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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sai Dra. Cureau Entra Dra. Karla de Almeida

Alguns comentaristas afirmam que o segundo turno das eleições ainda não acabou e que a discussão do ENEM é o grande embate dele neste momento. Não sei dizer ao certo se isso é correto, mas que em termos de justiça parece que as coisas estão se repetindo, isso parece. Tem uma juíza federal do Ceará que está dando a "maior canseira" no MEC em relação ao ENEM. Vamos às informações:

Brasília Confidencial No 384 - Notícia de ontem

A Advocacia Geral da União (AGU) vai recorrer da nova liminar concedida pela justiça federal do Ceará e que faculta a todos os estudantes que se sentirem prejudicados pela aplicação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fazerem um novo teste. A liminar foi concedida nesta quarta-feira pela juiza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara da Justiça Federal do Ceará. Outra liminar sobre o Enem e da mesma juíza fora cassada, na semana passada, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª.Região, a pedido do Ministério da Educação. Mais de três milhões de alunos realizaram o exame em todo o país.

De acordo com a decisão, não somente os alunos que receberam provas com erro de impressão, mas também aqueles que encontraram dificuldades devido ao cabeçalho invertido no cartão de resposta poderão requerer a nova avaliação. A juíza aceitou pedido do Ministério Público Federal cearense. Os procuradores invocaram a existência, segundo entenderam, de tratamento "discriminatório" do MEC com uma parte dos alunos.

A proposta do MEC é de refazer o exame para aproximadamente dois mil alunos em todo o país, admitindo que eles teriam sido prejudicados por erros no caderno de questões amarelo. Adiantou que convocará os estudantes aptos a fazer a nova prova de acordo com o levantamento dos nomes de quem teve problemas registrados nas atas dos fiscais do Enem. E ofereceu a possibilidade de correção invertida do gabarito aos candidatos que se confundiram com a inversão dos cabeçalhos.

Antes de tomar conhecimento da decisão judicial e também na quarta-feira, o ministro Fernando Haddad, da Educação, reiterou que a data das novas provas deverá ser anunciada na próxima semana, após as fundações Cespe e Cesgranrio, especializadas em preparar concursos públicos e vestibulares, concluírem a análise das atas das salas de aula onde os candidatos fizeram as provas. E disse que a gráfica responsável pela impressão da edição 2010 do exame irá custear a reaplicação do teste. Como fizera no dia anterior quando compareceu à Comissão de Educação da Câmara, Haddad foi prestar esclarecimentos sobre os problemas do Enem no Senado.

Brasília Confidencial No 385 - Notícia de hoje

O presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, desembargador Luís Alberto Gurgel de Faria, aceitou a argumentação da Advocacia-Geral da União (AGU) e derrubou a liminar que determinava que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fosse reaplicado a todos os candidatos que se sentissem prejudicados pelas falhas verificadas na prova. A decisão ocorreu na noite desta quinta-feira.

Ao decidir, o presidente do TRF/5ª. Região acentuou que a alteração do cronograma fixado pelo Ministério da Educação resultaria em atraso na conclusão do Enem, o que prejudicaria a utilização das notas dos estudantes pelas instituições de ensino. Para o desembargador, as decisões anteriores trazem "insegurança jurídica para milhões de jovens atônitos (e suas famílias) à espera da definição das respectivas situações escolares".

A decisão aconteceu no mesmo dia em que a AGU protocolou seu recurso contra a liminar concedida pela juíza Karla Maia, da 7ª. Vara Federal do Ceará. A liminar da juíza assegurava a reaplicação do teste de forma praticamente irrestrita, o que poderia atingir milhões de estudantes.

O MEC tenciona reaplicar o Enem somente para cerca de dois mil alunos que, durante a prova, receberam o caderno de prova amarelo. Por um erro de montagem, o caderno não continha todas as 90 questões. É a segunda vez que o magistrado cassa uma liminar da mesma juíza referente à polêmica da prova. Da primeira vez, no dia 12, ele argumentou que a suspensão do Enem traria transtornos não apenas para os organizadores mas também a três milhões de estudantes de todo o país que se submeteram às provas. Além disso, a realização de novo teste custaria cerca de R$ 180 milhões aos cofres públicos.

Ministério divulga os próximos passos e presta esclarecimentos

Sexta-feira, 19 de novembro de 2010 - 17:10
Os procedimentos regulares com relação às provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizadas nos dias 6 e 7 de novembro, seguem seu curso previsto;

1. Nesta sexta-feira, 19, à meia-noite (horário de Brasília), termina o prazo para os alunos requisitarem a correção das provas de ciências humanas e ciências da natureza, de acordo com a disposição do cabeçalho, ao invés da numérica;

2. Informamos ainda que segue, por parte do consórcio Cespe-Cesgranrio, a análise das 116.626 atas dos locais de prova e que os estudantes eventualmente prejudicados pelos erros de impressão no caderno de questões de cor amarela, da prova de sábado, dia 6, estão sendo identificados. Eles serão informados, pelos meios habituais (SMS, e-mail, telefone e carta) que poderão, se assim desejarem, realizar uma nova prova;

3. A identificação e qualificação desses alunos devem continuar ao longo da próxima semana;

4. Quanto à data da prova, o Ministério da Educação marcará a sua realização para a primeira quinzena de dezembro. O dia exato será anunciado até a próxima quarta-feira, 24;

5. Reafirmamos ainda que o calendário do Enem 2010 segue rigorosamente dentro dos prazos estabelecidos, com a divulgação dos resultados prevista para a primeira quinzena de janeiro de 2011, e o início do processo da Seleção Unificada (Sisu) na segunda quinzena de janeiro de 2011.

Assessoria de Comunicação Social

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ENEM - MST Recebe Melhor Nota

Do Blog do Miro

Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, a mídia demotucana tem feito um grande alarde contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Devido a falhas lamentáveis em algumas provas, ela decidiu transformar o assunto na sua primeira bandeira de oposição ao futuro governo Dilma Rousseff. De quebra, ainda presta um serviço à poderosa indústria do vestibular e às faculdades privadas. O Grupo Folha, dono da gráfica que imprimiu as provas irregulares, é um dos que mais fustiga o Enem.

Com sua cobertura enviesada e manipuladora, a mídia omite fatos curiosos do Enem. Um deles, que ela nunca divulgaria, é que a Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, foi o destaque do Exame Nacional em 2009, conforme noticiado na página oficial do Enem. Ela ocupou a primeira posição no município, com nota de 505,69.

Semente da Conquista

Nesta escola estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. Ela é dirigida por militantes do MST e os professores foram indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1.418 famílias, morando em 23 assentamentos. A primeira colocação no Enem foi comemorada pelas famílias de sem-terra.

A mídia, porém, nada falou sobre esta vitória. Segundo o sítio do MST, “essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também é pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação”.

“A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são para uma pequena elite... Mesmo com todas as dificuldades, a escola foi destaque entre as escolas do município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim da proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado”.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fernando Haddad no Senado - Primeiras Notas

Do Todos Pela Educação

Ministro da Educação foi questionado sobre problemas no Enem

Fábio Tito
Do G1, em Brasília

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (16) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que não tirou a responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) quanto aos problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano.

Ele foi questionado pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), autora do convite para que comparecesse à comissão, por ter supostamente minimizado os erros no exame.

Ela mencionou uma entrevista do ministro na edição desta semana da revista "Época" na qual ele afirma que o Inep está "isento de qualquer responsabilidade" em relação aos erros na aplicação das provas do Enem.
"Não tirei a responsabilidade do Inep. Não existe hipótese de o Inep varrer o problema para baixo do tapete. Às vezes, nossas palavras não são reproduzidas corretamente após uma entrevista", disse o ministro.
Haddad ressaltou a importância que o exame ganhou nos últimos anos, quando passou a ser usado, por exemplo, no programa de bolsas universitárias financiadas pelo governo, o Prouni.

Ele afirmou que o aperfeiçoamento do Enem é a única solução para o modelo de vestibular tradicional, que está ultrapassado, segundo ele.

"Estou convencido de que não há outro caminho a seguir, a não ser superar esse anacronismo da realidade educacional brasileira, que é o vestibular tradicional", disse.

Segundo a perguntar, o senador Roberto Cavalcante (PRB-PB) questionou Haddad sobre as gráficas responsáveis pela impressão das provas do Enem em 2009 e 2010, Plural e RR Donnelley Moore, que seriam as duas únicas com capacidade para atender à demanda de mais de 3 milhões de estudantes em todo o Brasil. "Está constatado que o duopólio não deu certo. Em um ano, uma errou; no ano seguinte, a outra errou", disse o senador.

"O problema, na minha opinião, se resolve com mais de uma edição do exame ao longo do ano, como aliás estava programado para termos neste ano. Isso vai permitir que outras empresas (gráficas) entrem na disputa, e que o Enem tenha, assim, mais parceiros", afirmou Haddad na resposta.

Para o ministro, as duas gráficas foram testadas. "A primeira, no ano passado, em que houve uma falha na segurança. A segunda, neste ano, com o problema de impressão em algumas provas. São as duas únicas capazes de imprimir [a grande demanda do Enem] com segurança no Brasil", afirmou.

Haddad disse que, em 2009, foram realizadas três provas distintas: a primeira em 5 e 6 de dezembro, após a remarcação devido ao vazamento do exame, e outras duas em datas posteriores, para estudantes presidiários e para alunos do Espírito Santo que não receberam a prova na data certa em razão de problemas de logística.

Mesmo assim, segundo ele, esse fato não levantou dúvidas quanto à utilização de três provas diferentes para a avaliação do desempenho.

"Nosso número estimado de prejudicados continua em 0,1% dos alunos no Brasil", afirmou. Cerca de 3,3 milhões de estudantes fizeram a prova neste ano. A porcentagem indicada por Haddad equivale a 3,3 mil alunos. Na semana anterior, o ministério indicou que a estimativa era de que menos de 2 mil estudantes foram prejudicados com os erros de impressão.

"Eu recebi milhares de e-mails quando fiz o convite para o senhor ministro falar na comissão, e me preocupei porque as pessoas já estavam descrentes do exame", disse a senadora Marisa Serrano, vice-presidente do PSDB.

sábado, 13 de novembro de 2010

ENEM - "No Brasil Todos Entendem de Educação"

Do VioMundo

por Conceição Lemes

Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.

Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões  submeteram-se às provas.  O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas.  Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.

No teste do sábado, ocorreram  dois erros  distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.

O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.

“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica  a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”

Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação parabolsa do PRO-UNI.

“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. “Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura!  Como  jornalistas  que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!”

Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (standart admissions test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Viomundo — De um total de 3,4 milhões de provas aplicadas no sábado, houve problema incontornável em menos de 2 mil. Tem sentido detonar o Enem, como a mídia brasileira tem feito? E dizer que o Enem fracassou, como um ex-ministro da Educação anda alardeando?

Miguel Nicolelis — Sinceramente, de jeito algum — nem um nem outro. O Enem é equivalente ao  SAT, dos Estados Unidos. A metodologia usada nas provas é a mesma: a teoria de resposta ao item, ou TRI, que é uma tecnologia de fazer exames.  O SAT foi criado  em 1901. Curiosamente, em outubro de 2005, entre as milhões de provas impressas, algumas tinham problema na barra de códigos onde o teste vai  ser lido.  A entidade que  faz o exame não conseguiu controlar, porque esses erros podem acontecer.

Viomundo — A Universidade de Duke utiliza o SAT?
Miguel Nicolelis — Não só a Duke, mas todas as grandes universidades americanas reconhecem o SAT. É quase um consenso nos Estados Unidos. Apenas uma minoria é contra. E o Enem, insisto, é uma adaptação do SAT, que é uma das melhores maneiras de avaliação de conhecimento do mundo. O teste é a melhor  forma de avaliar uniformemente alunos submetidos a diferentes metodologias de ensino. É a saída para homogeneizar a  avaliação de estudantes provenientes de um sistema federativo de educação, como o americano e o brasileiro,  onde os graus de informação, os métodos, as formas como se dão, são diferentes.

Viomundo — Qual a periodicidade do SAT?

Miguel Nicolelis –  Aqui, o exame é aplicado sete vezes por ano. O aluno, se quiser, pode fazer três, quatro, cinco, até sete, desde que, claro, pague as provas. No final, apenas a melhor é computada. Vários estudos feitos aqui já demonstraram que o SAT é altamente correlacionado à capacidade mental geral da pessoa.
Todo ano as provas têm uma parte experimental. São questões que não contam nota para a prova. Servem apenas para testar o grau de dificuldade. Assim, a própria criançada vai ranqueando as perguntas, permitindo a ampliação do banco de questões. Outra peculiaridade do sistema americano é a forma de corrigir a prova. É desencorajado o chute.

Viomundo — Explique melhor.
Miguel Nicolelis — Resposta errada perde ponto, resposta em branco, não. Por isso, o aluno pensa muito antes de chutar, pois a probabilidade de ele errar é grande. Então se ele não sabe é preferível não responder do que correr o risco de responder errado.

Viomundo –  Interessante …
Miguel Nicolelis – Na verdade,  o SAT é  maneira  mais honesta, mais democrática de avaliar pessoas de  lugares diferentes, com sistemas educacionais diferentes,  para tentar padronizar o ingresso. Aqui, nos EUA, a molecada faz o exame e manda para as faculdades que quer frequentar. E as escolas decidem quem entra, quem não entra. O SAT é um dos componentes para essa avaliação.

Viomundo — Aí tem cursinho para entrar na faculdade?
Miguel Nicolelis — Tem para as pessoas aprenderem a fazer o exame, mas não é aquela loucura da minha época. Era cheio de cursinho para todo lugar no Brasil. Cursinho  é uma máquina de fazer dinheiro.  Não serve para nada a não ser para fazer o exame. Por isso ouso dizer: só os donos de cursinho e aqueles que não querem democratizar o acesso à universidade podem ter algo contra o Enem.

Viomundo –Mas o fato de a prova ter erros é ruim.
Miguel Nicolelis — Concordo. Mas os erros vão acontecer.  Em 1978, quando fiz a Fuvest (vestibular unificado no Estado de São Paulo), teve pergunta eliminada, pois não tinha resposta.  Isso acontece desde o tempo em que havia exame para admissão [ao primeiro ginasial, atualmente 5ª série do ensino fundamental)  na época das cavernas (risos). Você não tem exame 100% correto o tempo inteiro.
Então, algumas pessoas estão confundindo uma metodologia  bem estudada, bastante conhecida e aceita há décadas,   com problemas operacionais que acontecem em qualquer processo de impressão de milhões de documentos. Na dimensão em que aconteceram no Brasil está dentro das probabilidade de fatalidades.

