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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wikileaks e o Tucano Perdedor

Brasília Confidencial No 406

O governo federal conseguiu aprovar no Congresso, no dia 2 deste mês, o novo marco regulatório da exploração de petróleo na camada de pré-sal mas as multinacionais norte-americanas do setor eram contrárias à mudança. E uma delas, a Chevron, recebeu em 2009, do então pré-candidato José Serra (PSDB), a promessa de que, caso eleito em 2010, modificaria as normas agora aprovadas. É o que está em telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch).

A revelação remete à campanha eleitoral. Os riscos que a Petrobrás sofreria e a ameaça sobre a riqueza do pré-sal sob um eventual governo do PSDB foi tecla insistentemente batida pela candidata Dilma Rousseff (PT), afirmações que Serra sempre negou.

“Nós mudaremos de volta” “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron. É o que relata telegrama citado pelo jornal Folha de S. Paulo que tem acesso antecipado, no Brasil, às informações vazadas através do WikiLeaks. Na época, Serra liderava as pesquisas de opinião e era, por muitos, considerado o provável futuro presidente.

“Vocês vão e voltam”

Conforme o jornal, o despacho mostra a frustração das petroleiras com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro. O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu: “Vocês vão e voltam”. A representante da Chevron relatou a conversa com o tucano ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio de Janeiro.

Ouvido pelo diário paulistano, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa mesmo o retorno ao modelo passado. Biasoto foi o responsável pela área de energia do programa de Serra. Na sua avaliação, o modelo de agora “impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras”. Ele acrescentou que essa era a opinião de Serra.

Mais vantagem
O monopólio da Petrobras acabou em 1997, durante o governo do também tucano Fernando Henrique Cardoso. Assim, a exploração das jazidas passou a seguir o modelo de concessão. Ou seja, a empresa vitoriosa na licitação tornava-se dona do petróleo a ser explorado. Em troca, pagava royalties ao governo. Quando os grandes campos de petróleo do pré-sal foram encontrados, o governo brasileiro, já no período Lula, alterou a proposta. As megajazidas passam a ser licitadas através de partilha e quem vencer terá de obrigatoriamente dividir o petróleo encontrado com a União. Uma situação mais vantajosa para o Brasil que passa a contar com a Petrobras na condição de operadora exclusiva dos campos e terá, pelo menos, 30% de participação nos consórcios com as demais empresas.

sábado, 20 de novembro de 2010

LULA - Navio e Prêmio

Brasília Confidencial No 386

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou os ex-presidentes brasileiros em seu discurso na cerimônia de lançamento ao mar do navio Sérgio Buarque de Holanda, em Niterói, nesta sexta-feira (19). “Tem muita gente que passou pela Presidência que fica se perguntando: como é que um peão conseguiu fazer mais do que eu? Como é que um peão conseguiu fazer muito mais?”, indagou o presidente.

O início do pronunciamento de Lula foi marcado por um tom nostálgico. “É a minha última visita a um estaleiro enquanto estiver na Presidência, até o dia 31 de dezembro. É minha última visita, meu último navio a ser colocado no mar”, disse. Ao fazer um balanço do governo, Lula declarou: “deixo a Presidência da República com a consciência tranquila de que eu não fiz tudo que precisava ser feito mas, certamente, eu fiz mais do que muita gente imaginava que eu ia fazer”. Em seguida, o presidente ressaltou o apoio dos trabalhadores brasileiros durante todo o mandato. “Sei que nos momentos difíceis que eu passei na Presidência da República, foi a peãozada deste país que teve coragem de gritar: “se mexer com o Lula, mexeu comigo”.

O presidente falou sobre a escolha do nome dos navios e lembrou que Sérgio Buarque de Holanda é um dos fundadores do PT: “Para minha alegria, ele é fundador do meu partido. Assinou a ata de fundação no Colégio Sion, lá em São Paulo, em 1980”. E lembrou outro homenageado da mesma forma. “Demos o nome de outro navio para Celso Furtado, pai de todos os economistas deste País”.

Prêmio Indira Gandhi para a Paz

Lula foi escolhido para receber o Prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento para 2010, concedido pelo governo da Índia. Seu nome foi indicado por um júri internacional presidido pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

A decisão foi anunciada em comunicado oficial do governo indiano, no qual Lula é elogiado pela “excepcional” contribuição aos programas que se destinam a acabar com a fome e promover o desenvolvimento do Brasil. O prêmio inclui um valor em dinheiro e a publicação das iniciativas do agraciado. Por meio de sua assessoria, o presidente informou que se dispõe a ir à Índia depois de deixar o cargo no dia 1º de janeiro quando transmitirá o poder à presidenta eleita, Dilma Rousseff. Já conquistaram a premiação, desde 1986, entre outros, o ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan e o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev.