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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brilhante Entrevista No Jô Soares

Do Blog do Miro

Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães, publicado no Blog da Cidadania:

Não pode passar batida a entrevista que o ex-assessor de imprensa e amigo do presidente Lula, o jornalista Ricardo Kotscho, concedeu ao programa do apresentador Jô Soares, na tevê Globo, na madrugada desta quarta-feira (08/12).

Que eu saiba, foi a primeira vez que alguém conseguiu dizer, na sede da imprensa conservadora de direita, que ela, que acusa o atual governo de censura, foi a única, entre os dois lados, que defendeu um estado de exceção que se baseava justamente em… Censura!

No segundo bloco do programa, diante de questionamento feito pelo apresentador sobre supostas intenções deste governo de impor censura a uma mídia que se notabilizou por tentar ser mais oposicionista do que a própria oposição, Kotscho não perdoou.

Abaixo, reproduzo o diálogo entre Ricardo Kotscho e Jô Soares no programa da Globo supramencionado.

Jô Soares – O governo, parece que o governo está estudando a criação de um órgão pra controle, pra controle de conteúdo de rádio e televisão. O que você sabe dessa proposta, o que é que há de concreto e o que você acha disso?

Ricardo Kotscho – Olha, de concreto não há nada – até é bom levantar isso. Participei de um congresso, semana passada, na TV Cultura, sobre liberdade de imprensa, e estava esse negócio – o medo, o pânico, a censura, a volta da censura… Mas, quem fala isso, não viveu aquele tempo – eu vivi e eu sei como é que é…

Jô – Não, eu também e eu sei, inclusive, que é inconstitucional…

Kotscho – É impossível, hoje nós vivemos em uma democracia…

Jô – Então por que é que há essa onda, que tem até nome?

Kotscho – Então eu vou te falar: controle social da mídia, são documentos que circulam em sindicatos… Da categoria de comunicação, em congressos, simpósios, seminários… Tem gente que quer isso mesmo. Mas é uma minoria que nunca consegue…

Jô – Sempre tem gente…

Kotscho – Sempre tem, sempre tem… Desde sempre, desde o começo, quando eu trabalhava lá com ele [Lula] como secretário de imprensa. Nunca houve nenhuma medida de controle da imprensa.

Aí vão dizer assim: “Ah, mas o Estadão…”; o Estadão é uma questão do Judiciário. Todos os problemas que existirem de controle da informação são da Justiça, não tem nada a ver com o governo federal. Nem do atual governo Lula. E conheço muito bem a presidente eleita, Dilma, e não vai ter.

O Franklin Martins, nesse seminário da TV Cultura, disse, com todas as letras: “Controle social da informação é bobagem por um motivo muito simples: é inviável”. Sabe, não dá pra fazer. Quem vai controlar? Como vai controlar? Quem controla, somos todos nós. O controlamos sempre…

Jô – Dá pra controlar, não precisa nem levantar, hoje…

[apresentador faz mímica simulando uso do controle remoto]

Kotscho – Não ta gostando da nossa conversa, muda lá no controle remoto, compra outro jornal amanhã… É esse o controle que existe.

Jô – Agora, tem uma coisa, por exemplo…

Kotscho – Só uma coisa, Jô, deixa eu só complementar. Quem ta falando isso, todo dia, em manchetes, esse negócio de ameaça, na campanha eleitoral se falou… Não tem.

Eu me lembro muito bem, que eu sou dessa época, o Estadão ajudou a dar o golpe de 64. Ele fez reuniões dentro do jornal, que acabaram implantando a censura no Brasil, a ditadura que ele não gostou.

A Folha de São Paulo, você vai se lembrar disso, demitiu o Cláudio Abramo, que era um grande diretor de Redação, a pedido dos militares. Aí ninguém fala em liberdade de imprensa.

A Veja…

Jô – Mas aí havia uma ditadura… Reinando.

Kotscho – Exatamente, isso que eu quero dizer. Aí havia censura, e aí ninguém falava em liberdade de imprensa…

Jô – Por isso tão rígido a…

Kotscho – A revista Veja, a editora Abril, também não falava em liberdade de imprensa, a pedido dos militares.

Jô – Foi tão rígida, na Constituição, a medida que se tomou pra que não houvesse mais…

Kotscho – Olha, eu tenho mais de cinqüenta anos de profissão. Eu tenho um nome a zelar. Eu não vou falar pra um grande público como o teu, aqui, uma coisa que eu acho que pode estar errada. Eu tenho certeza: não houve e não haverá nenhum risco (…)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eles Estão Nervosos

Do VioMundo

A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
por Laurindo Lalo Leal Filho, em Carta Maior

O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.

O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.

Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.

Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.

Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.

Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.

Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.

Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.

Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.

As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.

Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.

Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.

Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.

Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.

Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

domingo, 24 de outubro de 2010

VEJA Não Mostra a "Prova"

Do Luis Nassif

NOTA DE PEDRO ABRAMOVAY

Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da
República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar,
elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não
participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha
eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o
áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de
trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da
suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.

Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a
construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito
orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no
Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos
Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus
pares respeito decorrente de meu trabalho.

Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé
na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da
importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de
nossa democracia.

Pedro Vieira Abramovay
Secretário Nacional de Justiça

MÃE DE JORNALISTA "PUXA SUAS ORELHAS" PELO TWITTER

Do ÓLEO DO DIABO

Antes de ler a matéria abaixo, colhida no blog do Nassif, alguns esclarecimentos. A matéria a que se refere a mãe de Diego é a capa da Veja esta semana, onde a revista traz a público uma conversa privada entre o ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr, o "Tuminha" e Pedro Abramovay, atual ocupante do cargo. Tuminha seria o "ressentido" porque, de fato, o governo o demitiu (desculpem a redundância) contra a sua vontade. Gilberto seria Gilberto Carvalho, secretário de Lula.


A bronca da mãe do Diego

Enviado por luisnassif, dom, 24/10/2010 - 09:59

Por Weden

Para rir um pouco nestes tempos tão tensos.

Kuka Escostesguy é uma leoa. Vê-se constantemente na difícil tarefa de defender seu filho Diego, que vem assinando as tão contestadas reportagens da Veja (dessa revista, geralmente, só não se contesta a data).

Nestes tempos de comunicação direta, pública e instantânea, essa tarefa é inglória. Mas que mãe se rende ao impossível para defender a cria?

Dessa vez, no entanto, ela saiu da posição de protetora para dar-lhe uma bronca. O mais curioso é fazer isso pelo twitter.

Coisas de mãe. Coisas da contemporaneidade.