Viomundo -- Em 2009, também houve problema, lembra-se?
Miguel Nicolelis -- No ano passado foi um furto, foi um crime. O MEC não pode ser condenado por causa de um assalto, que é uma contigência e nada tem a ver com a metodologia do teste.
Só que, infelizmente, gerou problemas operacionais para algumas universidades, que não consideraram a nota do Enem nos seus vestibulares. Isso não quer dizer que elas não entendam ou nãoaceitam o teste. As provas do Enem são muito mais democráticas, mais  racionais e mais bem-feitas do que os vestibulares de qualquer universidade brasileira.
Eu fiz a Fuvest. Naquela época, era muito ruim. Não media nada. E, ainda assim, a gente teve de se sujeitar àquilo, para entrar na faculdade a qualquer custo.

Viomundo -- Fez cursinho?
Miguel Nicolelis -- Não. Eu tive o privilégio de estudar numa escola privada boa. Mas muitas pessoas que não tinham educação de alto nível eram obrigadas a recorrer ao cursinho para competir em condições de igualdade.
Mas o cursinho não melhora o aprendizado de ninguém. Cursinho é uma técnica de aprender a maximizar a feitura do exame. É quase um efeito colateral do sistema educacional absurdo que  até recentemente tínhamos no Brasil. É um arremedo. É um aborto do sistema educacional que não funciona.

Viomundo -- Qual a sua avaliação do Enem?
Miguel Nicolelis -- É um avanço tremendo, porque a longo prazo a repetição do Enem várias vezes por ano vai acabar com o estresse do vestibular. Você retira o estresse do vestibular. Na minha época, e isso acontece muito ainda hoje, o jovem passava os três anos esperando aquele "monstro". De tal sorte, o vestibular transformava o colegial numa câmara de tortura. Uma pressão insuportável. Um  inferno tanto para os meninos e meninas quanto para as famílias. Além disso,  um sistema humilhante, porque as pessoas que não podiam frequentar um colégio privado de alto nível sofriam com o complexo de não poder competir em pé de igualdade. Por isso os cursinhos floresceram e fizeram a riqueza de tanta gente, que agora está metendo o pau no Enem. Evidentemente  vários interesses estão sendo contrariados devido ao êxito do Enem.

Viomundo -- Tem muita gente pixando, mesmo.
Miguel Nicolelis -- Todo esse pessoal que pixa acha que sabe do que está falando.  Só que não sabe de nada. Exame educacional não é  jogo de futebol. Tem metodologia, dados, história. E olha que eu adoro futebol. Sempre que estou no Brasil, vou ao estádio para assistir ao jogos do Palmeiras [Ninguém é perfeito (rs)!] O Brasil fez muito bem em entrar no Enem. É o único jeito de  acabar com esse escárnio, com essa ferida que é o vestibular .

Viomundo — Nos EUA, não há vestibular para a universidade. O senhor acha que o Brasil seguirá essa tendência?
Miguel Nicolelis --  Acho que sim. O importante é o seguinte. O Brasil está tentando iniciar esse processo. Quando você inicia um processo dessa magnitude, com milhões fazendo exame,  é normal ter problemas operacionais de percurso, problemas operacionais. Isso faz parte do processo.
Nos Estados Unidos, as provas já são começam a ser feitas via internet. Como o Brasil em pouco tempo está avançando rapidamente, acredito que logo teremos várias provas por ano, como aqui [nos EUA, há sete, lembram-se?], e tudo por computador. O aluno se inscreve e, num dia e hora pré-determinados, vai com a sua senha a um terminal estabelecido — terá de se estabelecer uma rede –  acessa e faz a prova. Será um exame só para ele. Você elimina o risco de vazamento e economiza com a impressão de provas, que custa um dinheirão.
Nós estamos caminhando para o Enem ser a moeda de troca da inclusão educacional. As crianças vão aprender que não é porque elas fazem cursinho famoso da Avenida Paulista que elas vão ter mais chance de entrar na universidade. Elas vão entrar na universidade pelo que elas acumularam de conhecimento ao longo da vida acadêmica delas. Elas vão poder demonstrar esse conhecimento sem estresse, sem medo, sem complexo de inferioridade. De uma maneira democrática.E, num futuro próximo, tanto as crianças de escolas privadas quanto as  de escolas públicas vão começar a entrar nesse jogo  em pé de igualdade. Aí,  sim vai virar jogo de futebol.
Futebol é uma das poucas coisas no Brasil em que o mérito é implacável. Joga quem sabe jogar. Perna de pau não joga. Não tem espaço. O talento se impõe instantaneamente.
Educação tem de ser a mesma coisa. O talento e a capacidade têm de aflorar naturalmente e todas as pessoas têm de ter a chance de sentar na prova com as mesmas possibilidades.

ENEM - Posicionamentos

Da UNDIME - União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação

Nota pública - Enem
Autor: Undime
Data: 12/11/2010


Em defesa do conceito de que a educação tem de ser desenvolvida de forma integrada, da creche à pós-graduação, a Undime - entidade que reúne os gestores responsáveis pela oferta das matrículas na educação infantil e no ensino fundamental – vem manifestar seu apoio às atuais políticas públicas implementadas pelo Ministério da Educação.

Os problemas surgidos na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem foram de ordem operacional e não podem macular a importância conceitual do Exame no processo de democratização do acesso ao ensino superior.

A Undime entende, ainda, que o Enem é um grande instrumento para impulsionar a qualidade de toda a educação básica e tem certeza de que as questões serão sanadas.

Da Agência Brasil

ONU: metodologia aplicada no Enem garante isonomia mesmo que prova seja reaplicada
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil informou, por meio de nota, que a metodologia aplicada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – a Teoria de Resposta ao Item (TRI) – garante a isonomia das provas, ainda que elas tenham de ser aplicadas em períodos diferentes.

De acordo com o órgão, a metodologia apresenta amplo respaldo na literatura científica internacional e tem sido utilizada em um conjunto importante de avaliações conduzidas por organismos internacionais.

Uma das vantagens da TRI, segundo a ONU, é a possibilidade de elaboração de provas diferentes para um mesmo exame, que podem ser aplicadas em qualquer período do ano, para grupos distintos, mas com o mesmo grau de dificuldade.

"Vale ressaltar ainda que a metodologia da TRI prioriza o uso de habilidades reflexivas e analíticas em detrimento da memorização de conteúdos, o que representa um avanço importante em relação a outros modelos de avaliação", diz a nota.

Após problemas registrados durante a aplicação do Enem no último fim de semana, a Justiça Federal do Ceará suspendeu o exame e defende que as provas sejam reaplicadas para todos os candidatos. Já o Ministério da Educação quer que apenas os candidatos que foram prejudicados tenham o direito de fazer uma nova avaliação.

Edição: Juliana Andrade

Artigo - Os Dilemas do ENEM

Da Carta Capital


Criado em 1998 com o objetivo de revolucionar a maneira como os estudantes do País são avaliados, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aumentou, ano a ano, de tamanho e de funções até ser alçado à categoria de principal pilar para a seleção de estudantes às universidades federais – no que depender do Ministério da Educação (MEC), será o único sistema de seleção ao ensino superior no futuro. Cresceu tanto que virou um problema: como ministrar uma prova em perfeitas condições de segurança, sigilo e baixo índice de erros para milhões de alunos em todo o território nacional? As duas últimas edições expuseram falhas que respingaram na reputação do MEC e que forçaram o ministro Fernando Haddad a passar a semana a se explicar. No frigir dos ovos, a dimensão do problema na edição 2010 foi menor do que parecia de início, mas serviu para colocar em discussão o papel do exame na educação nacional.

