Do Luis Nassif
Da Folha.com
Lula pede manifestação contra prisão do criador do WikiLeaks
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que deveria haver protesto contra a prisão de Julian Assange, proprietário do site WikiLeaks que vem vazando documentos diplomáticos. Afirmou que o erro não é dele que divulgou, mas dos diplomatas que fizeram os documentos.
"O que acho estranho é que o rapaz que estava desembaraçando a diplomacia foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a liberdade de expressão. Não tem nada contra a liberdade de expressão de um rapaz que estava colocando a nu um trabalho menor que alguns embaixadores fizeram", disse, durante balanço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), no Palácio do Planalto.
Lula disse que não sabe se os embaixadores brasileiros transmitem os telegramas, mas afirmou que a presidente eleita, Dilma Rousseff, terá que ser comunicada. "Ela vai ter que dizer para o seu ministro que, se não tiver o que escrever, que não escreva bobagens. Passe em branco a mensagem", afirmou.
O presidente criticou a busca mundial feita por Assange. "Ele desnuda a diplomacia, que parecia inatingível e a mais certa do mundo, e começa uma busca.Não sei se colocaram cartaz como no tempo do faroeste, procura-se vivo ou morto, e prenderam o rapaz. Não vi um voto de protesto", disse.
Lula pediu aos assessores que comecem a fazer manifestação no Blog do Planalto. "Vamos fazer o primeiro protesto então contra a liberdade de expressão na internet porque o rapaz estava colocando lá apenas o que ele leu. E se ele leu é porque alguém escreveu. O culpado não é quem divulgou, mas quem escreveu a bobagem. Então, que fique aqui meu protesto", afirmou o presidente.
VEJA AQUI O VÍDEO COM A FALA DO PRESIDENTE!!!
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
LULA e os Ibero Americanos - Não Existe Adeus
Do Luis Nassif
Por Eduardo Lira
MAR DEL PLATA, Argentina (AFP) - Os participantes da 20ª Cúpula Ibero-Americana, realizada neste sábado na cidade argentina de Mar de Plata, destacaram o valor histórico das transformações impulsionadas pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva ao Brasil, recusando-se, ao mesmo tempo, a lhe dizer adeus.
"Ninguém vai se despedir hoje. Um militante com essa história nunca deixa a política e muito menos depois de ter desempenhado a presidência de seu país, quando realizou transformações e tarefas nunca imaginadas antes", disse a presidente argentina Cristina Kirchner, dando-lhe um beijo e um abraço.
Lula participou pela última vez do foro ibero-americano antes de passar a faixa presidencial, no dia 1 de janeiro, à sucessora eleita, Dilma Rousseff, depois de oito anos no poder.
Para uma plateia constituída de governantes de América Latina, Espanha e Portugal, Lula emocionado até as lágrimas, afirmou: "Eu sou um político latino-americano, não vou deixar a política. Vou ter mais tempo para viajar, quero discutir política e os partidos".
"Me esperem", completou, em meio a aplausos de pé de outros líderes, como o rei da Espanha, Juan Carlos, e os presidentes do Peru, Alan García, e do Equador, Rafael Correa.
Improvisando o discurso acrescentou: "Já não somos tratados como menores. Não vemos mais as pessoas brigarem por um trabalhador sem diploma universitário ter sido eleito no Brasil. Já não vemos mais brigas porque um índio foi eleito na Bolívia".
E pediu aos governos da região que continuem aprofundando a integração.
"Podemos manter relações com o mundo inteiro, mas é necessário que cada país da América Latina faça um esforço extraordinário para explotar o potencial que existe entre nós",
Lula recebeu de Cristina Kirchner uma litogravura na qual aparece dando um abraço no ex-presidente Néstor Kirchner.
Ainda segundo o presidente brasileiro, a América Latina "realizou mudanças extraordinárias, a democracia está consolidada, mas precisamos estar alertas".
"Não sou bom de despedida, mas construí com vocês uma coisa nova na América Latina".
Lembrou que as mulheres também passaram a ocupar, nos últimos tempos, mais espaço no mundo da política, numa referência a Cristina Kirchner e à presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.
"Os homens que se cuidem porque as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços", brincou.
Por Eduardo Lira
MAR DEL PLATA, Argentina (AFP) - Os participantes da 20ª Cúpula Ibero-Americana, realizada neste sábado na cidade argentina de Mar de Plata, destacaram o valor histórico das transformações impulsionadas pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva ao Brasil, recusando-se, ao mesmo tempo, a lhe dizer adeus.
"Ninguém vai se despedir hoje. Um militante com essa história nunca deixa a política e muito menos depois de ter desempenhado a presidência de seu país, quando realizou transformações e tarefas nunca imaginadas antes", disse a presidente argentina Cristina Kirchner, dando-lhe um beijo e um abraço.
Lula participou pela última vez do foro ibero-americano antes de passar a faixa presidencial, no dia 1 de janeiro, à sucessora eleita, Dilma Rousseff, depois de oito anos no poder.
Para uma plateia constituída de governantes de América Latina, Espanha e Portugal, Lula emocionado até as lágrimas, afirmou: "Eu sou um político latino-americano, não vou deixar a política. Vou ter mais tempo para viajar, quero discutir política e os partidos".
"Me esperem", completou, em meio a aplausos de pé de outros líderes, como o rei da Espanha, Juan Carlos, e os presidentes do Peru, Alan García, e do Equador, Rafael Correa.
Improvisando o discurso acrescentou: "Já não somos tratados como menores. Não vemos mais as pessoas brigarem por um trabalhador sem diploma universitário ter sido eleito no Brasil. Já não vemos mais brigas porque um índio foi eleito na Bolívia".
E pediu aos governos da região que continuem aprofundando a integração.
"Podemos manter relações com o mundo inteiro, mas é necessário que cada país da América Latina faça um esforço extraordinário para explotar o potencial que existe entre nós",
Lula recebeu de Cristina Kirchner uma litogravura na qual aparece dando um abraço no ex-presidente Néstor Kirchner.
Ainda segundo o presidente brasileiro, a América Latina "realizou mudanças extraordinárias, a democracia está consolidada, mas precisamos estar alertas".
"Não sou bom de despedida, mas construí com vocês uma coisa nova na América Latina".
Lembrou que as mulheres também passaram a ocupar, nos últimos tempos, mais espaço no mundo da política, numa referência a Cristina Kirchner e à presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.
"Os homens que se cuidem porque as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços", brincou.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
LULA Reconhece Estado Palestino
Do Luis Nassif
Do UOL
Lula atende a pedido de Abbas e reconhece Estado palestino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta para o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, reconhecendo o Estado palestino "nas fronteiras existentes em 1967", segundo informação do Itamaraty divulgada nesta sexta-feira (3).
"A iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina, cujas negociações diretas estão neste momento interrompidas, e está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967", afirma nota do ministério das Relações Exteriores.
A iniciativa é uma resposta a correspondência enviada em 24 de novembro de Abbas a Lula. "Enquanto expressamos a Vossa Excelência o nosso orgulho das valorosas e históricas relações brasileiro-palestinas, que refletem suas posições firmes em relação ao nosso povo ao longo dos anos e em nossos recentes encontros, esperamos, nosso caro amigo, que Vossa Excelência decida tomar a iniciativa de reconhecer o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967", escreveu o presidente palestino a Lula.
"Essa será uma decisão importante e histórica, porque encorajará outros países em seu continente e em outras regiões do mundo a seguir a sua posição de reconhecer o Estado palestino. Essa decisão levará também ao avanço do processo de paz e à promoção da posição palestina, que busca o reconhecimento internacional do Estado da Palestina. Esperamos que o nosso pedido possa receber sua bondosa aceitação e esperamos também que essa iniciativa possa ser tomada antes do fim de seu mandato presidencial", acrescentou Abbas.
Em 1º de dezembro, o presidente brasileiro respondeu à solicitação. "Por considerar que a solicitação apresentada por Vossa Excelência é justa e coerente com os princípios defendidos pelo Brasil para a Questão Palestina, o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967", escreveu Lula.
"Ao fazê-lo, quero reiterar o entendimento do Governo brasileiro de que somente o diálogo e a convivência pacífica com os vizinhos farão avançar verdadeiramente a causa palestina. Estou seguro de que este é também o pensamento de Vossa Excelência", acrescenta.
O Itamaraty destaca que "o Brasil reafirma sua tradicional posição de favorecer um Estado palestino democrático, geograficamente coeso e economicamente viável, que viva em paz com o Estado de Israel. Apenas uma Palestina democrática, livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios israelenses por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional".
Do UOL
Lula atende a pedido de Abbas e reconhece Estado palestino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta para o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, reconhecendo o Estado palestino "nas fronteiras existentes em 1967", segundo informação do Itamaraty divulgada nesta sexta-feira (3).
"A iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina, cujas negociações diretas estão neste momento interrompidas, e está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967", afirma nota do ministério das Relações Exteriores.
A iniciativa é uma resposta a correspondência enviada em 24 de novembro de Abbas a Lula. "Enquanto expressamos a Vossa Excelência o nosso orgulho das valorosas e históricas relações brasileiro-palestinas, que refletem suas posições firmes em relação ao nosso povo ao longo dos anos e em nossos recentes encontros, esperamos, nosso caro amigo, que Vossa Excelência decida tomar a iniciativa de reconhecer o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967", escreveu o presidente palestino a Lula.
"Essa será uma decisão importante e histórica, porque encorajará outros países em seu continente e em outras regiões do mundo a seguir a sua posição de reconhecer o Estado palestino. Essa decisão levará também ao avanço do processo de paz e à promoção da posição palestina, que busca o reconhecimento internacional do Estado da Palestina. Esperamos que o nosso pedido possa receber sua bondosa aceitação e esperamos também que essa iniciativa possa ser tomada antes do fim de seu mandato presidencial", acrescentou Abbas.
