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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais Nomes Para o Ministério de Dilma

Brasília Confidencial No 402

Há uma semana do prazo final – 15 de dezembro – estipulado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, para definição de todos os ministros, mais 10 nomes foram anunciados, sendo cinco do PMDB, três do PT, um do PR e um sem filiação partidária.

Entre os peemedebistas estão o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), na Previdência Social; o deputado federal Pedro Novais (PMDB-MA), no Turismo; e o ex-governador Moreira Franco (PMDB-RJ), na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Na Agricultura, Pecuária e Abastecimento, permanecerá o atual ministro Wagner Rossi (PMDB-SP).

Outros ministros do governo Lula que continuam em 2011 são os senadores Edison Lobão (PMDB-MA), nas Minas e Energia, e Alfredo Nascimento (PR-AM) nos Transportes. O atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), assumirá a pasta das Comunicações.

Três mulheres

Além deles, Dilma confirmou mais três mulheres como ministras: a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) assumirá a Secretaria Especial de Direitos Humanos; a senadora e relatora do Orçamento 2011 Ideli Salvatti (PT-SC) ficou com o ministério da Pesca e Aquicultura; e a jornalista Helena Chagas, ex-diretora de jornalismo da EBC e assessora de imprensa da campanha, chefiará a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Até esta quarta-feira, já haviam sido confirmados no ministério de Dilma 16 titulares. Antonio Palocci (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), José Eduardo Cardozo (Justiça), Miriam Belchior (Planejamento), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) e Alexandre Tombini (Banco Central) já haviam sido oficializados.

Jobim anuncia continuidade

Embora não tenha sido oficialmente anunciado ontem, Nelson Jobim declarou que permanecerá ministro. Jobim disse ter aceitado convite de Dilma para continuar na Defesa. “Tem certas coisas que você não pode deixar de aceitar", comentou.

Na reunião que teve com Dilma, Jobim entregou um plano preliminar para os projetos da pasta. "Disse a ela que tínhamos iniciado, na segunda parte da minha gestão, a consolidação, que é a aplicação ao longo de 20 anos do plano de adequação das Forças Armadas". Jobim entraria na “cota pessoal” da presidente, conforme o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP).

Há vários nomes para os ministérios pendentes de decisão. Entre eles, os da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para permanecer no cargo; o do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia; o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel para o Ministério do Desenvolvimento; e o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota, para o Ministério de Relações Exteriores.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Folhona Não Muda

Do Cloaca News


No último dia 10 de novembro, a advogada gaúcha Márcia Westphalen teve sua nomeação para o cargo Especial de Transição Governamental publicada no Diário Oficial da União. Na tarde daquele mesmo dia, Márcia recebe telefonema do repórter Breno Costa, do auto-denominado jornal Folha de S.Paulo. “Ele queria saber se eu havia trabalhado como cabeleireira, pois havia feito uma busca no Google, com meu nome, e encontrou essa informação”. O jornalista quis saber, também, como ela havia sido nomeada e qual seria o seu cargo.
 
Eis o relato de Márcia Westphalen: “Pacientemente, expliquei que havia trabalhado em um salão durante um período curto, que não chegava a cinco meses, em uma época de crise financeira, mas que aquela nunca foi minha atividade principal. Disse que era formada em Direito pela PUC-RS, que tinha inscrição na OAB,  que falava quatro idiomas, e que no período em que trabalhei no salão eu me ocupava mais com produção para desfiles, marcas e modelos do que com atendimento direto a pessoas físicas. Falei que havia trabalhado em diversas empresas, sempre com cargos que envolviam confiança, e que qualquer dos meu ex-empregadores poderia atestar. Contei ainda que havia morado na Inglaterra e na Argentina, sempre trabalhando. Disse que ele estava mal informado, pois no Governo de Transição não havia cargos, somente uma escala de nomeação que vai do número I ao V ou VI, não sabia bem, conforme ele poderia verificar no Diário Oficial, e que trabalharia na função de secretária executiva”.

Márcia Westphalen informou ainda que já havia trabalhado na coordenação de campanha de Dilma Rousseff, no escritório político, e que lá exercia a função de secretária/assistente do coordenador administrativo, e que, por isso, havia sido selecionada para o Governo de Transição. “Ele perguntou como eu havia entrado lá. Contei que foi por análise de currículo. Fui, pedi, fiz entrevista e fui contratada. Assim. Ele falou que só estava verificando, que eu não me preocupasse. Mas eu já tinha sentido a maldade...”

Segue o relato: “Logo depois, começo a telefonar para meus contatos, pois me ocorrera o seguinte: como ele tinha o número do meu celular de Porto Alegre, sendo que eu trabalhava aqui na Transição, que tem Assessoria de Imprensa e tudo?
Descubro que ele havia ligado para o XXXXXX, meu último empregador antes da campanha, uma produtora, fazendo-se passar por amigo meu, dizendo que sentia saudades de mim e pedindo o meu celular. O pessoal de lá, sempre ocupado, diz que não tem em mãos o meu número, mas que passaria o telefone da XXXXXX, que era minha amiga e que o teria, com certeza. Descubro que ele havia telefonado para ela da mesma forma baixa e anônima. E que ele mentira novamente. Falou que morria de saudades de mim, que queria saber como andava minha vida, como eu estava aqui em Brasília, se ainda cortava cabelos... A XXXXX, pessoa de boa-fé, disse que eu estava bem, que não trabalhava mais com cabelos, que estava superfeliz aqui etc. Não sei o que mais ela falou, mas sei que caiu na lábia dele, porque até achou que era algum ex-namorado meu... Quando eu falei para ela que aquele sujeito era um jornalista da Folha de S.Paulo, e que senti a maldade dele, ela queria morrer...”

No dia seguinte, uma nova versão da vida de Márcia Westphalen aparece estampada na Folha de S.Paulo, assinada por…Breno Costa. Em poucas horas, como um rastilho de pólvora, a "notícia" abaixo já está alastrada em emissoras de rádio, portais de internet e blogs limpinhos.  


O governo vai pagar mais de R$ 6.800 para uma cabeleireira gaúcha trabalhar como secretária na equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff.
 Márcia Westphalen é uma das 13 pessoas nomeadas ontem para compor o governo de transição de Dilma Rousseff, até a posse da nova presidente.
Até 2009, ela trabalhava como cabeleireira num salão de beleza em Porto Alegre. Manteve até ontem à tarde no ar um blog sobre "cabelos, tendências e dicas de visual". O blog saiu do ar após a Folha entrar em contato com o governo de transição.
No blog, se apresentava dizendo já ter morado em "vários países" e trabalhado "em salões de diversos estilos". Afirmava ainda que, "por ideologia, não faço alisamento, escovas progressivas ou qualquer outro processo agressivo".
Segundo o governo de transição, Westphalen é formada em direito e foi selecionada por análise de currículo pela campanha de Dilma, quando passou a atuar, de acordo com a assessoria, como secretária trilíngue.
À Folha Westphalen informou outra função. Também disse que foi selecionada por análise de currículo, mas que trabalhou na área de "apoio de produção", auxiliando na organização de eventos da campanha de Dilma.
Sobre seu papel no governo de transição, disse que ainda não sabia qual seria sua função, mas negou que fosse trabalhar como cabeleireira.

Para saber quem republicou, acriticamente, a patifaria do desmunhecado funcionário de Otávio Frias Filho, clique aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui.

Para visitar o Talking Hair – novo blog de Márcia Westphalen – e conhecer a repercussão que o episódio teve na chamada imprensa gaúcha, clique aqui. 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nelson Jobim Informante dos EUA?

Do Escrevinhador

por Leandro Fortes, no “Brasília, eu vi”

Uma informação incrível, revelada graças às inconfidências do Wikileaks, circula ainda impunemente pela equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, costumava almoçar com o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel para falar mal da diplomacia brasileira e passar informes variados. Para agradar o interlocutor e se mostrar como aliado preferencial dentro do governo Lula, Jobim, ministro de Estado, menosprezava o Itamaraty, apresentado como cidadela antiamericana, e denunciava um colega de governo, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, como militante antiyankee. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, divulgado pelo Wikileaks, Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para “criar problemas” na relação entre os dois países.

Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa , um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.

Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.

Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.

No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.

Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.

Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.

Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.

Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.

De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.

sábado, 27 de novembro de 2010

Novo Governo em Formação

Brasília Confidencial No 391

Um dos coordenadores da campanha petista para a presidência, o deputado Antonio Palocci Filho (PTSP) deverá assumir a Casa Civil no governo Dilma Rousseff. Ele teria sido convidado pela presidente eleita na quarta-feira e aceitado o convite. O “sim” ocorreu após conversa de Palocci com Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se confirmada a indicação, quatro anos depois de ser alijado da pasta da Fazenda, ainda durante o primeiro mandato de Lula, Palocci retornará ao palco político ocupando um ministério de primeira grandeza.

Na ocasião, Palocci teve que deixar o governo desgastado por conta da escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Porém, em 2009, ele foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na Casa Civil, uma das atribuições de Palocci será cuidar da articulação política e dos contatos com governadores e prefeitos.

Do Luis Nassif

Por Edson Joanni

Dilma mantém Marco Aurélio Garcia e reedita política com América do Sul

A presidente eleita Dilma Rousseff decidiu manter o assessor especial internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, no mesmo cargo que ocupa hoje.

A manutenção de Garcia na cozinha do Planalto é um forte sinal da continuidade da política de boa vizinhança do Brasil com os países vizinhos, como a Venezuela, que rendeu muitas críticas à política externa do presidente Lula. A própria Dilma, embora não tenha explicitado como pretende conduzir a política externa brasileira, já manifestou apoio ao Mercosul e foi celebrada pelo venezuelano Hugo Chávez.

Será uma reedição da dobradinha Garcia-Itamaraty, que o governo considera que deu certo na administração da política externa sob Lula.
 
Mas a ajuda de Marco Aurélio a Dilma não se restringe à política externa. Garcia, que foi um dos coordenadores da campanha da petista, ajudará a presidente eleita também na relação com o PT. Itamaraty. Para o Itamaraty, no entanto, o nome que vai suceder a Celso Amorim ainda não está definido. O mais cotado é Antônio Patriota, atual secretário-geral da pasta. Apesar do desejo do atual chanceler de permanecer no posto, a presidente eleita confidenciou a aliados a sua disposição de substituí-lo.

Assessores de Amorim avaliam que o chanceler não está digerindo bem a sua "aposentadoria" e estaria minando até mesmo Antônio Patriota, seu pupilo, que chegou ao segundo posto do Itamaraty pelas suas mãos.

Dilma tem uma excelente relação com Patriota, que não só a assessorou como a acompanhou em diversos tipos de eventos nos Estados Unidos.

À época em que era ministra-chefe da Casa Civil Dilma chegou a ser ciceroneada por Patriota, então embaixador em Washington, em programações culturais em Nova York, onde assistiram a concertos e visitaram exposições de artes plásticas. Nas Relações Exteriores, Patriota poderia ajudar a estreitar as relações entre os dois países, já que ficou dois anos servindo em Washington.

Apesar de o governo de transição estar pensando em nomes de mulheres capazes de compor o ministério, há uma forte reação corporativa a esta possibilidade. Os que pensam dessa forma acham que poderia ser o momento de nomear uma mulher para secretária-geral da pasta a fim de prepará-la para, no futuro, assumir a chancelaria. Há quem aposte que, neste momento, poderiam ser escolhidas diplomatas conceituadas e experientes como Vera Machado, atual subsecretária-geral de política do Itamaraty, que já foi embaixadora no Vaticano e na Índia. Circula também o nome de Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil na missão da ONU, que representou o Brasil na votação contra as sanções da ONU ao Irã, mas que é vista como mais "instável" e teria relutado até em aceitar o posto na ONU. Outra opção é Vera Pedrosa que, apesar de já ter se aposentado, tem bom trânsito com a esquerda. Ela foi subsecretária-geral de política, assim como Patriota antes de ir para Washington.

No Palácio, já foi escolhido o novo chefe do cerimonial de Dilma. Será Renato Mosca, que já serviu no Planalto em vários governos e conhece a fundo o funcionamento do setor.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DILMA - Emoção na Reunião do PT

PT Nacional

Na abertura da reunião do Diretório Nacional do PT nesta sexta-feira (19), em Brasília, a presidenta eleita Dilma Rousseff se emocionou e também provocou emoção nos presentes ao fazer um agradecimento à militância petista. Dilma chorou ao relembrar que em todas cidades em que chegava, já no aeroporto ela sempre via "primeiro uma bandeira, uma camiseta, mas, sobretudo, a solidariedade dos militantes".

"É para este partido que apresento a minha gratidão e o meu reconhecimento", disse ela, emocinada. Ela afirmou que durante toda a campanha eleitoral ela viu um "partido vivo, atuante e combativo em todo o país" que contribuiu decisivamente para construir a vitória na disputa.

Dilma afirmou que dependerá do apoio, da maturidade e da compreensão do PT para construir o consenso político em torno do projeto nacional iniciado pelo governo Lula, juntamente com a coligação de partidos que irá governar o paísa partir de 1º de janeiro.

De acordo com ela, a herança bendita do presidente Lula colocará para o novo governo um grande desafio. "As nossas conquistas não podem se repetir, sob pena de não honrarmos o nosso compromisso de transformar este país. Devemos ir em frente e aprofundar o que conquistamos", enfatizou ela.

Dilma também conclamou  militantes e dirigentes petistas a criar um clima de unidade nacional e reafirmou o seu desejo de governar para aqueles que apoiaram o seu nome e também para os que não apoiaram. Para ela, "se disputa na eleição e constroi-se a unidade no ato de governar".

A presidenta eleita deixou claro o seu otimismo para com o Brasil. "Sem sombra de dúvidas, nas próximas décadas temos o grande desafio de transformar este país, com justiça social que implica na erradicação da miséria e onde os 186 milhões de brasileiros possam ser integrados às riquezas que iremos produzir", disse.

Assista a fala de Dilma Rousseff pela TVPT:

Vídeo 1

Vídeo 2

Mantega Continuará na Fazenda

Eband


Ontem, em um encontro que durou cerca de duas horas e meia na Granja do Torto, Dilma, Mantega e o chefe de Gabinte do presidente Lula, Gilberto Carvalho, discutiram os detalhes para garantir a permanência do atual ministro no cargo e os demais nomes que irão compor a futura equipe econômica da petista.

A decisão de manter Guido Mantega no posto foi tomada após uma conversa entre Dilma e o presidente Lula, na noite de terça-feira. No encontro, Lula teria convencido a presidente eleita a manter o ministro e não trocá-lo por Luciano Coutinho, que hoje preside o BNDES, e sempre foi apontado como um dos nomes preferidos pela petista para assumir a Fazenda.

Apesar do convite e do sim de Mantega, a confirmação de seu nome não deve ser anunciada agora. Dilma quer apresentar a equipe econômica de uma vez, o que evitaria especulações no mercado financeiro.

A data para divulgação dos nomes ainda depende de uma segunda manutenção de cargo, agora a de Henrique Meireles no BC (Banco Central). Assim como Mantega, Dilma Rousseff pretendia substituir o presidente do BC, mas foi convencida novamente por Lula a não mexer, pelo menos por enquanto, no posto.

Novo ministério Ainda na tarde de ontem, o presidente do PT e coordenador da equipe de transição de Dilma, José Eduardo Dutra, informou que apenas um novo ministério será criado pelo novo governo. Segundo Dutra, será a pasta da Micro e Pequena Empresa, prometida durante a campanha.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E Agora Folhona? O que Farás?

Do VioMundo

Superior Tribunal Militar acata pedido do jornal e libera acesso ao arquivo. Quais serão as consequências da divulgação das informações agora? por Celso Marcondes, em CartaCapital




“STM libera processo da ditadura contra Dilma”: essa é manchete de capa da edição desta quarta-feira 17 do jornal Folha de S.Paulo. A matéria principal ocupa quase toda a página 4 e na abertura já comemora: “advogada da Folha diz que resultado é vitória ‘de toda a sociedade’ ”.

Essa “vitória” que o jornal encampa em nosso nome começou a ser organizada em setembro deste ano, quando a Folha protocolou mandado de segurança no Superior Tribunal Militar. Na ocasião, ela argumentou que era direito de todos os brasileiros saber o histórico da candidata antes que as urnas presidenciais fossem abertas.

No STM, o julgamento foi suspenso duas vezes, mas a Folha não se fez de rogada, em 19 de outubro apelou para o Supremo Tribunal Federal, na esperança de que ele determinasse a abertura dos arquivos antes da realização do segundo turno. Relatora do caso, a ministra Cármem Lúcia, devolveu o caso ao STM, que só agora, por 10 votos contra 1, liberou o acesso do ávido jornal paulistano ao processo.

Na próxima semana será publicada a ata da sessão e a partir daí os repórteres da Folha poderão se deliciar com a leitura de tudo o que os ditadores e seus funcionários escreveram sobre nossa presidenta eleita quando ela tinha cerca de 20 anos.

Até aqui, o que, em síntese, todos sabem, é que Dilma Rousseff combateu a ditadura militar desde muito jovem. Militou numa organização guerrilheira chamada Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares, ficou presa por mais de dois anos, foi torturada barbaramente e depois de libertada retomou sua vida no Rio Grande do Sul.

Do meu ponto de vista, é o suficiente, não preciso saber mais. Fico satisfeito em ter conhecimento que, mesmo usando de métodos que nunca aprovei, ela teve a coragem de combater os terroristas que tomaram de assalto o governo e o Estado brasileiro em 1964. Eram eles, como se sabe, militares, apoiados e sustentados por civis, entre os quais muitos empresários, inclusive da área de comunicação.

No entanto, para muita gente conhecer este resumo daquela fase da vida de Dilma não bastou. Desde o momento em que ela foi cogitada como candidata do presidente Lula, a internet foi dominada por uma onda de mensagens que questionavam o currículo militante da candidata. Taxada de cara como “terrorista” até uma ficha falsa foi montada, a descrever os atentados, sequestros e assaltos a banco nos quais ela teria se metido.

A mesma Folha, na época, foi o único jornal que embarcou na história da suposta ficha e a publicou em primeira página, com os devidos comentários desairosos. Sem ouvir antes a acusada. Revoltada, Dilma reagiu, pediu direito de resposta, o jornal foi obrigado a lhe dar espaço e a recuar na denúncia, reconhecendo que não tinha atestado a autenticidade da peça montada não se sabe aonde, o que se constituiu num dos episódios mais vergonhosos da história recente do jornal.

Porém, seus proprietários não pararam por aí e durante toda a campanha eleitoral colocaram jornalistas para investigar este período de sua vida. Não faltaram entrevistas com ex-companheiros de militância, nem com ex-militares ou carcereiros que teriam tido contato com Dilma nos anos 70. O que se buscava então era, digamos, algo mais concreto no currículo da militante: teria participado de algum sequestro ou assalto? Atirado ou matado alguém? Delatado companheiros? Em nenhum momento, porém, qualquer jornalista, depois de muitas entrevistas e pesquisas em outros arquivos que existem pelo País, conseguiu qualquer prova de participações ou atos da jovem de 20 anos em eventos semelhantes.

O que imaginavam os que pretendiam “conhecer melhor a história” da candidata era que, se acusada concretamente de participação numa ação violenta, haveria material de combustão suficiente para abalar sua campanha eleitoral. Numa sociedade pronta para ser comovida por campanhas conservadoras incentivadas por parte da grande mídia, é fácil imaginar a repercussão que teria uma manchete do tipo “Dilma participou de assalto que ocasionou morte de inocente”.

Esta manchete – ou similares – nunca chegou à televisão ou aos grandes jornais, embora tenha frequentado à exaustão a internet. Durante a campanha de José Serra, porém, cansamos de assistir a insinuação: “no meu currículo não há manchas, nem zonas obscuras”, ele dizia sempre, a deixar claro que o candidato “do bem” não tinha nada a esconder, mas a “do mal” deveria ter.

Às vésperas da realização do segundo turno, a liminar da Folha de S.Paulo endereçada ao STF gerou uma onda de rumores nas campanhas. Esperava-se que uma “grande novidade” vinda da abertura do processo causasse comoção suficiente para abalar a trajetória da candidata rumo à vitória nas urnas. A sabedoria da ministra Cármem Lúcia, porém, tirou do Supremo a responsabilidade pela decisão e inviabilizou o final da história antes do pleito.

Dentro de alguns dias o caso terá seu desfecho. Todo o Brasil saberá o que está escrito na ficha real de Dilma Vana Rousseff guardada no cofre militar até aqui.

Saberemos finalmente se a presidenta eleita – não diplomada ainda -, no auge dos seus 20 anos, participou ou não de assaltos, sequestros e atentados. Conheceremos também como foi seu comportamento nas masmorras.

Estará tudo lá, escrito, bonitinho, preto no branco, apenas marcado pela ação do tempo. Com carimbos, assinaturas, rubricas e protocolos. Também pareceres, fotos, recortes de jornais, talvez. Tudo com as devidas chancelas de Humberto de Alencar Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.

Os jornalistas da Folha devorarão avidamente as informações do processo e nos brindarão com um resumo delas. Outros órgãos de imprensa, como já fizeram no dia de hoje com a decisão do STM, repercutirão tudo.

Aí então, uma parte dos brasileiros dirá: nada me toca, continuo a admirar a coragem que a presidenta tinha aos seus 20 anos. Se ela de fato participou de algum ato violento, seus algozes já a fizeram pagar por isso. Mesmo assim, não reconheço nenhuma credibilidade nos arquivos infectos e nos processos manchados de sangue dos generais que escreveram o pior momento da nossa história. E credibilidade é matéria prima da
imprensa.

Porém, haverá quem vá dizer: não avisamos? Vocês elegeram uma terrorista.

O efeito que este debate irá causar ninguém sabe medir. È fato, porém, que a Folha comemora hoje a “vitória de toda a sociedade”. Enquanto ela comemora, muitos arquivos e processos continuam fechados. E torturadores e seus mandantes caminham impunes por nossas ruas. Ou morrem de velhice.


* Celso Marcondes é jornalista, editor do site de CartaCapital e diretor de Planejamento da revistal.

Do Luis Nassif

De Esther
No Tortura Nunca Mais, no capítulo sobre torturas, tem trechos de denúncias retirados dos autos dos processos que andaram pelo STM. Existem três citações do depoimento da Dilma à Justiça Militar, onde ela relata que foi submetida à tortura – e também ameaçada por um de seus torturadores, um dia antes de sua audiência no STM.

Esse relato é a única coisa que vale no inquérito da Dilma, já que ela declara que os depoimentos assinados no DOI-CODI e no DOPS foram sob coação. E, como são a única coisa que valem de fato, a Folha não precisaria nem ir atrás dos autos: bastaria consultar a pesquisa do Tortura Nunca Mais, disponível na Internet, e colher os trechos onde ela afirma ter sido coagida física e psiquicamente pelas autoridades policiais. ,,
 
A pesquisa do Brasil: Tortura nunca mais foi feita pela Arquidiocese de São Paulo, com base nos processos que passaram pelo STM. Pode ser consultado no seguinte endereço: http://www.dhnet.org.br/memoria/nuncamais/index.htm.

DO BLOGUEIRO> O mais revoltante nessa história toda é que a folhona tentará a todo custo fazer com que as pessoas acreditem nos militares que provocaram os anos mais nefastos de nossa história. E o pior: terão aqueles que acreditarão....


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Serra e o Salário Mínimo - Cinismo

Do Blog do Miro

Reproduzo artigo de Brizola Neto, publicado no blog Tijolaço:

Chegaria a ser cômico, se não fosse ridícula, a articulação do núcleo serrista para tentar criar um problema para o Governo Dilma Rousseff, com a apresentação da proposta de elevação do salário mínimo para R$ 600.

Claro e óbvio que um salário de 600 reais não é muito e muito menos injusto para os trabalhadores. Ao contrário, é pouco, considerando a defasagem que o salário mínimo acumulou ao longo de décadas. E inclua-se aí, nesta temporada de perdas, o período de uma década – considerando o período final de Itamar e os oito anos de Fernando Henrique – em que o tucanato esteve no Governo.

Mas a proposta tucana é como Serra, tão falsa como uma nota de R$3. Uma promessa que, se fosse eleito, trataria logo de revogar, com o apoio entusiástico da mídia, sob o argumento de que recebera uma “herança maldita” do Governo Lula.

Temos, mal ou bem, uma regra acordada de reajustes salariais: inflação mais variação do PIB no penúltimo ano do reajuste. Claro que, diante da crise – que zerou o crescimento do PIB em 2008 – e do forte crescimento da economia em 2009, podemos ter mais do que o reajuste que, segundo aquela regra, ficaria na faixa de 5%, como previsto no Orçamento.