As dores de cabeça do Enem deste ano começaram no primeiro dia de exame, no sábado 6, por conta de dois erros. Primeiro, as provas, as mesmas para todos os estudantes, são divididas em diferentes cores, que correspondem a uma ordem do gabarito. Alguns alunos no Paraná e em Sergipe receberam uma versão da prova amarela com questões repetidas e outras faltando. O segundo problema, com o gabarito: o espaço para o preenchimento das questões de Ciências da Natureza estava trocado com o de Ciências Humanas. Os alunos que enfrentaram o problema foram instruídos a solicitar ao MEC a correção invertida de cabeçalho.

Cerca de 20 mil alunos receberam a prova com problemas, mas a maioria deles conseguiu trocar pela versão correta durante o exame. No total, menos de 2 mil, em um universo de mais de 4 milhões acabaram não recebendo uma nova prova amarela sem os erros. Se depender de Had-dad, somente eles farão nova avaliação. A questão dos gabaritos foi solucionada com os fiscais dos exames no dia e com a solicitação de uma correção específica.

Outras denúncias foram feitas durante os dois dias de prova. No Recife, um repórter do Jornal do Commercio que prestou o exame mandou uma mensagem de celular para a sua redação contando o tema da redação – o objetivo seria denunciar a brecha na segurança. O MEC pediu a abertura de um inquérito para investigar a atuação do jornalista.

Houve ainda a suspeita, repercutida nos meios de comunicação, de que o tema da redação havia vazado em cursinhos preparatórios para o vestibular em Petrolina (PE). A Polícia Federal investigava o caso até o fechamento desta edição. Se houver consistência na investigação, um inquérito será aberto.

A repercussão dos problemas começou ainda no sábado à noite e tornou-se o principal assunto do início da semana. A preocupação justificava-se: o Enem vinha sendo foco de olhares desconfiados por conta do imbróglio na edição 2009, este mais grave, quando um segurança da Gráfica Plural, responsável por imprimir o exame, roubou exemplares da prova e tentou vendê-los a jornais. A denúncia gerou o adiamento do Enem, a troca da Plural pela norte-americana RR Donnelley, a maior do mundo (e bem mais cara que a antecessora) e muita turbulência. O nome de Haddad, que chegou a ser cotado como possível candidato apoiado pelo presidente Lula ao governo do Distrito Federal ou de São Paulo em 2010 perdeu força.

Portanto, no fim de semana da realização do Enem 2010, toda a mídia focou-se no andamento da avaliação. Após o exame, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), orgão do MEC responsável pelo Enem, Joaquim Soares Neto, minimizou as falhas e falou em “missão cumprida” – e foi o termo usado pelo presidente Lula. Não foi o que acharam a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Defensoria Pública da União, pelas ações do defensor Ricardo Salviano, que chegou a declarar que uma nova prova para poucos acabaria com a isonomia do exame. As duas entidades pregavam que, havendo alunos prejudicados, mesmo que poucos, todos deveriam refazer a prova. Simultaneamente a isso, a juiza Karla Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, concedeu uma liminar para o cancelamento do exame. Estudantes protestaram contra o MEC usando narizes de palhaço. Outros protestos estavam marcados pelo País.

A CartaCapital Haddad reafirmou ser contra um novo exame para todos. “O problema é localizado e as provas devem ser ministradas somente para os alunos prejudicados.” “O exame utiliza uma metodologia internacionalmente reconhecida que não é novidade entre pensadores da educação, mas obviamente o é no meio jurídico.”

A metodologia referida pelo ministro é a chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI), usada no Enem desde 2009. A TRI baseia-se em um modelo internacionalmente reconhecido que assegura o mesmo grau de dificuldade em provas diferentes. É a mesma estratégia usada no Scholastic Assessment Test (STI), o sistema de seleção para vagas universitárias nos Estados Unidos e em outros países. “Em uma prova clássica como o vestibular convencional, qualquer problema pontual é motivo para uma reaplicação da prova. O Enem não é mais assim, nem poderia ser com o tamanho que tem. Por isso só precisamos fazer novo exame para quem foi prejudicado”, defendeu Haddad.

Segundo o ministro, sua conversa com o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, foi elucidativa para suspender a anulação do Enem 2010. A aplicação posterior de um novo Enem somente aos prejudicados tem um precedente em 2009 no Espírito Santo, quando inundações impediram que cerca de 8 mil estudantes chegassem ao local da prova em alguns municípios. “Dada a urgência do caso, quero crer que os tribunais como o TRF e o STF vão estar disponíveis para uma solução”, complementa.

A novela Enem 2010 reacendeu a discussão sobre o papel da prova. Criado durante o governo Fernando Henrique, o Enem seria um termômetro do ensino médio. Diferente dos vestibulares, sua prova é baseada no conceito de habilidades e competências, que prioriza a capacidade de raciocínio e interpretação, e não o conhecimento adquirido de quem o faz. Dois anos depois, sua nota já era contabilizada parcialmente em alguns vestibulares públicos.

Em 2004, no governo Lula, a nota do Enem passou a valer como nota para o Programa Universidade para Todos (ProUni), o sistema de financiamento de bolsas de estudo que concede descontos fiscais às instituições que o adotam. Com a associação Enem-ProUni, o número de estudantes que passaram a participar do teste quadruplicou – foram 4,6 milhões de estudantes inscritos este ano.

Atualmente, o Enem serve como avaliação também para o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, desde 2009, como critério de seleção para 39 instituições federais de ensino superior. O reitor da Universidade de São Carlos (Ufscar), Targino de Araújo Filho, entende que o “Enem-vestibular” é bom para as universidades e os alunos. “Na medida em que ele se transforma em processo único de seleção, torna-se um objeto de inserção social. Minimiza a quantidade de vestibulares, e na medida em que há uma ênfase em conteúdos, tem uma influência muito grande no ensino médio”, diz. A Ufscar comandada por Targino usou, a partir deste ano e em conjunto com outras 38 universidades federais, apenas o Enem como processo de seleção.

Mas o fato de o Enem ter várias aplicações simultâneas assusta alguns especialistas da educação. A ex-assessora do Inep e ex-formuladora de questões da Unicamp Maria Luiza Abaurre entende que ter muitos focos simultâneos é o mesmo que não ter nenhum. “O Enem é avaliação do ensino médio e vestibular, e também seleciona para o Pro-Uni, ou seja, uma função diferente, de pessoas que concorrem a bolsas, não a vagas. E também tornou-se uma prova de certificação para o EJA, que é uma prova sem caráter de seleção. Isso torna muito difícil ao elaborador do exame conseguir um perfil do que de fato precisa ser medido pelas questões”, acredita.

Haddad discorda da questão levantada por Abaurre e cita o sistema norte-americano. “O método dos Estados Unidos funciona da mesma maneira e é o melhor sistema universitário do mundo. Não foi por outra razão que miramos nele para fortalecer o nosso.”

Outra crítica cada vez mais constante ao Enem como selecionador para as universidades é que o sistema de habilidades e competências, criado para avaliar alunos e não as escolas, na realidade não traz diferenças marcantes em relação ao vestibular convencional. É assim que vê Romualdo Portela, professor da USP que estuda políticas educacionais. “Existe uma coerência entre quem se qualifica para uma faculdade via Enem e via vestibulares convencionais. Não mudou substancialmente”, diz. A opinião de Portela é compartilhada por Otaviano Helene, ex-presidente do Inep durante o primeiro governo Lula. “As escolas também são responsáveis por desenvolver habilidades dos alunos. Portanto, quem está em escola melhor segue tendo vantagem”, afirma.

O ministro concorda que o cenário atual é este, mas deve mudar ao longo dos anos. “Veja a Prova Brasil, que é uma espécie de Enem do ensino fundamental (para alunos do 5° e 9° anos). Desde 2005, houve uma nítida queda na diferença entre as escolas particulares e públicas. É o que espero do Enem para os próximos anos.”