Em 1º de dezembro, o presidente brasileiro respondeu à solicitação. "Por considerar que a solicitação apresentada por Vossa Excelência é justa e coerente com os princípios defendidos pelo Brasil para a Questão Palestina, o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967", escreveu Lula.
"Ao fazê-lo, quero reiterar o entendimento do Governo brasileiro de que somente o diálogo e a convivência pacífica com os vizinhos farão avançar verdadeiramente a causa palestina. Estou seguro de que este é também o pensamento de Vossa Excelência", acrescenta.
O Itamaraty destaca que "o Brasil reafirma sua tradicional posição de favorecer um Estado palestino democrático, geograficamente coeso e economicamente viável, que viva em paz com o Estado de Israel. Apenas uma Palestina democrática, livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios israelenses por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional".
LULA e o Povo
Do Luis Nassif
Do IG
Do Último Segundo
Lula e o Povo
Fotógrafo oficial da presidência desde o início do mandato, em 2002, Ricardo Stuckert mostra uma seleção de fotos da relação do Presidente Lula com a população.
Por Walter Decker
Do Último Segundo
Lula e o Povo
Fotógrafo oficial da presidência desde o início do mandato, em 2002, Ricardo Stuckert mostra uma seleção de fotos da relação do Presidente Lula com a população.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Nelson Jobim Informante dos EUA?
Do Escrevinhador
por Leandro Fortes, no “Brasília, eu vi”
Uma informação incrível, revelada graças às inconfidências do Wikileaks, circula ainda impunemente pela equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, costumava almoçar com o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel para falar mal da diplomacia brasileira e passar informes variados. Para agradar o interlocutor e se mostrar como aliado preferencial dentro do governo Lula, Jobim, ministro de Estado, menosprezava o Itamaraty, apresentado como cidadela antiamericana, e denunciava um colega de governo, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, como militante antiyankee. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, divulgado pelo Wikileaks, Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para “criar problemas” na relação entre os dois países.
Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa , um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.
Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.
Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.
No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.
Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.
Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.
Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.
Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.
De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.
por Leandro Fortes, no “Brasília, eu vi”
Uma informação incrível, revelada graças às inconfidências do Wikileaks, circula ainda impunemente pela equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, costumava almoçar com o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel para falar mal da diplomacia brasileira e passar informes variados. Para agradar o interlocutor e se mostrar como aliado preferencial dentro do governo Lula, Jobim, ministro de Estado, menosprezava o Itamaraty, apresentado como cidadela antiamericana, e denunciava um colega de governo, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, como militante antiyankee. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, divulgado pelo Wikileaks, Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para “criar problemas” na relação entre os dois países.
Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa , um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.
Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.
Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.
No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.
Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.
Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.
Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.
Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.
De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.
LULA e o Conselho a um Reporter
Do VioMundo
Segundo a Folha, o presidente Lula se irritou com um repórter que perguntou a ele se agradeceria o apoio político da “oligarquia Sarney” no Maranhão. Ao que Lula respondeu:
“Eu agradeço [aos Sarney] e a pergunta preconceituosa sua é grave para quem está há oito anos comigo em Brasília. Significa que você não evoluiu nada do ponto de vista do preconceito, que é uma doença. O presidente Sarney é o presidente do Senado. E o Sarney colaborou muito para que a institucionalidade fosse cumprida. Você devia se tratar, quem sabe fazer psicanálise, para diminuir um pouco esse preconceito”, disse o presidente. Roseana ainda disse que a pergunta demonstrava “preconceito contra a mulher”.
Segundo a Folha, o presidente Lula se irritou com um repórter que perguntou a ele se agradeceria o apoio político da “oligarquia Sarney” no Maranhão. Ao que Lula respondeu:
“Eu agradeço [aos Sarney] e a pergunta preconceituosa sua é grave para quem está há oito anos comigo em Brasília. Significa que você não evoluiu nada do ponto de vista do preconceito, que é uma doença. O presidente Sarney é o presidente do Senado. E o Sarney colaborou muito para que a institucionalidade fosse cumprida. Você devia se tratar, quem sabe fazer psicanálise, para diminuir um pouco esse preconceito”, disse o presidente. Roseana ainda disse que a pergunta demonstrava “preconceito contra a mulher”.
Escolas Técnicas e Universidades Federais - Mais Unidades
Brasília Confidencial No 394
Trinta escolas federais de educação profissional e mais 25 campi ligados a 15 universidades federais foram entregues nesta segunda-feira. A entrega simbólica foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Fernando Haddad, da Educação. Das 30 escolas, 18 já estão em funcionamento e 12 com previsão para início em 2011.
As 30 escolas de educação profissional estão distribuídas pelos Estados do Amazonas (2), Bahia (4), Ceará (3), Espírito Santo (2), Goiás (3), Maranhão (3), Minas Gerais (1), Mato Grosso (1), Pará (1), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (1), Rondônia (1) e Santa Catarina (5).
Quatro vezes mais recursos
Os 25 campi situam-se no Amazonas (4), Bahia (2), Maranhão (1), Minas Gerais (2), Pará (1), Paraíba (2), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (2), Rio Grande do Norte (2), Rio Grande do Sul (5) e Santa Catarina (1).
Desde 2005, foram criadas 214 escolas federais de educação profissional, totalizando 342. Cento e vinte e seis campi e unidades universitárias foram abertos passando de 148, em 2002, para 274, em 2010.
Em 2003, 140 mil alunos estudavam em escolas de educação profissional. Já em 2010, são 348 mil estudantes matriculados. O aumento no número de matrículas foi de 148% e a tendência, segundo o MEC, é de crescimento.
Os recursos para a educação profissional saltaram de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para R$ 4,9 bilhões em 2010, quatro vezes mais.
Interiorização do ensino superior
Atualmente, as universidades federais estão presentes em 230 municípios das 27 unidades da Federação. “Conseguimos levar as universidades federais e as escolas de educação profissional das capitais para o interior do país”, declarou Lula.
Por meio do programa de expansão da educação superior, 14 universidades federais foram criadas a partir de 2003. Dez delas voltadas para a interiorização do ensino superior público. As outras quatro, planejadas para a integração regional e internacional.
Para o ministro da Educação, a expansão da rede federal mudou a vida do brasileiro. “A população, agora, entende o verdadeiro sentido da educação, que é o da emancipação do indivíduo”, disse. Haddad ressaltou que todas as metas previstas em 2007 no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foram cumpridas, em todas as etapas e modalidades da educação.
Trinta escolas federais de educação profissional e mais 25 campi ligados a 15 universidades federais foram entregues nesta segunda-feira. A entrega simbólica foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Fernando Haddad, da Educação. Das 30 escolas, 18 já estão em funcionamento e 12 com previsão para início em 2011.
As 30 escolas de educação profissional estão distribuídas pelos Estados do Amazonas (2), Bahia (4), Ceará (3), Espírito Santo (2), Goiás (3), Maranhão (3), Minas Gerais (1), Mato Grosso (1), Pará (1), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (1), Rondônia (1) e Santa Catarina (5).
Quatro vezes mais recursos
Os 25 campi situam-se no Amazonas (4), Bahia (2), Maranhão (1), Minas Gerais (2), Pará (1), Paraíba (2), Pernambuco (2), Piauí (1), Rio de Janeiro (2), Rio Grande do Norte (2), Rio Grande do Sul (5) e Santa Catarina (1).
Desde 2005, foram criadas 214 escolas federais de educação profissional, totalizando 342. Cento e vinte e seis campi e unidades universitárias foram abertos passando de 148, em 2002, para 274, em 2010.
Em 2003, 140 mil alunos estudavam em escolas de educação profissional. Já em 2010, são 348 mil estudantes matriculados. O aumento no número de matrículas foi de 148% e a tendência, segundo o MEC, é de crescimento.
Os recursos para a educação profissional saltaram de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para R$ 4,9 bilhões em 2010, quatro vezes mais.
Interiorização do ensino superior
Atualmente, as universidades federais estão presentes em 230 municípios das 27 unidades da Federação. “Conseguimos levar as universidades federais e as escolas de educação profissional das capitais para o interior do país”, declarou Lula.
Por meio do programa de expansão da educação superior, 14 universidades federais foram criadas a partir de 2003. Dez delas voltadas para a interiorização do ensino superior público. As outras quatro, planejadas para a integração regional e internacional.
Para o ministro da Educação, a expansão da rede federal mudou a vida do brasileiro. “A população, agora, entende o verdadeiro sentido da educação, que é o da emancipação do indivíduo”, disse. Haddad ressaltou que todas as metas previstas em 2007 no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foram cumpridas, em todas as etapas e modalidades da educação.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Eles Estão Nervosos
Do VioMundo
A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
por Laurindo Lalo Leal Filho, em Carta Maior
O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.
O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.
Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.
Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.
Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.
Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.
Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.
Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.
Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.
Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.
Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.
Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.
As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.
Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.
Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.
Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.
Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.
Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).
A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
por Laurindo Lalo Leal Filho, em Carta Maior
O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.
O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.
Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.
Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.
Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.
Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.
Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.
Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.
Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.
Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.
Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.
Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.
As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.
Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.
Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.
Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.
Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.
Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Preconceito da Folha
Do Luis Nassif
Do Blog do Planalto
Quarta-feira, 24 de novembro de 2010 às 17:48
"Preconceito é uma doença"
A Folha de São Paulo perguntou à Secretaria de Imprensa da Presidência quando exatamente os blogueiros pediram a entrevista com o Presidente concedida hoje e quando tiveram a resposta positiva. Uma pergunta inédita. O Presidente já concedeu 960 entrevistas à imprensa ao longo dos dois mandatos. A Folha nunca teve a mesma curiosidade em relação a outras entrevistas do Presidente.
Do Blog do Planalto
Quarta-feira, 24 de novembro de 2010 às 17:48
"Preconceito é uma doença"
A Folha de São Paulo perguntou à Secretaria de Imprensa da Presidência quando exatamente os blogueiros pediram a entrevista com o Presidente concedida hoje e quando tiveram a resposta positiva. Uma pergunta inédita. O Presidente já concedeu 960 entrevistas à imprensa ao longo dos dois mandatos. A Folha nunca teve a mesma curiosidade em relação a outras entrevistas do Presidente.
