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domingo, 5 de dezembro de 2010

EUA Ameaçam Comentários Sobre Wikileaks

Do Luis Nassif

Por Edson Joanni


O Depto. de Estado rasgou de vez a primeira emenda. Agora são os estudantes que se veem ameaçados caso divulguem ou comentem arquivos do Wikileaks em e-mails, facebook ou outras redes sociais:
democracynow.org
The U.S. State Department has imposed an order barring employees from reading the leaked WikiLeaks cables. State Department staffers have been told not to read cables because they were classified and subject to security clearances. The State Department’s WikiLeaks censorship has even been extended to university students. An email to students at Columbia University’s School of International and Public Affairs says: "The documents released during the past few months through Wikileaks are still considered classified documents. [The State Department] recommends that you DO NOT post links to these documents nor make comments on social media sites such as Facebook or through Twitter. Engaging in these activities would call into question your ability to deal with confidential information, which is part of most positions with the federal government."
 TRADUÇÃO VIA GOOGLE TRADUTOR (meus filhos que me perdoem...rs...):
O Departamento de Estado dos EUA impôs uma ordem que proibe os funcionários de ler os vazamentos da WikiLeaks. Funcionários do Departamento de Estado tem sido orientados a não ler as informações porque elas foram classificadas e estão sujeitas a aprovações de segurança. Censura do Departamento de Estado foi estendido para estudantes universitários. Um e-mail para os alunos da Escola da Universidade de Columbia de Assuntos Internacionais e Públicos diz: "Os documentos divulgados durante os últimos meses através Wikileaks ainda são considerados documentos classificados. [O Departamento de Estado] recomenda que você  não poste esses documentos, nem faça comentários. em sites de mídia social como o Facebook ou no Twitter. Participar destas atividades  põem em xeque a sua capacidade de lidar com informações confidenciais, que fazem parte da maioria dos cargos do governo federal. "

Se alguém puder melhorar a tradução agradeço, mas parece que a ameaça está clara.....

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Fiasco Tucano - Vazamento era Crime Comum

Brasília Confidencial No 338

Adeildados Santos, funcionária do Serpro cedida à Receita Federal, foi indiciada ontem pela Polícia Federal, por corrupção passiva.

Durante depoimento de cinco horas, Adeilda confessou que ela e outros funcionários vendiam dados de contribuintes. A servidora disse que sua motivação era exclusivamente financeira.

Do computador dela foram acessadas informações de pessoas ligadas ao PSDB.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Silêncio Gritante

Do Blog do Miro

Reproduzo artigo de Leandro Fortes, publicado no blog "Brasília, eu Vi":

Desde o fim de semana passado, tenho recebido uma dezena de e-mails por dia que, invariavelmente, me perguntam sobre a razão de ninguém repercutir, na chamada “grande imprensa”, a matéria da CartaCapital sobre a monumental quebra de sigilo bancário promovida, em 2001, pela empresa Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal).

Juntas, as Verônicas quebraram o sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, sob os auspícios do Banco Central. Nada foi feito, desde então, para se apurar esse fato gravíssimo, apesar de o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), ter oficiado o BC a respeito. Nada, nenhuma providência. Impunidade total.

Temer, atualmente, é candidato da vice na chapa da petista Dilma Rousseff, candidata do mesmo governo que, nos últimos dias, mobilizou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para investigar uma outra denúncia, feita contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, publicada na revista Veja no mesmíssimo dia em que a Carta trazia a incrível história das Verônicas e a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

Justíssima a preocupação do governo em responder à denúncia da Veja, até porque faz parte da rotina do Planalto fazer isso toda semana, desde 1º de janeiro de 2003. É quase um vício, por assim dizer. Mas por que não se moveu uma palha para se investigar as responsabilidades sobre, provavelmente, a maior quebra de sigilo do mundo ocorrida, vejam vocês, no Brasil de FHC? Que a mídia hegemônica não repercuta o caso é, para nós, da Carta, uma piada velha.