Os próximos dias devem ser de batalhas entre o MEC e a Justiça. Se não conseguir reverter a anulação, Haddad vai se manter forte o bastante para levar adiante o projeto de ampliação do Enem? O impacto nas mudanças curriculares pode demorar ainda mais se a resposta por negativa.

DO BLOGUEIRO> Artigo escrito antes da decisão judicial de sexta-feira

Interesses Econômicos no Debate do ENEM

Rede Brasil Atual

São Paulo – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofre uma ofensiva de interesses, segundo o sociólogo e consultor na área de educação Rudá Ricci. Ele enumera grupos e setores do que chama de "indústria do vestibular", de cursos preparatórios a docentes encarregados de formular as provas. Para ele, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional.
"Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional", esclarece. Um vestibular nacional do ponto de vista da aplicação e do conteúdo promove um impacto no ensino médio, de modo a reverter problemas dessa faixa da educação.

Para ele, os vestibulares descentralizados, feitos por cada universidade, provocam danos à educação, já que o ensino médio e mesmo o fundamental direcionam-se às provas, e não à formação em sentido mais amplo. "O ensino médio é o maior problema da educação no Brasil, é o primeiro da lista, com mais evasão, em uma profunda falência", sustenta.

"O Enem faz questões interdiciplinares, é absolutamente técnico, é super sofisticado", elogia. Os méritos estariam em privilegiar o raciocínio à memorização de conteúdos. Isso permitiria que o ensino aplicado nas escolas fosse além do preparo para enfrentar provas de uma ou outra universidade.

O Enem traz uma "profunda revolução", na visão de Rudá, "ao combater profundamente a concepção pedagógica e política de vestibulares por universidade". Ao se aproximar dessa concepção nacional – fato que aconteceu apenas nos últimos anos –, interesses de grupos educacionais foram colocados em xeque, o que desperta ações contrárias.

Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vetibular.

Controle social

Ricci critica a postura do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, e da ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. O sociólogo taxa os comentários feitos pelos especialistas ligados ao PSDB como "oportunismo". Isso porque, segundo ele, o uso da prova como seleção e seu caráter nacional, hoje criticados pelos tucanos, foram objetivos perseguidos durante a gestão de Renato na pasta, de 1995 a 2002.

O que ele considera como mudança de postura é resultado da disputa política, que faz com que os estudantes passem a rejeitar o exame. "Os jovens não querem mais essa bagunça. E têm razão", pontua.
"Existe uma movimentação para politizar esse tema; vamos ter o avanço de uma oposição organizada, que junta as forças políticas que perderam a eleição nacional com  escolas particulares, cursinhos que têm muito interesse na manutenção do sistema de vestibular", avalia.

O sociólogo defende o modelo de exame nacional, mas acredita que a fórmula possa ser aprimorada, seja com mais dias de provas, seja com provas aplicadas a cada ano do ensino médio. Ele aponta ainda que houve um desvirtuamento da proposta interdisciplinar e sofisticada, empregada originalmente, em função da necessidade de expandir a prova. Em 2010, foram 4,6 milhões de inscritos.

Ele acredita que a postura de críticas deve-se às diferenças partidárias. "Estão politizando o Enem, politizando o ingresso na universidade e o conteúdo da prova", lamenta. "Seria interessante ter um órgão que execute o exame sob controle social, não de governo, nem de empresas", sugere.

"A solução é nós discurtirmos nacionalmente esse gerenciamento em um modelo como o americano para o vestibular nacional", defende. O SAT, usado como método de seleção nos Estados Unidos, é aplicado por agentes privados de modo controlado pelo departamento de educação federal. Além de poder ser aplicado em dias diferentes, cartas de recomendação de professores e outros instrumentos também são considerados na seleção por parte de universidades.

ENEM - Conclusões

Parece que o processo eleitoral do segundo turno - ou os interesses que cada lado defendiam - continuaram nos últimos dias na polêmica sobre o ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio. Aqueles que defendem uma sociedade controlada e dirigida pelo capital ou defende os interesses privados em detrimento dos interesses coletivos tomaram a postura de demonizar o ENEM, como uma ação desprovida de qualquer objetivo e utilidade. Outros, por sua vez, mais preocupados com a universalização dos direitos tiveram a prudência de ponderar possíveis falhas sem, entretanto, matar a iniciativa. Até a justiça teve embates internos ou procedimentais que caminharam nos dois espaços. Primeiro, pediu a anulação da prova, proibindo inclusive a divulgação do gabarito com os resultados. Depois, ouvindo os argumentos do MEC, volta atras e libera os resultados, garantindo novas provas para os que foram prejudicados, como já defendia o MEC anteriormente.

Mas os debates foram acalorados e dignos de serem reproduzidos (alguns deles, claro), pois esclarecem uma série de dúvidas e argumentos que alguns tentaram nos fazer acreditar durante os últimos dias. Nos próximos posts tomarei a liberdade de reproduzir alguns deles. Aqui, coloco a última decisão da justiça, divulgada na tarde de ontem.

Do TODOS PELA EDUCAÇÃO

Justiça libera o Enem 2010

Exame havia sido suspenso após decisão da Justiça Federal do Ceará

Ministro e advogado geral da União participam de reunião no Recife.
Do G1, em São Paulo

O presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, derrubou a liminar que suspendia o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana. Segundo a assessoria de imprensa do TRF, a decisão saiu na manhã desta sexta-feira (12).

Após a decisão, o Ministério da Educação (MEC) informou que o gabarito e a página da internet que vai receber reclamações de estudantes prejudicados devem ser lançados ainda nesta sexta.

O exame havia sido suspenso na segunda-feira (8), em todo o país, depois de uma decisão da Justiça Federal do Ceará. A juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara, citou os erros verificados na prova e disse que a realização de uma nova prova poderia beneficiar um grupo de estudantes. De acordo com a decisão, também foram suspensas a divulgação do gabarito, a abertura de um site oficial para receber reclamações dos estudantes que se sentiram prejudicados e a realização da nova prova.

Na quinta (11), a Advocacia-Geral da União recorreu, a pedido do MEC.

O ministério alega que a teoria de resposta ao item (TRI), aplicada na elaboração e correção do Enem, garante que a nova prova terá o mesmo grau de dificuldade e não vai acarretar em vantagem a alguns estudantes.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, e o advogado geral Luís Inácio Adams se encontraram com o desembargador Gurgel de Faria, no Recife, depois da liberação do Enem.
 
Decisão
Segundo nota divulgada pelo TRF-5, o desembargador Gurgel de Faria entendeu que "a suspensão de um certame envolvendo mais de 3 milhões de estudantes traria transtornos" aos organizadores e candidatos de todo o país e que "a alteração do cronograma do Enem repercutiria na realização dos vestibulares promovidos pelas instituições de ensino superior".

Na decisão, também é citado um prejuízo de cerca de R$ 180 milhões aos cofres públicos, referentes à contratação da logística necessária.

Gurgel de Faria defendeu ainda que a decisão da Justiça Federal cearense de suspender a prova devido a uma "eventual irregularidade nas provas de menos de 0,05% dos candidatos, equivalente a 2.000 estudantes, finda por prejudicar todos os demais".

O Ministério Público Federal do Ceará, autor da ação civil pública que resultou na liminar que suspendeu o Enem, informou que ainda não foi notificado. Segundo a assessoria de imprensa, o procurador federal Oscar Costa Filho aguarda a decisão da Justiça Federal do Ceará sobre o pedido de anulação do Enem, feito na quarta-feira (10).
 