LULA Concede Entrevista a Blogueiros
Do Escrevinhador
A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente. Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).
Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam). Fizeram muita falta.
Mas o importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto. E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.
Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio. Internautas puderam perguntar, via twitter. O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje.
A velha mídia vai seguir existindo. Ninguém quer acabar com ela. Mas já não fala sozinha. Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente. Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”. Os sujinhos entraram no jogo…
Foi só o primeiro passo. Caminhamos para a diversidade. O que é muito bom.
Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet. “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.
O presidente deixou algumas questões sem resposta. Não explicou de forma convincente dois pontos: por que Brasil não abre arquivos da ditadura? E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha? Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer: “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“
Hum… Frustrante. O mistério ficou. Paulo Lacerda contrariou quais interesses?
Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária. Falha grave. Nem sobre saúde. E sobre política externa ninguém falou; felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.
Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações. É essa a batalha que move os blogueiros. Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.
Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente. Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial. Mas aí seria uma coletiva da velha mídia. Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.
Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida. Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores. Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas. Mas não houve tempo. Parte do jogo.
Importante é que esse canal está aberto.
Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando. Um resumo falho em vários pontos. Mas serve como uma primeira leitura.
A seguir, o resumo da primeira coletiva de um presidente da República aos blogueiros progressistas no Brasil.
(Pergunta do Renato Rovai, sobre avanços nas comunicações – por que não se avançou mais no mandato de Lula) “Avanço nas comunicações depende da correlação de forças na sociedade. Esforço agora pra votar PL29, chega uma hora e pára.” Lembra que foi difícil fazer Confecom, “muita gente querendo boicotar, bocado de gente não quis participar. Deixamos preparado, costurado pra Dilma avançar mais nessa área. Precisamos ter correlação de força no Congresso para ter mais avanços.” Eu agora quero desencarnar da presidência, deixar internamente de ser presidente. Ex-presidente é que nem vaso chinês, é bonito, mas muitas vezes não tem onde guardá-lo.” Fala do projeto de Azeredo (AI-5 digital) “estupidez – querer censurar internet.”
(Pegunta de Conceição Oliveira, via twitcam, sobre preconceito contra negros na escola) Lula lembra como foi difícil aprovar cotas, muita gente contra. “Matamos essa historia com ProUni, que trouxe muitos negros pra Universidade.” Lembra que vai lançar Universidade Afro-brasielira em Redenção (CE). Mas é um processo longo pra ensinar a historia, como negros chegaram ao Brasil, ensinar isso na escola. “Trabalho com a certeza de que a atual geração que está no Ensino Fundamental quando tiver 20 anos vai estar com a cabeça mais arejada para tratar da questão da igualdade racial, com mais força. Quando sair da presidência, quero visitar quilombos pelo país, ver o que avançou, o que não avançou. Estou otimista, vamos evoluir. Mas preconceito é uma doença que está nas entranhas das pessoas. Essa campanha (eleitoral) mostrou um pouco isso. O fato de alguém dizer que era preciso afogar um nordestino mostra isso. Se fosse nordestino e negro, então…”
(Leandro fortes sobre Direitos Humanos, PNDH-3) “Enquanto cidadão, sou contra aborto. Mas como chefe de Estado reconheço que é caso de saúde publica, meninas por aí fazem aborto, chefe de Estado sabe que isso existe, e não vai permitir que madame vá a Paris fazer aborto e uma menina pobre morra. PNDH 1 e 2, feitos no governo FHC, trataram as coisas de forma muito parecida. Os meios de comunicação que estão triturando agora PNDH3 não falaram nada no primeiro e segundo. Ate questão do controle social da mídia está nos planos anteriores.” Sobre Araguaia: “Eu gostaria de ter encontrado os cadáveres. Gostaria. Por isso mandamos a comissão pro Araguaia. É justo que a historia seja contada na sua totalidade, não apenas meia historia.”
(Altino Machado, sobre derrota de Dilma no Acre) “Erro político no Acre. Não foi o povo que errou, disso tenho certeza. Até Marina lá teria dificuldade pra se eleger. Uma das causas de ela ter saído a presidente é que teria dificuldades pra ganhar pro Senado”. Lula prometeu visitar o Acre em seis meses e esclarecer melhor o que se passou por lá. Prometeu entrevista ao Altino quando for pra lá, depois de deixar presidência.
(Rodrigo Vianna , sobre a velha mídia que agora é nacionalista, quer barrar entrada de estrangeiros) “Tem que ter controle de entrada de estrangeiros, sim. Uma coisa é ser dono de banco, que lida com bolso, outra é a imprensa que lida com a cabeça das pessoas. Mas tenho problemas na relação com a mídia antiga. Sei que lutaram pra me derrotar. Sou resultado da liberdade de imprensa nesse país. Temos telespectador, ouvinte, leitor. Eles (velha mídia) acham que povo é massa de manobra. Eles se enganam. Tem que lidar com internet, algo que eles não sabem como lidar. Temos também que trabalhar para democratizar a mídia eletrônica. Sai pesquisa com 80% de aprovação, e eles ficam assustados. Povo brasileiro conseguiu conquistar espaço extraordinário. Não se deixa levar por um colunista que não tem interesse em divulgar os fatos. Antes eles não tinham que se explicar, agora, eles tem. Precisa se explicar também para os blogueiros. Quanto mais liberdade, melhor…”
(Altamiro Borges pergunta sobre 40 horas e Fator previdenciário) Lula diz que seria necessário mudar, mas não dá resposta objetiva. Depende de negociações e tal…
(Ze Augusto, sobre Lula pós mandato, se ele vai cuidar da reforma Política) “Reforma Política, sou a favor. Quero saber porque há dificuldades dos partidos de esquerda ajudarem na reforma politica.”
(Eduardo Guimarães, sobre casos de alarmismo da mídia) Lula se estende e volta a lembrar as dificuldades na relação com a velha mídia.
(Sr Cloaca, sobre demora pra convocar Confecom e relação com mídia)
(Túlio Vianna, sobre indicações de Lula ao STF, perfil conservador) “Graças a Deus o Supremo não é minha cara. Se não, voltaríamos ao tempo do Império ou do ACM na Bahia. Indiquei companheiro Brito, indicação de juristas de esquerda. Depois, Joaquim Barboza (primeiro negro). Não conhecia Carmen quando indiquei. Lewandovski eu não tinha relação pessoal. O único com quem tinha amizade era o Eros Grau. Todos com visão progressista. O Peluso eu não conhecia. O Direito pra mim foi surpresa, muita gente tinha dúvida porque eu estaria indicando um ministro de direita, mas a atuação dele foi boa. Não pode indicar pensando na próxima votação na Suprema Corte, nem nos processos contra o presidente da República. Tem que pensar na competência jurídica. Tem gente de direita, de esquerda… Eu posso indicar até o dia 17, ou deixar a Dilma indicar. O indicado agora vai ter muita responsabilidade: Ficha Limpa, Mensalão, Batisti. Quero acretar com a Dilma, saber se tem alguém que ela quer indicar ou vamos construir junto. E faria o mesmo se o Serra tivesse ganho. É o jeito de ser republicano”
Volta a falar de mídia: “Não leio jornais, revistas. A raiva deles é que na os leio. Pelo fato de não ler, não fico nervoso. Tenho muita informação, mas não preciso ler muitas coisas que eles escrevem pra ter essa informação. Ninguém pode reclamar, ganharam dinheiro. Algumas (empresas de mídia) tavam quebradas quando eu cheguei ao poder”.
Fala de política externa: Lula conta que perguntou ao Ahmanidejad se é verdade que ele nega o holocausto, porque seria o único no mundo a negar. O líder iraniano negou, disse que quis dizer que morreram milhões na Segunda Guerra, não só judeus. Nunca ninguém (líderes importantes) tinha conversado com líder iraniano. Conta logo bastidor sobre conversas com iraniano.”
(Pierre Lucena sobre Satiagraha e PF, afastamento do Paulo Lacerda) “Tenho coisas que não posso dizer como presidente da República, mas posso dizer que quanto mais combate corrupção mais aparece. Mas PF nunca trabalhou 20% do que trabalhou no meu mandato. Paulo Lacerda saiu porque tava há muito tempo na PF. Esse companheiro Luiz Fernando é grande diretor da PF. A PF como um todo só merece elogio. No meu governo, minha família foi investigada, entraram na casa do meu irmão. Não agi pra evitar. Quero que investiguem tudo, escancare. Mas primeiro provem, depois denunciem.”
(pergunta de leitora, via twitter, sobre momento mais complicado na presidência) Lula diz que foi o acidente da TAM em Congonhas. Tentaram culpar governo pelo acidente. Ficou frustrado por ver vidas humanas usadas para abater o governo.
No fim, voltou à campanha eleitoral, falou do lamentável episódio da “Boilnha de entrevista” e repetiu: Serra deve desculpas ao povo brasileiro! (antes de a entrevista começar, Lula brincou com blgueiros: “vou amassar uma folhas e jogar bolinha na cabeça de vocês”).
DO BLOGUEIRO> No link do Escrevinhador você tem a íntegra da entrevista em vídeo.
A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente. Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).
Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam). Fizeram muita falta.
Mas o importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto. E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.
Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio. Internautas puderam perguntar, via twitter. O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje.
A velha mídia vai seguir existindo. Ninguém quer acabar com ela. Mas já não fala sozinha. Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente. Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”. Os sujinhos entraram no jogo…
Foi só o primeiro passo. Caminhamos para a diversidade. O que é muito bom.
Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet. “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.
O presidente deixou algumas questões sem resposta. Não explicou de forma convincente dois pontos: por que Brasil não abre arquivos da ditadura? E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha? Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer: “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“
Hum… Frustrante. O mistério ficou. Paulo Lacerda contrariou quais interesses?
Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária. Falha grave. Nem sobre saúde. E sobre política externa ninguém falou; felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.
Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações. É essa a batalha que move os blogueiros. Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.
Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente. Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial. Mas aí seria uma coletiva da velha mídia. Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.
Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida. Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores. Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas. Mas não houve tempo. Parte do jogo.
Importante é que esse canal está aberto.
Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando. Um resumo falho em vários pontos. Mas serve como uma primeira leitura.
A seguir, o resumo da primeira coletiva de um presidente da República aos blogueiros progressistas no Brasil.
(Pergunta do Renato Rovai, sobre avanços nas comunicações – por que não se avançou mais no mandato de Lula) “Avanço nas comunicações depende da correlação de forças na sociedade. Esforço agora pra votar PL29, chega uma hora e pára.” Lembra que foi difícil fazer Confecom, “muita gente querendo boicotar, bocado de gente não quis participar. Deixamos preparado, costurado pra Dilma avançar mais nessa área. Precisamos ter correlação de força no Congresso para ter mais avanços.” Eu agora quero desencarnar da presidência, deixar internamente de ser presidente. Ex-presidente é que nem vaso chinês, é bonito, mas muitas vezes não tem onde guardá-lo.” Fala do projeto de Azeredo (AI-5 digital) “estupidez – querer censurar internet.”
(Pegunta de Conceição Oliveira, via twitcam, sobre preconceito contra negros na escola) Lula lembra como foi difícil aprovar cotas, muita gente contra. “Matamos essa historia com ProUni, que trouxe muitos negros pra Universidade.” Lembra que vai lançar Universidade Afro-brasielira em Redenção (CE). Mas é um processo longo pra ensinar a historia, como negros chegaram ao Brasil, ensinar isso na escola. “Trabalho com a certeza de que a atual geração que está no Ensino Fundamental quando tiver 20 anos vai estar com a cabeça mais arejada para tratar da questão da igualdade racial, com mais força. Quando sair da presidência, quero visitar quilombos pelo país, ver o que avançou, o que não avançou. Estou otimista, vamos evoluir. Mas preconceito é uma doença que está nas entranhas das pessoas. Essa campanha (eleitoral) mostrou um pouco isso. O fato de alguém dizer que era preciso afogar um nordestino mostra isso. Se fosse nordestino e negro, então…”
(Leandro fortes sobre Direitos Humanos, PNDH-3) “Enquanto cidadão, sou contra aborto. Mas como chefe de Estado reconheço que é caso de saúde publica, meninas por aí fazem aborto, chefe de Estado sabe que isso existe, e não vai permitir que madame vá a Paris fazer aborto e uma menina pobre morra. PNDH 1 e 2, feitos no governo FHC, trataram as coisas de forma muito parecida. Os meios de comunicação que estão triturando agora PNDH3 não falaram nada no primeiro e segundo. Ate questão do controle social da mídia está nos planos anteriores.” Sobre Araguaia: “Eu gostaria de ter encontrado os cadáveres. Gostaria. Por isso mandamos a comissão pro Araguaia. É justo que a historia seja contada na sua totalidade, não apenas meia historia.”
(Altino Machado, sobre derrota de Dilma no Acre) “Erro político no Acre. Não foi o povo que errou, disso tenho certeza. Até Marina lá teria dificuldade pra se eleger. Uma das causas de ela ter saído a presidente é que teria dificuldades pra ganhar pro Senado”. Lula prometeu visitar o Acre em seis meses e esclarecer melhor o que se passou por lá. Prometeu entrevista ao Altino quando for pra lá, depois de deixar presidência.
(Rodrigo Vianna , sobre a velha mídia que agora é nacionalista, quer barrar entrada de estrangeiros) “Tem que ter controle de entrada de estrangeiros, sim. Uma coisa é ser dono de banco, que lida com bolso, outra é a imprensa que lida com a cabeça das pessoas. Mas tenho problemas na relação com a mídia antiga. Sei que lutaram pra me derrotar. Sou resultado da liberdade de imprensa nesse país. Temos telespectador, ouvinte, leitor. Eles (velha mídia) acham que povo é massa de manobra. Eles se enganam. Tem que lidar com internet, algo que eles não sabem como lidar. Temos também que trabalhar para democratizar a mídia eletrônica. Sai pesquisa com 80% de aprovação, e eles ficam assustados. Povo brasileiro conseguiu conquistar espaço extraordinário. Não se deixa levar por um colunista que não tem interesse em divulgar os fatos. Antes eles não tinham que se explicar, agora, eles tem. Precisa se explicar também para os blogueiros. Quanto mais liberdade, melhor…”
(Altamiro Borges pergunta sobre 40 horas e Fator previdenciário) Lula diz que seria necessário mudar, mas não dá resposta objetiva. Depende de negociações e tal…
(Ze Augusto, sobre Lula pós mandato, se ele vai cuidar da reforma Política) “Reforma Política, sou a favor. Quero saber porque há dificuldades dos partidos de esquerda ajudarem na reforma politica.”
(Eduardo Guimarães, sobre casos de alarmismo da mídia) Lula se estende e volta a lembrar as dificuldades na relação com a velha mídia.
(Sr Cloaca, sobre demora pra convocar Confecom e relação com mídia)
(Túlio Vianna, sobre indicações de Lula ao STF, perfil conservador) “Graças a Deus o Supremo não é minha cara. Se não, voltaríamos ao tempo do Império ou do ACM na Bahia. Indiquei companheiro Brito, indicação de juristas de esquerda. Depois, Joaquim Barboza (primeiro negro). Não conhecia Carmen quando indiquei. Lewandovski eu não tinha relação pessoal. O único com quem tinha amizade era o Eros Grau. Todos com visão progressista. O Peluso eu não conhecia. O Direito pra mim foi surpresa, muita gente tinha dúvida porque eu estaria indicando um ministro de direita, mas a atuação dele foi boa. Não pode indicar pensando na próxima votação na Suprema Corte, nem nos processos contra o presidente da República. Tem que pensar na competência jurídica. Tem gente de direita, de esquerda… Eu posso indicar até o dia 17, ou deixar a Dilma indicar. O indicado agora vai ter muita responsabilidade: Ficha Limpa, Mensalão, Batisti. Quero acretar com a Dilma, saber se tem alguém que ela quer indicar ou vamos construir junto. E faria o mesmo se o Serra tivesse ganho. É o jeito de ser republicano”
Volta a falar de mídia: “Não leio jornais, revistas. A raiva deles é que na os leio. Pelo fato de não ler, não fico nervoso. Tenho muita informação, mas não preciso ler muitas coisas que eles escrevem pra ter essa informação. Ninguém pode reclamar, ganharam dinheiro. Algumas (empresas de mídia) tavam quebradas quando eu cheguei ao poder”.
Fala de política externa: Lula conta que perguntou ao Ahmanidejad se é verdade que ele nega o holocausto, porque seria o único no mundo a negar. O líder iraniano negou, disse que quis dizer que morreram milhões na Segunda Guerra, não só judeus. Nunca ninguém (líderes importantes) tinha conversado com líder iraniano. Conta logo bastidor sobre conversas com iraniano.”
(Pierre Lucena sobre Satiagraha e PF, afastamento do Paulo Lacerda) “Tenho coisas que não posso dizer como presidente da República, mas posso dizer que quanto mais combate corrupção mais aparece. Mas PF nunca trabalhou 20% do que trabalhou no meu mandato. Paulo Lacerda saiu porque tava há muito tempo na PF. Esse companheiro Luiz Fernando é grande diretor da PF. A PF como um todo só merece elogio. No meu governo, minha família foi investigada, entraram na casa do meu irmão. Não agi pra evitar. Quero que investiguem tudo, escancare. Mas primeiro provem, depois denunciem.”
(pergunta de leitora, via twitter, sobre momento mais complicado na presidência) Lula diz que foi o acidente da TAM em Congonhas. Tentaram culpar governo pelo acidente. Ficou frustrado por ver vidas humanas usadas para abater o governo.
No fim, voltou à campanha eleitoral, falou do lamentável episódio da “Boilnha de entrevista” e repetiu: Serra deve desculpas ao povo brasileiro! (antes de a entrevista começar, Lula brincou com blgueiros: “vou amassar uma folhas e jogar bolinha na cabeça de vocês”).
DO BLOGUEIRO> No link do Escrevinhador você tem a íntegra da entrevista em vídeo.
Indústria Naval Recuperada
Brasília Confidencial No 388
Oitenta e dois navios estão em construção no Brasil e mais 150 em fase de planejamento. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e foram citados pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva para demonstrar que o país “está levando a sério a indústria naval”. Ele acrescentou que o Fundo da Marinha Mercante prevê a contratação de R$ 30 bilhões até 2014.
As declarações foram dadas no programa semanal de rádio “Café com o presidente” que foi ao ar nesta segunda-feira.
Apenas o programa de modernização e expansão da frota da Transpetro, o Promef, prevê a construção de um total de 49 navios no Brasil. “Quarenta e seis deles já foram contratados, com investimento de quase R$ 5 bilhões, e nós estamos fazendo com que a cada navio inaugurado, a gente possa prestar homenagem a uma personalidade brasileira”, reparou Lula.
Zumbi dos Palmares
Já foram inaugurados o “João Cândido”, referência ao herói da Revolta da Chibata, que se rebelou contra o tratamento brutal dado aos negros na Marinha, o “Celso Furtado”, que homenageia aquele que o presidente chama de “o pai dos economistas” e o “Sérgio Buarque de Hollanda”, homenagem ao autor de “Raízes do Brasil”, livro essencial das ciências sociais do país. “O quarto navio, que era para ser colocado no mar este ano ainda, mas que atrasou um pouco, vai ser só em março do ano que vem, deverá ser Zumbi dos Palmares”, antecipou Lula.
Cortadoras de cana
“Nós, que já fomos a segunda indústria naval do mundo nos anos 1970, praticamente acabamos e, agora, nós estamos reconstruindo a indústria naval, já estamos com mais de 50 mil trabalhadores na categoria, e eu tenho certeza que é um processo em expansão que não tem retorno”, disse. “Na medida em que o Brasil não produzia mais aqui -- prosseguiu -- nós não tínhamos nem engenheiro mais para indústria naval. Agora, nós estamos nas nossas universidades, nas nossas escolas técnicas, preparando gente para trabalhar na indústria naval. Só pra você ter ideia, em Pernambuco, mulheres que eram cortadoras de cana, foram preparadas para trabalhar na indústria naval”.
