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domingo, 17 de outubro de 2010

Artigo - Explicitando o Racha

Do Luis Nassif

Por Edson Joanni
Polêmica do aborto faz bispos racharem
José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo
A discussão da questão do aborto na campanha eleitoral, que está dividindo os católicos por causa do veto de alguns bispos à candidata petista Dilma Rousseff, provocou um racha no episcopado em nível nacional e deverá deixar sequelas na vida da Igreja, seja qual for o resultado do segundo turno, em 31 de outubro.
A polêmica terá também reflexos na eleição para a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em maio do próximo ano, quando um grupo conservador, contrário à atual linha de diálogo, tentaria tomar o poder para adotar uma posição mais dura de oposição ao governo. Pelo menos, na hipótese de Dilma vir a ser a vencedora.
A confusão foi armada pelo apoio dado pela direção do Regional Sul 1, que reúne as 41 dioceses de São Paulo, em 26 de agosto, a uma nota intitulada Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras, da Comissão em Defesa da Vida, que recomendava aos eleitores que "independentemente de suas convicções ideológicas ou religiosas", dessem seu voto "somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto".
O autor ou inspirador do texto foi o padre Berardo Graz, da diocese de Guarulhos, cujo bispo, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, encampou o manifesto e citou, entre os vetados, o nome de Dilma. Passado o primeiro turno, d. Luiz Gonzaga reiterou sua posição, alegando que, embora a petista tenha feito uma profissão de fé em defesa da vida, não se podia acreditar nela. "Dilma, que se faz agora de santinha para dizer que é contra o aborto, já mudou de opinião três vezes."
Artigos e entrevistas de d. Luiz Gonzaga irritaram outros membros do episcopado paulista, principalmente porque grupos de católicos contrários ao aborto e à candidatura Dilma distribuíram milhares de cópias da nota do Regional Sul 1 de apoio ao manifesto da comissão coordenada pelo padre Berardo. A distribuição do material em paróquias de outras dioceses, à revelia de seus bispos, pôs mais lenha na fogueira. O texto se multiplicou também em mensagens pela internet, espalhando-se por todo o País.
Na Paraíba, o arcebispo de João Pessoa, d. Aldo Pagotto, gravou um vídeo, postado do YouTube, que encampava a nota do Regional Sul 1 e condenava explicitamente a candidata petista. Procurado na quinta-feira por telefone, d. Aldo mandou dizer por sua assessoria de imprensa que não falaria mais sobre o assunto. O arcebispo de Brasília, d. João Braz de Aviz, também criticou a petista.
Limites. A direção da CNBB não gostou da chancela do Regional Sul 1 ao manifesto, pelo fato de o texto dirigir um apelo "a todos os brasileiros e brasileiras", quando se deveria restringir aos eleitores paulistas. Segundo a CNBB, quem fala em nome dos bispos em nível nacional é a presidência, a assembleia-geral ou o conselho permanente da entidade. Assim, em relação às eleições, vale a posição tomada na última assembleia realizada em Brasília, em maio, quando o episcopado recomendou que os católicos votassem em candidatos comprometidos com a defesa da vida, com os valores éticos e com a dignidade humana.
"Foi uma posição coerente com tradição da Igreja, que sempre falou em princípios, sem tomar partido por esse ou aquele candidato", observou d. Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca. A maioria das dioceses se alinha com essa orientação, conforme lembrou o bispo de Registro, d. José Luiz Bertanha. É essa a posição adotada, por exemplo, pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, pelo arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, e pelo de Belo Horizonte, d. Walmor Oliveira de Azevedo, em entrevistas e artigos na imprensa.
O bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira, responsável pelo setor de comunicação do Regional Sul 1, não gostou de d. Luiz Gonzaga Bergonzini ter vetado explicitamente a presidenciável e todos os candidatos do PT, porque em sua opinião ele poderia condenar defensores do aborto sem citar nomes.
No caso do apoio do Regional Sul 1 ao apelo da Comissão em Defesa da Vida - em nota assinada por d. Nelson Westrupp, bispo de Santo André (presidente), d. Benedito Beni dos Santos, de Lorena (vice-presidente), e d. Airton José dos Santos, de Mogi das Cruzes (secretário-geral) -, argumenta-se que deveria ter reafirmado a declaração Votar Bem, aprovada por todo o episcopado paulista em 29 de junho. O texto apresenta aos eleitores um decálogo com orientações para "participação consciente e responsável no processo eleitoral".