Exame
Cerca de 3,3 milhões de estudantes participaram do Enem 2010. Logo depois da primeira prova, no sábado, os estudantes reclamaram de erros na folha de respostas e no caderno de provas amarelo.

Na folha de respostas, os enunciados das áreas de conhecimentos estavam invertidos, na comparação com o caderno de questões. Alguns alunos alegam que preencheram o gabarito de forma invertida. O MEC havia informado que abriria uma página na internet para receber as queixas e que os casos seriam avaliados separadamente.

Estudantes que fizeram a prova amarela reclamaram que faltavam questões, outras estavam repetidas, a sequência numérica estava errada e havia, inclusive, páginas da prova branca incluídas no mesmo caderno. A estimativa é que cerca de 2 mil alunos tiveram problemas com a prova amarela. O ministério avalia a possibilidade de realizar um novo exame para essas pessoas.

Fonte: G1

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ENEM - Exageros ou Consistências?

Continua a polêmica - levantada principalmente pela rede globo - envolvendo as provas do ENEM do último final de semana. O dia de hoje trouxe novas luzes ao debate, principalmente no que diz respeito aos exageros da imprensa e da justiça federal do Ceará. Erros existiram e o MEC está afirmando que propiciará aos envolvidos novas provas já que os últimos números dão conta de pouco mais de 1500 alunos em um universo de 3 milhões e 600 mil. Por conta de 1500 todos devem fazer a prova novamente? Quais os reais erros do MEC? O que pretende o PIG nessa nova tacada no governo federal pós-eleição da DILMA? Perguntas que tento responder com os argumentos de vários lados. Vamos aos de hoje.

Da Carta Capital 1

Haddad defende que número de afetados no Enem é menor do que o estimado

Ministrou encontrou-se com presidente nacional da OAB; Justiça Federal do CE suspende a divulgação do gabarito
O número de afetados com a falha no caderno amarelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está abaixo dos dois mil alunos inicialmente estimados. Quem diz é o ministro da Educação, Fernando Haddad, que se encontrou, nesta terça-feira 9, com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante. “Já não são dois mil, a cada dia este número cai. Há 12 casos em Sergipe, alguns poucos casos no Paraná, sobretudo em Curitiba”, disse Haddad.

Após o encontro, o presidente da Ordem afirmou que no momento seria “precipitado” a OAB defender a reaplicação da prova. “Se a prova (nova) resguardar o princípio da igualdade constitucionalmente previsto, não vejo problema de ela ser reaplicada para um número reduzido de pessoas”, disse Cavalcante, referindo-se a proposta do MEC para que um exame com o mesmo nível de dificuldade fosse realizado apenas entre os candidatos prejudicados. “Se o princípio de igualdade não for resguardado, a Ordem terá um posicionamento pela anulação completa do exame”. Por último, ele cobrou mais rigor do ministério na impressão e verificação das provas.

Veto ao gabarito

A Justiça Federal do Ceará determinou a suspensão da divulgação do gabarito da prova, previsto para as 18 horas desta terça-feira 9. Mesmo após ação do MEC por meio da Advocacia Geral da União solicitando a revisão da medida, a juíza Karla de Almeida, da 7ª Vara Federal, considerou que a conhecimento dos resultados acarretaria em “ânimos acirrados” entre os que eventualmente forem aprovados e os com desempenho inferior.

A juíza também destacou as transgressões “às normas editalícias, especialmente no que se refere à presença de celulares dentro da sala de prova”.

Da Carta Capital 2

UNE e UBES criticam problemas com o Enem

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) divulgaram uma nota conjunta criticando os problemas ocorridos na aplicação do Enem e a postura do MEC pela rede social Twitter.

A prova, aplicada neste final de semana, teve problemas em alguns cadernos distribuídos para parte dos alunos. A impressão de algumas questões estava falha e a ordem do caderno de respostas foi invertida. A gráfica responsável pela impressão admitiu o erro. A Justiça Federal resolveu nesta segunda-feira 8 suspender o exame em todo o país. O Inep, órgão do MEC que organiza o Enem, tenta reverter a decisão.

Leia a nota divulgada pelas entidades estudantis:

NOTA OFICIAL – UNE E UBES SE POSICIONAM SOBRE O ENEM 2010

Diante dos problemas ocorridos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010 e da comunicação do MEC feita pelo Twitter (“Alunos q já ‘dançaram’ no Enem tentam tumultuar com msgs nas redes sociais. Estão sendo monitorados e acompanhados. Inep pode processá-los”), a UNE e a UBES se manifestam oficialmente:

É lamentável que o Ministério da Educação (MEC) tenha usado umas das mais importante redes sociais da atualidade, o Twitter, não para esclarecer e informar a respeito dos lapsos ocorridos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010 e, sim, para criar um clima de perseguição na internet. A inversão dos gabaritos e provas com falhas de impressão foram dois dos principais problemas que sabemos até o momento prejudicaram milhares de estudantes em todo o Brasil. Dessa maneira, a UNE e a UBES exigem:

1.     A imediata retratação pública do MEC e a responsabilização do autor da frase escrita no Twitter oficial da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação. A UNE e a UBES não aceitam qualquer tipo de ameaça aos estudantes brasileiros.

2.     O imediato e minucioso diagnóstico do Ministério da Educação sobre os problemas ocorridos e o exato número de estudantes prejudicados.

3.     A imediata decisão por parte do MEC de que os estudantes prejudicados terão o direito de realizar um novo exame.

Esses são os passos mínimos e gestos iniciais que o MEC deve atender para que a credibilidade do Enem 2010 seja garantida. A UNE e a UBES ainda fazem questão de esclarecer:

Não nos somamos  àqueles que se utilizam dos problemas para descredibilizar o Enem. Na opinião da UNE e da UBES, o Enem deve se consolidar na direção da democratização da universidade brasileira como são os casos do ProUni e da seleção de dezenas de universidades federais pelo país, superando o velho modelo do vestibular, cruel método de acesso ao ensino superior no pais. O Enem é também elemento fundamental na construção do Sistema Nacional da Educação. Defender o Enem é, antes de tudo, corrigir os seus erros.

UNE e UBES lançam canal de denúncias e reclamações

Para que os estudantes lesados possam fazer suas reclamações e compartilhar os problema enfrentados no Enem 2010, a UNE e a UBES lançaram uma central de denúncias pelo e-mail enem2010@une.org.br e, também, pelo telefone 11 2771.0792. A central vai funcionar das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira. A partir desse levantamento é que as entidades estudantis irão identificar possíveis medidas individuais ou coletivas ou outros posicionamentos a serem tomados frente ao Enem 2010.


Do Luis Nassif

A Entrevista do Ministro ao Bom Dia Brasil da Globo

Opinião de Augusto Cezar no post do Nassif

A inacreditável Rede Globo brinca de fazer jornalismo.

Aliás, faz jornalismo como se fosse novela.

O Bom Dia Brasil de hoje chamou Haddad para trucidá-lo. Trucidar a ele a ao Enem. Mas esqueceu de combinar com os russos. Seus jornalistas(?) foram mastigados pelo ministro que deu demonstração técnica inequívoca de que poder-se-á aplicar o exame apenas para os prejudicados sem qualquer quebra de isonomia.

Aí acabou o jornalismo e começou a novela.