_________

@diegoescosteguy. O Pedro A. e o Glberto sao pessoas sérias e corretas, nao merecem sere comparados com 1 bandido. O PSDB nao vai ganhar!

@Nem sei se a matéria é tua. Mas acreditar na palavra de um ressentido/demitido, canalha, q. agora vem à público? É forçar demais.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Veja Desmascarada Novamente

Do TUDO EM CIMA


sábado, 9 de outubro de 2010


Batemos o recorde! Nova capa da Veja é destruída 1 minuto após divulgação!

Que a revista Veja não passa de um panfleto da extrema direita tupiniquim, atualmente a serviço da campanha de José Serra, ninguém tem mais dúvida. Por isso não vou chover no molhado. Com o advento da internet e o surgimento da blogosfera progressista, as mentiras, os factóides e a hipocrisia de Veja passaram a ser desmascaradas em questão de dias, depois horas e agora... minutos!

A galera do twitter estava de olho esperando o que o pasquim dos Civita ia aprontar contra Dilma e... bingo: aborto! O objetivo é claro, mostrar que Dilma é "do mal", a favor de "matar criancinhas", além de mentirosa e incoerente.




Mas é mais um tiro no pé. Bastou Veja divulgar a capa "bombástica" que alguém pesquisou e achou outra capa da mesma revista, de setembro de 1997, que trazia uma matéria séria sobre o tema, amplamente favorável à liberação do aborto, com confissões abertas inclusive feitas por celebridades! Confira:



"NÓS FIZEMOS ABORTO"

Mulheres de três gerações enfrentam a lei, o medo
e o preconceito e revelam suas experiências

- Andréa Barros, Angélica Santa Cruz e Neuza Sanches

ELAS RESOLVERAM FALAR. Quebrando o muro de silêncio que sempre cercou o aborto, oito dezenas de mulheres procuradas por VEJA decidiram contar como aconteceu, quando, por quê. Falaram atrizes, cantoras, intelectuais mas também operárias, domésticas, donas de casa. Falaram de angústia, de culpa, de dor e de solidão. Também falaram de clínicas mal equipadas, de médicos sem escrúpulos, de enfermeiras sem preparo, de maridos e namorados ausentes. A apresentadora Hebe Camargo contou que, quando era uma jovem de 18 anos, ficou grávida do primeiro namorado e foi parar nas mãos de uma curiosa que fez a cirurgia sem anestesia nem cuidado. A atriz Aracy Balabanian, a Cassandra do Sai de Baixo, ficou grávida quando estava chegando aos 40 anos e dando fim a um longo relacionamento. Resolveu fazer o aborto, convencida de que a criança não teria um bom pai nem ela seria capaz de criá-la sozinha. Metalúrgica da Força Sindical, a mineira Nair Goulart, 45 anos, fez dois abortos nos anos 70 por motivos econômicos. Ela e o marido, também operário, ganhavam pouco, viviam num quarto de despejo e não teriam meios de educar nenhum filho.

Quando o Congresso brasileiro debate a regulamentação de uma legislação que autoriza a realização de aborto apenas em caso de estupro e de risco de vida para a mãe como está previsto no Código Penal desde 1940 , a disposição das mulheres que falaram a VEJA não é apenas oportuna, mas também corajosa. Embora o 1º Tribunal do Júri de São Paulo, o maior do país, já tenha completado mais de uma década sem condenar nenhuma mulher em função do aborto, a legislação estabelece para esses casos penas que vão de um a três anos de prisão. E a maioria delas não fez aborto pelos motivos previstos em lei, mas porque, cada uma em seu momento, cada uma com sua história pessoal, considerou as circunstâncias e concluiu que interromper a gravidez era uma saída menos dolorosa do que ter um filho que não poderia criar. (a reportagem continua neste link).



Ah, outra coisa importante: a blogosfera também desencavou uma reportagem da revista TRIP de nº 41, na qual Soninha Francine declarou que já tinha feito aborto e que era favorável à descriminalização. (link aqui).



Detalhe: Soninha, ex-esquerdista e atual neocon renascida, é uma das coordenadoras de campanha de José Serra (PSDB). Ela é cotada para ser Ministra de Serra, se ele vencesse, e atua na campanha sobretudo na internet. E é pela internet, através de emails em massa, que partidários de Serra espalham a campanha de ódio e difamação contra Dilma.

E agora, José Serra? Será que sua esposinha vai sair por aí gritando aos quatro ventos que a Hebe Camargo e Soninha gostam de "matar criancinhas"? Quem viver, verá...

DO BLOGUEIRO> Da Soninha você já tinha visto aqui.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tucanos em Crise com Movimento Gay

Do Viomundo

Indio abre crise entre o movimento gay e a campanha de Serra
do blog das eleições da revista Veja [o leitor Luis Arthur recapturou o post que, segundo ele, o blog das eleições da Veja tirou do ar]

O candidato a vice da chapa tucana, Indio da Costa, do DEM, viu-se nesta quinta-feira no centro de uma polêmica sobre os direitos dos homossexuais. O jornal carioca O DIA atribuiu ao vice de José Serra a informação de que os tucanos votarão contra o projeto de lei 122, que transforma em crime a discriminação a homossexuais. O texto da manchete – “Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays” despertou a ira das lideranças GLBT e uma enxurrada de protestos no Twitter. Em entrevista ao site de VEJA, Indio frisou que sempre defendeu os gays. “Mentira deslavada que eu quero tirar algum direito deles. Quando era secretário de administração (do Rio de Janeiro, em 2001), fui o primeiro a reconhecer a relação homossexual para fins de pensão. Sou favorável à união civil para fins de direito do casal, como em casos de morte e herança.”

Liberdade de expressão – “Não somos contra os direitos dos homossexuais, mas não somos a favor que se criminalize, como propõe o PL 122, as pessoas que têm opinião contrária a essa pratica”, resumiu Indio. O PL 122 propõe a modificação da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, o Código Penal e a Consolidação das Leis do Trabalho, definindo os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Esse conjunto de leis já pune a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

Indio diz que sua posição sobre o projeto baseia-se na defesa do direito de expressão, e que a lei contém excessos. De acordo com ele, se o texto for aprovado, “haverá liberdade de expressão só para os gays”. Para o candidato a vice, a figura do crime de injúria, previsto no Código Penal, é suficiente para punir as manifestações de preconceito contra os homossexuais. Indio não leva em conta, no entanto, que, no código, a discriminação é considerada agravante, e aumenta a pena por injúria para um prazo de um ano a três anos e multa.

