semana toda.

Nos demais segmentos as aulas iniciaram-se hoje em todas as unidades. Tudo aparentemente em ordem, apesar dos problemas pontuais que todo início de ano letivo temos. Mãe super protetora que quer dar um jeitinho para ficar com o filho na escola, problemas pontuais nas distribuições de locais, alunos (leia-se família) que deixa para "aparecer" na escola no dia do início das aulas, etc... Nenhum problema novo, pelo menos por enquanto.

Estamos realmente em um ritmo bastante forte nesse início de ano. Muitas licitações ocorrendo, vários projetos novos em implantação, outros sendo analisados e negociados.

Como dissemos no planejamento: que venha 2010 - agora completinho....