A própria presidente eleita acenou que vai negociar esta adequação, sem prejuízo da regra que, mantida, garante um reajuste bem mais significativo em 2011, – 7,5% do PIB de 2010 mais uma inflação projetada em torno de 4%. As centrais sindicais propõem R$ 580 e tudo caminharia para um acordo razoável e responsável.

Mas o tucanato serrista, apesar da derrota nas urnas, se sente à vontade para repetir a demagogia que empunharam na campanha eleitoral e repetir a cantilena de levar o mínimo, de uma tacada só, para R$ 600, o que representaria um rejuste de quase 20%.

Ora, é simples saber se há sinceridade na proposta. Os governadores tucanos de São Paulo e Minas aceitam dar um reajuste de 20% para seus servidores? Alckmin e Anastasia podem fazer isso? As prefeituras tucanas podem arcar com isso? Se os servidores paulistas pedirem – aliás, por que não podem, se os seus governantes o defendem? – um aumento destes índices, vão ser recebidos com cafezinho ou com cassetetes e bombas de gás?

A verdade é que os tucanos, que históricamente se “lixam” para a pobreza deste país, não visam uma progressão constante, segura e imune ao arbítrio dos governantes para a recuperação dos salários. Querem o tumulto e o desgaste político.

É por isso que venho repetindo aqui: estamos caminhando para um “racha” nas forças de oposição. Não há dúvidas de que uma parte dos que se alinharem, ao menos formal e aparentemente, em torno da candidatura Serra não vai partir – não de início, ao menos – para este processo irresponsável.

A outra parte? Bem, como eu disse aqui, logo poderemos ver um trocadilho a mais: Serra é do DEM.

sábado, 30 de outubro de 2010

A Avaliação do Debate de Ontem

Do Luis Nassif

Alguns pontos que levam a campanha de Dilma a acreditar que ela venceu amplamente o debate na Gobo.

Os grupos de análise qualitativa montadas pela campanha (pessoas indecisas no voto que vão avaliando minuto a minuto o debate) constatou:

1. O debate começou equilibrado, mas a cada bloco crescia a aprovação de Dilma. Em todos eles, era vista como ponderada e com conteúdo. Serra era avaliado como mais experiente (no sentido de desenvoltura no debate), mas que usava a malícia para não responder as perguntas. Foi visto como sem conteúdo e falso.

2. Dois dos melhores momentos de Dilma foi quando respondeu sobre Amazônia e sobre pequenas e médias empresas. Também foi bem avaliada quando respondeu sobre segurança.

A melhor prova da vitória de Dilma, segundo esses assessores, foi no final do debate. Quando Serra terminou de falar houve aplausos calorosos. Seus analistas interpretaram como aprovação de sua fala. Os de Dilma, como aplausos gerais para o debate em si.

Mas, terminado o debate, os 80 brasileiros convocados pela Globo avançaram em direção a Dilma, pedindo autógrafos e fotos ao seu lado. O segundo mais assediado por William Bonner. Serra teria sido meio deixado de lado.

O entusiasmo com Dilma foi tão grande que Ali Kamel precisou fazer um apelo para que esvaziassem o local, para o Jornal da Globo poder ir ao ar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dilma e a Erradicação da Miséria

Brasília Confidencial No 373

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, apresentou quarta feira o que chama de “13 compromissos para o desenvolvimento social”. Dilma apontou a erradicação da miséria como principal meta de seu eventual governo e, ao mesmo tempo, como a grande diferença entre o projeto liderado pelo presidente Lula, que ela pretende continuar, e o projeto representado por seu adversário José Serra.

“Para nós, a questão social não é adereço de mão. É o cerne do nosso programa de governo. Essa é uma diferença histórica entre nós e o adversário. Não existe como conceber o desenvolvimento sem olhar como grande indicador a melhora nas condições de vida da população. Não é no PIB que olhamos se o Brasil melhorou ou não. É importante que a economia cresça, mas o indicador principal é se melhoramos as condições de vida das pessoas”, discursou.

Os compromissos assumidos por Dilma para o desenvolvimento social são:

> Eliminar a pobreza absoluta

> Ampliar o papel do programa Bolsa Família na erradicação da pobreza e da desigualdade de renda

> Ampliar o acesso dos beneficiários do Bolsa Família a outras políticas públicas

>  Garantir os direitos sociais e aumentar a oferta de serviços do Sistema Único de Assistência Social

>  Consolidar o Sistema Único de Assistência Social (SUAS)

>  Garantir o direito à proteção social para famílias em situação de vulnerabilidade social, aprimorando os serviços e garantindo a sua efetividade e a consequente melhoria das condições de vida da população

>  Implementar e consolidar serviços regionais inseridos no Sistemas Públicos Nacionais, ampliando o acesso da população em todos os municípios, incluindo a área rural e as comunidades tradicionais

>  Ampliar a oferta e melhorar a qualidade dos programas de alimentação e nutrição

>  Ampliar e fortalecer as estratégias de aquisição de alimentos da agricultura familiar

>  Assegurar o acesso à água potável a todas as famílias em situação de pobreza que vivem dispersas na zona rural

>  Garantir às comunidades tradicionais acesso às políticas de Assistência Social e de Segurança Alimentar e Nutricional

>  Erradicar o trabalho infantil

>  Criar oportunidades de geração de renda para os segmentos em situação de vulnerabilidade

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Reações e Aniversário

Brasília Confidencial No 372

O presidente Lula, a candidata Dilma Rousseff e o deputado federal Ciro Gomes criticaram ontem, em diferentes momentos e locais, o presidenciável tucano José Serra e os aliados dele. Dilma, em discurso na cidade baiana de Vitória da Conquista, afirmou que votar em Serra é “pegar a rua do passado”. Lula, durante comício em Curitiba (PR), classificou como “cretinices” as acusações feitas a Dilma, afirmou que Serra desrespeitou a candidata e conclamou os eleitores a votarem em “pessoas que tenham caráter e compromisso”. Já o deputado Ciro Gomes atacou Serra em entrevista na capital do Piauí. “A candidatura do Serra tem essas características da violência, da traição, da rasteira, do jogo sujo, do jogo baixo. O candidato que tem a coragem de fazer uma simulação de receber uma bola de papel na cabeça a ponto de baixar em um hospital e ficar 24 horas de repouso, é um candidato que, se alcançasse poder, sabe-se lá o que seria capaz de fazer”, afirmou. “O que Serra diz pela manhã não serve para a tarde”, continuou Ciro.

Na opinião dele, somente quem acredita em "duendes" pode confiar nas promessas de José Serra, como a de conceder 13º aos beneficiários do Bolsa Família e de aumentar o salário mínimo para R$ 600.

O presidente Lula, que tem repetido críticas às promessas do candidato tucano, valeu-se de um discurso em Curitiba para acusar a campanha tucana de inventar cretinices contra a candidata petista. “Vocês viram os ataques de que ela foi vítima. A impressão que eu tinha era que eu estava sendo atacado, porque em 89, os mesmo diziam de mim: não vota no Lula porque tem uma bandeira vermelha, porque a bandeira tem uma estrela, porque ele tem barba, é comunista. As mesmas cretinices eles falaram da Dilma agora”.

Sem citar o nome do tucano José Serra, Lula o acusou de desrespeitar a candidata. “O cara que não respeita uma campanha política, uma mulher que está disputando com ele, como é que ia respeitar cada um de nós, como ia fazer com cada um de nós, se fosse eleito?”, questionou.

Segundo o presidente, os adversários evitaram criticá-lo porque ele tem alta aprovação nas pesquisas de opinião. “Só tem 3% de ruim e péssimo. E esses 3% devem estar no comitê do Serra”, brincou Lula provocando risos do público.

ANIVERSÁRIO
O comício da campanha petista tornou-se uma festa de comemoração do aniversário de Lula, que hoje completa 65 anos. Dezenas de pessoas subiram ao palanque com balões vermelhos em formato de estrelas para homenagear o presidente. Crianças cantaram o antigo jingle petista "Lula-lá" seguido de um "Parabéns a Você". Emocionado, o presidente recebeu presentes, abraçou e beijou as crianças.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

DILMA e os 13 Compromissos

Brasília Confidencial No 371

A presidenciável Dilma Rousseff divulgou ontem "Os 13 compromissos programáticos para debate na sociedade brasileira" – as diretrizes do programa de governo acordadas entre os partidos que apoiam sua candidatura.

"São os compromissos da construção da nossa governabilidade, porque refletem a força política dos 11 partidos que se expressa em mais de 50 senadores e mais de 350 deputados”.