Lideranças religiosas
– A preocupação de Indio com o tema está ligada à busca pelos votos de evangélicos e católicos, um dos principais objetivos das campanhas de Dilma Rousseff e José Serra no segundo turno. Nesta quarta-feira, Indio e a mulher de José Serra, Mônica Serra, se reuniram com 30 lideranças religiosas que reforçaram o pedido para que impedissem a criminalização do preconceito aos gays.

A posição do vice de Serra provocou desconforto entre os tucanos. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que a campanha de Serra não tratou desse assunto. E o blog “Diversidade Tucana”, depois de criticar a manchete de O DIA como “mais um capítulo de um jogo lamentável de criação de factóides” esclareceu que “José Serra é  o homem público que mais fez pelos LGBTs no Brasil. Estão em sua história de serviços prestados à nossa população iniciativas pioneiras, como coordenadorias municipal e estadual de diversidade sexual, ambulatório de saúde para travestis e transexuais e centros de referência de atendimento a vítimas de homofobia.”

(Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

domingo, 26 de setembro de 2010

As Revistas Semanais e as Eleições

Do Luis Nassif






 Arte/Terra Mídia duela em debate sobre democracia e liberdade
A oito dias do primeiro turno das eleições, revistas semanais brasileiras já nas bancas abordam o momento político do País de forma diametralmente opostas. O tema central deVeja e de Carta Capital é a discussão sobre a liberdade de imprensa. Mais do que isso, é a visão que cada uma tem do processo político e do conceito de democracia. Carta Capital comenta atos de nítida inspiração "conservadora" organizados e em "marcha" contra o atual governo. Veja sustenta que a liberdade e a "imprensa livre" no País estariam sob ameaça. Na quarta-feira (22), o presidente Lula disse, em entrevista exclusiva ao Terra, que a comunicação no País "é dominada por nove ou dez famílias" e que a imprensa "tem candidato", embora não diga às claras quem é ele; o candidato. Em editorial, na edição deste sábado (20), o jornal O Estado de S.Paulo trata do tema. As revistas Época e IstoÉ também.

Carta Capital lembra a Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade e outras manifestações públicas organizadas por setores "conservadores" da sociedade, entre 1963 e 1964, que resultaram na derrubada do poder do então presidente João Goulart. Com o título de capa "Eles ainda sonham com a marcha", Carta Capitaldiz que, "em desespero" diante da possível vitória da candidata petista à presidência Dilma Rousseff, a oposição "tenta evocar fantasmas do passado, alimentada pela mídia".

A revista traça um paralelo entre a Marcha com Deus pela Família e um ato "contra o autoritarismo", realizado na quarta-feira (22), saudado por uma parcela da mídia como reação indignada da "sociedade civil". No ato, que contou com a participação de militantes do PSDB e ex-ministros do governo FHC, como José Gregori e José Carlos Dias, foram feitas duras críticas ao presidente Lula e ao seu governo.

Outra reportagem da revista, assinada pelo jornalista Mino Carta, diretor de redação, fala da exigência feita pela vice-procuradora da Justiça Eleitoral, Sandra Cureau, para que Carta Capital entregasse, no prazo de cinco dias, documentação completa sobre o relacionamento publicitário da revista com o governo federal. A procuradora dizia ter recebido uma denúncia anônima. A revista chama Sandra Cureau de "a censora" e também vê sua atitude como "uma tentativa de assalto à liberdade de imprensa".

Além disso, a publicação traz como contraponto uma relação de contratos do governo de São Paulo, administrado pelo PSDB, com grandes grupos de comunicação do País, como a Editora AbrilFolha de S.PauloO Estado de S.Paulo.

Com a Editora Abril, relata Carta Capital, o governo tem compras de assinaturas das revistas Nova EscolaVeja,Guia do Estudante e Recreio. A da Nova Escola, por exemplo, é a aquisição de 220 mil, assinaturas para Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino, no valor de R$ 3.740.000,00. Já a Veja soma 5.449 assinaturas no valor de R$ 1,16 milhão.

Além da editora, os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e Editora Globo também mantém contratos com o governo, de acordo com a publicação, informa Carta Capital. Nas negociações, a Folha vendeu 5.200 assinaturas anuais para escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo com valor de R$ 2,5 milhões. O Estado de S. Paulo também vendeu 5.200 assinaturas do jornal destinadas às escolas estaduais no valor de R$ 2,5 milhões. Já a Editora Globo tem um contrato de 5.200 assinaturas para as escolas da revistaÉpoca de R$ 1,2 milhão.

Veja
Veja, em sua principal reportagem, trata do que entende serem riscos à democracia no País. Sua capa traz o título: "A liberdade sob ataque" e diz, no subtítulo, que "a revelação de evidências irrefutáveis de corrupção no Palácio do Planalto renova no presidente Lula e no seu partido o ódio à imprensa livre".

Ainda na capa, a Veja cita a Constituição brasileira que prevê a liberdade do pensamento, expressão e da informação e no texto intitulado "A imprensa ideal dos petistas" diz que o governo Lula e o PT "sacam do autoritarismo e atiram na imprensa, que acusam de ser golpista e inventar histórias", por não quererem "jornalismo nenhum".

Em outro texto, a revista repercute as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, a partir de um depoimento do ex-diretor dos Correios Marco Antônio de Oliveira. Apontado como "lobista", Oliveira diz que "a Casa Civil virou uma roubalheira(...). Esta "roubalheira", afirma Oliveira, "levou minha família à ruína". A publicação faz críticas às denúncias de lobby e aponta a relação entre um sobrinho de Marco Antônio, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil, com a família de Erenice Guerra.

IstoÉ
A revista IstoÉ aborda em sua capa "O avanço da onda vermelha". Mostra a base política que o governo deve conquistar no Congresso com a possível vitória de Dilma. O eventual governo Dilma tende a garantir "uma quase inédita maioria governista no Congresso".

A revista utiliza os dados das últimas pesquisas para mostrar que a candidata petista está à frente de José Serra, candidato do PSDB à presidência, em locais que Lula foi vencido pela oposição em 2006.

Em outra reportagem, IstoÉ denuncia, a partir de documentos em poder da Procuradoria-Geral da República, um suposto envolvimento de Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações e candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB, em desvio de R$ 169 milhões da Telebrás. Costa, de acordo com a revista, é investigado porque teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a estatal.

Época
Já a capa da revista Época traz o humorista Tiririca, candidato a deputado federal em São Paulo pelo PR. A reportagem traz indícios de que ele seja analfabeto e que, se vencer, poderá ser o deputado mais votado do País.