Os muitos amigos que tenho em diversos veículos de comunicação Brasil afora me contam, entre constrangidos e divertidos, que é, simplesmente, proibido citar o nome da revista em qualquer um dos noticiários, assim como levantar a possibilidade, nas reuniões de pauta, de se repercutir quaisquer notícias publicadas no semanário do incontrolável Mino Carta. Então, vivemos essa situação surreal em que as matérias da CartaCapital têm enorme repercussão na internet e na blogosfera – onde a velha mídia, por sinal, é tratada como uma entidade golpista –, mas inexistem como notícias repercutíveis, definitivamente (e felizmente) excluídas do roteirinho Veja na sexta, Jornal Nacional no sábado e o resto de domingo a domingo, como se faz agora no caso de Erenice Guerra e a propina de 5 milhões de reais que, desaparecida do noticiário, pela impossibilidade de ser provada, transmutou-se num escândalo tardio de nepotismo.

Enquanto o governo mete-se em mais uma guerra de informações com a Veja e seus veículos co-irmãos, nem uma palha foi mexida para se averiguar a história das Verônicas S. e D., metidas que estão numa cabeludíssima denúncia de quebra de sigilo bancário, justamente quando uma delas, a filha de Serra, posava de vítima de quebra de sigilo fiscal por funcionários da Receita acusados de estar a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal, nem a CGU, nem Banco Central tomaram qualquer providência a respeito. Nenhum líder governista no Congresso deu as caras para convocar os suspeitos de terem facilitado a vida das Verônicas – os tucanos Pedro Malan e Armínio Fraga, por exemplo. Nada, nada.

Então, quando me perguntam o porquê de não haver repercussão das matérias da CartaCapital na velha mídia, eu respondo com facilidade: é proibido. Ponto final. Agora, se me perguntarem por que o governo, aliás, sistematicamente acusado de ter na Carta um veículo de apoio servil, não faz nada para apurar a história da quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, eu digo: não faço a menor ideia.

Talvez fosse melhor vocês mandarem e-mails para o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a CGU e o Banco Central.

DO BLOGUEIRO> tenho a opinião de que na verdade o governo ainda está aguardando o término das eleições para se manifestar a respeito. Apesar de que a PF não precisaria aguardar, aparentemente a opção é estritamente política de não ir para o confronto. Como diz o autor do texto e que entendo como órgãos não vinculados diretamente com o governo, poderiam tomar a atitude de investigar. Mas ainda não o fizeram. Quero crer - e devemos cobrar - que isso se dará após as eleições. Se é a melhor tática, vamos aguardar. Por enquanto tem dado certo.

sábado, 11 de setembro de 2010

Quem Espiona Quem Mesmo???

Do Luis Nassif


 
Por Webster Franklin
 
 
Carta Capital: filha de Serra expôs sigilo de milhões de pessoas
A revista CartaCapital que está nas bancas nesta semana traz reportagem de Leandro Fortes que vai colocar em apuros o tucano José Serra. Segundo a reportagem, baseada em documentos oficiais, por 15 dias no ano de 2001, no governo FHC/Serra a empresa Decidir.com abriu o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros. A Decidir.com é o resultado da sociedade, em Miami, da filha de Serra, Verônica Serra,  com a irmã de Daniel Dantas. Veja abaixo a reportagem de CartaCapital.

Extinta empresa de Verônica Serra expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros obtidos em acordo questionável com o governo FHC
 
30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.
 
Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.
 
Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.
Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

Fonte: CartaCapital

Folhona: Cai a Máscara.

Brasília Confidencial No 333

O filme “A Vila” não é lá grande coisa, mas seu cenário é cheio de metáforas: um lugarejo de onde ninguém  ousa sair por medo de monstros que habitariam a floresta que o cerca. Alguém disse que os monstros  existem, mas eles nunca foram vistos e ninguém tem coragem de procurar a verdade.
 