Lula lembrou que, além das encomendas para atender à Petrobrás, existe ainda a demanda por navios de transporte, com o objetivo de diminuir o déficit de fretes. “Precisamos ter navios próprios, nacionais, transportando a nossa carga, aquilo que nós produzimos, e também trazendo aquilo que nós compramos”, disse. “Gera muito dinheiro, gera emprego e gera conhecimento tecnológico”, completou.
Oitenta e dois navios estão em construção no Brasil e mais 150 em fase de planejamento. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e foram citados pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva para demonstrar que o país “está levando a sério a indústria naval”. Ele acrescentou que o Fundo da Marinha Mercante prevê a contratação de R$ 30 bilhões até 2014.
As declarações foram dadas no programa semanal de rádio “Café com o presidente” que foi ao ar nesta segunda-feira.
Apenas o programa de modernização e expansão da frota da Transpetro, o Promef, prevê a construção de um total de 49 navios no Brasil. “Quarenta e seis deles já foram contratados, com investimento de quase R$ 5 bilhões, e nós estamos fazendo com que a cada navio inaugurado, a gente possa prestar homenagem a uma personalidade brasileira”, reparou Lula.
Zumbi dos Palmares
Já foram inaugurados o “João Cândido”, referência ao herói da Revolta da Chibata, que se rebelou contra o tratamento brutal dado aos negros na Marinha, o “Celso Furtado”, que homenageia aquele que o presidente chama de “o pai dos economistas” e o “Sérgio Buarque de Hollanda”, homenagem ao autor de “Raízes do Brasil”, livro essencial das ciências sociais do país. “O quarto navio, que era para ser colocado no mar este ano ainda, mas que atrasou um pouco, vai ser só em março do ano que vem, deverá ser Zumbi dos Palmares”, antecipou Lula.
Cortadoras de cana
“Nós, que já fomos a segunda indústria naval do mundo nos anos 1970, praticamente acabamos e, agora, nós estamos reconstruindo a indústria naval, já estamos com mais de 50 mil trabalhadores na categoria, e eu tenho certeza que é um processo em expansão que não tem retorno”, disse. “Na medida em que o Brasil não produzia mais aqui -- prosseguiu -- nós não tínhamos nem engenheiro mais para indústria naval. Agora, nós estamos nas nossas universidades, nas nossas escolas técnicas, preparando gente para trabalhar na indústria naval. Só pra você ter ideia, em Pernambuco, mulheres que eram cortadoras de cana, foram preparadas para trabalhar na indústria naval”.
Lula lembrou que, além das encomendas para atender à Petrobrás, existe ainda a demanda por navios de transporte, com o objetivo de diminuir o déficit de fretes. “Precisamos ter navios próprios, nacionais, transportando a nossa carga, aquilo que nós produzimos, e também trazendo aquilo que nós compramos”, disse. “Gera muito dinheiro, gera emprego e gera conhecimento tecnológico”, completou.
sábado, 20 de novembro de 2010
LULA - Navio e Prêmio
Brasília Confidencial No 386
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou os ex-presidentes brasileiros em seu discurso na cerimônia de lançamento ao mar do navio Sérgio Buarque de Holanda, em Niterói, nesta sexta-feira (19). “Tem muita gente que passou pela Presidência que fica se perguntando: como é que um peão conseguiu fazer mais do que eu? Como é que um peão conseguiu fazer muito mais?”, indagou o presidente.
O início do pronunciamento de Lula foi marcado por um tom nostálgico. “É a minha última visita a um estaleiro enquanto estiver na Presidência, até o dia 31 de dezembro. É minha última visita, meu último navio a ser colocado no mar”, disse. Ao fazer um balanço do governo, Lula declarou: “deixo a Presidência da República com a consciência tranquila de que eu não fiz tudo que precisava ser feito mas, certamente, eu fiz mais do que muita gente imaginava que eu ia fazer”. Em seguida, o presidente ressaltou o apoio dos trabalhadores brasileiros durante todo o mandato. “Sei que nos momentos difíceis que eu passei na Presidência da República, foi a peãozada deste país que teve coragem de gritar: “se mexer com o Lula, mexeu comigo”.
O presidente falou sobre a escolha do nome dos navios e lembrou que Sérgio Buarque de Holanda é um dos fundadores do PT: “Para minha alegria, ele é fundador do meu partido. Assinou a ata de fundação no Colégio Sion, lá em São Paulo, em 1980”. E lembrou outro homenageado da mesma forma. “Demos o nome de outro navio para Celso Furtado, pai de todos os economistas deste País”.
Prêmio Indira Gandhi para a Paz
Lula foi escolhido para receber o Prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento para 2010, concedido pelo governo da Índia. Seu nome foi indicado por um júri internacional presidido pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
A decisão foi anunciada em comunicado oficial do governo indiano, no qual Lula é elogiado pela “excepcional” contribuição aos programas que se destinam a acabar com a fome e promover o desenvolvimento do Brasil. O prêmio inclui um valor em dinheiro e a publicação das iniciativas do agraciado. Por meio de sua assessoria, o presidente informou que se dispõe a ir à Índia depois de deixar o cargo no dia 1º de janeiro quando transmitirá o poder à presidenta eleita, Dilma Rousseff. Já conquistaram a premiação, desde 1986, entre outros, o ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan e o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou os ex-presidentes brasileiros em seu discurso na cerimônia de lançamento ao mar do navio Sérgio Buarque de Holanda, em Niterói, nesta sexta-feira (19). “Tem muita gente que passou pela Presidência que fica se perguntando: como é que um peão conseguiu fazer mais do que eu? Como é que um peão conseguiu fazer muito mais?”, indagou o presidente.
O início do pronunciamento de Lula foi marcado por um tom nostálgico. “É a minha última visita a um estaleiro enquanto estiver na Presidência, até o dia 31 de dezembro. É minha última visita, meu último navio a ser colocado no mar”, disse. Ao fazer um balanço do governo, Lula declarou: “deixo a Presidência da República com a consciência tranquila de que eu não fiz tudo que precisava ser feito mas, certamente, eu fiz mais do que muita gente imaginava que eu ia fazer”. Em seguida, o presidente ressaltou o apoio dos trabalhadores brasileiros durante todo o mandato. “Sei que nos momentos difíceis que eu passei na Presidência da República, foi a peãozada deste país que teve coragem de gritar: “se mexer com o Lula, mexeu comigo”.
O presidente falou sobre a escolha do nome dos navios e lembrou que Sérgio Buarque de Holanda é um dos fundadores do PT: “Para minha alegria, ele é fundador do meu partido. Assinou a ata de fundação no Colégio Sion, lá em São Paulo, em 1980”. E lembrou outro homenageado da mesma forma. “Demos o nome de outro navio para Celso Furtado, pai de todos os economistas deste País”.
Prêmio Indira Gandhi para a Paz
Lula foi escolhido para receber o Prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento para 2010, concedido pelo governo da Índia. Seu nome foi indicado por um júri internacional presidido pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
A decisão foi anunciada em comunicado oficial do governo indiano, no qual Lula é elogiado pela “excepcional” contribuição aos programas que se destinam a acabar com a fome e promover o desenvolvimento do Brasil. O prêmio inclui um valor em dinheiro e a publicação das iniciativas do agraciado. Por meio de sua assessoria, o presidente informou que se dispõe a ir à Índia depois de deixar o cargo no dia 1º de janeiro quando transmitirá o poder à presidenta eleita, Dilma Rousseff. Já conquistaram a premiação, desde 1986, entre outros, o ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan e o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev.
O Dia da Consciência Negra - II - João Candido
Do A Trincheira

Eu estava no Rio quando Lula inaugurou a estátua de João Cândido na velha Praça XV, palco da Revolta da Chibata, e vi um trecho de seu discurso arrebatador. Naquele mesmo dia, jornais repercutiram a ameaça de uns milicos de pijama que prometiam implodir o monumento caso estivesse voltado em direção à Marinha. É por isso, minha gente, que dá um orgulho danado ver o nome de João Cândido estampado no casco do navio que é um dos símbolos do governo Lula. 

João Cândido
Ao batizar o primeiro navio montado em seu governo com o nome de João Cândido, o presidente Lula prestou um grande serviço ao resgate da memória do líder da Revolta da Chibata, o marinheiro negro imortalizado num samba de João Bosco e Aldir Blanc.
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Poderia ser apenas um detalhe sem importância, mas esta homenagem tem o peso de milhares de cadáveres com as costas lanhadas pelo chicote. Ver a luta de João Cândido expressa simbolicamente em um navio com a sua mesma grandeza é motivo de orgulho.
Poderia ser apenas um detalhe sem importância, mas esta homenagem tem o peso de milhares de cadáveres com as costas lanhadas pelo chicote. Ver a luta de João Cândido expressa simbolicamente em um navio com a sua mesma grandeza é motivo de orgulho.
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Às vésperas do Dia da Consciência Negra, quando prestamos nossa reverência aos povos africanos que ajudaram a civilizar o Brasil, o nome de João Cândido deve ser sempre lembrado. É o que pretendo fazer aqui, modestamente, admirador que sou de sua história.
Às vésperas do Dia da Consciência Negra, quando prestamos nossa reverência aos povos africanos que ajudaram a civilizar o Brasil, o nome de João Cândido deve ser sempre lembrado. É o que pretendo fazer aqui, modestamente, admirador que sou de sua história.
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Cândido liderou a revolta contra os castigos físicos na Marinha, em 1910. Cansados de tantos maus tratos, os marujos se insubordinaram, tomaram o comando dos navios de guerra e apontaram seus canhões para o centro do Rio de Janeiro, então sede do governo federal. Eles exigiam simplesmente que fossem tratados como homens e não como animais.