Na Época, a reportagem intitulada "O novo ataque de Lula à mídia" fala das últimas declarações do presidente sobre o assunto e ressalta algo que, em meio ao tiroteio, passa despercebido. Não é Época que faz a seguinte pergunta:

- A três meses do fim do seu mandato e há quase 8 anos na presidência da República, qual teria sido a ação de Lula contra algum órgão de comunicação?

Mas, é a revista Época que observa: "Apesar de todas as manobras e discursos contra a imprensa, até o momento não houve por parte do governo nenhuma medida concreta de censura ou cerceamento à liberdade de expressão."

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4698632-EI15311,00-Midia+duela+e+debate+democracia+e+liberdade.html


domingo, 19 de setembro de 2010

Entendendo o Caso Erenice

Do Luis Nassif

Vamos tentar entender um pouco desse imbroglio da velha mídia, separando fatos reais dos factoides.
Vai-se chegar a um retrato acabado do que são as alianças malucas da política brasileira, os esquemas brasilienses, de funcionários indicados por políticos, o submundo do lobby e do jornalismo local.

No episódio em pauta, o começo de tudo é o loteamento dos Correios, feito na gestão Hélio Costa no Ministério das Comunicações. Nos últimos anos, os Correios foram entregues a esquemas pesadíssimos – juntando chefes de quadrilha, esquemas de lobby no submundo brasiliense e repórteres de escândalo.

Descrevo esse jogo no capítulo «O araponga e o repórter» da série «O caso de Veja». Mostro como o escândalo do funcionário que pedia propina de R$ 3 mil, na verdade serviu para derrubar o esquema Roberto Jefferson nos Correios e permitir um esquema mais barra pesada ainda – que trabalhou valendo-se da parceria araponga-Policarpo Jr, diretor da sucursal da revista Veja, devidamente indicados pelo bicheiro Carlinhos Maracanã.

A figura-chave

A figura chave desses últimos episódios é Marco Antonio Marques de Oliveira, ex-diretor de operações dos Correios e exemplo típico da promiscuidade reinante em Brasília.

Marco Antonio foi diretor da ANAC (Agência Nacional da Aviação Civil). No dia 7 de agosto de 2007, na CPI do Apagão Aéreo, foi apontado pelo senador Demóstenes Torres como «ligado ao crime organizado», segundo matéria da Follha (clique aqui). Na mesma matéria, aparece como indicação do PMDB governista e ligado ao então governador de Minas, Aécio Neves.

Na verdade, sua ligação é com o ex-presidente Itamar Franco e com Hélio Costa – que são a mesma coisa. Na mixórdia política brasileira, apesar de estarem em partidos concorrentes em Minas, Hélio sempre foi ligado a Itamar e vice-versa. Sempre fizeram política juntos.

Não significa que compactuassem com o esquema por fora de Marco Antonio. Quando um político indica alguém para um cargo, é para facilitar negócios para aliados em cima das regras vigentes.

Demitido da ANAC, Marco Antonio é imediatamente indicado para a Diretoria de Operações dos Correios, uma decisão temerária de Hélio Costa.

Antes disso, Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, havia trabalhado por um tempo na ANAC. Lá, conheceu e fez amizade com dois rapazes, mais jovens que ele: Vinícius Castro, sobrinho de Marco Antonio, e Marcelo Moreto. Quando a mãe vai para a Casa Civil, Israel indica os dois amigos para trabalharem com ela. Imprudentemente, a sugestão é acatada.

A partir daí, os três amigos – mais Marco Antonio – passam a vender terrenos na Lua para recebimento em Marte – na feliz expressão de uma fonte. Apregoam no submundo de Brasília que teriam acesso a decisões, ao agendamento de reuniões etc.

Esse é o escândalo devidamente circunscrito: um esquema de lobby de terceira categoria, que terá que ser apurado, com as devidas punições. Em nenhum momento, nenhuma matéria – apesar de estarem envolvidos mais de duas dezenas de jornalistas – levantou o menor indício de que qualquer uma das demandas tivesse sido atendida.

A parceria lobistas-repórteres de escândalos

A velha mídia recorreu, então, a um de seus estratagemas que, por coincidência, havia descrito um pouco antes no Twitcam “Como a velha mídia atua”.

A jogada é simples. O repórter consegue alguns dados reais, em geral de menor gravidade. Em cima disso, compõe um roteiro inverossímil, com acusações gravíssimas, não comprovadas. Denomina-se a esse esquema “A técnica da mentira”, como bem descreveu o grande  Antonio Carlos Fon.

Quando começa o questionamento aos fatos graves, apresentam-se os fatos menos graves como prova. É como o pescador que pesca um lambari, chega no boteco e informa ter pescado um lambari e um dourado de 120 quilos. O pessoal pede: prova! E ele mostra o lambari para provar que não mentiu.

Aí começa o segundo tempo do jogo. O esquema dos Correios fica pesado demais, por culpa da leniência de Lula com as estripulias de Hélio Costa. Quando se dá conta, a diretoria barra pesada é demitida. Entre eles, o maior barra pesada, Marco Antonio. E pela própria Erenice. Prova maior, aliás, de que ela não compactuava com o esquema.

Provavelmente a reportagem de Veja saiu atrás de Marco Antonio para levantar escândalos dos Correios. E deve ter recorrido aos métodos policialescos que caracterizam a revista: me diga o que quero ouvir que eu o poupo de minhas denúncias.

Não se pretende levantar nada, nem denunciar esquemas pesados. Mesmo porque repórteres e lobistas são aliados de jogadas: a expectativa de transformar o dossiê em reportagem valoriza o passe do lobista; a possibilidade de atender à demanda de escândalos pela direção garante o emprego do repórter. Ambos são habitantes do mesmo mundo e beneficiários das mesmas jogadas.

Aí esse Marco Antonio, figura ilibada assim como o “consultor” da Folha condenado à prisão, passa a dizer qualquer coisa que lhe pedem. E ambos – Folha e Veja – acrescentam informações que sequer passam pelo teste da verossimilhança. Como afirmar que o dinheiro iria para Dilma ou para Erenice. E a ombudsman da Folha tem a caradura de afirmar que se fez jornalismo porque, graças ao fato de se tentar criar uma falsa denúncia contra a candidata favorita à presidência da República, a brava mídia nacional conseguiu deslindar um esquema de três lobistas pés-de-chinelo que vendiam fumaça.