Há exatos três meses, em 12 de junho, o maior jornal do país publicou uma notícia que, embora não citasse nenhuma fonte, era taxativa: um “grupo de inteligência” do comitê eleitoral de Dilma Rousseff usara dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, na montagem de um dossiê contra José Serra. Descobriu-se depois que outros sigilos teriam sido quebrados – da filha de Serra, do genro dele, de mais  dois tucanos de alta plumagem – e ficou estabelecido a partir daí, como fato incontestável, que todos os  dados acabaram fazendo parte do mesmo dossiê.
 
Assim como as feras da floresta de “A Vila”, os monstros que habitariam o submundo da campanha de Dilma nunca foram vistos em ação. Não há provas de que algum crime tenha sido cometido. Não há sequer indícios de que alguma ação clandestina tenha sido praticada. E praticamente ninguém teve coragem de  procurar a verdade.
 
Até que…
 
A própria Folha de S. Paulo, autora da denúncia, publicou ontem, sexta-feira, uma notícia que desmente, uma por uma, suas acusações.
 
Depois de 90 dias em que tratou todas as contestações de Dilma e do PT com arrogância, a Folha confessa, em texto sem assinatura, produzido pela sucursal de Brasília: o comitê de Dilma não produziu um dossiê; apenas teve acesso a um dossiê feito pelo PT de São Paulo há cinco anos. Trata-se, na verdade, de uma  papelada de cem páginas escrita pelo partido para solicitar que o Ministério Público e a Procuradoria da República investigassem possíveis irregularidades em privatizações tucanas, que poderiam ter beneficiado José Serra, sua filha e seu genro.
 
A Folha informa que o material que teria sido produzido pelo suposto “grupo de inteligência” da campanha de Dilma “é idêntico ao que o partido havia encaminhado cinco anos antes ao MP”. O jornal ainda confessa que as cem páginas produzidas pelo PT paulista resultam “de pesquisa em cartórios de registros de  documentos, na Junta Comercial de São Paulo e em sites na internet”. E mais: reconhece que “não há nesse  lote de papéis indício de quebra de sigilo bancário ou fiscal”.
 
Não há monstros na floresta. Apenas mentira e medo para assustar os moradores da vila.
 
A Folha não se retrata. Limita-se a noticiar “naturalmente” que mentiu. Durante 90 dias todos os grandes jornais e revistas adotaram as acusações da Folha como postulado e ponto de partida para a cobertura dos  vazamentos de dados da Receita. Nos últimos 20 dias, praticamente não se falou em outra coisa, inclusive no Jornal Nacional, que tem dedicado blocos inteiros ao assunto.
 
Alguém vai pagar por isso?
 
No momento, quem paga é o eleitor, privado de informações isentas da imprensa.
 
No dia 3 de outubro, a conta pode ser jogada na mesa da oposição. E a vila toda poderá, enfim, passear livremente na floresta. Sem medo.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não Foi Só a Filha Dele. E agora???

Do Brizola Neto

Já mostramos aqui que essa história de acesso a dados da Receita infelizmente não é nova, que Serra já a conhecia desde o ano passado, antes do início do processo eleitoral, e que sua declarada indignação não passa de oportunismo.

A coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, na Veja, informa hoje que nada menos que sete CPFs diferentes com o nome de Fábio Luiz da Silva foram consultados no terminal da funcionária do escritório da Receita Federal, em Mauá, de onde foram acessados dados fiscais de milhares de brasileiros.

Fábio Luiz da Silva é o nome de um dos filhos do presidente Lula. Pode ser também um homônimo, assim como Eduardo Jorge, do PSDB, tem muitos homônimos. Mas essa possibilidade jamais é admitida pelos tucanos, que se agarram ao fato como última esperança antes do naufrágio.

A cada dia que passa fica mais claro que essa quebra de sigilos fiscais é um crime comum, sem nenhum caráter político, que precisa ser esclarecido e punido. Até para evitar explorações eleitorais sem vergonha como a que Serra e os tucanos insistem em fazer.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Até a Cureau!!!