As divergências levantadas pela nota contra Dilma e sua distribuição à porta de igrejas, sem autorização, como aconteceu na Festa da Padroeira, no Santuário Nacional de Aparecida, no dia 12, foram mais acirradas entre d. Luiz Gonzaga e d. Luiz Demétrio Valentini, de Jales.
Os dois trocaram cartas violentas, cujas cópias foram enviadas ao episcopado de São Paulo e a outras dioceses. Irritado com a publicação de uma entrevista no jornal Diário de Guarulhos, o que considerou invasão de seu território, d. Luiz Gonzaga protestou contra as críticas, afirmou ter sido ameaçado de morte e prometeu reclamar de d. Demétrio com o papa Bento XVI. Da troca de correspondência, a questão se estendeu à assembleia do Regional Sul 1, que se reuniu este fim de semana no Mosteiro de Itaici, município de Indaiatuba. D. Demétrio cancelou uma viagem a Buenos Aires para participar da reunião, na certeza de que a questão da defesa da vida e do veto a Dilma seria debatida.
Reflexos. Unânimes em condenar o aborto, mas divididos em relação à nota divulgada com apoio da presidência do Regional Sul 1, os bispos estão preocupados com os reflexos dessa discussão no clima de fraternidade que deveria existir no episcopado. "Esse maniqueísmo que está dividindo os católicos em bons e maus, conforme suas opções eleitorais, vai deixar marcas", prevê o petista Toninho Kalunga, vereador de Cotia, na região metropolitana de São Paulo.
Dirigente do movimento Encontro de Casais com Cristo e interlocutor da campanha de Dilma na área religiosa, ele vem percorrendo dioceses paulistas para conversar com os bispos e aparar possíveis arestas com os católicos.
"O embate ideológico que existiu nos primeiros anos da CNBB, mas estava ausente nas últimas décadas, ameaça voltar após as eleições de 2010", adverte d. Pedro Luiz Stringhini, prevendo uma ofensiva de grupos mais conservadores na disputa pelo controle da entidade. Segundo assessores da CNBB, em Brasília, esses grupos seriam formados por bispos do Rio, de Minas e de São Paulo que tentariam eleger um presidente mais disposto a enfrentar um governo eventualmente do PT. D. Demétrio discorda dessa análise, pois acredita na reeleição de d. Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana, "homem equilibrado e firme". Para os conservadores, uma alternativa capaz de somar votos para a presidência seria d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
TRECHOS
Carta de d. Luiz Gonzaga Bergonzini aos bispos :
"Como é de conhecimento de todos, em 1/7/2010, iniciei uma campanha contra os candidatos favoráveis ao aborto, de todos os partidos, a qualquer cargo. O PT é o principal articulador dessa ação no Brasil e, também, do "casamento" de homossexuais."
"O meu comportamento é baseado em minha consciência e no Evangelho. E visa à discussão de valores com a sociedade. Seja qual for o resultado das eleições, filósofos, sociólogos, antropólogos, religiosos e a população já começaram a debater o que chamam de "agenda de valores". O relativismo na sociedade e na Igreja Católica, sempre lembrado pelo papa Bento XVI, também tem sido questionado: o meu sim é sim e o meu não é não."
"Ocorre que, no dia 7/10/2010, tive uma grande surpresa. D. Demétrio Valentini, da Diocese de Jales, publicou uma matéria de meia página, no jornal Diário de Guarulhos, editado em minha diocese, com uma acusação de crime eleitoral. Um bispo acusando outro de crime, pela imprensa. É algo muito grave e inadmissível. Anteriormente, recebi uma carta anônima com velada ameaça à minha vida, que já está nas mãos da polícia."
Resposta de d. Demétrio Valentini
"Em primeiro lugar, alguns esclarecimentos:
1 - Não invadi Guarulhos, coisa nenhuma! Foi o jornal daí, através de um repórter, que me procurou, e fez a reportagem que ele quis fazer. Não fui eu que pedi para ele escrever o que ele escreveu.
2 - Não fui eu que levantei a questão do "crime eleitoral". Ao ser perguntado sobre isto, disse que esse assunto cabe à Justiça Eleitoral."
"Agora, com calma, outra observação: fiquei triste vendo como interpreta de maneira tão preconceituosa o que escrevi no meu artigo que o sr. cita, achando que tive a intenção de confundir os cristãos, levando-os a serem a favor do aborto, e tantas outras coisas mais que o sr. escreve, interpretando tão erradamente o que escrevi."
"De maneira muito injusta me acusa de ser um soldado do Partido dos Trabalhadores, e ainda por cima declara que não está fazendo política. Ora, D. Bergonzini, o Brasil inteiro está vendo que é o sr. que está fazendo política, e muita gente está escandalizada com sua atitude de invocar sua condição de bispo e de "sacerdote do Altíssimo", para pedir que não se vote no Partido dos Trabalhares, e em especial na candidata do partido para a Presidência. Ora, existe atitude mais política do que esta?"
 DO BLOGUEIRO> Há 25 anos atrás este blogueiro também sentiu na pele essa divisão nem um pouco santa.

