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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Admitir a Derrota

Do Luis Nassif

Por Lenilson Araujo
Fora de pauta, mas ainda sobre as eleições vencida pela Dilma, sugiro a leitura da coluna do Zuenir Ventura, publicada no última sábado (06/11) no jornal O Globo. 

ZUENIR VENTURA - O exemplo de Obama 
O Globo
06/11/2010


Ao contrário do presidente Barack Obama, que com invejável franqueza aceitou a derrota, confessou-se humilhado e assumiu a responsabilidade pela "surra", reconhecendo sua culpa, os perdedores daqui estão tendo grande dificuldade de admitir a derrota nas últimas eleições. O chororô comporta todo tipo de alegações para desqualificar a vitória de Dilma Rousseff — algumas até fazem sentido, mas outras são justificativas ridículas, desculpas esfarrapadas.

O candidato José Serra chegou a transformar sua frustração em "vitória estratégica", mas pelo menos não tentou diminuir o mérito da adversária.

Em compensação, foi estranha a reação de certos dirigentes da oposição e de torcedores inconformados. Houve quem alegasse que "Dilma não se elegeu, foi eleita por Lula", como se essa simplificação explicasse tudo. E houve quem afirmasse que a candidata do PT ganhou porque os seus 55 milhões de eleitores têm desprezo pelos valores éticos ou, mais precisamente, por terem "assassinado a ética".

A disputa teria sido um jogo maniqueísta entre um lado onde só houvesse o bem e outro onde só existisse o mal, com derrota do bem, claro.

Malabarismo maior fez outro observador, ao concluir que a expressiva votação de Serra, somada aos votos brancos, nulos e ao alto nível de abstenção, "deixa clara a insatisfação da maioria do povo não só com ela, mas também com o próprio Lula". Por esse raciocínio, que considera todos esses votos serristas, Serra teria sido o verdadeiro vencedor das eleições, não sua adversária. É o time daqueles que, por não gostarem de Lula, acham um absurdo 80% gostarem. Como pode ser tão popular se eu não o apoio?

A derrota às vezes não só obscurece a razão como mobiliza baixos instintos, como os dessa tal estudante de Direito Mayara Petruso, de SP, que postou no seu twitter a mensagem racista contra o Nordeste: "Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado."

Os ataques de xenofobia da futura advogada — advogada, imagine! — provocaram polêmica nas redes sociais e o repúdio da OAB. E a reação bem-humorada de um pernambucano em meio à indignação: "Eles elegem o Tiririca e vêm nos chamar de atrasados!"

Em vez de tentar tapar o sol com a peneira, seria mais honesto e realista responder como fez o brasilianista Timothy Power, quando lhe pediram para explicar a vitória de Dilma: "O padrão de vida de muitos brasileiros melhorou nestes últimos oito anos de governo, e as pessoas quiseram uma continuação."
 
Ou então se render ao óbvio, como fez Obama, adotando um mea culpa: perdemos porque não soubemos vencer. Simples assim.

domingo, 7 de novembro de 2010

LULA e a Reforma Política

Do Luis Nassif

Por Thomaz Braga

O presidente Lula fecha com chave de ouro seu mandato, ao se propor liderar a Reforma Política, já. Ele sabe que nas nossas condições políticas, um governo, muito dificilmente poderia aprovar o que necessitamos, sem se desgastar muito no Congresso. E foi o que aconteceu com ele em 2007, quando a oposição raivosa, mais as bancadas ultra egoísta e individualista, 'fecharam questão' contra uma raríssima oportunidade que tivemos de fazer essa reforma tão essencial – o relator era o Ronaldo Caiado, do DEM e a matéria já havia sido aprovada no Senado!

E Lula sabe muito bem do que se trata. Ele foi a única grande autoridade que disse a verdade, em 2005. Naquela entrevista em Paris, Lula desmanchou ali qualquer tentativa de impeachment contra ele, simplesmente porque não mentiu à nação. Ele disse claramente que o caixa dois era ordinário e tradicional no sistema eleitoral brasileiro. Que bom que o nosso presidente diga a verdade! Os líderes oposicionistas e suas penas na imprensa, no meu entender mentiram e mentem, quando dizem que "deveriam" ter proposto o impeachment. Não o fizeram somente porque não havia como pegar Lula em alguma mentira à nação. Só assim poderiam fazê-lo.

Se a nossa opção é pela República, como de fato é, indiscutivelmente, então temos o dever e até a obrigação de fortalecer os partidos políticos e sanear o processo de escolha dos nossos governantes e líderes políticos. Sem dúvida, trará enormes repercussões nas relações do Estado com os diversos setores da economia e da sociedade. Está claro para mim que o cerne dessa questão é o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais.