Por exemplo, a informação de que o “consultor” avisou a Casa Civil de que estava sendo chantageado para que seu pleito pudesse ser aprovado pelo BNDES, antes sequer do projeto ter sido apresentado ao banco. Ou a informação de que o esquema de Israel faturou propina em cima da compra de Tamiflu – que tinha apenas um fornecedor mundial. Juntam-se lobistas desqualificados e ex-detentos condenados por golpes com publicações sem escrúpulos, e pode-se conseguir tudo. Até envolver o Santo Padre em golpes de venda de indulgência plenária para financiar a campanha de Dilma.

Conclusão final

Erenice não foi apontada como cúmplice de nenhum crime. Não há um dado objetivo sequer de que tenha compactuado com a quadrilha. O próprio fato de ter demitido Marco Antonio dos Correios é prova mais que robusta.

Mas cometeu desvios éticos, ao não analisar devidamente as sugestões do filho.

Não há nenhum dado que  comprove o atendimento de qualquer demanda por parte da Casa Civil. A tentativa de ligar o caso a Dilma Rousseff é bisonha e não convence sequer o cidadão comum, mesmo bombardeado pela mídia de maneira exaustiva.

Ficam as lições:

1. Os esquemas de aliciamento político, através da entrega de cargos a aliados, é uma ameaça à estabilidade política. Não dá mais para manter esse "pacto de governabilidade" que garantiu a tranquilidade dos governos FHC e Lula.

2. A velha mídia é sócia dos lobistas no que interessa aos dois. Não está aí para moralizar a política, mas para utilizar as jogadas dos lobistas em proveito próprio.

sábado, 18 de setembro de 2010

Erenice Guerra Fala Sobre Armação

Do Luis Nassif

Por Artur Marques

A Istoé trás excelente entrevista com Erenice Guerra. As respostas dadas passam serenidade e tranquilidade, típicas de quem não tem nada a temer, o que só reforça a sordidez da mídia nesta campanha desesperada para tentar levar a eleição para o segundo turno.

"Meus filhos vão ter que viver todos à minha custa?" Erenice Guerra admite que não tem controle sobre o trabalho do filho, diz que foi traída e se considera vítima de uma campanha

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.
ISTOÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso. Resolvi, então, parar um pouco para proceder à defesa adequada de minha honradez e de minha seriedade profissional. Entendi que era o momento de dar um basta e dizer: “Senhor presidente, agora eu preciso de paz e de tempo para que eu possa defender a mim e a minha família dessa campanha difamatória.”
ISTOÉ – Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.?
Erenice – Na minha opinião, ela está absolutamente vinculada ao momento político-eleitoral. E é impiedosa e cruel, em que pese eu ter respondido de pronto às imputações e providenciado que fosse feita investigação das denúncias administrativas pela Comissão de Ética e pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal. Isso, além de ter aberto todos os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

ISTOÉ – A sra. conhece bem o trabalho de seu filho Israel Guerra para garantir que ele é inocente?
Erenice – Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, que sai de casa antes das nove da manhã e só volta depois das nove da noite, não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter. E ele sabe a mãe que tem. Eu jamais aceitaria ou faria movimento no sentido de privilegiar alguém.

ISTOÉ – A sra. nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho Israel Guerra, que trabalhou na Anac, aparece prestando consultoria a uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), que obteve renovação de concessão na Anac e, em seguida, ganhou uma concorrência milionária nos Correios. Não é muita coincidência?
Erenice – Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente da República, porque a estatal estava num processo de declínio na prestação de serviço. Troquei o diretor de operações, o presidente e o diretor de recursos humanos. Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. Do ponto de vista da minha conduta de servidora pública, era o que deveria ser feito para o resgate da credibilidade dos Correios. Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.

ISTOÉ – A sra. se encontrou com Fábio Baracat na sua residência, na de seu filho ou em outro local?
Erenice – Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. É um rapaz bem apessoado, bem formado, conversa bem, me parece até que é mais novo que meu filho. Para mim era mais um amigo. Conheci socialmente, como outros tantos amigos que meu filho já me apresentou. Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.

ISTOÉ – Mas o fato de seu filho se relacionar, trabalhar e prestar consultoria a empresários que têm interesse em negócios com o governo não pode ser considerado tráfico de influência?
Erenice – A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? Ou as pessoas com quem ele se relaciona previamente precisam apresentar currículo para dizer o que fazem? E se essa pessoa for um empresário? Ele tem que ser, a priori, já eliminado do seu círculo de relações, pois eventualmente, no futuro, pode vir a participar de uma licitação e eu, como estava ocupando uma pasta muito ampla, teria teoricamente influência sobre qualquer área? O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?

ISTOÉ – Já houve casos em Brasília em que filhos de ministros venderam facilidades. Possuíam consultoria e escritórios e se ofereciam para abrir portas. Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome?
Erenice – O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.

ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

ISTOÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

ISTOÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição

ISTOÉ – Se eventualmente houve tráfico de influência na Casa Civil, como a sra. aventou, foi sem seu conhecimento?
Erenice – Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho? Sou uma mulher madura, vivida. Sei onde estou, o que estou fazendo.

ISTOÉ – Como a sra. está lidando com esse episódio?
Erenice – Eu diria que é só mais uma dor nesses dias tão dolorosos. Mas o importante é que se apure com rigor, independentemente de eu não estar mais lá. Tive uma conversa com o Carlos Eduardo (Esteves Lima), que ficou como ministro, sobre a necessidade de averiguar e não deixar pedra sobre pedra, porque quem me conhece sabe que não permitiria coisa parecida. Por muito menos, determinei a abertura de processos administrativos dentro da Casa Civil. É óbvio que se eu imaginasse qualquer tráfico de influência na Casa Civil teria determinado as medidas investigativas necessárias. Se não fiz, foi porque isso não me ocorreu. Agora será feito.

ISTOÉ – A sra. se sentiu em algum momento abandonada pelo governo?
Erenice – De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. O fato da quebra de sigilo se esgotou. Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.

ISTOÉ – Dilma foi solidária? Chegou a ligar?
Erenice – Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.

ISTOÉ – A sra. teve apoio do presidente?
Erenice – Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.

ISTOÉ – A sra. chama as denúncias de campanha difamatória e as atribui à oposição? Não poderia, de repente, ser fogo amigo?
Erenice – Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.

ISTOÉ – A sra. está tranquila com a investigação da CGU?
Erenice – Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica. Ninguém está brigando na Justiça para manter o sigilo. Todos nós estamos dizendo: “Os nossos sigilos estão abertos.” Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Essa postura é de alguém que se sente tranquila.

ISTOÉ – O que a sra. pretende fazer daqui para a frente?
Erenice – Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos. De minha história de vida. Eu tenho clareza e certeza de que sou uma boa profissional. Não tenho problemas de emprego, de como me sustentar ou como viver. Mas não posso perder minha credibilidade. Não posso viver sem honra. É inadmissível.