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Durante quatro dias, as bandeiras vermelhas dos rebeldes tremularam nos mastros dos navios. Segundo nos conta Luiz Antonio Simas, a frota comandada por João Cândido tinha 2.379 marinheiros. Acuado, o Congresso Nacional aprovou a anistia dos revoltosos e o fim dos castigos corporais dentro da Marinha.
Durante quatro dias, as bandeiras vermelhas dos rebeldes tremularam nos mastros dos navios. Segundo nos conta Luiz Antonio Simas, a frota comandada por João Cândido tinha 2.379 marinheiros. Acuado, o Congresso Nacional aprovou a anistia dos revoltosos e o fim dos castigos corporais dentro da Marinha.
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Mas o acordo era um blefe. Ao deixar os navios, os marinheiros foram presos e fuzilados. Outros foram mandados para os seringais do Acre, onde trabalharam como escravos para os barões da borracha. João Cândido passou anos encarcerado numa masmorra imunda da Ilha das Cobras, bebendo a própria urina para não morrer de sede. De lá saiu velho e louco, terminando sua vida como indigente nas ruas do Rio. A Marinha nunca o reconheceu como herói.
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Eu estava no Rio quando Lula inaugurou a estátua de João Cândido na velha Praça XV, palco da Revolta da Chibata, e vi um trecho de seu discurso arrebatador. Naquele mesmo dia, jornais repercutiram a ameaça de uns milicos de pijama que prometiam implodir o monumento caso estivesse voltado em direção à Marinha. É por isso, minha gente, que dá um orgulho danado ver o nome de João Cândido estampado no casco do navio que é um dos símbolos do governo Lula. .
Ao batizar o navio com o nome de um marinheiro rebelde, Lula politizou (no sentido positivo) um evento que poderia ser somente econômico. O renascimento da indústria naval brasileira, para sempre, será lembrado como o renascimento da história de João Cândido, o primeiro marinheiro a nomear um navio.
Ao batizar o navio com o nome de um marinheiro rebelde, Lula politizou (no sentido positivo) um evento que poderia ser somente econômico. O renascimento da indústria naval brasileira, para sempre, será lembrado como o renascimento da história de João Cândido, o primeiro marinheiro a nomear um navio.
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Ah, como é bom ver o Estado brasileiro romper a tradição estamental. Vocês conseguem imaginar José Serra, ou mesmo Fernando Henrique Cardoso, comprando briga com os almirantes para reparar uma injustiça histórica? Vocês imaginam um governo tucano escolhendo como madrinha do navio uma simples funcionária do Estaleiro Atlântico Sul, a Mônica Roberta de França (foto abaixo)?
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O primeiro navio made in Pernambuco não teve uma madrinha-celebridade para lançá-lo ao mar no dia 6 de maio de 2010. Teve uma mulher comum, do povo. E o fato de também ser negra, como João Cândido, enaltece a consciência racial do homenageado. São detalhes que nada têm de aleatório ou desimportante. Eles carregam a carga simbólica de uma visão de mundo especial.
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O primeiro navio made in Pernambuco não teve uma madrinha-celebridade para lançá-lo ao mar no dia 6 de maio de 2010. Teve uma mulher comum, do povo. E o fato de também ser negra, como João Cândido, enaltece a consciência racial do homenageado. São detalhes que nada têm de aleatório ou desimportante. Eles carregam a carga simbólica de uma visão de mundo especial.
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Filho do PAC, programa comandado por Dilma Rousseff, o navio petroleiro João Cândido tem 247 metros de comprimento e levou a Pernambuco a indústria naval, criminosamente destruída pela privataria tucana. Com isso, empregou milhares de operários nordestinos que agora não precisam mais perder a mocidade nos canaviais insalubres ou tentar a sorte em São Paulo.
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Vi, na televisão, depoimentos emocionantes dos trabalhadores do navio João Cândido, como o da mulher que antes estava desempregada e hoje chefia uma equipe de soldagem no estaleiro; ou do ex-pescador de caranguejo que sempre viveu na incerteza e hoje se orgulha da carteira assinada; ou do ex-cortador de cana, que não depende mais da temporalidade insegura da colheita e de uma carga horária de trabalho desumana. É a luta de João Cândido vencendo a opressão.
.O navio João Cândido inaugura uma nova era na economia brasileira. Agora, a Petrobras não será mais obrigada a desembolsar R$ 2,5 bilhões anuais com o afretamento de navios estrangeiros. Fabricaremos nossos próprios navios. E serão esses navios que irão ajudar na extração e no transporte do petróleo do pré-sal. Um novo tempo se avizinha. Nele há um pouco do sonho de liberdade e justiça dos marinheiros açoitados em 1910.
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[O presidente e o navio João Cândido, símbolo da era Lula].
sábado, 13 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Não Saiu na Imprensa
Do Cloaca News
A MARAVILHOSA FOTO QUE A IMPRENSA GOLPISTA E PESTILENTA DO BRASIL NÃO PUBLICOU – NEM VAI PUBLICAR
O nome desta senhora, ex-favelada do Rio de Janeiro, é Corina Edelvina Bento. Ela chora de emoção e sacode as chaves de sua casa nova, ao mesmo tempo que é beijada pelo presidente Lula. Dona Corina morava numa favela em precárias condições, e agora é uma das beneficiárias do programa Minha Casa, Minha Vida.
A fotografia é tão (politicamente) persuasiva que não foi publicada em nenhum jornal do Brasil, por razões óbvias. Foi publicada - acredite - no The Wall Street Journal, de propriedade do grupo midiático de Rupert Murdoch, que também detém o controle da famigerada Fox News, apoiadores do republicanismo conservador e do Tea Party. Para se ter uma ideia do que é a News Corp. (empresa controladora do grupo), José Maria Aznar, o protofascista ex-primeiro ministro da Espanha, é membro efetivo do board de 17 diretores do vasto grupo de entretenimento.
A fotografia foi tirada no dia 25 de outubro último, por Felipe Dana, da AP.
LULA e a Reforma Política
Do Luis Nassif
Por Thomaz Braga
O presidente Lula fecha com chave de ouro seu mandato, ao se propor liderar a Reforma Política, já. Ele sabe que nas nossas condições políticas, um governo, muito dificilmente poderia aprovar o que necessitamos, sem se desgastar muito no Congresso. E foi o que aconteceu com ele em 2007, quando a oposição raivosa, mais as bancadas ultra egoísta e individualista, 'fecharam questão' contra uma raríssima oportunidade que tivemos de fazer essa reforma tão essencial – o relator era o Ronaldo Caiado, do DEM e a matéria já havia sido aprovada no Senado!
E Lula sabe muito bem do que se trata. Ele foi a única grande autoridade que disse a verdade, em 2005. Naquela entrevista em Paris, Lula desmanchou ali qualquer tentativa de impeachment contra ele, simplesmente porque não mentiu à nação. Ele disse claramente que o caixa dois era ordinário e tradicional no sistema eleitoral brasileiro. Que bom que o nosso presidente diga a verdade! Os líderes oposicionistas e suas penas na imprensa, no meu entender mentiram e mentem, quando dizem que "deveriam" ter proposto o impeachment. Não o fizeram somente porque não havia como pegar Lula em alguma mentira à nação. Só assim poderiam fazê-lo.
Se a nossa opção é pela República, como de fato é, indiscutivelmente, então temos o dever e até a obrigação de fortalecer os partidos políticos e sanear o processo de escolha dos nossos governantes e líderes políticos. Sem dúvida, trará enormes repercussões nas relações do Estado com os diversos setores da economia e da sociedade. Está claro para mim que o cerne dessa questão é o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais.
De pronto, o financiamento público impõe a equidade num processo tão desigual, como é atualmente. Ele permite um parâmetro de financiamento igual para todos e transparente a todos. Um financiamento de campanhas obrigatoriamente equânime, porque todos saberão – até o mercado – o valor disponível a todos e a qualquer um. Não só os candidatos adversários saberão se alguém usar mais recursos que outro, mas toda a imprensa e o próprio público, pois estará óbvio e transparente. Assim temos algo que possa ser fiscalizado empiricamente e fica muito mais fácil para as instituições agirem sobre alguma eventual suspeita. É esse o poder da transparência.
Mas é óbvio que só funciona se for exclusivamente público, este sistema de financiamento de campanhas, exatamente porque, do contrário, retira-se a possibilidade da noção clara e direta de equidade e mata-se a proposta. É isso que querem PSDB, DEM e sua turma, já ficou bem claro.
Porque também, e isso é essencial, a mudança repercute diretamente no poder dos ricos e do dinheiro sobre o Estado brasileiro. Repercute diretamente na composição, pelas forças e partidos políticos, dos espaços do Estado, e enfrenta os "loteamentos", que atualmente, muitas vezes, é o que, de fato, viabiliza as campanhas eleitorais e os partidos; não sejamos hipócritas. Podemos mudar a lógica dos compromissos eleitorais e melhorar em muito as representações políticas, pois mais democráticas, e sinceras. Parece-me claro que, assim nós podemos enfrentar pra valer um dos maiores focos de corrupção do nosso país, se não, o maior, enfraquecendo, sim, com clareza e na origem, o poder do corruptor.
O "preço" a pagar por tal avanço na política brasileira, poderíamos dizer que é pequeno. Mas na verdade é que ganhamos ainda mais, porque, como disse antes, nós temos por dever fortalecer os partidos. E o "preço", no frigir dos ovos, seria unicamente o voto no partido e não nas personalidades, com exceção das disputas majoritárias, é claro. Inclusive, é o que eu pessoalmente já faço há muito tempo: voto na legenda, para deputados e vereadores e não nas personalidades. O que acontece com isso, é que podemos ter outro ganho essencial, com os partidos muito, mas muito mais comprometidos em evitar desvios por parte dos seus integrantes, porque simplesmente, vai ser o nome do partido que vai estar "na roda". Certamente, os próprios partidos terão que aprimorar seus instrumentos para se auto fiscalizarem, tentando garantir seus nomes limpos até a próxima eleição.