CARTA ABERTA À CNBB

Do VioMundo

Carta Aberta à CNBB.
São Paulo 17 de outubro de 2010.

Como membro da CJP-SP fui chamado pelo Deputado Estadual Adriano Diogo a registrar o flagrante de crime eleitoral na Editora Gráfica Pana LTDA, que foi contratada pelo Bispo Diocesano de Guarulhos para reproduzir 2,1 milhões de panfletos falsos da CNBB e estava para distribuir, ontem, pelo país 1,1 milhão de cópias do material e fiz estes registros, por ter ciência da orientação de nossa Comissão Brasileira de Justiça e Paz a partir do documento que li, recebido dias atrás sobre a falsificação de panfleto em nome da CNBB.

A encomenda foi realizada a pedido Mitra Diocesana de Guarulhos conforme imagens abaixo, a saber: email de encomenda, cópia do boleto bancário e carta de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini ao Pe. Jean Rogers Rodrigo de Souza, solicitando distribuição, que encaminho também anexo para divulgação, uma vez que constituem a documentação probatória da encomenda e do crime eleitoral praticado.

A gráfica iria entregar 2,1 milhões de panfletos, cuja informação fornecida pelo gerente da empresa pego em flagrante, pode variar em sua tiragem de 20 a 50 milhões. Foram apreendidos somente 1 milhão dos panfletos falsos, cuja liminar de apreensão já foi expedida pelo juiz responsável. Isso significa que muitos panfletos podem ter sido feitos em outras gráficas e continuarão a ser distribuído pelo país, caso não haja uma ação efetiva da CNBB.

Penso que nossos Bispos devam considerar, dada a gravidade dos fatos, encaminhar a Nota de Esclarecimento elabora no encontro de Itaici, para ser lida em todas as paróquias, em todas as missas do próximo domingo, sua publicação no Jornal O São Paulo e demais revistas e jornais católicos, bem como a leitura nas Tvs e rádios da igreja, buscando por fim ao assunto.

Recomendo esta atitude para nossos pastores reunidos em Itaici, entendendo ser este um gesto que favorecerá a distensão dos mal-entendidos provocados, visando o amplo esclarecimento dos fiéis que receberam tal documento apócrifo e criminoso, sobre a real posição de nossos bispos do Regional 1 e da CNBB, contribuindo desta forma para serenarmos os conflitos gerados entre os católicos, reafirmando a integridade da CNBB e reforçando a cidadania, a democracia e a livre escolha de todos os brasileiros, tão atingidas com esta manifestação difamatória, que desvirtua o foco do debate que interessa à nação e o sentido das eleições de 2010.

A cizânia que a calúnia, as ofensas e as mentiras imputadas geram entre aos cristãos, por ações como está promovida pelo Bispo Diocesano de Guarulhos, estão explicitadas de forma dramática nos fatos que ocorreram hoje em Canindé, no Ceará, onde a missa acabou em TUMULTO, uma vez que o padre corretamente,  informou aos presentes que o documento que estava sendo distribuído na missa era falso e acabou sendo atacado por um político, durante a celebração. Pergunto aos nossos Bispos da CNBB; quando na igreja uma missa tão tradicional como a de Canindé, acabou desta maneira?  Os fatos demonstram a gravidade do momento e a tentativa de aparelhamento do sentimento religioso em nosso país, conforme nota publicada pla CNBB.

Faz-nos refletir a justeza das palavras da candidata Dilma Rousseff, divulgadas na imprensa recentemente, sobre a campanha de ódio que estas ações subterrâneas estão gerando nos corações e mentes dos brasileiros por todo nosso país. Isso pode ficar mais grave ainda, se não for feita uma ampla campanha de esclarecimento junto aos fiéis. A CNBB e o país tem muito a perder com isso. É preciso por um basta a esta campanha baseada na mentira, na calúnia, na difamação!

Só a Verdade nos libertará.

Atenciosamente:

Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória

DOCUMENTOS ANEXADOS




Histórico da Gráfica Flagrada Ontem

Luis Nassif do NaMariaNews

Do NaMariaNews
Os panfletos mentirosos da CNBB e suas relações obscuras


Coisas pavorosas.

A desgraça dos panfletos contra a Dilma, que "supostamente" bispos da CNBB mandaram
imprimir na Gráfica Pana, no Cambuci, tem em documento de encomenda/fatura o e-mail de
senhor chamado "kelmon.luis@theotokianos.org.br" (Kelmon Luis da S. Souza). Vide imagem.



Ora, trata-se e-mail da Associação Theotokos, da qual o Sr. Kelmon é o presidente.

Pelo RegistroBR sabe-se que o site está em nome da Casa de Plínio Salgado, que por sua vez é isto (credo!).

 


Será o benedito que a santa madre igreja tá nesse terror de mandar essa gente mandar uma gráfica fazer e entregar panfleto mentiroso, descarado, sórdido e podre no Paraíso, Barra Funda e Rua do Bosque? E quem paga é a Mitra Diocesana de Guarulhos? Vide imagem.



Que relações são essas?

Desculpe, sou alma ingênua.

ATUALIZAÇÕES:




Dando voltas.

O dono da Editora Gráfica Pana LTDA é Alexandre Takeshi Ogawa. O pai, Paulo Ogawa, é o "contador". Sócia da gráfica é Arlety Satiko Kobayashi, funcionária pública da Assembleia Legislativa de SP

(ver DO: matrícula 5057); filiada do PSDB do bairro da Bela Vista; décima maior doadora da campanha
de Victor Kobayashi (vereador suplente PSDB, 2008; em 2010 candidato a deputado estadual, não eleito),
que por sua vez é filho do também político Paulo Kobayashi, falecido, e que solta belezas difamatórias feito esta no Twitter.

2.100.000 panfletos, por R$33 mil - Quem paga?

Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2010/10/os-panfletos-mentirosos-da-cnbb-e-suas.html?spref=fb#ixzz12cOUcdxY

Comentário
O irmão de Paulo, Sérgio, é um dos coordenadores e arrecadadores da campanha de José Serra

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Artigo de Edinho Silva, Presidente do PT/SP

Em nome do diálogo e da tolerância

A matéria divulgada nesta quinta-feira, dia 07, pela imprensa dando conta que uma criança de nove anos foi agredida em um colégio católico em São Paulo pelo fato de defender a candidatura de Dilma tem que nos levar a uma profunda reflexão. Que ódio é esse? Que intolerância é essa que está sendo disseminada e que ganha os corações e mentes até mesmo das crianças?

Essa reflexão me remete aos tempos em que, ainda jovem, nos bancos da Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, na Vila Velosa, então bairro da periferia de Araraquara, me despertava para os compromissos do Evangelho, da fé transformadora. Lá aprendi que toda a doutrina da Igreja tinha como pressuposto o diálogo, a tolerância inspirada no próprio Cristo e a unidade da Igreja.

A Igreja sempre foi a interlocutora da paz e não há reflexão, por mais distorcida que seja perante a realidade, que consiga atribuir outra vocação missionária à ela.

O sectarismo eleitoral de setores da Igreja está abrindo um precedente extremamente perigoso. Os pastores, que deveriam pacificar o rebanho e incentivar o diálogo como instrumento de construção da unidade, por interesses meramente conjunturais, disseminam o ódio entre os católicos, semeiam o fanatismo religioso, cultivam a intolerância. O monstro que estão alimentando ninguém sabe o exato o tamanho que poderá ficar e tão pouco a sua voracidade.

A cultura religiosa brasileira, inclusive pela nossa diversidade étnica e cultural, sempre foi do convívio, da tolerância, do diálogo e da paz. A Igreja Católica no Brasil, pelo seu papel histórico e vocação evangelizadora, deveria ser a guardiã e incentivadora da convivência pacífica entre todas as concepções religiosas. E, justamente a Igreja Católica, por meio de setores pouco reflexivos, cria as condições para a intolerância e para o fanatismo religioso no Brasil.

Esses mesmos setores, por meros interesses eleitorais, colocam em risco o maior patrimônio da Igreja: a sua unidade.

Não vou me aprofundar aqui no mérito dos interesses eleitorais que estão movendo setores pouco reflexivos da Igreja, já que não passam de manipulações que incentivam a mentira com o único objetivo: impor uma derrota eleitoral a um projeto político. Por contradição, o projeto que na história do nosso país mais se aproximou da doutrina social da Igreja. Um projeto que valorizou a vida em todos os sentidos, que hoje é representado por Dilma. Um projeto que combateu a fome, a miséria, olhando e incluindo os socialmente oprimidos.

Quero terminar essa ponderação chamando a todos para uma simples reflexão: a cada dois anos temos eleições no Brasil e faz parte da tradição da Igreja pedir para os católicos orientarem sua decisão, seu voto, tendo como base os documentos da Igreja. Essa prática inspirada no diálogo e na tolerância de pensamento, inclusive no ecumenismo, fez com que a Igreja fosse evangelizadora, mas jamais manipuladora.
Colocar a unidade da Igreja, a sua vocação de diálogo, tolerância e paz em risco por conta de interesses pouco explícitos é secundarizar a dimensão histórica e profética da Igreja do Cristo.

Que a violência contra crianças (agredida e agressores), que buscam em um colégio de orientação católica uma formação inspirada em valores cristãos, não tenha sido em vão. Que possamos fazer urgentemente uma reflexão, que os sacrifícios de Pedro e do próprio Cristo sejam inspiradores e restaure no Brasil a verdadeira vocação da Igreja. Que o Espírito Santo ilumine o nosso Bispado neste momento, que infelizmente, tornou-se confuso.

Edinho Silva
Presidente do PT do estado de São Paulo; ex-prefeito de Araraquara (2001-2008) e deputado estadual eleito