ISTOÉ – Ao fim e ao cabo das investigações, a sra. tem a convicção de que as acusações não se sustentarão? A sra. pode afirmar isso?
Erenice – Tenho absoluta certeza. Não se sustentarão. A única coisa que lamento é que eu não terei o mesmo espaço ocupado pelas denúncias para divulgar minha inocência. Mas buscarei na Justiça o direito de resposta.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Silêncio Gritante

Do Blog do Miro

Reproduzo artigo de Leandro Fortes, publicado no blog "Brasília, eu Vi":

Desde o fim de semana passado, tenho recebido uma dezena de e-mails por dia que, invariavelmente, me perguntam sobre a razão de ninguém repercutir, na chamada “grande imprensa”, a matéria da CartaCapital sobre a monumental quebra de sigilo bancário promovida, em 2001, pela empresa Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal).

Juntas, as Verônicas quebraram o sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, sob os auspícios do Banco Central. Nada foi feito, desde então, para se apurar esse fato gravíssimo, apesar de o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), ter oficiado o BC a respeito. Nada, nenhuma providência. Impunidade total.

Temer, atualmente, é candidato da vice na chapa da petista Dilma Rousseff, candidata do mesmo governo que, nos últimos dias, mobilizou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para investigar uma outra denúncia, feita contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, publicada na revista Veja no mesmíssimo dia em que a Carta trazia a incrível história das Verônicas e a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

Justíssima a preocupação do governo em responder à denúncia da Veja, até porque faz parte da rotina do Planalto fazer isso toda semana, desde 1º de janeiro de 2003. É quase um vício, por assim dizer. Mas por que não se moveu uma palha para se investigar as responsabilidades sobre, provavelmente, a maior quebra de sigilo do mundo ocorrida, vejam vocês, no Brasil de FHC? Que a mídia hegemônica não repercuta o caso é, para nós, da Carta, uma piada velha.

Os muitos amigos que tenho em diversos veículos de comunicação Brasil afora me contam, entre constrangidos e divertidos, que é, simplesmente, proibido citar o nome da revista em qualquer um dos noticiários, assim como levantar a possibilidade, nas reuniões de pauta, de se repercutir quaisquer notícias publicadas no semanário do incontrolável Mino Carta. Então, vivemos essa situação surreal em que as matérias da CartaCapital têm enorme repercussão na internet e na blogosfera – onde a velha mídia, por sinal, é tratada como uma entidade golpista –, mas inexistem como notícias repercutíveis, definitivamente (e felizmente) excluídas do roteirinho Veja na sexta, Jornal Nacional no sábado e o resto de domingo a domingo, como se faz agora no caso de Erenice Guerra e a propina de 5 milhões de reais que, desaparecida do noticiário, pela impossibilidade de ser provada, transmutou-se num escândalo tardio de nepotismo.

Enquanto o governo mete-se em mais uma guerra de informações com a Veja e seus veículos co-irmãos, nem uma palha foi mexida para se averiguar a história das Verônicas S. e D., metidas que estão numa cabeludíssima denúncia de quebra de sigilo bancário, justamente quando uma delas, a filha de Serra, posava de vítima de quebra de sigilo fiscal por funcionários da Receita acusados de estar a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal, nem a CGU, nem Banco Central tomaram qualquer providência a respeito. Nenhum líder governista no Congresso deu as caras para convocar os suspeitos de terem facilitado a vida das Verônicas – os tucanos Pedro Malan e Armínio Fraga, por exemplo. Nada, nada.

Então, quando me perguntam o porquê de não haver repercussão das matérias da CartaCapital na velha mídia, eu respondo com facilidade: é proibido. Ponto final. Agora, se me perguntarem por que o governo, aliás, sistematicamente acusado de ter na Carta um veículo de apoio servil, não faz nada para apurar a história da quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, eu digo: não faço a menor ideia.

Talvez fosse melhor vocês mandarem e-mails para o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a CGU e o Banco Central.

DO BLOGUEIRO> tenho a opinião de que na verdade o governo ainda está aguardando o término das eleições para se manifestar a respeito. Apesar de que a PF não precisaria aguardar, aparentemente a opção é estritamente política de não ir para o confronto. Como diz o autor do texto e que entendo como órgãos não vinculados diretamente com o governo, poderiam tomar a atitude de investigar. Mas ainda não o fizeram. Quero crer - e devemos cobrar - que isso se dará após as eleições. Se é a melhor tática, vamos aguardar. Por enquanto tem dado certo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Veja x Erenice - Difícil de Colar

Brasília Confidencial No 335

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, pediu ontem à Comissão de Ética Pública da Presidência da  República que investigue as acusações, veiculadas pela revista Veja, de que ela e seu filho, Israel, praticaram  tráfico de influência. Em ofício enviado à comissão, Erenice declara que ela e Israel estão dispostos a abrir os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, se necessário.
 
"Coloco-me à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários e que  possibilitem a verificação necessária, por essa Comissão de Ética, da conduta desta servidora pública", diz  um trecho do ofício.
 
Depois de se reunir com seus advogados, Erenice anunciou também a decisão de processar Veja, por  calúnia.
 
De acordo com a publicação, a ministra participou de quatro reuniões intermediadas por Israel com o  empresário Fábio Baracat, com o objetivo de fechar um contrato de prestação de serviços entre a empresa  de transporte aéreo Master Top Airlines (MTA) e os Correios. A revista afirma que o contrato entre a MTA  e os Correios totalizou R$ 84 milhões e que, com a intermediação, o filho de Erenice obteve R$ 5 milhões.
 
Informação de um assessor palaciano, difundida ontem, dá conta de que o presidente Lula chamou Erenice ao Palácio da Alvorada, no domingo à noite, e recomendou que, se as denúncias são infundadas, apresente respostas e provas "o mais rápido possível".
 
Ontem à tarde, o assessor da secretaria-executiva da Casa Civil, Vinícius de Oliveira Castro, pediu  exoneração. Citado por Veja como participante do suposto esquema para beneficiar empresas com  contratos no governo. Vinícius declarou que "repudia todas as acusações".
 
A ECT divulgou nota em que nega irregularidades. Afirma que os contratos com a MTA, para transporte aéreo de cargas, “resultam de processos licitatórios regulares e transparentes”.
 
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, determinou que a Corregedoria Geral da PF comece a analisar as denúncias de suposto tráfico de influência para verificar se é da competência da polícia investigar o caso.
 