Perguntar sobre o Enem não deu para desconstruir Haddad/Enem? Mude-se o assunto para IDH. Haddad jogou o mau índice da educação de maiores de 25 anos do IDH no colo dos tucanos, mostrou que o índice educacional IDH dos joves aponta para o dobro do antigo e desafiou a Globo para debater COM ANALISTAS EDUCACIONAIS INTERNACIONAIS o acerto da política educacional da última década.
Perguntar sobre IDH não deu certo? Mude-se a trama tele-drama-jornalística novamente para Enem. Algumas poucas questões mal formuladas, erros pontuais no gabarito. E um drama danado com os coitadinhos dos estudantes que passaram noites em claro estudando.

Dramalhão.

Os jornalistas da Globo não entendem nada de concurso. Não sabem que até em concursos de muito menor vulto shit happens, assim como shit happens no jornalismo da Globo.

Os jornalistas da Globo não fizeram concurso para lá estarem. Foram apadrinhados. Rostinhos bonitos, vozes agradáveis e muita desenvoltura para demonstrar indignação, raiva, alegria, indiferença, tristeza, esperança, enfim, demonstrar o que o diretor ordena no ponto eletrônico. São atores.

É o jornalismo-dramaturgia.

Por isso Kamel é o maior salário da Globo. Ele escreve a novela e dirige o elenco.

É o dois em um.

A Entrevista

Ministro da Educação participou de entrevista sobre polêmica envolvendo o Enem. Haddad declarou que é normal o cancelamento de questões em provas de vestibular e que nova prova deve ser aplicada para estudantes.

O Bom Dia conversa com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Alexandre Garcia: Repetir erro significa não ter aprendido as lições? Por que esse descuido?
Fernando Haddad, ministro da Educação:
Na verdade, é o contrário. No ano passado, nós tivemos o furto de uma prova, o que obrigou ao adiamento do exame que foi bem realizado 60 dias depois da data prevista. Foi um furto em uma gráfica de grande porte, uma gráfica que no dia do furto declarou que cumpria todos os requisitos de segurança. Depois, vocês mesmo mostraram as imagens de que isso não era verdadeiro.

Alexandre Garcia: Agora, o edital exigia uma conferência por parte do Inep que não houve?
Fernando Haddad, ministro da Educação:
Houve a conferência da matriz. O Inep não tem de condição de fiscalizar e ler 4,6 milhões de provas. O Inep lê a matriz, confere a matriz e dá ordem de impressão. A própria gráfica que é a maior empresa gráfica do mundo - que fatura US$ 20 bilhões por ano e é uma multinacional – em carta, ontem pela manhã, reconheceu que um lote de 21 mil provas saiu com erro de impressão.

Alexandre Garcia: A gente ouviu a decepção de alunos. O que o senhor tem a dizer para esses alunos que estão desconfiados?
Fernando Haddad, ministro da Educação: Que nós vamos recorrer da decisão da juíza. Não há nenhuma razão objetiva, técnica para cancelar a prova do sábado.

Alexandre Garcia: Não há razão para pedir desculpas a esses alunos?

Fernando Haddad, ministro da Educação: Todo desconforto merece por parte do poder público uma retratação. A questão é que se nós não acatarmos a teoria da resposta ao item, se nós não considerarmos que é possível aplicar uma prova aos alunos prejudicados, com o mesmo grau de dificuldade da primeira, nós vamos colocar em risco todo sistema de avaliação do Brasil.

Alexandre Garcia: Esse é o ponto. A Justiça está entendendo que, se aplicar nova prova a dois mil alunos ou menos de dois mil alunos, feriria o princípio da isonomia em concurso.
Fernando Haddad, ministro da Educação: Eu entendo o argumento, mas nós vamos levar ao conhecimento da Justiça que a tecnologia educacional nacional hoje permite com toda precisão fazer isso. Eu vou citar um exemplo. No ano passado, nós aplicamos dois Enems. Nós aplicamos um Enem para todo mundo e um Enem para os alunos que sofreram com as enchentes no Espírito Santo e para os alunos dos presídios. Eram duas provas distintas aplicadas em dias distintos. E os resultados saíram rigorosamente na mesma escala e na mesma data. Veja bem: o pagamento de bônus para professor de São Paulo. A Justiça vai derrubar porque os resultados não são comparáveis? O IDEB a Prova Brasil vão ser derrubados porque os resultados não são comparáveis. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) que permite a comparação entre estudantes de países diferentes de um ano para o outro: nós vamos derrubar? Nós vamos derrubar o TOEFL? Quer dizer, a Justiça precisa ser informada de que essa tecnologia está disponível e justamente para exames da escala do Enem.

Renato Machado: Ministro, o senhor e o Alexandre Garcia acabaram de mencionar vários exames internacionais que medem a capacidade de alunos de vários países. Eu queria mudar um pouco o assunto. Nesse ponto, o Brasil não tem se saído bem. Na verdade, no IDH da ONU, que foi publicado a poucos dias, o Brasil está em uma posição muito ruim por causa da educação. O senhor tem alguma coisa a dizer sobre isso?
Fernando Haddad, ministro da Educação: Eu discordo um pouco dessa avaliação por uma razão muito simples. O IDH conta com duas variáveis. Uma variável que olha para o passado que a escolaridade média do brasileiro com 25 nos ou mais. Nessa variável, nós vamos muito mal. Temos 7,2 anos. Mas essa variável olha para o sistema de ensino no século passado. A variável que olha para o nosso sistema educacional é expectativa de escolaridade que é quase o dobro da escolaridade média dos adultos brasileiros. Se você comparar as duas, você vai verificar que o Brasil é um dos países que mais avançou em escolaridade média. O PISA que vai ser anunciado em dezembro já nos dá conta de que, na primeira década do século XXI, o Brasil também está entre os três países que mais avançou em proficiência de leitura, matemática e ciências. Então, se você olhar para o que o Brasil foi na educação e verificar o local que nós ocupamos no ranking, você se decepciona, porque você pensa assim: “por que nós não fizemos mais pela educação no nosso país”? Mas se você olhar para o presente e para o futuro, o cenário é completamente diferente do século XX. Nós estreamos no século XXI com resultados importantes. E eu faço um convite a vocês: façam um debate com observadores externos ao Brasil. Façam um debate com pessoas que entendem de educação da CDE, do Banco Mundial, do BIDE, da UNESCO, da UNICEF e da OAI. Façam um debate público sobre o que foi a educação brasileira na primeira década do século XXI. Eu faço questão de participar ou assistir a essa debate, com toda tranqüilidade agora que nós estamos concluindo a primeira década do século.

Renata Vasconcellos: Ministro, vamos voltar para a prova do Enem. Além do problema de logística, foram apontados problemas na qualidade das provas, como erro de digitação, erro de pontuação, inclusive erros conceituais. Havia uma pergunta com duas respostas possíveis, questões repetidas, pergunta que não haveria uma resposta possível, apontadas por professores que avaliaram as provas. E agora?
Fernando Haddad, ministro da Educação: Isso na verdade, é o seguinte: o Enem tem 180 questões. E o gabarito oficial sai depois que os formuladores das provas que são professores universitários fazem a checagem final. No ano passado, por exemplo, nós tivemos que anular uma questão das 180. Quer dizer, há vários casos de vestibulares em que, a cada 100 questões, você tem uma taxa de tolerância em que se admite uma pergunta sem resposta ou com duas respostas em que a questão não é considerada. Então, nós vamos aguardar o parecer dos técnicos que elaboraram a prova. Conforme eu disse, são professores universitários convidados pelo Inep para formular a prova. E o gabarito oficial dá a palavra final sobre o assunto.