Os compromissos assumidos pela candidata são:

1 - Expandir e fortalecer a democracia política, econômica e social.

2- Crescer mais, com expansão do emprego e da renda, com equilíbrio macroeconômico, sem vulnerabilidade externa e desigualdades regionais.

3 - Dar seguimento a um projeto nacional de desenvolvimento que assegure grande e sustentável transformação produtiva do Brasil.

4 - Defender o meio ambiente e garantir um desenvolvimento sustentável.

5 - Erradicar a pobreza absoluta e prosseguir reduzindo as desigualdades. Promover a igualdade, com garantia de futuro para os setores discriminados na sociedade.

6 - O Governo Dilma será de todos os brasileiros e brasileiras e dará atenção especial aos trabalhadores.

7 - Garantir educação para a igualdade social, a cidadania e o desenvolvimento.

8 - Transformar o Brasil em potência científica e tecnológica.

9 - Universalizar a saúde e garantir a qualidade do atendimento do SUS.

10 - Prover as cidades de habitação, saneamento, transporte e vida digna e segura para os brasileiros.

11 - Valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação.

12 - Garantir a segurança dos cidadãos e combater o crime organizado.

13 - Defender a soberania nacional. Por uma presença ativa e altiva do Brasil no mundo.

Debate na Record - O Mais Agressivo

Brasília Confidencial No 371

No mais agressivo debate que já travaram ao vivo diante das câmeras, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra trocaram acusações e ironias por quase duas horas, à noite passada, na TV Record.

O clima tenso foi marcado pela discussão de temas como a execução do Programa de Aceleração do Crescimento, o ProUni, o Bolsa Família, o MST, a privatização e as denúncias de envolvimento de assessores de Dilma e de Serra em desvios de conduta e de dinheiro.

A discussão começou pelo PAC. Dilma perguntou a Serra quais obras ele propunha para o Nordeste. Em vez de responder, o tucano voltou a classificar o PAC como “uma lista de obras”, afirmou que o Governo Lula mal iniciou obras como a rodovia Transnordestina e disse também que as refinarias no Nordeste não saíram do papel.

Dilma rebateu dizendo que Serra “gosta de enrolar” e que “lista de obras era o Avança Brasil” - programa anunciado e parcialmente executado no Governo Fernando Henrique Cardoso.

PETROBRAS
Serra voltou dizer que a adversária o acusa injustamente de querer privatizar a Petrobras. Afirmou que o Conselho de Administração da estatal, presidido por Dilma, entregou concessão de exploração de petróleo a 108 empresas nacionais e estrangeiras. E repetiu que pretende reestatizar e fortalecer a Petrobras.

“Acho estranho que Serra negue que quer privatizar a Petrobras, enquanto pessoas do PSDB” criticam o governo por ter substituído o regime de concessões pelo regime de partilha do petróleo do pré-sal.

ASSESSORES
Ao falar sobre o programa de banda larga, Serra trouxe à tona as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, que depôs ontem na Superintendência da Polícia Federal.

Dilma reagiu dizendo que, ao contrário do que faz o PSDB, o governo federal está investigando as acusações. Ela acusou os tucanos de encobrirem Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, que teria fugido com R$ 4 milhões supostamente arrecadados para a campanha de Serra.

"Hoje a Erenice depôs, mas o Paulo Preto não só não depõe, como te ameaça. A diferença de um governo para outro é que malfeitos acontecem, mas a atitude é que importa. Tem gente que investiga e pune, e tem gente que acoberta e que além disso considera a pessoa competente e séria”, disparou Dilma em alusão a elogios anteriores de Serra a seu ex-assessor.

MST
Tema ausente dos embates entre Dilma e Serra na televisão, o comportamento do MST voltou à pauta ontem. Serra cobrou de Dilma uma posição sobre o MST acusando-a de já ter se declarado contra e a favor do movimento. Dilma respondeu que no Governo Lula houve mais assentamentos, mais diálogo, mais assistência aos sem terra e menos invasões de propriedades do que no Governo FHC.

"Não tratamos nenhum movimento social com cassetete, nem com repressão", disse Dilma destacando que não aceita episódios como o de Eldorado dos Carajás, quando sem-terra morreram em um confronto com a polícia, em 1996, durante o primeiro mandato de Fernando Henrique.

"Tenho uma clareza: o MST é uma coisa, nós somos outra. Sempre deixamos claro que éramos contra as invasões e depredações de prédios públicos".

Jingle Novo da Dilma - A História Contada e Cantada

Hoje quero começar minhas postagens com a publicação de um novo jingle da campanha da Dilma, que resgata a antiga e bela música LULALÁ.....

Além da beleza garantida pelo arranjo de Wagner Tiso, o processo histórico que ela traz para todos nós em dois minutos é arrepiantemente delicioso - pelo menos para mim foi.

Então, vejam aqui esse vídeo maravilhoso com o jingle e imagens dessa história que certamente terá um dos seus maiores desafios no domingo e que tenho certeza superaremos com o povo brasileiro.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dilma e as Reportagens de Última Hora

DILMA13

“Repudio terminantemente as acusações sem provas”

23.10.2010

A candidata Dilma Rousseff disse hoje que repudia terminantemente acusações sem provas, feitas na véspera das eleições, contra ela e sua campanha. A mais recente tentativa foi divulgada pela revista Veja, que publicou um susposto diálogo de um secretário do Ministério da Justiça, que teria falado de pressões para produção de informações contra os adversários do governo Lula.

Assista aqui a íntegra da entrevista coletiva.

“Eu nego terminantemente esse tipo de conversa na véspera da eleição. Gostaria muito que houvesse da parte de quem acusou a comprovação. É muito fácil vir na última semana da eleição e fazer acusação desse tipo sem nenhuma prova. Eu acho extremamente grave utilizar desses métodos na reta final. Repudio esse tipo de acusação absolutamente sem prova à minha pessoa”, disse.

Dilma fez questão de deixar clara que os adversários acusam sem provas sua campanha pela elaboração de dossiês e quebra de sigilos fiscais. Mas, segundo ela, o caso do jornalista Amaury Ribeiro Jr aponta, na verdade, para uma guerra interna na campanha do PSDB, entre José Serra e Aécio Neves. A Polícia Federal já afirmou que não há vínculo da campanha de Dilma com essa disputa. Clique aqui para entender o caso de Amaury Ribeiro Jr.

“O único vínculo mesmo [dessas acusações] é um processo de quebra de sigilo ocorrido entre setembro e outubro [de 2009] quando não tinha campanha e nem pré-campanha. O depoimento do Amaury aponta um conflito dentro da campanha dos tucanos como origem desse documento [o suposto dossiê]. Querer transportar para mim essa responsabilidade é muito sério. Saiu publicado, no auge do tema quebra de sigilo, uma declaração do editor do Estado de Minas, dizendo o seguinte: ´de fato tivemos um processo de uma reportagem investigativa e se investigou´. Se é [uma briga entre Aécio e Serra] eu não sei. Não cabe a mim investigar isso”, explicou Dilma, hoje em Carapicuíba (SP).

Paz

Diante dessa clima de acusações, Dilma pediu novamente à militância de façam campanha sem violência e que usem o amor e a tolerância ao pedir votos.

“Faço um apelo para que gente crie mais esse ambiente de confraternização com o eleitor, mais do que esse ambiente que cria desavenças, episódios desagradáveis. Espero que daqui para frente a gente não tenha clima de ódio, ou clima que desperte aquilo que não é adequado quando se trata da cultura do povo brasileiro. Não é adequado instigar desavença, criar a calunia. É muito possível um ambiente de paz”, disse.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cinco Ondas Contra Dilma

Do Escrevinhador

por Rodrigo Vianna


O jornalista Tony Chastinet é um especialista em desvendar ações criminosas. Sejam elas cometidas por traficantes, assaltantes de banco, bandidos de farda ou gangues do colarinho branco. Foi o Tony que ajudou a mostrar os caminhos da calúnia contra Dilma, como você pode ler aqui.

O Tony é também um estudioso de inteligência e contra-inteligência militar. E ele detectou, na atual campanha eleitoral, o uso de técnicas típicas de estrategistas militares: desde setembro, temos visto ações massivas com o objetivo de disseminar “falsa informação”, “desinformação” e criar “decepção” e “dúvida” em relação a Dilma. São conceitos típicos dessa área militar, mas usados também em batalhas políticas ou corporativas – como podemos ler, por exemplo, nesse site.

Na atual campanha, nada disso é feito às claras, até porque tiraria parte do impacto. Mas é feito às sombras, com a utilização de uma rede sofisticada, bem-treinada, instruída. Detectamos nessa campanha, desde a reta final do primeiro turno, 4 ondas de contra informação muito claras.

1) Primeira Onda – emails e ações eletrônicas: mensagens disseminadas por email ou pelas redes sociais, com informações sobre a “Dilma abortista”, “Dilma terrorista”, “Dilma contra Jesus”; foi essa técnica, associada aos sermões de padres e pastores, que garantiu o segundo turno.

2) Segunda Onda – panfletos: foi a fase iniciada na reta final do primeiro turno e retomada com toda força no segundo turno; aqueles “boatos”  disformes que chegavam pela internet, agora ganham forma; o povão acredita mais naquilo que está impresso, no papel; é informação concreta, é “verdade” a reforçar os “boatos”  de antes;

3) Terceira Onda – telemarketing: um passo a mais para dar crédito aos boatos; reparem, agora a informação chega por uma voz de verdade, é alguém de carne e osso contando pro cidadão aquilo tudo que ele já tinha “ouvido falar”.

4) Quarta Onda – pichações e faixas nas  ruas: a boataria deixa de frequentar espaços privados e cai na rua; “Cristãos não querem Dilma e PT”; “Dilma é contra Igreja”; mais um reforço na estratégia. Faixas desse tipo apareceram ontem em São Paulo, como eu contei aqui.

O PT fica, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Reparem que agora o partido tenta desarmar a onda do telemarketing. Quando conseguir, a onda provavelmente já terá mudado para as pichações.

 Há também a hipótese de todas as ondas voltarem, ao mesmo tempo, com toda força, na última semana de campanha. Tudo isso não é por acaso. Há uma estratégia, como nas ações militares.

O que preocupa é que, assim como nas guerras, os que tentam derrotar Dilma parecem não enxergar meio termo: é a vitória completa, ou nada. É tudo ou nada – pouco importando os “danos colaterais” dessas ações para nossa Democracia.

Reparem que essas ondas todas não foram capazes de destruir a candidatura de Dilma. Ao contrário, a petista parece ter recuperado força na última semana. Mas as dúvidas sobre Dilma ainda estão no ar.

Minha mulher fez uma “quali” curiosa nos últimos dias. Saiu perguntando pro taxista, pro funcionário da oficina mecânica, pro vigia da rua de baixo, pra moça da farmácia: em quem vocês vão votar? Nessa eleição, pessoas humildes- quando são indagadas por alguém de classe média sobre o assunto  -  parecem se intimidar. Uns disseram, bem baixinho: “voto na Dilma”, outros disseram “não sei ainda”. Quando minha mulher disse que ia votar na Dilma, aí as pesoas se abriram, declararam voto. Mas ainda com algum medo de serem ouvidos por outros que chamam Dilma de “terrorista”, “vagabunda”, “matadora de criancinhas”.

O que concluo: as técnicas de contra-inteligência de Serra conseguiram deixar parte do eleitorado de Dilma na defensiva. As pessoas – em São Paulo, sobretudo -têm certo medo de dizer que vão votar em Dilma.
Esse eleitorado pode ser sensível a escândalos de última hora. Não falo de Erenice, Receita Federal, Amaury – nada disso.

Tony teme que as  o desdobramento final da campanha (ou seja a “Quinta Onda”) inclua técnicas conhecidas nessa área estratégico-militar: criar fatos concretos que façam as pessoas acreditarem nos boatos espalhados antes. 

Do que estamos falando? Imaginem uma Igreja queimando no Nordeste, e panfletos de petistas espalhados pela Igreja. Imaginem um carro de uma emissora de TV ou editora quebrado por “raivosos petistas”.

Paranóia?

Não. Lembrem como agiam as forças obscuras que tentaram conter a redemocratização no Brasil no fim dos anos 70. Promoveram atentados, para jogar a culpa na esquerda, e mostrar que democracia não era possível porque os “terroristas” da esquerda estavam em ação. Às vezes, sai errado, como no RioCentro.

Por isso, vejo com extrema preocupação o que ocoreu hoje no Rio: militantes do PT e PSDB se enfrentaram numa passeta de Serra. É tudo que o que os tucanos querem na reta final: a estratégia, a lógica, leva a isso. Eles precisam de imagens espataculares de “violência”, da “Dilma perigosa”, do “PT agitador” – para coroar a campanha iniciada em agosto/setembro.

Espero que o Tony esteja errado, e que a Quinta Onda não venha. Se vier, vai estourar semana que vem: quando não haverá tempo para investigar, nem para saber de onde vieram os ataques.

Tudo isso faz ainda mais sentido depois de ler o que foi publicado aqui , pelo ”Correio do Brasil”: uma
Fundação dos EUA mostra que agentes da CIA e brasileiros cooptados pela CIA estariam atuando no Brasil – exatamente como no pré-64.

Como já disse um leitor: FHC queria fazer do Brasil um México do sul (dependente dos EUA), Serra talvez queira nos transformar em Honduras (com instituições em frangalhos).

Os indícios estão todo aí. Essa não é uma campanha só “política”. Muito mais está em jogo. Técnicas de inteligência militares estão sendo usadas. Bobagem imaginar que não sejam aprofundadas nos dez dias que sobram de campanha.

Por isso, o desespero do PSDB com as pesquisas. Ele precisa chegar à ultima semana com diferença pequena. Se abrir muito, até a elite vai desconfiar das atitudes das sombras, vai parecer apelação demais.

Por último, uma pergunta: por que o “JN” adiou o Ibope – que deveria ter sido divulgado ontem? Porque Serra estava na bancada do jornal.

A Globo não quis constranger Serra com uma pesquisa ruim? Imaginem as pressões sobre Montenegro, de ontem pra hoje? O PSDB precisa segurar a diferença em 8 pontos no máximo.Para que a estratégina de ataque final, na última semana, tenha chance de surtir efeitos.

Estejamos preparados pra tudo. E evitemos entregar à turma das sombras o que ela quer: agressões contra Serra, contra Igrejas, contra carros de reportagem.

O Brasil precisa respirar fundo e passar por esse túnel de sombras em que acampanha de Serra nos lançou.

Diretor de Hospital Detido

Brasília Confidencial No 366

O médico Celmo Felski, diretor da Fundação Sanatório São Paulo (Hospital São Paulo), de Campos do Jordão, foi detido no fim da tarde de ontem quando distribuía, numa padaria, panfletos de ataque à candidata do PT, Dilma Rousseff.

Os panfletos eram semelhantes aos apreendidos pela Polícia Federal em São Paulo, durante o fim de semana, numa gráfica que tem como sócia uma filiada ao PSDB e irmã do coordenador de infraestrutura da campanha presidencial de José Serra.

No carro do doutor Felski foi apreendido um pequeno lote do material. Depois da apreensão, o diretor do Hospital São Paulo foi liberado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dilma No Jornal Nacional

DILMA13

Dilma: bom governo investiga e pune malfeitos

A candidata Dilma Rousseff foi entrevistada hoje (ontem) pelo Jornal Nacional e apontou uma grande diferença entre o tratamento dado à corrupção no governo Lula e a atitude do seu adversário, José Serra, em relação aos desvios sob sua responsabilidade.

Dilma explicou que não há como saber se as pessoas irão ou não cometer erros e desvios antes que isso aconteça. O bom governo, segundo ela, ao tomar conhecimento de erros investiga e pune. O mau governo acoberta erros e cria impunidade.

“A gente tem que ser muito claro com o eleitor e não tentar enganá-lo. Erros e pessoas que erram acontecem em todos os governos. O que diferencia um governo de outro é a atitude em relação ao erro”, disse.

Ela usou dois exemplos recentes para mostrar a diferença entre os projetos que estão em disputa no país hoje. No caso Erenice, a petista contou que já foram ouvidas 16 pessoas pela Polícia Federal que investiga se houve ou não tráfico de influência na Casa Civil. Nos poucos casos de nomeação de parentes no serviço público eles foram demitidos.

Caso Paulo Preto

“Veja que há uma diferença em relação ao meu adversário. O meu adversário tem uma acusação gravíssima que o Paulo Vieira de Souza [conhecido como Paulo Preto], que está sendo investigado na operação da Polícia Federal chamada Castelo de Areia por propina e era diretor do departamento de estradas e cuidava as obras mais importantes do governo de São Paulo. Até agora não houve uma investigação e não houve nenhum processo. Pelo contrário, há uma diferença entre quem investiga e quem acoberta e não pune. Quem acoberta cria a impunidade”, comparou.