Brasília Confidencial No 331

Não há nenhuma prova de que o vazamento de dados sigilosos, em agências da Receita Federal, teve motivação política. E também não há qualquer prova de que o Partido dos Trabalhadores ou o comando da campanha de Dilma Rousseff tenha pedido a quebra de sigilo fiscal de qualquer pessoa.
 
Essas afirmações foram feitas ontem pela vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, indicando que  não pretende propor ação no Tribunal Superior Eleitoral por causa do vazamento de dados sigilosos da  Receita Federal envolvendo tucanos.
 
"Para mim, toda a dificuldade é justamente comprovar se houve motivação eleitoral nesse vazamento, que  também ainda não está devidamente comprovado, uma vez que essas informações ainda não foram usadas  por nenhum partido ou nenhuma coligação na propaganda eleitoral. Como é que a gente vai demonstrar que essas pessoas agiram a mando da candidata ou a mando do  comando de campanha, se não foi usado? Até o momento não há prova de que foi pedido pelo PT. Até agora, a única prova é que o cidadão (que pediu a quebra do sigilo da filha de José Serra, Verônica) era filiado ao PT”, afirmou a vice-procuradora-geral.
 
Cureau chegou a dizer que a coligação liderada pelo presidenciável tucano José Serra, que "se diz atingida"  pelos vazamentos, deveria ter agido mais cedo, já que alega saber das quebras de sigilo desde antes do  início formal da campanha.
 
Ontem, o candidato tucano e o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, protestaram contra o que teria sido o vazamento de dados sigilosos do genro de Serra, empresário Alexandre Bourgeois, na  agência da Receita em Mauá (SP). A Receita negou a quebra de sigilo e esclareceu que houve acesso aos  dados cadastrais dele e de mais de 2.600 contribuintes.
 
 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mais Provas do Uso Eleitoral

Para quem ainda nutre esperanças de que todo o estardalhaço criado pelo candidato tucano a respeito do vazamento de sigilos a partir da receita federal é algo novo e repugnante, três posts de hoje mostram que isso já vem sendo denunciado enquanto crime organizado no país desde 2000, quando o presidente era o Sr. FHC. 


O primeiro post do Óleo do Diabo vai falar daquela época e dos mais de 17 milhões de brasileiros que foram vítimas da tal quadrilha. Leiam:

Respire fundo, amigo. Com essa, a bala de prata disparada por Serra contra sua adversária se torna lançamento de bolinha de papel. Após as declarações bombásticas de agentes políticos e editoriais histéricos falando de ameaça ao Estado de Direito, eis que o blog Tijolaço teve a idéia genial de pesquisar notícias (nem tão) antigas e descobriu que o maior vazamento de dados fiscais de contribuintes aconteceu em 2000, ou seja, durante o governo FHC. A polícia civil de SP (a PF na época estava ocupada queimando maconha no Jornal Nacional) desbaratou, na época, um esquema que lograra violar o sigilo de mais de 17 milhões de brasileiros.

Reproduzo abaixo post do Brizola Neto:
Violado sigilo fiscal de FHC! Em 2000…



Por sugestão de um comentarista, foi possível lembrar que há dez anos atrás, vazaram da Receita Federal os dados do Imposto de Renda de Fernando Henrique Cardoso, Sílvio Santos, Gugu Liberato e dados cadastrais de “apenas” 17 milhões de brasileiros.

Isso foi em abril de 2000. O presidente (o presidente “é o responsável pela bandidagem”, disse há dias o Estadão sobre o caso da atual quebra de sigilo) era um certo senhor chamado Fernando Henrique Cardoso, atualmente em viagem ao exterior e que se apresenta apenas nos seus artigos de jornal, onde pede ao Ministério Público que casse a candidatura de Dilma Rousseff.

Os dados eram vendidos em disquete, pela quantia de R$ 6 mil e a desfaçatez era tanta que chegavam a anunciar em classificados de jornal.