 

domingo, 12 de setembro de 2010

Terrorismo da Midia Precisa de Resposta

Do blog do Miro

Reproduzo artigo indignado de Mauro Carrara, publicado no blog Viomundo:

Carta ao Presidente Lula e à Sra. Dilma Rousseff

Senhor presidente, senhora candidata,

Certa vez, ao perceber o limite da tolerância ultrapassado, o diplomata italiano Baldassare Castiglione pronunciou uma frase que incomodou seus colegas e o episcopado romano.

– Perdoando demasiadamente aos que cometem faltas, fazemos uma injustiça contra os que não as cometem.

Baseado nessa sentença, séculos depois, o escritor Émile Zolá escreveu no L’Aurore o célebre artigo J’accuse (Eu acuso), em que aponta os poderosos conspiradores e malfeitores que haviam destruído a reputação e a vida do capitão do exército francês Alfred Dreyfus, injustamente acusado e condenado por traição.

Em seu ácido, duro e brilhante texto, Zolá denuncia cada um dos responsáveis pela produção de falsas provas, assim como a parcela da imprensa que se empenhou em iludir o público e incitar o ódio contra o militar e seus defensores.

O escritor ergue o dedo na direção dos veículos de comunicação que se juntaram à conspiração. Vale recordar o trecho:

– Eu acuso os gabinetes de guerra de terem liderado na imprensa, particularmente no L’Éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável para distrair a opinião e encobrir seus erros.

Hoje, no Brasil, assistimos atônitos a uma série de atentados terroristas praticados pela mídia, mais especificamente pelas Organizações Globo, pela Editora Abril (sobretudo por meio da revista Veja), pela Folha de S. Paulo e pelos veículos do Grupo Estado.

Por conta de interesses eleitorais, esses veículos de comunicação converteram-se em núcleos de terrorismo organizado, servindo especialmente aos partidos neoconservadores, o PSDB, de José Serra, e o DEM.

Liderados pelo Instituto Millenium praticam diariamente atentados contra a Democracia e o Estado de Direito.

Caluniam, difamam, injuriam e praticam fraudes, sempre impunemente, sempre arrogantemente, sem que se sejam alcançados pelo braço da lei.

Infelizmente, não há policial, promotor ou magistrado que se ocupe de enquadrar essas gangues e os grupos econômicos que as sustentam.

O cidadão está só, indefeso, pois não vê qualquer reação dos tribunais regulares, da tendenciosa justiça eleitoral, tampouco do Executivo Federal.

Dessa forma, o consórcio Globo-Abril-Folha-Estado segue agredindo barbaramente não somente os bons valores e princípios, mas também todos aqueles que lutam para consolidar a democracia no Brasil.

A seleção maliciosa de temas e a edição criminosa dos textos jornalísticos têm marcado a cobertura das Eleições 2010.

O golpismo irrompe explícito em todos os conteúdos políticos publicados pelas famílias Marinho, Frias, Mesquita e Civita.

Depois da criação do factoide que envolve a Receita Federal, o “Setembro de Fogo” ganhou mais um crime da lavra do “jornalista” Diego Escosteguy, funcionário do panfleto terrorista da família Civita.

Convém lembrar que o mesmo elemento publicou em 28/01/2006 a reportagem “Caixa financia obra da Vila Panamericana sem licitação”, um peça de sabotagem política construída a partir de dados incorretos, incompletos e fantasiosos.

Diego Escosteguy e muitos de seus colegas do bando de Veja deveriam, na verdade, ocupar celas em prisões de segurança máxima, considerada a natureza destrutiva e criminosa do material contaminado que disseminam, semanalmente, para envenenar as relações sociais em nosso país.

Em seu mais recente crime, Veja e Escosteguy mentem, caluniam, difamam, adulteram fatos e agridem covardemente a Sra. Erenice Guerra, funcionária dedicada do Governo Federal, reconhecida por sua competência e reta conduta.

A “reportagem” denominada “O polvo no poder” constitui-se em inacreditável coleção de mentiras, exageros, deduções ilógicas, deturpações e invenções maliciosas, uma bomba midiática destinada a destruir reputações e estimular os setores mais reacionários da sociedade à prática de delitos que rompam a ordem institucional.

O Sr. Leonel de Moura Brizola nos ofereceu inúmeros exemplos de coragem e determinação, especialmente no que tange às ações de combate aos terroristas midiáticos do consórcio Globo-Abril-Folha-Estado.

Nós o vimos lutando bravamente, por exemplo, quando as Organizações Globo tentaram fraudar o resultado da eleição de 1982, no famoso Escândalo Pronconsult.

Cabe-vos, portanto, neste momento decisivo da vida nacional copiar esse modelo de conduta e liderar sem medo uma ação de cidadania que vise a coibir tais ações terroristas e encaminhar juridicamente o enquadramento não somente dos falsos jornalistas, mas também de seus capatazes e dos donos dos latifúndios midiáticos.

Isso requer de vossa parte um imediato J’accuse público de figuras nefastas como Ali Kamel, Eurípedes Alcântara, José Roberto Guzzo, Mario Sabino, Roberto Irineu Marinho, Ruy Mesquita e Otávio Frias Filho.

Ao nomear os mandantes e autores do terrorismo midiático, vacina-se a população brasileira contra a vírus da desinformação.

Além disso, constitui-se precedente para que todos os cidadãos prejudicados pelo consórcio midiático possam engendrar suas defesas e exigir a devida reparação.

Não existe democracia sem que o Direito e a Justiça sejam observados também no labor da informação pública.

Hoje, esse serviço de máxima importância estratégica para o país está controlado por uma malta de coronéis e bandoleiros contratados, cujos crimes têm sido vergonhosamente desconsiderados pelas autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Exige-se uma resposta imediata, vigorosa e esclarecedora. E certamente é vossa a voz que o povo ouvirá.

Veja Cava a Própria Cova!!!

Do Luis Nassif



Vamos conferir direitinho o método de reportagem do Diego Escosteguy e da Veja.

Como expliquei no Twitcam, o jogo da manipulação consiste em pegar um conjunto de informações soltas, depois compor um roteiro à vontade do freguês, uma peça de ficção mas que contenha alguns ingredientes reais.