São estes, até onde entendo, os grandes ganhos que teremos se fizermos a reforma política. E acho que se trata de assunto político, para ser resolvido por políticos. Assunto extenso e de difícil discussão, para ser lançado a plebiscito. Mas, se for esse o caso, vamos ao voto, novamente. O povo muitas vezes já demonstrou a sabedoria do seu voto. Mas, acho mesmo que aquele projeto de 2007 deveria ser reapresentado, votado e pronto, sob a oportuna e apropriada liderança do Lula, sem mais demora – ele já disse que vai batalhar pela reforma agora.
Eu estou com ele, inclusive para ajudar, se puder, a desmascarar as infinitas tentativas que as forças conservadoras e reacionárias – agora também as obscurantistas – farão para tirar a inevitável reforma do seu verdadeiro foco, como discutir voto distrital, voto facultativo, voto nominal, financiamento público, mas sem ser exclusivo etc. E não tenho a menor dúvida que a velha mídia rica, mais o mercado financeiro, mais o latifúndio, estarão todos unidos mais uma vez, porque enquanto houver mais república, então menos oligarquia haverá.
Depois de tudo pelo que passou o Partido dos Trabalhadores e o Lula, em 2005; depois de ter tido tanta coragem para dizer a verdade ao povo, naquele momento tão difícil, eu não me surpreendo com a chave de ouro que ele põe, aberta e claramente, sobre a mesa presidencial, ao fim de um mandato que propôs, como eu nunca havia visto antes, enfrentar as desigualdades, aumentar os direitos humanos entre nós, resgatar nossa soberania, por um caminho mais republicano e democrático.
Valeu, Lula!
Por Thomaz Braga
O presidente Lula fecha com chave de ouro seu mandato, ao se propor liderar a Reforma Política, já. Ele sabe que nas nossas condições políticas, um governo, muito dificilmente poderia aprovar o que necessitamos, sem se desgastar muito no Congresso. E foi o que aconteceu com ele em 2007, quando a oposição raivosa, mais as bancadas ultra egoísta e individualista, 'fecharam questão' contra uma raríssima oportunidade que tivemos de fazer essa reforma tão essencial – o relator era o Ronaldo Caiado, do DEM e a matéria já havia sido aprovada no Senado!
E Lula sabe muito bem do que se trata. Ele foi a única grande autoridade que disse a verdade, em 2005. Naquela entrevista em Paris, Lula desmanchou ali qualquer tentativa de impeachment contra ele, simplesmente porque não mentiu à nação. Ele disse claramente que o caixa dois era ordinário e tradicional no sistema eleitoral brasileiro. Que bom que o nosso presidente diga a verdade! Os líderes oposicionistas e suas penas na imprensa, no meu entender mentiram e mentem, quando dizem que "deveriam" ter proposto o impeachment. Não o fizeram somente porque não havia como pegar Lula em alguma mentira à nação. Só assim poderiam fazê-lo.
Se a nossa opção é pela República, como de fato é, indiscutivelmente, então temos o dever e até a obrigação de fortalecer os partidos políticos e sanear o processo de escolha dos nossos governantes e líderes políticos. Sem dúvida, trará enormes repercussões nas relações do Estado com os diversos setores da economia e da sociedade. Está claro para mim que o cerne dessa questão é o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais.
De pronto, o financiamento público impõe a equidade num processo tão desigual, como é atualmente. Ele permite um parâmetro de financiamento igual para todos e transparente a todos. Um financiamento de campanhas obrigatoriamente equânime, porque todos saberão – até o mercado – o valor disponível a todos e a qualquer um. Não só os candidatos adversários saberão se alguém usar mais recursos que outro, mas toda a imprensa e o próprio público, pois estará óbvio e transparente. Assim temos algo que possa ser fiscalizado empiricamente e fica muito mais fácil para as instituições agirem sobre alguma eventual suspeita. É esse o poder da transparência.
Mas é óbvio que só funciona se for exclusivamente público, este sistema de financiamento de campanhas, exatamente porque, do contrário, retira-se a possibilidade da noção clara e direta de equidade e mata-se a proposta. É isso que querem PSDB, DEM e sua turma, já ficou bem claro.
Porque também, e isso é essencial, a mudança repercute diretamente no poder dos ricos e do dinheiro sobre o Estado brasileiro. Repercute diretamente na composição, pelas forças e partidos políticos, dos espaços do Estado, e enfrenta os "loteamentos", que atualmente, muitas vezes, é o que, de fato, viabiliza as campanhas eleitorais e os partidos; não sejamos hipócritas. Podemos mudar a lógica dos compromissos eleitorais e melhorar em muito as representações políticas, pois mais democráticas, e sinceras. Parece-me claro que, assim nós podemos enfrentar pra valer um dos maiores focos de corrupção do nosso país, se não, o maior, enfraquecendo, sim, com clareza e na origem, o poder do corruptor.
O "preço" a pagar por tal avanço na política brasileira, poderíamos dizer que é pequeno. Mas na verdade é que ganhamos ainda mais, porque, como disse antes, nós temos por dever fortalecer os partidos. E o "preço", no frigir dos ovos, seria unicamente o voto no partido e não nas personalidades, com exceção das disputas majoritárias, é claro. Inclusive, é o que eu pessoalmente já faço há muito tempo: voto na legenda, para deputados e vereadores e não nas personalidades. O que acontece com isso, é que podemos ter outro ganho essencial, com os partidos muito, mas muito mais comprometidos em evitar desvios por parte dos seus integrantes, porque simplesmente, vai ser o nome do partido que vai estar "na roda". Certamente, os próprios partidos terão que aprimorar seus instrumentos para se auto fiscalizarem, tentando garantir seus nomes limpos até a próxima eleição.
São estes, até onde entendo, os grandes ganhos que teremos se fizermos a reforma política. E acho que se trata de assunto político, para ser resolvido por políticos. Assunto extenso e de difícil discussão, para ser lançado a plebiscito. Mas, se for esse o caso, vamos ao voto, novamente. O povo muitas vezes já demonstrou a sabedoria do seu voto. Mas, acho mesmo que aquele projeto de 2007 deveria ser reapresentado, votado e pronto, sob a oportuna e apropriada liderança do Lula, sem mais demora – ele já disse que vai batalhar pela reforma agora.
Eu estou com ele, inclusive para ajudar, se puder, a desmascarar as infinitas tentativas que as forças conservadoras e reacionárias – agora também as obscurantistas – farão para tirar a inevitável reforma do seu verdadeiro foco, como discutir voto distrital, voto facultativo, voto nominal, financiamento público, mas sem ser exclusivo etc. E não tenho a menor dúvida que a velha mídia rica, mais o mercado financeiro, mais o latifúndio, estarão todos unidos mais uma vez, porque enquanto houver mais república, então menos oligarquia haverá.
Depois de tudo pelo que passou o Partido dos Trabalhadores e o Lula, em 2005; depois de ter tido tanta coragem para dizer a verdade ao povo, naquele momento tão difícil, eu não me surpreendo com a chave de ouro que ele põe, aberta e claramente, sobre a mesa presidencial, ao fim de um mandato que propôs, como eu nunca havia visto antes, enfrentar as desigualdades, aumentar os direitos humanos entre nós, resgatar nossa soberania, por um caminho mais republicano e democrático.
Valeu, Lula!
sábado, 30 de outubro de 2010
LULA Celebrado em Recife
Do Luis Nassif
A carreata de Lula em Recife foi histórica. Estima-se em 100 mil pessoas foram as ruas de Recife para acompanhar o presidente.
O video abaixo serve como demonstração da verdadeira devoção que o pernambucano tem por Lula.
Por Gabriel Sitônio

Durante o trajeto os militantes que acompanharam a carreata gritaram: "Lula guerreiro do povo brasileiro"
Foto: Aldo Carneiro/Futura Press
Segundo estimativa da Polícia Militar de Pernambuco, mais de 100 mil pessoas acompanharam a passagem do petista pela cidade. Durante o trajeto os militantes gritaram: "Lula guerreiro do povo brasileiro", uma referência a um coro feito para o ex-governador Miguel Arraes - avô do governador reeleito, Eduardo Campos - quando ele voltou do exílio.
Ao final da caminhada, o presidente Lula não falou com a imprensa, mas o senador eleito Humberto Costa (PT) disse que o presidente ficou emocionado com a caminhada. "Ele (Lula) estava muito emocionado com esta vinda a Pernambuco, sua terra natal. Ele disse que estava terminando a campanha neste local como uma homenagem a Miguel Arraes, o único político que ele veio recepcionar pessoalmente após o exílio".
Durante todo o percurso, Lula enfrentou a chuva que caía na cidade. Militantes e populares também continuaram ao lado do carro, acenando para ele. No início do trajeto, o presidente utilizou um chapéu branco de vaqueiro - apetrecho peculiar nordestino. Uma bandeira do Brasil também foi lhe dada e ele exibiu algumas vezes durante o percurso. Já no final do evento, quando o cortejo passava sobre a Ponte do Duarte Coelho, no centro de Recife, os militantes cantaram "Parabéns para Você" para o petista, que fez aniversário na última quarta-feira (27).
Lula seguiu de Recife para São Paulo, onde acompanha o debate entre presidenciáveis que será realizado na noite desta sexta-feira pela Rede Globo.
VEJA AQUI O VÍDEO
Por Artur Marques
A carreata de Lula em Recife foi histórica. Estima-se em 100 mil pessoas foram as ruas de Recife para acompanhar o presidente.
O video abaixo serve como demonstração da verdadeira devoção que o pernambucano tem por Lula.
Por Gabriel Sitônio
Durante o trajeto os militantes que acompanharam a carreata gritaram: "Lula guerreiro do povo brasileiro"
Foto: Aldo Carneiro/Futura Press
- Ed Ruas
- Direto de Recife
Segundo estimativa da Polícia Militar de Pernambuco, mais de 100 mil pessoas acompanharam a passagem do petista pela cidade. Durante o trajeto os militantes gritaram: "Lula guerreiro do povo brasileiro", uma referência a um coro feito para o ex-governador Miguel Arraes - avô do governador reeleito, Eduardo Campos - quando ele voltou do exílio.