Dilma concluiu dizendo como agirá com os eventuais irregularidades: “No meu governo, eu serei implacável com essa questão de nepotismo, com trafico de influência ou com o conhecimento de qualquer malfeito relacionado a propina e outras variantes disso”.

Aborto

Dilma reafirmou que não mudou de posição em relação ao aborto. Ela sempre foi, pessoalmente, contra a prática, que caracteriza como uma violência contra a mulher.

Segundo ela, não haverá qualquer modificação na legislação atual, regulamentada no governo Fernando Henrique Cardoso, e que permite o aborto em caso de risco de morte para a gestante ou para mulheres que foram vítimas de estupro.

A petista afirmou que, nesse tema, o Estado precisa proteger as milhares de adolescentes que estão grávidas e que muitas vezes não têm a família por perto para dar apoio.

A candidata pediu o voto dos brasileiros para continuar avançando o projeto iniciado por Lula. “Quero fazer um apelo humilde. Peço o voto e o apoio de vocês que me assistem porque eu represento um projeto que permitiu que o Brasil distribuísse renda, criasse um grande mercado consumidor e pagasse a dívida com o FMI [Fundo Monetário Internacional]. E, sobretudo, porque ficamos respeitados lá fora. Quero contar com seu voto para, se Deus quiser, ser a primeira presidente da Brasil”, afirmou.

VEJA AQUI a entrevista completa.

No Rio de Janeiro o Apoio dos Artistas

DILMA 13

Uma seleção brasileira da arte e do pensamento

O Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, não escapou de seu destino. Fundado em 1966, foi palco da resistência à ditadura militar protagonizada pela classe artística e intelectual brasileira. No 18 de outubro de 2010, os personagens voltaram ao palco para mais um ato: resistir ao retrocesso dos tucanos. Com Dilma Rousseff, mestres da literatura e da música, artistas e filósofos defenderam a dignidade reconquistada, a reconstrução do Estado e a soberania nacional.

“É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana”, diz o manifesto de artistas e intelectuais pela eleição de Dilma.

Estava lá o arquiteto Oscar Niemeyer, com a sabedoria de quem tem um século de vida. Num canto do palco, Ziraldo. Ao seu lado, Hugo Carvana. Chico Buarque dominou a timidez para declarar seu apoio a Dilma, “mulher de fibra, com senso de justiça social”. Para o músico, o governo Lula não corteja os poderosos de sempre.

“Fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington, nem grosso com a Bolívia. Por isso, é respeitado no mundo inteiro como nunca antes na história desse país”, afirmou  o criador de "A banda", arrancando risos da plateia.

Deixa a Dilma me levar

Alcione, Margareth Menezes e Lecy Brandão foram as primeiras a chegar. Zeca Pagodinho não foi, mas mandou dizer que está com Dilma. Beth Carvalho empolgou e cantou: “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu.”

O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos levou um manifesto dos advogados. Ganhou um beijo de Dilma. As ausências da economista Maria da Conceição Tavares, do filósofo Frei Betto e da psicanalista Maria Rita Kehl foram sentidas, mas suas assinaturas estavam no manifesto.

Duro, o escritor Fernando Morais bateu nas privatizações feitas pelo PSDB. “Estou com a Dilma porque sou brasileiro e quero o Brasil nas mãos dos brasileiros. Eu sou contra a privatização canibal que esses tucanos fizeram e sei o mal que o José Serra pode fazer para o Brasil.”

Vencer a mentira

Mais suave, mas não menos contundente, o filósofo Leonardo Boff disse que o PSDB faz políticas ricas para os ricos e políticas pobres para os pobres. “A esperança venceu o medo. Agora, a verdade vai vencer a mentira.”

Eram tantos com Dilma, que o sociólogo Emir Sader comentou: “Uma pena o Maracanã estar em reforma.” Ele tem uma avaliação muito a respeito do que está em jogo no segundo turno. "A alternativa a Dilma é obscurantismo, a repressão, o caminho do fascismo", disse, se referindo aos tucanos do PSDB de José Serra.

A candidata à presidência reconheceu nos artistas e intelectuais presentes no ato político as músicas e os livros que marcaram sua vida. No discurso, falou do orgulho que sente das derrotas que sofreu. Ganhou, por outro lado, a capacidade de resistir.

“Quem perde, ganha uma grande capacidade de lutar e resistir. Disso, uma geração não pode abrir mão. Eu tenho muito orgulho das minhas derrotas, que fizeram parte da luta correta”, afirmou Dilma.

Seguir mudando

Hoje, Dilma se orgulha da transformação vivida pelo Brasil nos últimos oito anos. Pelo menos um tabu foi quebrado: era impossível crescer e distribuir renda. “Mudamos a trajetória deste país. Não foram mudanças pontuais.”

Uma delas, segundo a candidata, refere-se ao gasto social. “Hoje, o Estado dá subsídio direto para a população. Faz isso na casa própria e na luz elétrica”, ressaltou Dilma.

Para ela, as mudanças nos gastos sociais combinadas com a geração de emprego permitiram que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Mas Dilma quer mais: “O meu compromisso é erradicar a pobreza no Brasil. Ninguém respeita quem deixa uma parte de seu povo na miséria”.

Outro compromisso é dar a riqueza do pré-sal aos brasileiros e não entregá-la “de mão beijada” para as empresas estrangeiras. “Nós temos de ter memória. Também está em questão nesta eleição o que eles farão com o pré-sal”, alertou Dilma. Ela prometeu não errar. E decretou: “Mulher sabe, sim, governar.”

A plateia aplaudiu de pé o discurso de Dilma. Na saída, um jovem artista amador definiu: “Mais uma noite histórica no Casa Grande.”

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Portal Terra: Serra Mentiu

Terra



Bob Fernandes
Direto de São Paulo
O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, afirmou no debate promovido pela RedeTV!/Folha no domingo (17) à noite que o Terra não publicou uma explicação que ele teria dado em Goiânia sobre o ex-diretor do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto. Na verdade, o portal publicou as únicas informações a respeito dadas por José Serra naquele dia. E mais: em todos os demais portais, jornais, emissoras de rádio e TV não há nenhum registro de explicação adicional do candidato Serra além do que foi veiculado na segunda-feira (11).

Acima, disponível para os internautas (no link), o áudio da pergunta e a resposta de Serra no debate da RedeTV! e também o áudio do que ele disse exatamente em Goiânia.

Em tempo: Paulo Preto, segundo Dilma Rousseff afirmou no debate da TV Bandeirantes no domingo (10), ao referir-se a matérias de revistas semanais, teria sumido com R$ 4 milhões arrecadados para a campanha eleitoral tucana.

Minutos após o debate na Rede TV! a repórter Marcela Rocha, do Terra, questionou o candidato sobre qual reportagem e a que dia ele se referiu no debate. Serra detalhou estar se referindo ao texto enviado na segunda-feira (11) desde "Goiânia".

Marcela Rocha não esteve em Goiânia. Mirelle Irene, correspondente do Terra em Goiás, acompanhou o candidato na segunda (11). E foi quem escreveu a reportagem aqui publicada e quem tem em mãos o áudio reproduzido acima.No único trecho em que Serra cita Paulo Preto, ou Paulo Vieira de Souza, Mirelle Irene descreve:

- Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factoide criado para que vocês (imprensa) fiquem perguntando. Serra disse ainda que não iria gastar horas de um debate nacional discutindo "bobagens".

A respeito, uma semana depois, a repórter Mirelle Irene relata:
- Aquele foi o único momento em que o candidato Serra tocou no assunto. E o que eu, em essência reproduzi, foi o que os demais meios todos reproduziram.

O candidato fez a afirmação sobre o Terra ao responder à seguinte pergunta da jornalista Renata Lo Prete, colunista do jornal Folha de S. Paulo. "Seu partido critica o governo Lula por não saber do mensalão. Agora surge no noticiário um personagem chamado Paulo Preto. O senhor disse que não conhecia ele e depois disse que o conhecia. Hoje, foi publicado que o senhor empregou uma filha dele em seu governo. Candidato, o senhor sabia disso?".