Como fez o Diego?
  1. Levantou um contrato da Via Net Express com a Capital (do filho da Erenice) em que se fala em taxa de sucesso de 6%.
  2. Diz que, pela Via Net, quem assina é o seu dono Fábio Bacarat. Na verdade, Bacarat nada tem a ver com a empresa, a não ser oferecer serviços eventuais.
  3. Levanta matérias recentes da imprensa, sobre as ligações da MTA com a ANAC e os Correios.
  4. Ponto: tem os contratos da MTA junto aos Correios e a comissão de 6%. Cruza uma com outra e tem-se o valor da propina.
  5. Para fechar o elo, diz que Erenice «indicou» o tal coronel Quá-Quá para a ANAC. A prova: a assinatura dela na indicação. Não informa que todas as indicações para cargos públicos passam pela Casa Civil.
  6. A partir dessa soma admirável, a revista faz toda sorte de elucubrações. Fala em financiamento do esquema, em reuniões fechadas, sem celular nem caneta e o escambau.
Infelizmente a revista não disponibiliza mais o conteúdo na Internet e meu scan aqui em casa dá incompatibilidade com o Mac. Peço que um de vocês escaneie trechos do tal contrato que a revista publica na página 81.

Lá se lê:
Cláusula 2.1 – São obrigações da Contratada:
a)     Prestar serviços de consultoria e (...)
b)    Representar a Contratante junto a instituições públicas e privadas, com zelo e probidade (...)

A revista sublinha esse trecho como se fosse incriminatório. Trata-se de texto padrão de qualquer contrato de consultoria. Deveria fazer parte da formação dos chamados repórteres invesgativos conhecimento básico sobre contratos.

Agora, ao que interessa: as formas de pagamento:
Cláusula Terceira – Do Pagamento
3.1 Pela prestação dos serviços, a Contratante pagará mensalmente à Contratada o valor de R$ 24.738,00 a título de remuneração (,,,)

E o que efetivamente interessa, a tal taxa de sucesso de 6%:
3.3 Na hipótese de êxito na prestação de serviços de assessoria relacionados à obtenção de empréstimos e/ou financiamentos junto à instituições nacionais ou internacionais, públicas ou privadas, a Contratada fará jus a 6% sobre o montante auferido ao final da transação.

Não tem nem ANAC nem Correios na tal taxa de sucesso.

A revista precisava mostrar a «prova» do pagamento de 6% de propina. Mas esse percentual não vinha separado: estava em um parágrafo inteiro que não podia ser suprimido. Precisou, então, publicar o parágrafo inteiro para expor o número mágico dos 6%. Publicando, matou ela própria sua matéria.

E aí fica-se sabendo que a taxa de sucesso nada tinha a ver com a ANAC, com contratos com os Correios, com renovação de concessão. Mas apenas no caso de obter financiamentos – que, pelas declarações do Bacarat, nunca foram obtidos.

Check-up de todos os erros da matéria:

1. Apresentou um pequeno lobista de Brasilia, amigo do filho da Erenice, como dono da empresa que prestava consultoria à MTA.

2. Imputou à Erenice a indicação do coronel da ANAC, apenas devido ao fato de ela ter assinado sua nomeação - sem informar que todas as nomeações em órgãos públicos passam pela Casa Civil.

3. Colocou a taxa de sucesso de 6% no caso de obtenção de financiamentos, como se fosse referente aos contratos obtidos junto aos Correios.

4. Montou toda a encenação (das reuniões sigilosas, das conversas com Erenice sobre a propina) em cima de uma informação falsa: a de que os 6% se referiam aos contratos dos Correios e ao trabalho junto à ANAC.

sábado, 11 de setembro de 2010

Veja Traz Próxima Tentativa.

Do Luis Nassif


Por foo

Nassif,

Desculpe repetir a notícia aqui -- já mandei para o Clipping do dia, mas essa é importante.

O Reinaldo Azevedo está todo eriçado: parece que encontraram o próximo factóide, ou melhor, a próxima bala de prata. As maiúsculas são do próprio blogueiro:

A MÃE DE TODOS OS ESCÂNDALOS 1 - FILHO DE ERENICE, QUE É SOMBRA DE DILMA, COMANDA INTERMEDIAÇÃO MILIONÁRIA DE VERBA PÚBLICA. PIOR: ERENICE PARTICIPA DE REUNIÕES. COMISSÃO: 6%

"Veio à luz a mãe de todos os escândalos do governo Lula-Dilma. É muito mais grave do que o mensalão. Israel Guerra, filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra — sucessora de Dilma na pasta e seu braço-direito, como todos sabem —, montou um grupo para fazer a intermediação de verbas públicas. Ele cobra uma taxa de sucesso: 6%. É pouco? Erenice, que já andou metida em outros casos nada republicanos do governo Lula, participou de reuniões. (...)

A matéria de capa da VEJA é de estarrecer. Posts abaixo, reproduzo trechos da reportagem de Diego Escosteguy, que contou com a colaboração de Rodrigo Rangel, Daniel Pereira, Gustavo Ribeiro e Paulo Celso Pereira. Ainda que espantosos, dão uma idéia pálida do que vai na revista."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-mae-de-todos-os-escandalo...

Detalhe: a Veja está em tamanho descrédito que se viu obrigada a justificar a matéria no Editorial:

"A publicação da reportagem a vinte dias do primeiro turno das eleições fará brotar acusações de que o objetivo é prejudicar a candidata oficial, Dilma Rousseff. São especulações inevitáveis. Mas quais seriam as opções? Não publicar? Só publicar depois das eleições? Essas não são opções válidas no mundo do jornalismo responsável, a atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país."

E alguém ainda acredita?


A manifestação de Erenice Guerra


Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:

1) procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos – tanto eu quanto os meus familiares – as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;

2) sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;


3) como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, a disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;

4) lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.

Brasília, 11 de setembro de 2010.

Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não Foi Só a Filha Dele. E agora???

Do Brizola Neto

Já mostramos aqui que essa história de acesso a dados da Receita infelizmente não é nova, que Serra já a conhecia desde o ano passado, antes do início do processo eleitoral, e que sua declarada indignação não passa de oportunismo.

A coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, na Veja, informa hoje que nada menos que sete CPFs diferentes com o nome de Fábio Luiz da Silva foram consultados no terminal da funcionária do escritório da Receita Federal, em Mauá, de onde foram acessados dados fiscais de milhares de brasileiros.

Fábio Luiz da Silva é o nome de um dos filhos do presidente Lula. Pode ser também um homônimo, assim como Eduardo Jorge, do PSDB, tem muitos homônimos. Mas essa possibilidade jamais é admitida pelos tucanos, que se agarram ao fato como última esperança antes do naufrágio.

A cada dia que passa fica mais claro que essa quebra de sigilos fiscais é um crime comum, sem nenhum caráter político, que precisa ser esclarecido e punido. Até para evitar explorações eleitorais sem vergonha como a que Serra e os tucanos insistem em fazer.