Ao final da caminhada, o presidente Lula não falou com a imprensa, mas o senador eleito Humberto Costa (PT) disse que o presidente ficou emocionado com a caminhada. "Ele (Lula) estava muito emocionado com esta vinda a Pernambuco, sua terra natal. Ele disse que estava terminando a campanha neste local como uma homenagem a Miguel Arraes, o único político que ele veio recepcionar pessoalmente após o exílio".
Durante todo o percurso, Lula enfrentou a chuva que caía na cidade. Militantes e populares também continuaram ao lado do carro, acenando para ele. No início do trajeto, o presidente utilizou um chapéu branco de vaqueiro - apetrecho peculiar nordestino. Uma bandeira do Brasil também foi lhe dada e ele exibiu algumas vezes durante o percurso. Já no final do evento, quando o cortejo passava sobre a Ponte do Duarte Coelho, no centro de Recife, os militantes cantaram "Parabéns para Você" para o petista, que fez aniversário na última quarta-feira (27).
Lula seguiu de Recife para São Paulo, onde acompanha o debate entre presidenciáveis que será realizado na noite desta sexta-feira pela Rede Globo.
VEJA AQUI O VÍDEO
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Reações e Aniversário
Brasília Confidencial No 372
O presidente Lula, a candidata Dilma Rousseff e o deputado federal Ciro Gomes criticaram ontem, em diferentes momentos e locais, o presidenciável tucano José Serra e os aliados dele. Dilma, em discurso na cidade baiana de Vitória da Conquista, afirmou que votar em Serra é “pegar a rua do passado”. Lula, durante comício em Curitiba (PR), classificou como “cretinices” as acusações feitas a Dilma, afirmou que Serra desrespeitou a candidata e conclamou os eleitores a votarem em “pessoas que tenham caráter e compromisso”. Já o deputado Ciro Gomes atacou Serra em entrevista na capital do Piauí. “A candidatura do Serra tem essas características da violência, da traição, da rasteira, do jogo sujo, do jogo baixo. O candidato que tem a coragem de fazer uma simulação de receber uma bola de papel na cabeça a ponto de baixar em um hospital e ficar 24 horas de repouso, é um candidato que, se alcançasse poder, sabe-se lá o que seria capaz de fazer”, afirmou. “O que Serra diz pela manhã não serve para a tarde”, continuou Ciro.
Na opinião dele, somente quem acredita em "duendes" pode confiar nas promessas de José Serra, como a de conceder 13º aos beneficiários do Bolsa Família e de aumentar o salário mínimo para R$ 600.
O presidente Lula, que tem repetido críticas às promessas do candidato tucano, valeu-se de um discurso em Curitiba para acusar a campanha tucana de inventar cretinices contra a candidata petista. “Vocês viram os ataques de que ela foi vítima. A impressão que eu tinha era que eu estava sendo atacado, porque em 89, os mesmo diziam de mim: não vota no Lula porque tem uma bandeira vermelha, porque a bandeira tem uma estrela, porque ele tem barba, é comunista. As mesmas cretinices eles falaram da Dilma agora”.
Sem citar o nome do tucano José Serra, Lula o acusou de desrespeitar a candidata. “O cara que não respeita uma campanha política, uma mulher que está disputando com ele, como é que ia respeitar cada um de nós, como ia fazer com cada um de nós, se fosse eleito?”, questionou.
Segundo o presidente, os adversários evitaram criticá-lo porque ele tem alta aprovação nas pesquisas de opinião. “Só tem 3% de ruim e péssimo. E esses 3% devem estar no comitê do Serra”, brincou Lula provocando risos do público.
ANIVERSÁRIO
O comício da campanha petista tornou-se uma festa de comemoração do aniversário de Lula, que hoje completa 65 anos. Dezenas de pessoas subiram ao palanque com balões vermelhos em formato de estrelas para homenagear o presidente. Crianças cantaram o antigo jingle petista "Lula-lá" seguido de um "Parabéns a Você". Emocionado, o presidente recebeu presentes, abraçou e beijou as crianças.
O presidente Lula, a candidata Dilma Rousseff e o deputado federal Ciro Gomes criticaram ontem, em diferentes momentos e locais, o presidenciável tucano José Serra e os aliados dele. Dilma, em discurso na cidade baiana de Vitória da Conquista, afirmou que votar em Serra é “pegar a rua do passado”. Lula, durante comício em Curitiba (PR), classificou como “cretinices” as acusações feitas a Dilma, afirmou que Serra desrespeitou a candidata e conclamou os eleitores a votarem em “pessoas que tenham caráter e compromisso”. Já o deputado Ciro Gomes atacou Serra em entrevista na capital do Piauí. “A candidatura do Serra tem essas características da violência, da traição, da rasteira, do jogo sujo, do jogo baixo. O candidato que tem a coragem de fazer uma simulação de receber uma bola de papel na cabeça a ponto de baixar em um hospital e ficar 24 horas de repouso, é um candidato que, se alcançasse poder, sabe-se lá o que seria capaz de fazer”, afirmou. “O que Serra diz pela manhã não serve para a tarde”, continuou Ciro.
Na opinião dele, somente quem acredita em "duendes" pode confiar nas promessas de José Serra, como a de conceder 13º aos beneficiários do Bolsa Família e de aumentar o salário mínimo para R$ 600.
O presidente Lula, que tem repetido críticas às promessas do candidato tucano, valeu-se de um discurso em Curitiba para acusar a campanha tucana de inventar cretinices contra a candidata petista. “Vocês viram os ataques de que ela foi vítima. A impressão que eu tinha era que eu estava sendo atacado, porque em 89, os mesmo diziam de mim: não vota no Lula porque tem uma bandeira vermelha, porque a bandeira tem uma estrela, porque ele tem barba, é comunista. As mesmas cretinices eles falaram da Dilma agora”.
Sem citar o nome do tucano José Serra, Lula o acusou de desrespeitar a candidata. “O cara que não respeita uma campanha política, uma mulher que está disputando com ele, como é que ia respeitar cada um de nós, como ia fazer com cada um de nós, se fosse eleito?”, questionou.
Segundo o presidente, os adversários evitaram criticá-lo porque ele tem alta aprovação nas pesquisas de opinião. “Só tem 3% de ruim e péssimo. E esses 3% devem estar no comitê do Serra”, brincou Lula provocando risos do público.
ANIVERSÁRIO
O comício da campanha petista tornou-se uma festa de comemoração do aniversário de Lula, que hoje completa 65 anos. Dezenas de pessoas subiram ao palanque com balões vermelhos em formato de estrelas para homenagear o presidente. Crianças cantaram o antigo jingle petista "Lula-lá" seguido de um "Parabéns a Você". Emocionado, o presidente recebeu presentes, abraçou e beijou as crianças.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Manifesto de Católicos e Evangélicos
Do VioMundo
“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”
do Fala Povo
Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!
Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:
1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.
A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).
2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:
3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.
4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).
5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.
6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.
7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.
Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:
DO BLOGUEIRO> para ver as pessoas que assinam, acesse o link do VioMundo. São mais de uma centena de religiosos e religiosas.
“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”
do Fala Povo
Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!
Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:
1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.
A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).
2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:
3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.
4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).
5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.
6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.
7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.
Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:
DO BLOGUEIRO> para ver as pessoas que assinam, acesse o link do VioMundo. São mais de uma centena de religiosos e religiosas.
sábado, 9 de outubro de 2010
Manifesto Campanha DILMA
A coligação de partidos que apoia as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) à presidência lançou nesta quinta-feira (7) o manifesto Com Dilma no Segundo Turno´- Para o Brasil Seguir Mudando.
O documento destaca a grande vitória de Dilma / Temer e dos partidos da coligação no primeiro turno.
"Dilma Rousseff e Michel Temer obtiveram mais de 47 milhões de votos, patamar semelhante aos de Lula nos primeiros turnos das eleições de 2002 e 2006. Os Partidos que integram a coligação vitoriosa elegeram 11 governadores e disputam o segundo turno em 10 outros estados", diz um trecho do manifesto.
No manifesto, os partidos afirmam que o que está em jogo nesta eleição é o confronto entre dois projetos distintos: "De um lado, o Brasil do passado, da paralisia econômica, do gigantesco endividamento interno, mas também da dívida externa e da submissão ao FMI. O Brasil que quase foi à falência nas crises mundiais de 95, 97 e 98".
E conclama a militância de todos partidos da coligação para tomar as ruas e garantir a vitória de Dilma / Temer no segundo turno:
"Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e no campo a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios", finaliza o documento.
Clique aqui para ler a íntegra do Manifesto
Assista também na TVPT a entrevista coletiva do presidente do PT, José Eduardo Dutra, sobre o assunto.
O documento destaca a grande vitória de Dilma / Temer e dos partidos da coligação no primeiro turno.
"Dilma Rousseff e Michel Temer obtiveram mais de 47 milhões de votos, patamar semelhante aos de Lula nos primeiros turnos das eleições de 2002 e 2006. Os Partidos que integram a coligação vitoriosa elegeram 11 governadores e disputam o segundo turno em 10 outros estados", diz um trecho do manifesto.
No manifesto, os partidos afirmam que o que está em jogo nesta eleição é o confronto entre dois projetos distintos: "De um lado, o Brasil do passado, da paralisia econômica, do gigantesco endividamento interno, mas também da dívida externa e da submissão ao FMI. O Brasil que quase foi à falência nas crises mundiais de 95, 97 e 98".
E conclama a militância de todos partidos da coligação para tomar as ruas e garantir a vitória de Dilma / Temer no segundo turno:
"Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e no campo a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios", finaliza o documento.
Clique aqui para ler a íntegra do Manifesto
Assista também na TVPT a entrevista coletiva do presidente do PT, José Eduardo Dutra, sobre o assunto.
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