Na resposta, o candidato alegou que o Terra não publicou reportagem onde ele teria dado outras explicações sobre o caso. Afirmou José Serra:

- Olha, a pergunta termina até sendo oportuna para esclarecer. Em primeiro lugar, o que o PT levantou na base da estratégia do pega-ladrão? O sujeito bate a carteira do outro e sai correndo dizendo pega ladrão, pega ladrão para distrair a atenção . Esse é o método. Veja só: disseram que alguém tinha recebido uma contribuição para minha campanha e não tinha entregue a contribuição. Ou seja, eu sou a vítima. O que eu disse é: eu não conheço esse problema. Nunca. Isso não aconteceu na minha campanha. Nem se trata de dinheiro de governo. É uma contribuição para uma campanha que alguém teria pego e não entregue para a campanha. Só que eu não soube disso. Nunca ninguém veio reclamar de que doou e não chegou e nem quem tá cuidando desse assunto na minha campanha fez qualquer observação nesse sentido. Disseram que o Paulo Souza. Eu não neguei que o conhecia.

Na continuação, José Serra citou o Terra, que publicou basicamente a mesma conversa que os demais meios de comunicação, como se pode ver em outros textos expostos nesta página:

- Eu fui numa segunda-feira a Goiânia e veio a repórter e perguntou: o Paulo Preto. Paulo Preto pra mim, eu não o conhecia assim. E Paulo Preto é um apelido que se dá preconceituoso e racista. Se ele fosse japonês, iam chamar de Paulo Amarelo? Será? Não. Mas como ele é descendente de africanos, puseram Paulo Preto. Paulo Preto. Essa foi a pergunta. Não foi Paulo Souza. E eu disse: Não. Não conheço. E expliquei do que é que se tratava que eu acabei de explicar aqui. Mas não foi publicado. Pode pegar o site do Terra que publicou isso e eles não publicaram a minha explicação sobre o assunto. Então eu não neguei. Não tem nada a ver.

O áudio transcrito da conversa no aeroporto de Goiânia é o seguinte:

Jornalista: Eu posso fazer uma pergunta? (confusão, vozes).
José Serra: Eu tenho que ir embora, eu tenho que ir...
Voz ao fundo (jornalista): ... do Paulo Preto...
José Serra: Isso é pauta petista. É pauta petista...
Jornalista: Mas essa questão do Paulo Preto...
José Serra: Mas eu nunca ouvi falar, eu não sei quem é o Paulo Preto. Quem é o Paulo Preto?
Jornalista: ... sobre a campanha, diz que é um dinheiro de campanha que não foi declarado...
José Serra: Nunca ouvi falar, nunca ouvi falar disso. Eles põem factoides para que vocês perguntem pra ficar rendendo. Eu nunca ouvi falar disso. Primeiro que não é fácil entender naquele programa o que ela estava dizendo. Segundo, nunca aconteceu. O que eu vou ficar dizendo? Gastar horas de um debate nacional com coisas que eu não tenho a menor ideia? E são bobagens. Na minha campanha não teve nada desviado. Nunca ouvi falar, perguntei pra todo mundo, e daí? Você entende? São coisas dessa natureza.

Na verdade, a única resposta do candidato Serra naquela segunda-feira (11) em Goiânia foi a que, com pequenas variações, foi publicada, da forma que se segue, pelos mais variados meios de comunicação.

Ainda mais: o Terra ouviu nesta segunda-feira (17) jornalistas que acompanhavam Serra na capital de Goiás. Unanimidade no desconhecimento de qualquer outra manifestação do candidato sobre Paulo Vieira de Souza, ou Paulo Preto, como também se verá nas linhas que se seguem.

Christiane Samarco é repórter do jornal O Estado de S.Paulo. Em sua reportagem de enviada especial a Goiânia, Samarco relatou: "Serra não quis comentar por que não respondeu a Dilma quando ela sugeriu que ele "deveria se lembrar de Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com R$ 4 milhões". Foi uma referência ao ex-diretor da Dersa paulista, citado na operação Castelo de Areia e que teria captado doações de recursos que não teriam sido repassados à campanha tucana. "Nunca ouvi falar disso e não sei do que se trata. Eles (os petistas) põem factoides para que a imprensa pergunte. Por que vou gastar horas de um debate nacional com coisas que eu não tenho ideia?", indagou. "Sou candidato. Você acha que eu não saberia se tivesse havido isso?"

Ao Terra, Christiane Samarco garantiu nesta segunda (18):
- O candidato Serra não disse nada além disso a respeito do Paulo Preto ou Paulo Viera. Não, não teve nada, isso foi no aeroporto e em seguida ele foi indo para o embarque.

Núbia Lobo é repórter do jornal O Popular, de Goiânia. Sua matéria não abordou o tema em momento algum, mas também ela, ouvida pelo Terra, declarou:
- Ele (Serra) não queria falar sobre o assunto (Paulo Preto), tanto na coletiva na rua quanto no aeroporto. Ele se esquivou, e só falou quando foi pressionado. Ele disse bem claro: "Quem é Paulo Preto?". Fora isto, acompanhando ele até a porta do avião, Serra apenas repetiu que não o conhecia.

Venceslau Pimentel é repórter do jornal O Hoje, de Goiânia. Sua reportagem também não mencionou o tema Paulo Preto. Ao Terra,, depõe Venceslau, 49 anos, 24 de jornalismo:
- O assunto Paulo Preto, ou Paulo Vieira, só surgiu em dois momentos. Ao final da caminhada, numa entrevista em meio a um tumulto, quando uma repórter gritou a pergunta "e o que o senhor sabe sobre o Paulo Preto?" e, acho, pode ser que ele não tenha ouvido. E depois, já no aeroporto, quando ele disse aquela frase que todos já publicaram.

No portal iG, sobre o mesmo assunto Adriano Ceolin publicou na segunda (11): "Isso é pauta petista. Não sei quem é o tal preto. Nunca ouvi falar disso. Eles (o PT) põem factoides para vocês virem perguntar", disse Serra. "Eu não entendi o que ela (Dilma) estava dizendo. Não ficar aqui gastando horas de um debate nacional com coisas que não tenho a menor ideia".

No dia seguinte, terça-feira (12), em viagem à Aparecida do Norte, questionado por jornalistas o candidato Serra falaria novamente sobre o caso Paulo Preto.

A Folha de S. Paulo publicou, nesse dia, reportagem de Andréa Michael sobre o assunto. A Folha.com expôs a íntegra da entrevista feita pela jornalista com ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Nos trechos mais incisivos, o executivo que coordenou as obras no Rodoanel e Marginal Pinheiros no governo Serra revelou que Serra o conhecia e que com o governador havia conversado "umas dez vezes". E desabafou:
- Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro.

O Terra, neste dia, publicou reportagem, como outros veículos. Descreve a matéria do Terra: "Na visita à basílica de Nossa Senhora da Aparecida, Serra alegou que Paulo nunca trabalhou na arrecadação de verba para financiamento de campanha e buscou desmentir matéria da revista Istoé. Segundo a revista, o engenheiro teria procurado empresários e pedido colaboração para a campanha antes de sumir com o dinheiro".

Na entrevista em Aparecida, o tucano garantiu que "em absoluto, não houve nada parecido". Também afirmou que a acusação contra o ex-diretor era "injusta" e assegurou não ter havido nenhum desvio por parte de ninguém em sua campanha. "Isso tinha sido uma bobagem que saiu numa reportagem de uma revista, inclusive, tratando Paulo Souza de maneira preconceituosa, com um apelido preconceituoso". Fez, por fim, a defesa de Paulo Viera, o Paulo Preto: "Só sabia que o engenheiro era muito competente e que nunca ouviu nenhuma acusação contra ele".

Com variações de fraseado e detalhe, os demais meios publicaram as mesmas informações sobre a entrevista em Aparecida, ainda que Serra tenha dito que se referiu, no debate, à conversa com jornalistas em Goiânia, na véspera.

O Terra Eleições, que faz a mais ampla cobertura da campanha em todo o País, já publicou 7049 notícias e 486 galerias sobre as disputas em 27 estados e pela presidência da República. Os repórteres Claudio Leal e Marcela Rocha acompanham, Brasil afora, os candidatos Dilma Rousseff e José Serra, assim como foram e são acompanhados Marina Silva e Plinio de Arruda Sampaio. Quando os repórteres "carrapatos" não estão, colaboradores do Terra em cada Estado seguem os candidatos.

Tudo de relevante que dizem os candidatos a presidente é publicado em tempo real. Talvez, quem sabe, a questão não esteja no que o Terra não publicou e, sim, no que tem publicado como exige o jornalismo plural.