Não me recordo de o assunto ter ido parar nas manchetes de todos os jornais. Não me lembro de uma indignação da grande mídia, dos colunistas advertindo que a democracia estava ameaçada. Não registro a revolta de Serra e de outros “graúdos” da política com o vazamento. Era um caso de polícia e como caso de polícia foi tratado.

Mas as matérias da Época e a da Folha de 2000 estão aí, recordadas e disponíveis para os “lasserras” de ocasião olharem e se cobrirem de vergonha.

Tolice minha: como hão de se cobrir com o que não têm?

O segundo vem com informações sobre um requerimento do Deputado Arnaldo Faria de Sá, datado de 2009, que solicita uma audiência pública com os responsáveis da receita por conta de vazamentos de várias autoridades, inclusive do Presidente Lula. Veja o requerimento aqui no blog do Nassif.


Ainda sobre os vazamentos de 2009, uma série de reportagens foram feitas pelo SBT mostrando os esquemas das quadrilhas especializadas nessas informações. Na época da reportagem o então governador de São Paulo, José Serra, já sabia do vazamento de dados de seus familiares e foi entrevistado pela reportagem do SBT. Vejam aqui a tranquilidade com que ele fala sobre o assunto.


É de impressionar!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mineiro Fala Sobre Vazamento

Rede Brasil Atual


São Paulo - O analista Gilberto Souza Amarante, da Delegacia da Receita Federal de Formiga (MG), afirmou nesta segunda-feira (6) que acessou por engano os dados cadastrais do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Ele disse ao portal G1 que procurava outra pessoa com o mesmo nome no sistema do órgão. Amarante negou ter tido acesso às declarações de imposto de renda do tucano e disse que a parte do sistema à qual tem acesso só permite obter dados cadastrais, como nome, endereço, telefone e data de nascimento.

“A hipótese mais plausível, a única que explica o fato é estar tentando acessar o cadastro de um outro Eduardo Jorge, o que pode ter me levado a entrar nos dados cadastrais do [vice] presidente [executivo] do PSDB. Só tomei conhecimento desse senhor nos últimos dias. Não sabia nem quem era Eduardo Jorge. É um nome muito comum. Se fosse um político mais conhecido e com um nome menos comum, eu iria notar”, disse.

Segundo Amarante, ocorreu um único acesso ao cadastro, com 41 segundos de duração, durante horário de expediente da Delegacia da Receita Federal de Formiga em abril do ano passado. Ele negou ter efetuado dez consultas aos dados do político, conforme informou no domingo (5) reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. "Até se perceber que não é aquela pessoa, é necessário mudar algumas páginas. E, a cada mudança de tela, o sistema conta como uma consulta. Isso poderia explicar as dez vezes", declarou.

Amarante é funcionário da Receita Federal há 17 anos. Ele negou que seja militante de qualquer partido político. Segundo ele, em 2001, quando chegou à cidade de Arcos, no interior mineiro, foi convidado a  participar de reuniões do PT local e se filiou ao partido, mas nunca foi militante.

Investigações

O corregedor-geral da Receita, Antônio Carlos Costa D'Ávila, confirmou que os dados do vice-presidente do PSDB foram acessados, mas não na agência de Formigas. Ele acrescentou que a investigação sobre os vazamentos em Mauá, em São Paulo, concluiu que 2.949 contribuintes tiveram seus dados acessados naquela cidade entre 1º de agosto de 2009 e dezembro do mesmo ano.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, declarou nesta segunda-feira que o presidente Lula determinou que as investigações sobre o caso tenham prioridade. "Ele [presidente Lula] considera que isso não pode de forma alguma ficar aberto para ser utilizado pela oposição ao presidente Lula para o palanque eleitoral", disse. Padilha rebateu ainda as declarações do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, de que o PT tem a violação de dados no DNA. “O PT tem 30 anos de idade, todo mundo sabe qual é o DNA do PT."