De pronto, o financiamento público impõe a equidade num processo tão desigual, como é atualmente. Ele permite um parâmetro de financiamento igual para todos e transparente a todos. Um financiamento de campanhas obrigatoriamente equânime, porque todos saberão – até o mercado – o valor disponível a todos e a qualquer um. Não só os candidatos adversários saberão se alguém usar mais recursos que outro, mas toda a imprensa e o próprio público, pois estará óbvio e transparente. Assim temos algo que possa ser fiscalizado empiricamente e fica muito mais fácil para as instituições agirem sobre alguma eventual suspeita. É esse o poder da transparência.

Mas é óbvio que só funciona se for exclusivamente público, este sistema de financiamento de campanhas, exatamente porque, do contrário, retira-se a possibilidade da noção clara e direta de equidade e mata-se a proposta. É isso que querem PSDB, DEM e sua turma, já ficou bem claro.

Porque também, e isso é essencial, a mudança repercute diretamente no poder dos ricos e do dinheiro sobre o Estado brasileiro. Repercute diretamente na composição, pelas forças e partidos políticos, dos espaços do Estado, e enfrenta os "loteamentos", que atualmente, muitas vezes, é o que, de fato, viabiliza as campanhas eleitorais e os partidos; não sejamos hipócritas. Podemos mudar a lógica dos compromissos eleitorais e melhorar em muito as representações políticas, pois mais democráticas, e sinceras. Parece-me claro que, assim nós podemos enfrentar pra valer um dos maiores focos de corrupção do nosso país, se não, o maior, enfraquecendo, sim, com clareza e na origem, o poder do corruptor.

O "preço" a pagar por tal avanço na política brasileira, poderíamos dizer que é pequeno. Mas na verdade é que ganhamos ainda mais, porque, como disse antes, nós temos por dever fortalecer os partidos. E o "preço", no frigir dos ovos, seria unicamente o voto no partido e não nas personalidades, com exceção das disputas majoritárias, é claro. Inclusive, é o que eu pessoalmente já faço há muito tempo: voto na legenda, para deputados e vereadores e não nas personalidades. O que acontece com isso, é que podemos ter outro ganho essencial, com os partidos muito, mas muito mais comprometidos em evitar desvios por parte dos seus integrantes, porque simplesmente, vai ser o nome do partido que vai estar "na roda". Certamente, os próprios partidos terão que aprimorar seus instrumentos para se auto fiscalizarem, tentando garantir seus nomes limpos até a próxima eleição.

São estes, até onde entendo, os grandes ganhos que teremos se fizermos a reforma política. E acho que se trata de assunto político, para ser resolvido por políticos. Assunto extenso e de difícil discussão, para ser lançado a plebiscito. Mas, se for esse o caso, vamos ao voto, novamente. O povo muitas vezes já demonstrou a sabedoria do seu voto. Mas, acho mesmo que aquele projeto de 2007 deveria ser reapresentado, votado e pronto, sob a oportuna e apropriada liderança do Lula, sem mais demora – ele já disse que vai batalhar pela reforma agora.

Eu estou com ele, inclusive para ajudar, se puder, a desmascarar as infinitas tentativas que as forças conservadoras e reacionárias – agora também as obscurantistas – farão para tirar a inevitável reforma do seu verdadeiro foco, como discutir voto distrital, voto facultativo, voto nominal, financiamento público, mas sem ser exclusivo etc. E não tenho a menor dúvida que a velha mídia rica, mais o mercado financeiro, mais o latifúndio, estarão todos unidos mais uma vez, porque enquanto houver mais república, então menos oligarquia haverá.

Depois de tudo pelo que passou o Partido dos Trabalhadores e o Lula, em 2005; depois de ter tido tanta coragem para dizer a verdade ao povo, naquele momento tão difícil, eu não me surpreendo com a chave de ouro que ele põe, aberta e claramente, sobre a mesa presidencial, ao fim de um mandato que propôs, como eu nunca havia visto antes, enfrentar as desigualdades, aumentar os direitos humanos entre nós, resgatar nossa soberania, por um caminho mais republicano e democrático.

Valeu, Lula!

Pendências Não Reveladas

Do Luis Nassif


Dos Blogs do Brasilianas

Estes são alguns assuntos que ficaram pendentes durante o processo eleitoral que elegeu Dilma Presidente. Precisam voltar a pauta urgente:

1 - Quando será lançado o livro "Nos Porões da Privataria", do jornalista Amaury Ribeiro Jr? Como anda a investigação na Polícia Federal e o retorno às investigações das maracutaias descobertas na CPI do Banestado?

2 - Como estão as investigações sobre as denúncias da práticas administrativas nada ortodoxa do sr Paulo Preto, figura central das maioires obras em andamento em São Paulo?

3 - E as investigações sobre Erenice Guerra? O que se descobriu de fato em relação a tráficos de influência? O que é verdade e o que é mentira?

4 - Como ficaram as denúncias sobre o envolvimento de dirigentes do PSDB e do DEM nas maracutáias comandadas pelo ex-governador Arruda?

5 - Em que pé estão as investigações sobre o chamado mensalão, envolvendo integrantes do PT? E a sua versão mineira, com o envolvimento de dirigentes do PSDB?

Não vou aguardar apenas respostas. Garanto que vou atrás.