Renata Vasconcellos: No ano passado, grandes universidades descartaram o exame. Como o senhor vê a possibilidade de faculdades desistirem de usar o Enem no seu processo de avaliação, por causa das mudanças, inclusive no calendário?
Fernando Haddad, ministro da Educação: A desistência do ano passado se deveu ao fato de que nós não conseguimos processar os resultados em virtude do adiamento por 60 dias da prova. Não tem nada a ver com o Enem. Tanto é verdade, que todas que não usaram o Enem no ano passado, em função disso, voltaram a usar. O dobro de universidades usará o Enem este ano em relação ao ano passado. Ao todo, 500 mil alunos a mais se inscreveram no exame.

Alexandre Garcia: Estamos concluindo a entrevista. O que o senhor diria para os 3,4 milhões de estudantes que estão nessa dúvida? Eu sei que hoje o senhor vai falar com juristas para tentar convencê-los de que não há quebra de isonomia.
Fernando Haddad, ministro da Educação: Na verdade, o que nós vamos fazer é convencer o Judiciário que a tecnologia educacional hoje permite aplicar uma segunda prova sem nenhum prejuízo para os estudantes, com total isonomia, porque nós vamos seguir rigorosamente a mesma escala, como todas as avaliações nacionais e internacionais. Fazendo chegar essa informação à juíza, eu tenho certeza que ela vai mudar sua posição. Caso contrário, nós vamos recorrer ao tribunal, sem nenhuma dificuldade.

Aqui, no VioMundo, você pode ver o vídeo da entrevista, que também está disponível no link do Nassif


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O ENEM e os Acontecimentos

Do Luis Nassif


Gostaria de expor meus protestos contra a forma de apresentação das questões e da folha de gabarito do Enem 2010.

Antes de mais nada, sou totalmente favorável ao tipo de prova que se realiza nesse sistema de avaliação, priorizando proficiência de leitura, contextualização social/ nacional, a integração de conteúdos e, acima de tudo, ensinando também. As reclamações que vejo expostas por pais, professores de cursinho e outros são feitas por desconhecerem o que se exige hoje de um aluno que vai cursar uma boa universidade ou por má- fé, resultantes de interesses outros: como o político, o econômico etc.

Cumpre salientar que há outra parcela de pais que vêm "cobrando" das escolas particulares que seus filhos apresentem bom desempenho no Enem- o que provoca revisão de conteúdos , antes "acadêmicos demais", para uma nova forma de planejar e acompanhar o que ensinam. Sabe-se que as universidades há muito, muito tempo mesmo, vêm se queixando da formação dos alunos que ali chegam. Importante seria que os pais das escolas públicas, conscientizados e politizados suficientemente, também o fizessem, exigindo essa mesma revisão de contédos , tendo em vista os impostos que pagam.

Mas, não se admite, principalmente porque em seu segundo ano de democratização, que se encontrem os ERROS que se viu nessa edição. Palavras escritas com minúsculas em vez de maiúsculas, sem acento. alternativas pouco ou nada claras, questões de resolução muito óbvia (o que desrespeita a todos os alunos e de qualquer procedência: particular ou pública), folha de gabarito em ordem invertida de áreas avaliadas, entre outros.

Causa-me tristeza observar ERROS tão grosseiros, não que FUVEST, UNICAMP e outros não apresentem os seus também, entretanto como "telhado de vidro" que o Enem vem se tornando, com tantos senões e óbices de todos os lados, não poderia JAMAIS "se dar ao luxo" de deixar que tudo isso viesse a ocorrer.

Já desde o ano anterior, ouviam-se muitas queixas sobre a postura dos fiscais nas salas de exame, uns até lendo e ridicularizando redações que alunos haviam feito. Agora, sabe-se de uso de celulares, relógios, lápis etc. contrariando as regras antes estabelecidas e prejudicando aqueles que as seguiram.

Além disso, há o terrível, terrível mesmo, local de realização dos exames- não se pode pretender um exame democrático, se não se torna este, minimamente viável do ponto de vista do acesso. São dois dias de exame e distâncias enormes entre a residência e o local da prova- parece que em todos os Estados isso já havia acontecido e continua acontecendo da mesma maneira.

Sr. Fernando Haddad e Inep, por favor, sejam esclarecedores, ocupem o espaço reservado aos senhores no rádio e na TV e explicitem o que ocorre e o que ocorreu, por favor.

Caso contrário, o senhor José Serra terá razão ao afirmar que o Enem não é bom, que acabaria com esse tipo de Enem, que falta competência a quem o elabora e mais e mais. E a credibilidade de um EXAME, assim maiúsculo como esse e suas razões, pela SEGUNDA VEZ, podem "ir para o ralo." Quase que literalmente.

POR FAVOR, senhores.


Do Yahoo Notícias

Justiça Federal determina imediata suspensão do Enem
Por Redação Yahoo! Brasil

A Justiça Federal acatou liminar do Ministério Público Federal (MPF) e determinou a imediata suspensão do Enem 2010. A juíza da 7ª Vara Federal acatou argumento do MPF, de que o erro da impressão das provas, que apresentava questões divididas entre o cabeçalho de Ciência e Natureza e de Ciências Humanas, levou prejuízo para os candidatos.

Para a juíza Carla de Almeida Miranda Maia, a disponibilização do requerimento aos estudantes prejudicados pela prova correspondente ao caderno amarelo e a intenção de realizar novas provas para os que reclamarem administrativamente não resolve o problema.

Segundo o procurador da República Oscar Costa Filho, a decisão vem trazer segurança e estabilidade a todos que enfrentam essa comoção nacional. O fato de o diretor do Inep ter aventado realizar provas separadas para o mesmo concurso apenas confirma o total desconhecimento dos princípios que informam os concursos públicos, entre os quais a igualdade. A decisão tem efeito em todo o Brasil.

As provas aplicadas a 3,3 milhões de candidatos apresentaram diversos erros. Vinte e um mil cadernos de prova amarelos apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões aplicadas nos sábado (6). Não se sabe ainda quantos candidatos foram prejudicados por esse problema, já que em cada local de aplicação há uma reserva técnica de 10% dos exames que permitiria a troca do material defeituoso. Para evitar cola, o Enem tem quatro versões de prova: amarelo, azul, rosa e branco. As questões são as mesmas, o que varia é a ordem. Em milhares de casos, por um erro no encarte, folhas do caderno de prova amarelo estavam misturadas com folhas da prova branca. Com isso, estudantes se depararam com questões repetidas ou ausentes.

Também no sábado, a folha em que os estudantes marcam as respostas das questões estava com o cabeçalho das duas provas trocado. O exame teve 90 questões, sendo a primeira metade de ciências humanas e o restante de ciências da natureza. Mas, na folha de marcação, as questões de 1 a 45 eram identificadas como de ciências da natureza e as de 46 a 90, como de ciências humanas.

A gráfica RR Donnelley Moore, responsável pela impressão dos cadernos do Enem, emitiu nesta segunda-feira uma nota sobre o caso.

Segundo o texto, a impressão dos cadernos foi realizada dentro de rigorosos controles e o erro encontrado representa apenas 0,003% das 10 milhões de provas impressas. A gráfica informou que houve falha em um dos lotes de produção, que continha 33 mil cadernos amarelos com problema de ordenação. Desse total, 21 mil cópias foram distribuídas. O comunicado explicita que os erros se encontram "dentro da normalidade".

A gráfica também indicou que a manutenção do sigilo do conteúdo impede a leitura do material já impresso. Isto obriga a RR Donnelley Moore a "elaborar critérios especiais de verificação da qualidade de impressão, sem que esse conteúdo seja devassado", de acordo com a nota.

*Com Agência Brasil e Agência Estado